terça-feira, julho 25, 2006

Para sorrir, apreciar e relaxar

No blog "MEUS ESCAPES", num post de Carlos Pereira- COISAS ANTIGAS... sempre NOVAS - podemos deliciarmo-nos com a arte de bem-fazer e com a inspiração do seu autor. Não esqueça o som cujo ritmo acompanha o desempenho. Veja aqui.

Sociedade Portuguesa de Matemática e os Exames Nacionais

Alguns excertos...

"No entender da SPM, as duas provas de exame do 3º Ciclo incorporam perguntas que não avaliam devidamente o desempenho matemático dos alunos."

"Em ambas as chamadas, muitas questões avaliam excessivamente a capacidade de leitura, interpretaçao e/ou análise de texto em deterimento de conhecimentos específicos de Matemática."

"Em diversos casos, tenta-se aplicar a Matemática à realidade de um modo forçado, ou até mesmo sem sentido. É o caso da pergunta 1 da 2ª chamada, em que as informações prestadas são demasiado extensas, desnecessárias e apresentadas de forma palavrosa."

"Noutros casos utiliza-se uma linguagem científica errada. É o que se passa na pergunta 1 da 1ª chamada, em que os conceitos físicos de peso e massa são confundidos e em que a notação usada para kilograma (Kg) não corresponde à norma oficial (kg), que é a aprendida pelos alunos na disciplina de Físico-Química frequentada no mesmo ciclo."

Para os interessados, a leitura do texto integral aqui.

quarta-feira, julho 19, 2006

O que quer Israel?

Imagine um grupo de generais que durante anos simularam cenários sobre a Terceira Guerra Mundial, na qual deslocam exércitos enormes, usam as armas mais sofisticadas e gozam da imunidade dos seus quarteis-generais computarizados de onde dirigem os seus jogos de guerra. Agora imagine que esses generais sao informados de que nao haverá Terceira Guerra Mundial e que as suas aptidões sao necessárias para acalmar alguns subúrbios próximos ou lidar com a criminalidade crescente que ocorre em bairros empobrecidos. E então imagine - no episódio final da minha crise hipotética - o que acontece ao descobrirem quão irrelevantes foram os seus planos e quão inúteis são as suas armas na luta contra a violência nas ruas, resultante das desigualdades sociais, pobreza e anos de discriminação. Poderão nessa altura admitir o seu fracasso ou, não obstante, decidir-se a usar o poder destrutivo do arsenal colocado à sua disposição. Testemunhamos hoje a devastação causada pelos generais israelitas que optaram pela segunda alternativa.

Fui professor em universidades israelitas nos últimos 25 anos. Muitos dos meus alunos eram oficiais superiores do exército. Assisti à sua frustação desde que foi desencadeada a primeira intifada em 1987. Eles detestam este tipo de confrontação, denoinada eufemisticamente pelos americanos de Relações Internacionais como "conflito de baixa intensidade". É demasiado baixo para o seu gosto. Foram colhidos com pedradas, coktails molotov e armas primitivas requerendo um uso muito limitado do soberbo arsenal acumulado ao longo dos anos e não punha à prova as suas capacidades num campo de batalha verdadeiro. Mesmo que façam avançar tanques e caças F-16, estão apenas a esboçar uma sombra daquilo para que foram preparados no quartel-general israelita Matkal, equipada com o que de mais sofisticado se pode encontrar no mercado, e pago com os impostos dos contribuintes americanos.

Tradução (excerto) de
Ilan Pappe, The Electronic Intifada, 14 July 2006
Ver o artigo completo em inglês aqui.

A arte de nada dizer - Os Exames Nacionais

Não resisto vir aqui escrever um pouco depois de ter ouvido a Ministra da Educação falar no noticiário das 20 h , na SiC, hoje mesmo.

Depois de algumas perguntas mal direccionadas pela jornalista, que não é especialista nos assuntos abordados, fiquei pasmada, é o termo, por não ter percebido nada das justificações que a senhora estava a pretender divulgar pela TV, antes de ir à Assembleia da República prestar esclarecimentos. Atrevi-me a perguntar à pessoa com quem jantava se tinha compreendido alguma coisa, podia eu ter estado distraída, que o sou.
- Não, fiquei na mesma - respondeu-me.

Há pessoas, que as conheço, que têm uma grande capacidade em jogar com as palavras, mexer com elas, misturá-las, dizer coisas bonitas, outras feias e, depois de tudo dito, espremido por nós, resulta uma ausência de um qualquer raciocínio lógico, a falta de um fio à meada que nos leve à essência da mensagem.

Nestes casos:

- ou a pessoa brinca com as palavras, divertindo-se, retirando para si própria um prazer isolado, mal partilhado, não contribuíndo com nada para uma sociedade que se pretende melhor;

- ou faz o mesmo que atrás disse, com desprezo pelos outros, gozando sempre com as situações com que se depara, para se autopromover num exercício narcísico, de quem tem muitos problemas mal resolvidos - continuando a não contribuir para mudar o status quo;

- ou, que deve ser o caso do que ouvi, fala, fala, compara, refere cartas não divulgadas, mistura disciplinas com programas antigo e novo, fala na organização, e tudo isto intencionalmente, numa tentativa de baralhar qualquer tentativa de raciocínio, porque não é capaz de reconhecer erros cometidos pelo M.E. no que diz respeito aos Exames Nacionais.

A Senhora Ministra não foi capaz de esclarecer como o exame de Química do 12º ano foi demasiado extenso, não foi capaz de dizer que o seu ministério não divulgou previamente exames-tipo, como era habitual, as chamadas provas modelo que eram um indicativo do trabalho que tinha que ser feito ao longo do ano para se ficar habilitado para as provas finais.

Também não referiu que os livros adoptados para o programa novo chegaram no final do ano lectivo anterior às escolas para serem escolhidos.

Não disse que os professores daquela disciplina tiveram que contar só com eles e os colegas para se esclarecerem sobre assuntos novos, nomeadamente os compósitos - o que até não é difícil- mas cuja abordagem engloba um emaranhado de matérias, um modo diferente de organizar os conhecimentos a serem adquiridos e que a carga laboratorial era extensa.

Que o tempo escasseia para cumprir programas. Que se um professor adoece 2 dias fica desfavorecido relativamente aos colegas e que a legislação não permite a sua substituição.
Que 28 alunos numa turma deste tipo é um número que não favorece um ensino individualizado.
Não disse que se cada grupo disciplinar tivesse uma bolsa de professores (só um?!) era mais fácil substituir um que tivesse ficado rouco, no trânsito, preso no elevador...
Não disse que não quer investir nisso, que não quer gastar dinheiro, pagando a esse professor, para o país recolher frutos mais tarde.

E como não sabe justificar-se, lembrou-se da Física do 12º ano, que embora tivesse tido mais 1 valor , em média, a nível nacional, para calar bocas, resolve incluí-la na factura a pagar e dá 2ª oportunidade às 2 disciplinas. Em anos anteriores a Física tinha normalmente médias negativas mais vezes do que a Química.

- Se eu não percebi a sua mensagem, que sou da área, como há-de Vossa Excelência conseguir transmitir o que pretende, tentando fugir ao assunto e não sabendo onde pôr o(s) pé(s) em águas escuras, lodosas, tão escorregadias, já que não são do seu domínio?

domingo, julho 09, 2006

Pontosnosii

Esta é uma revista mensal que começou em Janeiro deste ano e, por isso, já vai no nº 7. Propriedade e produção da Texto Editores; custa 2,50 Euros e tem como objectivo principal a Política Educativa. Foca opiniões de vários quadrantes e apresenta artigos de muito interesse.

( Só agora tive tempo, posso dizê-lo francamente, para me debruçar sobre ela. O trabalho de um professor é demasiado absorvente, muito exigente e temos que dar descanso ao cérebro se quisermos continuar na profissão logo, não há tempo para muita investigação paralela, noutros domínios que não aqueles para que estamos programados...
Quantos sonhos são deixados de lado para conseguirmos cumprir os vários papéis que desempenhamos... ).

Santana Castilho é o seu director e quero deixar aqui expresso o meu apreço pelo seu trabalho que vem preencher algumas lacunas na informação sobre a educação especialmente no nosso país. Parabéns Professor!

Foto de António Rosado

Coordenador da Escola Superior de Educação de Santarém é autor de várias publicações na área da Educação.

O número de Julho tem o seguinte editorial por ele escrito:

O logro
O exame de português do 12º ano é o paradigma de uma política e de uma estratégia marcadas por um facilitismo intolerável e uma falta de rigor e de responsailidade socialmente criminosas. Não surpreende quem esteja atento ao desastre em que se consubstanciam as medidas da ministra da Educação. Mas revolta por ser uma 0de à preguiça e ao ridículo e por se constituir em afronta aos professores sérios e aos estudantes aplicados.

A polémica a propósito da existência ou não de exames é recorrente. Mas, na senda do estatuto editorial que definimos, onde defendemos o pluralismo de opiniões sem que tal signifique o abandono ou a dissimulação da nossa própria opinião, afirmamos peremptoriamente que os exames, como elo de validação, perante a sociedade, do trabalho feito na sala de aula, como instumento de certificação externa desse trabalho e como meio de relativização de critérios díspares entre escolas integrantes de um sistema massificado e não suficientemente supervisionado, são incontornáveis e essenciais. Desde que sérios, exigentes, produzidos com competência, técnica e científica.

Certamente que não houve instruções explícitas aos sábios que conceberam os exames nacionais que tivemos ocasião de analisar ( Português B, Sociologia, Biologia e História do 12º ano e Português do 9º ano ) no sentido de os pré-ordenarem para a melhoria dos resultados estatísticos. Mas que servem esse desígnio, servem. Que obedecem ao lugar comum da linguagem e da doutrina pedagógica imposta como oficial por um ministério incapaz e por uma ministra dela prisioneira, obedecem.

Não precisamos de um profeta para imaginar que, num futuro próximo, ouviremos laudas de vitória às medidas deste governo.

Mas... o combate sério ao insucesso escolar só pode ser ganho com a coragem de gerar insucesso estatístico, repudiando a desvalorização do que é fundamental em benefício de teorias e práticas vazias de sentido, que vêm a fossilizar a generosidade e a dedicação dos professores; com o reconhecimento de que o trabalho e a exigência são indispensáveis à aquisição do conhecimento, que precede a posse das decantadas competências; com a noção de que um sistema de ensino que se oriente para a satisfação prioritária de necessidades logísticas de pais ocupados e alunos preguiçosos e relapsos é um logro.

Nota: o negrito das palavras é de minha responsabilidade.

Ver tudo em http://pontosnosii.com/

quinta-feira, julho 06, 2006

Associação de Professores de Matemática e os exames nacionais

Parece-nos que esta prova, que contraria completamente estes princípios (norteadores do Programa), será responsável por resultados desastrosos e injustos e poderá ter reflexos muito negativos na futura prática da disciplina.
27/06/2006
A Direcção da APM

Mais uma vez, os resultados não vão espelhar o real nível de conhecimentos dos alunos: ...
Em suma, o tipo de prova é mais um factor a contribuir para todos os adjectivos calamitosos que ocuparão as primeiras páginas dos jornais.

27 de Junho de 2006
A Direcção da APM

O medo começa a instalar-se no seio dos professores

Quando, nas reuniões de aferição para a correcção de provas de exames nacionais, professores se recusam a assinar actas das respectivas reuniões nas quais vem descrito o que realmente foi dito e comentado, criticado positivamente para não se repetirem estratégias de perguntas e de correcções consideradas incorrectas pelos correctores;

Quando, ao serem entregues actas, após as reuniões, estas são devolvidas para reformulação porque foram consideradas inconvenientes;

ALGO está mal, muito mal!

O professor é assim considerado, pelos detentores do poder, não um interveniente no processo ensino-aprendizagem mas um mero executor de orientações que se pretendem inquestionáveis pelos docentes.

O tempo do lápis-azul parece não estar assim tão distante.

Estas situações demonstram bem a instabilidade que se está a viver na educação, o receio de não progredir na carreira pelas medidas perfeitamente arbitrárias de avaliação dos docentes que o Ministério da Educação pretende implementar.

Muitos professores não estão a aperceber-se do que está realmente por detrás de tudo isto, na minha opinião.

A incompetência grassa sim na educação, mas principalmente no seu ministério que está a fazer com que o grau de exigência na avaliação baixe realmente pois pretende que o sucesso seja uma variável a ter em conta na avaliação do professor. Depois vem dizer cá para fora, para os media, que com esta (e outras) medida(s) pretende combater a iliteracia.

Aliás os jornalistas costumam ser informados sobre qualquer novidade em 1ª mão, antes mesmo dos próprios professores que são os principais interessados. A isto chama-se falta de respeito e uma grande incapacidade de comunicação do M.E. com todos os seus colaboradores.

quarta-feira, julho 05, 2006

Sociedade Portuguesa de Química e os exames nacionais

No problema 1.1 e 1.2, ambos de escolha múltipla, pede-se ao aluno que escolha a alternativa correcta no primeiro e a alternativa incorrecta no segundo. É o tipo de “malabarismo” que é mais típico de concursos televisivos ou Olimpíadas de qualquer coisa do que duma avaliação que se quer séria e que ainda por cima é de seriação.
Por outro lado, qualquer destas alíneas poderia ter aparecido, com poucas alterações, num teste de geografia, de português ou mesmo de aritmética. Não testa qualquer conhecimento específico de química; apenas é exigido ao aluno que saiba ler e efectuar cálculos elementares.

Ler tudo em Sociedade Portuguesa de Química

segunda-feira, julho 03, 2006

EUA - Supremo Tribunal encerra os tribunais de Guantanamo

LINDA GREENHOUSE a 29 de Junho de 2006 no The New York Times

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América impôs hoje um sério revés à administraçao Bush, ao decidir que os tribunais militares que ela criou para julgar suspeitos de terrorismo infringem tanto a lei militar norte-americana como as convenções de Genebra.


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