domingo, maio 06, 2007

Flores da Primavera



Estas florinhas estão nos Alpes italianos mas são iguais às da M.Rasa, Márcia.
São como as que vocês apanham e me dão para pôr num copo com água, "para ver se crescem", como disseste no outro dia. Só que elas já estão crescidas, já só vão dar frutinhos e depois sementes que vão cair para o chão e que, se ficarem na terra e apanharem chuva e sol, vão dar outras plantas. Mas há sempre umas que ficam à vista dos passarinhos e vão ser comidas por eles.

Ontem, por exemplo, andava um rouxinol a cantar, a cantar... cantam tão bem os rouxinóis que eu diria a "trinar" pois os seus trinados são únicos!
Depois viu umas sementes,calou-se um pouquinho e, a voar muito depressa, desceu da árvore em que estava e comeu algumas. Subiu para a árvore e voltou a cantar, agora de outra maneira, virando a cabecita ora para um lado,ora para o outro. E eu percebi:
-Onde estão os teus meninos, hoje não vieram, eu sei, pois correm tanto que me assustam e eu fujo. Até o cuco já se queixou do barulho que fazem.
-E as poupas? - perguntei-lhe eu.
-Essas, há uns dias que não as vejo mas sei que também se assustam com eles.
- Sabes rouxinol - continuei - até a gatinha foge deles pois gostam tanto dela que querem agarrá-la e os gatos não gostam de ser agarrados!
- Nós passarinhos -respondeu o rouxinol - também não gostamos da tua Serafina! Não nos deixa fazer os ninhos onde queremos.
- Canta mais um pouco para mim... pedi-lhe.

E fechei os olhos, estendida na cadeira. Recolhida, dei-me conta de um ruído cada vez mais ensurdecedor: eram os sapos, os ralos, os grilos, os gafanhotos verdes, gooordos, cujo nome não sei, mil passarinhos a conversar, o riacho a dizer "estou vivo, estou vivo ainda" e, conforme o Sol se punha, apareciam mais sons: agora eram os lacraus, as vacas com os seus badalos que não descansam até altas horas... enfim, abri os olhos: era já noite e um mar de salpicos brilhantes pairava no céu, as estrelinhas apareciam cada vez mais, cada vez mais, e um friozinho arrepiava-me.
Levantei-me e quando ía para dentro, finalmente, passou outra vez o mesmo rouxinol e eu disse-lhe:
- Olha, eu vou dizer aos meus meninos para não correrem atrás de todos vocês quando cá voltarem, está bem?
- Prriu piu, piu piu - concordou ele.
E lá se foi alegrando agora a noite que caíra.

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