quinta-feira, fevereiro 23, 2006

A arrogância de Sócrates

Quando o Primeiro Ministro de Portugal disse publicamente, esta semana, a propósito da greve dos professores às aulas de substituição, dentro das suas componentes não lectivas, que os respectivos sindicatos são do contra geneticamente sejam quais forem as medidas tomadas pelo governo "mesmo que sejam para melhor", e que para o ano lectivo próximo irão acontecer aulas de substituição ( entenda-se animação ) no Ensino Secundário, a mim pareceu-me que estava a voar no tempo, que talvez estivesse a passar por um buraco negro e a regressar aos tempos dos meus 20 anos, enquanto estudante e a ouvir um qualquer governante marcelista.

Primeiro, pensei que talvez Deus lhe tivesse dito que as suas medidas, as que vai tomando, são as melhores para o país. Se assim não foi terá ele pensado que são as melhores. Não perguntou a opinião a mais ninguém.

Segundo, achei-o vingativo, pois foi durante a greve às aulas de substituição ao básico que ele anunciou as futuras para o secundário.

Daqui retirei a conclusão que a vingança, a arrogância, a prepotência que tem demonstrado conforme vai retirando direitos adquiridos pelos trabalhadores, depois de tantas lutas e sacrifícios passados por quem de facto trabalhou(a) e não parasitou(a), só podem ser atribuídas ao autoritarismo que tem vindo a demonstrar. Prefiro a palavra escolhida para não ferir susceptibilidades.
Para além disto tudo era bom que o nosso 1º ministro se lembrasse, de vez em quando, que ele também é funcionário público e pago por todos os que descontam, e, portanto, que deve ter algum cuidado no seu desempenho.

sábado, fevereiro 18, 2006

"Os bodes expiatórios: reformados, funcionários públicos e desempregados"

Uma carta aberta saída no "Público" que eu subscrevo:

CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES ( no jornal: Público )

Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras motivadas por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta. A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta NUM DIREITO QUE O SENHOR AINDA NÃO ELIMINOU: o de manifestar publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da governação.
Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento.

Desminta, se puder, o que passo a afirmar:

1.º Do Statics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona Euro.

2.º Outra publicação da Comissão Europeia, L´Emploi en Europe 2003, permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E o que vemos? Que em média nessa Europa 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado, enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento.

Ou seja, a mais baixa dos 12 países, com excepção da Espanha. As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice destes dois países?

3º. Um dos slogans mais usados é o do peso das despesas da saúde.
A insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de 1458. Em Portugal esse gasto é … 758. Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730, a Áustria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.

Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia.
Mas infelizmente os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo público.

A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado.
A questão reside em fazer escolhas acertadas. O Senhor optou pelas piores.
De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas:

1.º Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito barbaridades. Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo patrão).
OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PAGAM OS SEUS 11 POR CENTO.
Mas O SEU PATRÃO ESTADO NÃO ENTREGA MENSALMENTE À CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES, COMO LHE COMPETIA E EXIGE AOS DEMAIS EMPREGADORES, os seus 23,75 por cento.
E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos.
Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua reforma ser calculada segundo os critérios aplicados aos restantes portugueses.

Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco mais de uma década.
Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice das iniquidades que subjazem à sua política o ministro Campos e Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7000 Euros de salário, os 8000 de uma reforma conseguida aos 49 anos de idade e com 6 anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte.

2.º Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seus encantos, baixou-os em 4 pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2.

· Por que não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de Euros que as empresas privadas devem à Segurança Social?
.Por que não pôs em prática um plano para fazer a execução das dívidas fiscais pendentes nos tribunais Tributários e que somam 20 mil milhões de Euros?
· Por que não actuou do lado dos benefícios fiscais que em 2004 significaram 1000 milhões de Euros?
· Por que não modificou o quadro legal que permite aos bancos, que duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos?
· Por que não renovou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento que permitiu à PT não pagar impostos pelos prejuízos que teve no Brasil, o que, por junto, representará cerca de 6500 milhões de Euros de receita perdida?

A Verdade e a Coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou para se diferenciar dos seus opositores.

QUANDO SUBIU OS IMPOSTOS, QUE PERANTE MILHÕES DE PORTUGUESES GARANTIU QUE NÃO SUBIRIA, FICÁMOS TODOS ESCLARECIDOS SOBRE A SUA VERDADE. QUANDO ELEGEU OS DESEMPREGADOS, OS REFORMADOS E OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COMO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE COMBATE AO DÉFICE, PERCEBEMOS DE QUE TEOR É A SUA CORAGEM.

Santana Castilho (Professor Ensino Superior) Jornal "PÚBLICO" 06.06.2005

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Portugal + Positivo


Portugalmaispositivo é uma iniciativa para encher o ego a todos os portugueses.
Vale a pena visitar e contribuir para o nosso próprio sucesso.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Petróleo/Aeroportos

..."REPSOL RECONHECE O PICO. A Repsol YPF, a principal companhia petrolífera espanhola, reconheceu formalmente a realidade do pico petrolífero. O reconhecimento foi feito por um dos seus directores durante a última conferência da European Association of Geoscientists and Engineers, o qual apresentou ali o seguinte gráfico do declínio: A notícia está em http://www.crisisenergetica.org/


CHEVRON RECONHECE O PICO. A Chevron — uma das maiores companhias petrolíferas do mundo — já reconhece explícita e publicamente o pico petrolífero. A companhia está a publicar anúncios nos media que dizem coisas como esta: "Levou 125 anos para usarmos o primeiro trilião de barris de petróleo. Usaremos o trilião seguinte em 30 anos. A energia será uma das questões definidas deste século. Uma coisa é clara: a era do petróleo fácil está acabada" (sic). A Chevron, além disso, solicita a ajuda do público a fim de racionalizar o uso do petróleo e abriu o sítio web http://www.willyoujoinus.com/ (será que você se juntará a nós?) destinado a promover o diálogo acerca dessas questões. Devagar e lentamente o mundo começa a despertar para a realidade da Curva de Hubbert, do pico petrolífero e do esgotamento inexorável que se seguirá. Só em Portugal é que o governo ainda não acordou: insiste em iniciar agora a construção de um novo aeroporto de raíz a ser inaugurado em 2015 ! — ano em que o tráfego aéreo mundial já estará claramente em declínio. Ver o artigo Esgotamento do petróleo, tráfego aéreo e construção de novos aeroportos , de John Busby.

IMPEDIR O NOVO E RUINOSO AEROPORTO DE LISBOA. O governo insiste na construção de um novo aeroporto para Lisboa. Ele seria inaugurado por volta de 2015, ou seja, muito depois do pico petrolífero. Assim, investir na construção de um novo aeroporto — seja qual for a sua localização (Ota ou alhures) — constitui um erro gigantesco e ruinoso para a economia nacional. Portugal não precisa de qualquer novo aeroporto (nem provavelmente qualquer outro país do mundo). Após o pico de Hubbert , e a consequente alta do preço do petróleo, o volume de tráfego aéreo em todo o mundo irá estagnar e até mesmo regredir. Não se justifica, portanto, estar a gastar quantias enormes na construção de um aeroporto a partir do zero. Trata-se de um desperdício de recursos tão colossal que legará uma pesada dívida às futuras gerações de portugueses. Este governo, se tivesse lucidez, deveria de imediato aplicar os recursos que dispõe numa política geral de substituição do petróleo por gás natural e outros meios energéticos em todos os sectores de actividade — a começar pelos transportes. A factura petrolífera do país em 2004 (quando o preço médio do barril de Brent ainda era de US$ 38,27) foi de 4.687 milhões de dólares, ou seja, um aumento de 30,4% em relação a 2003. E em 2005 o preço médio do Brent já ultrapassou os US$ 54 (ver preços de referência nesta coluna, mais abaixo). Para um governo que se queixa do défice orçamental — e que faz os portugueses pagarem por isso — tal iniciativa é aberrante. Ela revela, além disso, uma ignorância espantosa acerca da realidade energética mundial. É urgente criar um movimento de opinião pública que impeça a consumação deste novo crime de lesa economia nacional. Portugal está farto de maus investimentos que o arruinam, provocam défices e prejudicam a sua população. Os interesses nacionais estão acima dos interesses de empreiteiros de obras públicas..."

O Teorema de Pitágoras

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Salpicos de AMOR

O amor conforta como o brilho do Sol depois da chuva.
W.SHAKESPEARE (1564-1616 ).

Tivesse eu do firmamento os véus bordados,
Entretecidos com luz de ouro e de prata,
azuis e ténues e escuros
Da noite e luz e da penumbra,
Estenderia-os sob os teus pés:
Mas eu, sendo pobre, tenho somente os meus sonhos;
Estendi os meus sonhos sob os teus pés:
Caminha levemente, pois caminhas
sobre os meus sonhos.
YEATS (1865-1939 ).

Para mim és o portão do paraíso. Por ti renunciarei à fama, à criatividade, a tudo.
F. CHOPIN ( 1810-1849 ).
carta a Delphine Potocka.

Para sentir todo o valor da alegria é necessário ter alguém com quem a dividir.
MARK TWAIN ( 1835-1910 ).

Quando duas pessoas se amam, não olham uma para a outra, olham na mesma direcção.
GINGER ROGERS.

É uma palavra curta, mas contém tudo:
significa o corpo, a alma, a vida, todo o ser.
Sentimo-lo como sentimos o calor do sangue,
respiramo-lo como respiramos o ar, trazemo-lo
connosco ao mesmo tempo que trazemos
os nossos pensamentos.
Nada mais existe para nós.
Não é uma palavra; é um estado inexprimível
designado por quatro letras...
GUY DE MAUPASSANT ( 1850-1893 )

Duvidai que as estrelas são fogo;
Duvidai que o Sol se move;
Duvidai da verdade, como se mentisse;
Mas jamais duvideis que amo.
W. SHAKESPEARE ( 1564-1616 ).

Todo o tempo que não é gasto no amor é desperdiçado.
TASSO ( 1544-1595 ).

O prazer sensual passa e desvanece-se num
piscar de olhos, mas a amizade entre nós,
a confiança mútua, as delícias do coração,
o encanto da alma, estas coisa não perecem
e nunca podem ser destruídas.
Amar-te-ei até morrer.
VOLTAIRE ( 1694-1778 )
a Mme Denis

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É bom pensar na intemporalidade do amor
esquecer a presença quase permanente do ódio,
do oportunismo,
no nosso dia-a-dia.
Acreditar que o amor há-de vencer um dia.









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