domingo, março 20, 2005

Democracia em sofrimento

Muitos são os pilares da Democracia. No dia em que os noticiários abriram com a notícia da morte de mais dois jovens agentes da Polícia, é tempo de fazer declarações políticas, ao contrário do que afirmou o Ministro da Administração Interna. Compreende-se a sua atrapalhação.
Como em todas as instituições, pode-se detectar dentro da Polícia tendências contraditórias, e a própria sociedade civil não manifesta uma posição clara e este respeito. A falta de clareza estende-se até aos que detêm a responsabilidade de exercer uma acção pedagógica, isto é, aos jornalistas.
Trinta e um anos passados sobre o 25 de Abril deveríam ter sido suficientes para erigir a Polícia - instituição vocacionada para a segurança dos cidadãos - a um dos pilares mais necessários da Democracia. Mas ouvem-se vozes à revelia deste entendimento. Desde o uso não inofensivo do calão bófia até posições mais graves de quem se apresenta como democrata sem demonstrar perceber bem do que está a falar. Vidé posição que o ex-Presidente da República Mário Soares:
Oh homem! Desapareça.
assumiu em tempos não muito remotos.
E, apesar de tudo, a que assistimos? Jovens na flôr da vida - autênticos heróis nacionais - levantando bem alto a bandeira da união com os interesses mais lídimos da população. Não só os que foram atingidos por acontecimentos como o de hoje que, pela sua crueldade, garantem visibilidade suficiente para elevar o share de audiências da TV-X no mercado de Publicidade dos telemóveis, mas muitos, muitos mais que passam despercebidos a quem não está com atenção a esta luta surda.
Um Polícia frágil e dócil, mal paga, mal preparada, desmuniciada, reservada a um papel simbólico, sé serve governos fracos e incapazes. Até à data não tive o prazer de verificar um esforço genuino de colocar a Polícia noutra situação mais digna por parte de qualquer dos governos dos últimos anos. Apenas promessas não cumpridas, para salvar as aparências. Só um força é capaz de alterar esta situação. O discernimento público generalizado.
Caro Leitor: se partilha esta preocupação, se deseja chegar mais cedo ao País em que cada Agente é olhado e acarinhado como um Amigo, sem suspeições anacrónicas, não se deixe ficar no silêncio. Não deixe ficar na mão os que, dentro da Polícia, têm sido os mais esforçados construtores da mudança. Há indícios de que, aqueles que sonhavam com o regresso da polícia-instrumento-do-governo estão a ceder.

2 Comentários:

At 02:52, Blogger Elisabete Ferrão disse...

Dê-lhes com força.Dantes, não se podia expressar a livre opinião,e expressava-se. Hoje pode-se mas não se faz,não é politicamente correcto, ou então, o que ganho eu com isso?
Parece-me que estamos em franco retrocesso.

À Polícia,não desistam.

 
At 22:24, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Elizabete

Olhando para o vosso esforço, não retiro quaisquer conclusões sobre retrocessos, muito pelo contrário.
Em muitos aspectos, este assunto da Polícia tem sido maltratado. Poucos sabem, por exemplo, que os governos com tentações ditatoriais começam sempre por enfraquecer a Polícia dos próprios países.

 

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