sábado, maio 20, 2006

Um tiro no pé

Passados trinta anos depois de terem congelado as rendas, o estado descobre agora que no mesmo acto em que congelou as rendas, foram congeladas as contribuições autárquicas.
Não lhe ficava nada mal limitar-se a admitir humildemente que errou, mesmo que atirasse as culpas para o governo que estava de serviço na altura, e sobretudo limitar-se a fazer uma coisa tão simples como, admitido o erro, apagar a lei e entregar o seu a seu dono, cada qual com as suas competências.
Em vez disso, e à boa maneira portuguesa no seu pior, toca de atirar as culpas da degradação do parque habitacional para cima dos senhorios, e passar à velha táctica de "curar a ferida do cão com o pelo do mesmo cão", ou seja, entre senhorios e inquilinos, eles que se entendam acerca da melhor maneira de actualizar o valor patrimonial para efeitos do IMI (imposto municipal sobre imóveis).
Porque não é de outra coisa senão disto que se trata, o estado nunca quis nem quer saber da degradação do parque habitacional, a única coisa que quer é que os valores patrimoniais sejam actualizados, de maneira a recuperar as receitas que lhe permitam dizer à europa que resolveu o problema do défice.

2 Comentários:

At 00:06, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Olá Zé

O Estado somos nós, tu e eu incluídos. Se andamos a dar tiros no pé ... talvez seja melhor não nos vangloriarmos tanto disso.

Um abraço

 
At 09:38, Blogger José Ferrão disse...

Olá Toneca,
Realmente o estado somos todos nós, mas enquanto um de nós é que dá o tiro, as dores tocam sempre a todos, de uma maneira ou de outra.
Ao menos, que as dores sirvam para se conseguir ver mais além, quando se aponta para um objectivo.
Quer esse objectivo seja a asneira inicial, quer seja aquilo que se apresenta para corrigi-la.
Obrigado.

 

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