segunda-feira, junho 27, 2005

Supreme Court rules against file swapping

"The Supreme Court handed movie studios and record labels a sweeping victory against file-swapping, ruling Monday that peer-to-peer companies such as Grokster could be held responsible for the copyright piracy on their networks."

Artigo completo na zdnet.

Hoje é um dia triste para quem defende a utilização do software de partilha de ficheiros "P2P", dos gravadores de CD's e DVDs, assim como de iPods.

Agora só falta banir o email por permitir a troca de ficheiros ilegais. E já agora a própria internet por causa da pedofilia. Pensando bem, não sei porque é que as pessoas têm o direito de comunicar. Enfim, é melhor não me pronunciar mais senão ainda me aparece a polícia à porta.

terça-feira, junho 21, 2005

Santana Castilho versus José Sócrates

Carta aberta ao engenheiro José Sócrates

Santana Castilho*



Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras, motivadas por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta. A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta num direito que o Senhor ainda não eliminou: o de manifestar publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da governação.

Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento. Desminta, se puder, o que passo a afirmar:

1. Do Statistics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona Euro.

2. Outra publicação da Comissão Europeia, L"Emploi en Europe 2003, permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E que vemos? Que em média, nessa Europa, 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado, enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento. Ou seja, a mais baixa
dos 12 países, com excepção da Espanha. As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice destes dois países?

3. Um dos slogans mais usados é o do peso das despesas de saúde. A insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de 1458 euros. Em Portugal esse gasto é... 758 euros. Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730 euros, a Áustria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.

Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas, infelizmente para o País, os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo público.
A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado. A questão reside em fazer escolhas acertadas. O Senhor optou pelas piores. De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas:

1. Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito barbaridades. Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo patrão). Os funcionários públicos pagam os seus 11 por cento. Mas o seu patrão Estado não entrega mensalmente à Caixa Geral de Aposentações, como lhe competia e exige aos demais empregadores, os seus 23,75 por cento. E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos. Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua reforma calculada segundo os critérios aplicados aos restantes portugueses. Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco mais de uma década.

Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice das iniquidades que subjazem à sua política o ministro Campos Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7000 euros de salário os 8000 de uma reforma conseguida com seis anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte.

2. Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seu encantos baixou-os em quatro pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2. Porque não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de euros que as empresas privadas devem à segurança social? Porque não pôs em prática um plano para fazer andar a execução das dívidas fiscais pendentes nos tribunais tributários e que somam 20.000 milhões de euros? Porque não actuou do lado dos benefícios fiscais, que em 2004 significaram 1000 milhões de euros?
Porque não modificou o quadro legal que permite aos bancos, que duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos? Porque não revogou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento e a iníqua lei que permitiu à PT Telecom não pagar impostos pelos prejuízos que teve... no Brasil, o que, por junto, representará cerca de 6500 milhões de euros de receita fiscal perdida?

A verdade e a coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou para se diferenciar dos seus opositores. Quando subiu os impostos, que perante milhões de portugueses garantiu que não subiria, ficámos todos esclarecidos sobre a sua verdade. Quando elegeu os desempregados, os reformados e os funcionários públicos como principais instrumentos de combate ao défice, percebemos de que teor é a sua coragem.

* Professor do ensino superior

segunda-feira, junho 20, 2005

Parabéns, papá!

domingo, junho 19, 2005

Cenários fictícios

O cliente, pai de uma criança de dois anos, sai do consultório do Dr Zebreu estupefacto pelo preço que acaba de pagar pela consulta de cinco minutos: 75 euros.

Repartição do valor constante no recibo verde:
- 50 euros para a Clínica
- 25 euros para o Dr Zebreu
No acerto dos impostos, o Dr Zebreu retira, pelos 75 euros do recibo verde que está em seu nome, a quantia exacta com que ficou depois de pagar a logística da Clínica: 25 euros.
Decomposição dos ganhos operacionais após impostos:
- 50 euros para a Clínica - não chegou a emitir qualquer factura por este serviço
- 0 euros para o Dr Zebreu

O Dr Zebreu, como jovem pediatra, continua ligado à Universidade acumulando cursos que funcionam como créditos para a sua carreira. Encargo difícil de comportar com os ganhos da Clínica.

Felizmente, o Delegado de Propaganda Médica está disposto recomendar ao Laboratório que representa a inscrição do seu cliente para o curso de Reanimação de Recém-Nascidos (500 euros), caso este atinja um volume acordado de prescrições de medicamentos de Marca.

Caro Leitor: deixo ao seu cuidado adivinhar a sorte que fica reservada ao quadradinho autorizando explícitamente as farmácias a substituir medicamentos de marca por genéricos com igual princípio activo.

Parabéns Lúcio

É um presente pequeno mas de coração.
Fui buscá-lo a um aquário de 1984 e é preciso dizer que o peixe é "vermelho e comilão e pai de outro que nasceu pequenino". Tento suprir, assim, a falta de fotos por ti prometidas e não tiradas.
Daqui a 5 h serás mais velhote...
Uma beijoca.

quinta-feira, junho 16, 2005

A morte de Álvaro Cunhal

...Teve o condão de despertar um turbilhão de reacções infindável. Não pensava contribuir, mas creio que algo pode ser dito nesta pequena caixa.

...Para uns vilão, para outros herói, este português deixa pouca gente indiferente.

...Há quem o declare merecedor apenas de um processo em tribunal como criminoso (AOS). O que António de Oliveira Salazar se esqueceu de dizer é que considerava toda a forma de liberdade como uma ameaça ao desenvolvimento. Francamente, também não esperava mais, vindo de um ditador.

...Há quem o acuse de ter uma forma estudada de estar em público (JPP). O que José Pacheco Pereira se esqueceu de dizer é se conheceu algum político que não tenha estudado a sua forma de estar em público. Francamente, esperava mais, vindo de um Doutor em Filosofia.

...Há quem aproveite o momento para se vangloriar de vitórias sobre uma Ditadura Militar que Cunhal tencionava instaurar em Portugal (MS). O que Mário Soares se esqueceu de dizer é que o levantamento de processos de Intenção caracteriza precisamente os que concebem o Poder de forma ditatorial. Francamente, esperava mais, vindo de um Doutor em Direito.

Há quem se apresse a enterrá-lo politicamente por ter considerado que em Portugal não era possível a Social Democracia. Este ponto merece alguma atenção.
Até hoje apenas conseguimos chegar à democracia formal; com fortes ataques dos poderes constituídos ao seu aprofundamento. E afastar-nos cada vez mais dos países onde vigora a Social Democracia.
Pois não há Social Democracia que resista a um leque salarial que vai dos 70 contos/mes de salário mínimo aos 5000 contos/mês para os gestores de topo das empresas e organismos públicos. Como não há Social Democracia quando os serviços públicos são considerados - pelo próprio Poder que foi eleito para cuidar deles - apenas como fonte de desperdício, dignos de serem substituidos por serviços privados.
Até à data aquela asserção de Cunhal apenas tem sido confirmada pelos sucessivos governos saídos das eleições. Isto, apesar de estes governos terem disfrutado de excepcionais condições de auxílio externo para fazer de forma diferente. Se Cavaco Silva se retirou, foi porque descobriu que foi responsável - certamente involutário - pelos desperdícios dos fundos comunitários de Bruxelas, transformados numa concentração obscena de Ferraris no Vale do Ave.

Há quem o acuse de ser o responsável pela desertificação do Alentejo. Quem o afirma, omite que os trabalhadores das cooperativas da Reforma Agrária que estava consagrada na Constituição foram expulsos á bala e à bastonada pela polícia, para que nas terras assim abandonadas pudessem ser colocados pseudo-jovens-agricultores que mais não fizeram que transformar fundos em propriedades de lazer e mais carros de luxo.

Há quem o acuse de ter destruido a infra-estrutura industrial criada por supostos patriotas como António Champalimaud, Melos, e outros de ilustres famílias. Mas nos meses seguintes ao 25 de Abril esta gente mais não fez que fomentar golpes de estado contra o poder emergente, tal o desconforto que sentiam com o ambiente de liberdade que se vivia. E que, à primeira contrariedade, se apressaram a refugiar-se em países mais acolhedores, como o Chile de Pinochet.

Vai passar-se muito tempo até que voltemos a ter um dirigente partidário capaz de escrever um programa de acção que rivalize, em poder de antecipação dos acontecimentos, com a obra de Álvaro Cunhal. Se mais não fosse, por essa simples razão este homem grangeou uma posição cimeira no mundo da política. O que perturba sobremaneira que não tem essa capacidade.

Mas tenho para mim que o principal é o exemplo. Que cada um de nós seja capaz de discernir como ele pela sua cabeça, de estudar cuidadosamente a parte da realidade pela qual é responsável, que não tenha receio de tomar decisões e de intervir concordando ou discordando, e de considerar que a nossa sorte de amanhã se constroi nos dias que passam.

Jorge Coelho, vá fazer o seu trabalho de casa!

Ontem vi o programa "Quadratura do Círculo". Abstenho-me de outros comentários que não o que a seguir exponho. É que fiquei estupefacta com o que este senhor debitou em poucas palavras: ...que o "culpado" pelo comportamento dos jovens invasores e ladrões da(s) praia(s) da linha, há poucos dias, é o sistema educativo ...textual...é mesmo verdade; se não acreditam perguntem a quem viu com atenção!
- Sr. Jorge Coelho, por acaso sabe que as escolas são também reflexo das sociedades vigentes? Sabe que são polos de desenvolvimento, de acompanhamento, do saber, de detecção de casos problemáticos, de encaminhamento e de muito mais... mas que não são responsáveis pelos casos de exclusão, pela falta de estruturas de apoio à família, pelas dificuldades económicas, pela ausência de alternativas, pela falta de trabalho e, se quiser, pela falta de valores religiosos ou políticos?
Ou pretendeu lançar poeira para os olhos, sub-repticiamente, para que as pessoas pensassem:
"- então andamos a pagar aos professores para se chegar a este caos?"
- Senhor Jorge Coelho, eu também já lhe paguei parte do seu ordenado! Faz parte de um partido que, neste momento, está no governo! Exijo-lhe, no mínimo, o estudo prévio do que vai dizer em público e também competência no que diz e faz sob pena de denunciar o contrato do seu, meu, nosso governo, pelo menos na parte que me diz respeito!

terça-feira, junho 14, 2005

Um pouco mais de pão...

São muitas as pessoas que procuram as receitas de pão do nosso amigo Lúcio. Além disso já me perguntaram como é que "aparece" o pão feito. Fiz uma pequena pesquisa cujos resultados gostaria de partilhar. Começo por um pouquinho de história:

A mais remota informação diz-nos que há milhares de anos, A.C., se trituravam bolotas de carvalho e faia cuja mistura era depois lavada com água fervente para ficar menos amarga. Seguidamente secava-se a massa ao sol para ser consumida.

Sabe-se , também, que as farinhas de diversos cereais eram utilizadas em sopas começando-se, posteriormente, a misturá-las com mel, azeite, mosto de uva, tâmaras esmagadas, carne moída, ovos, moldando-se uma espécie de bolos que eram cozidos sobre pedras quentes ou sob cinzas.

Parece que foram os egípcios os primeiros a usarem fornos de barro sendo-lhes atribuída a ideia de acrescentar líquido fermentado às massas de farinha tendo obtido, deste modo, pães mais leves. Segundo Heródoto o pão era amassado com os pés e era feito de cevada. Os pães de farinha de trigo eram de qualidade superior e destinados apenas aos ricos.
Era hábito pagar-se com pão salários no Egipto. Como pagamento de um dia de trabalho um operário levava para casa 3 pães e 2 cântaros de cerveja.
Na mesma época os judeus preparavam o seu pão sem fermentos pois consideravam que a fermentação era uma forma de putrefação e impureza. Ofereciam, assim, este pão ázimo ( sem fermento ) a Jeová. Ainda hoje este pão ázimo é consumido por alturas da Páscoa.

Em Roma o pão era fabricado pelas mulheres em casa, tendo passado, posteriormente, a ser cozido em padarias públicas, segundo Plínio.
Na Europa este hábito foi implantado pelos romanos tendo as padarias públicas desaparecido com a queda do Império Romano, retornando o hábito de fazer pão doméstico.
Na Idade Média apenas os castelos e conventos possuíam padarias.

No séc. XVII a França tornou-se o centro de fabricação de pães de luxo, com a introdução de modernos processos de panificação. Seguiu-se a primazia no fabrico para a Áustria.

A invenção de novos processos de moagem da farinha contribuiu muito para a indústria da panificação.
Inicialmente os grãos de trigo eram triturados em moínhos de pedra manuais, que evoluíram para o de pedra movido por animais e depois para os movidos pela água e, finalmente, pelos moínhos de vento. Em 1784 surgiram os moinhos movidos a vapor seguindo-se a invenção dos cilindros, em 1881.

Mas, como aparece aquele pãozinho gostoso, quentinho, a partir da farinha de cereais?
Ora, faz-se pão apenas com água, sal, farinha e "fermento de padeiro" como se sabe. Este é diferente do fermento para bolos que é uma mistura de substâncias químicas, um ácido e uma base que reagem em presença de água, sob a acção do calor produzindo dióxido de carbono como um dos produtos.
O fermento de padeiro (levedura) é constituído por um "micróbio" vivo, chamado Saccharomyces cerevisae que se alimenta da massa produzindo vários compostos, entre eles o CO2(g), dióxido de carbono gasoso, que não consegue libertar-se completamente da massa húmida do pão, fazendo-o crescer.
O seu alimento é um açúcar - glucose - que é o constituinte principal do amido que perfaz 70% da farinha do pão. As moléculas de amido podem ser lineares ( amilose ) ou ramificadas ( amilopectina ). A levedura vai "trincando" as ligações entre as moléculas de glucose do amido, quebrando-as e "alimenta-se" dessas moléculas, isto é, fermenta a glucose para obter energia.
Neste processo de fermentação a glucose é transformada em CO2 gasoso, álcool etílico e outros compostos que dão aroma e sabor ao nosso pãozinho. É este gás libertado que o faz crescer.
E porque é que não se liberta o gás completamente?
Porque a massa do pão possui uma estrutura suficientemente elástica para se expandir mas, ao mesmo tempo, retém o gás produzido. Isto porque na farinha, essencialmente de trigo,também existem proteínas (para além do amido) que são constituídas por grandes moléculas enroladas, tipo novelo que, quando amassadas, se desenrolam indo ligar-se a moléculas de água e umas às outras, surgindo como que uma massa rendilhada, formando uma rede elástica denominada glúten. É esta rede que aprisiona o CO2 e vai esticando, esticando, aguentando a pressão exercida pelo dióxido de carbono expelido no processo de fermentação.
A farinha de trigo tem estas proteínas em quantidade razoável mas outras não como a de milho . Por isso o pão de milho é mais compacto porque não se forma a tal rede elástica quando se amassa a sua farinha com água. Se quisermos um pão de milho mais fofo devemos misturar as duas farinhas: de trigo e de milho.
...
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Crianças com a doença celíaca não devem comer pão de trigo, principalmente, devido à sua intolerância ao glúten.
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Esta é uma maneira simplista de descrever o processo de fabrico do pão mas também não era outro o meu objectivo. Espero que pelo menos o Lúcio tenha gostado...

terça-feira, junho 07, 2005

Qual deficit?

No melhor dos Mundos os programas dos governos são sufragados, a imprensa publica sem passar pelo "Exame Prévio", as posições políticas assumidas por cada um não constituem motivo de prisão. Mas fica sempre este amargo de boca que as receitas se repetem, as promessas eleitorais funcionam como engodo aos incautos e os probelmas agravam-se duma legislatura para a seguinte.

Os políticos que grangeam responsabilidades no Poder Democrático porque os eleitores acreditaram neles, no dia seguinte podem ver-se acobardados por trás de funcionários não eleitos: Governador do Banco de Portugal, Procurador Geral da República, outros de várias instituições europeias mais obscuras mas que detêm o poder de elevar as taxas de juro e sacrificar duma penada toda a qualidade de vida dos portugueses.

A ausência de Censura há muito que demonstrou não ser razão suficiente para garantir uma Imprensa de qualidade. Será, quando muito, uma condição necessária para o trabalho dos jornalistas, tal como a caneta e o papel, mas de nada vale para o que sai escrito. A dívida do Sistema Nacional de Saúde à Associação Nacional de Farmácias vai crescendo sem fim à vista e o governo continua cada vez mais prostado a seus pés. A Imprensa tem aqui um amplo campo de investigação sobre o desvirtuamento da gestão dos bens públicos, mas não se vê nada de substantivo. A Ordem dos Médicos vai mantendo o país no garrote da falta de médicos, por condições de "Numeros Clausus" medievais, mas não se vê a Imprensa a despertar a consciência pública para os meandros precisos destes mecanismos. O "Quarto Poder" demitiu-se, eclipsou-se. Ou melhor, mudou de campo. Está às ordens das "exigências do Mercado": e fundiu-se com os outros.
Que leva sucessivos governos a prostarem-se perante ditames de terceiros que não os elegeram, deitando pela borda fora os problemas daqueles que os elegeram?

Talvez não seja participação democrática suficiente a colocação de um voto na urna uma vez cada quatro anos.
Talvez estejamos a depositar demasiadas espectativas em pessoas que não têm capacidade para assumir responsabilidades.
Talvez estejamos iludidos quanto ao alcance real da Imprensa como forma complementar do Poder Democrático.
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Talvez o verdadeiro deficit não seja orçamental, mas cultural.

segunda-feira, junho 06, 2005

Thiruvananthapuram Declaration

The Free Software Free Society Conference held at Thiruvananthapuram during May 28-30 adopted the following declaration:

The Thiruvananthapuram Declaration

May 29, 2005


We are currently living in a world that is increasingly getting interconnected and the issues of our concern are becoming global. Along the way, new Information and Communication Technologies (ICTs) transformed the process of knowledge construction and dissemination in our society. This process is transforming other fields of human creativity as well — including music, painting or writing. Human history is calling us to take note of this change. Creative works today live in a digital world, travel at the speed of light, get transformed in seconds, become part of several other creations, and grow in a number of other ways.

As society transforms drastically, we — students, engineers, IT professionals, social activists, lawyers, elected public representatives, media persons, film-makers and concerned citizens — urge our world to take note of the immense potential opening up for humanity, and to ensure that technology is harnessed in the needs of the time to tackle the wider concerns of our planet.

Free Software has convincingly demonstrated to the world we know that knowledge building is enhanced by freedom, openness and social consciousness; and that such features are very effective in creating a fairer society and enhance the cause of the social good.

In the new networked and digitized society, the intangible (non-materialistic) aspects of reality are becoming more important in comparison with the material ones. Several years of material-centered development has not helped humanity to create a better world for all; or even for the majority on this planet.

To face the challenges of the day, we need a new model of development centered around non material aspects of life — including collaboration, sharing, and compassion. Such a society is evolving today on the foundations of freedom, collaboration and shared knowledge.

We call it the gnowledge society (see http://www.gnowledge.org).

In our view, the gnowledge society will and must prefer:

* freedom over bondage;
* sharing over monopoly;
* public good over private profit;
* participation over exclusion;
* cooperation over competition;
* diversity over uniformity.

We find that patent, copyright and other legal and institutional systems related to human knowledge are not suitable for the development of the gnowledge society. These systems were created during the industrial revolution, and then continued in spite of major changes in how technology shapes our lives. These systems were not designed for, and therefore cannot cater to, the emerging gnowledge society. For the development of human society, it is imperative that we promote the collaborative development and free sharing of knowledge.

Such principles are not only consistent with, but even mandated by, the spirit of human rights as defined by the present legal system.

We, the participants at the Free Software, Free Society conference in Thiruvananthapuram underline the following:

We call upon the social and political institutions to eliminate systems that hinder the development of the gnowledge society.

We demand that every human being works for a more fair distribution of knowledge for all, and for a world based on knowledge sharing and collaboration.

Agreed upon in Thiruvananthapuram, South India, amongst the participants at the Free Software, Free Society Conference, by participants from the countries of:
Bangladesh,
Brazil,
India,
Italy,
Norway and
Venezuela.

domingo, junho 05, 2005

Portugal = jacarandá

Segundo o Dicionário Universal da Língua Portuguesa On-Line a definição de Portugal é a seguinte:

jacarandá

s. m., Bot., Brasil, nome de várias plantas bignoniáceas e leguminosas;
Portugal, pau-santo, pau-preto.


Siga o link e coloque Portugal na caixa de pesquisa para experimentar...

A forma inteligente de combater o défice energético

"Even though Japan is already among the most frugal countries in the world, the government recently introduced a national campaign, urging the Japanese to replace their older appliances and buy hybrid vehicles, all part of a patriotic effort to save energy and fight global warming. And big companies are jumping on the bandwagon, counting on the moves to increase sales of their latest models."
Notícia completa no New York Times

Gostaria muito de ver o dia em que Portugal fosse capaz de ter uma atitude semelhante.

sábado, junho 04, 2005

[BD] Dog Mengo


Acabou de sair "Dog Mengo" de Jan Bosschaert e Jean Dufaux que é a continuação da excelente série Jaguar. Para quem não conhece, é uma ficção científica em que mistura o passado, o presente e o futuro numa história engraçada e com um desenho de cortar a respiração.

sexta-feira, junho 03, 2005

[BD] Isaac, le pirate - tome 5



Acabou de sair mais um episódio de "Isaac, le pirate" de Christophe Blain para alimentar o meu vício em banda desenhada. Altamente recomendável para quem gosta de banda desenhada francófona.

quarta-feira, junho 01, 2005

The EU Constitution; savaging national sovereignty

"The EU constitution is a Trojan horse slapped together by corporate and banking elites with the clear purpose of undermining national sovereignty and accelerating globalization. Thank God the French had the common sense to read the document and vote it down..."

Este artigo continua aqui.

Eugénio Rosa versus Victor Constâncio

Caro (a) amigo (a)


O dr. Victor Constâncio, a pedido do governo, elaborou conjuntamente com outros economistas um extenso relatório sobre o défice orçamental com 70 páginas.

Neste estudo analiso os aspectos mais importantes desse relatório, mostrando as suas debilidades que não têm sido dadas à opinião pública pelos órgãos de informação.

Para além disso, com base na análise da lei fiscal, procuro mostrar como se podiam aumentar as receitas sem aumentar a injustiça fiscal, que é o que acontecerá com as alterações e nível de impostos anunciadas pelo governo.

E isto porque as leis fiscais actualmente em vigor contêm numerosas disposições que permitem a quem tenha dinheiro e conhecimentos fugir ao pagamento de impostos como provo enumerando até os artigos dos respectivos códigos.

Espero que este estudo possa ser útil.


Com consideração,

Eugénio Rosa (edr@mail.telepac.pt)
Economista


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