quinta-feira, maio 24, 2007

Moriae - professor em discurso directo

António, obrigada :)contudo, eu estou actualmente na Educação Especial, onde acredito poder ajudar mais e melhor alguém sem me prejudicar tanto, o que também importa para que cumpra as minhas funções docentes.
Sou realmente do quadro de Educação Musical mas de forma muito crítica e pessimista ! Da forma como a coisa está, acredito que só uma pequenina minoria das crianças é que desenvolve as competências que considero essenciais numa Educação Musical (as que têm em casa ou fora da escola um meio de o fazer).
Uma Educação Musical, que passe pelo desenvolvimento da sensibilidade e capacidade de fruição estética e afectiva, que ultrapasse a vivência hedónica ou associada a estímulos secundários, externos (por ex. o gosto que muitas crianças desenvolvem por músicas das telenovelas mais pelo contexto do que pela música - que geralmente pouca riqueza tem).
Saber ouvir, apreciar, enquadrar ... executar, cantando, tocando ... conhecer o património riquíssimo musical que temos e entender os elementos melodia, ritmo, timbre ... Sensibilidade! Era tão bom que as crianças e os adultos pudessem usufruir daquilo que a música tão bem transmite, ou seja, quase tudo!
Acho que me perdi um pouco mas creio que me entenderão.
voltando à música, as crianças têm música durante 2 anos, 90 minutos por semana. Os professores, alguns, 10 turmas, 200 alunos. Digam-me, será suficiente esta relação? Ensinar, aprender a metro, em pouco tempo, algo que está no nosso património desde o princípio da humanidade? Do nascimento? - Não me parece ... basta ver o tipo de música que se comercializa e que as pessoas preferem. Embrutecimento colectivo e castração ... Termos fortes, eu sei ...
Obrigada por me terem permitido este desabafo e reflexão.

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8 Comentários:

At 22:55, Blogger Margarida "Moriae" disse...

Hummmm ... e a imagem tem a ver com?
Peço desculpa e agradeço :)
Abraço, António!

 
At 23:05, Blogger António Chaves Ferrão disse...

A imagem tem a ver com um post num blog (a imagem é um hiperlink, pode-se seguir) intitulado "Music is Life".
De um lado estão os conceitos, as categorias, as relações: tudo formando uma sistema harmónico.
Depois: toma lá duzentos alunos e 90 minutos para cada um por semana para cumprir um programa inexequível.
Quando vim de Angola em 1986, o meu primeiro emprego foi "Técnicas de Programação" (11º ano) no Liceu Dom Pedro V. Dei o programa que achei mais útil para os alunos, tão mauzinho era o rabisco que me apresentaram.

 
At 23:27, Blogger Moriae disse...

O programa nem é o problema ... a consciência é que é ... bolas ...
Angola! Tenho pensado no assunto! Apesar de ser muito agarrada à família (pequenina) que tenho.
Tomara poder pegar nos miúdos e subverter o programa e conseguir ... Mas não.

 
At 23:28, Blogger Moriae disse...

O famoso D. Pedro V? Eu sou má para nomes!

 
At 23:37, Blogger Jorge Ferrão disse...

As pessoas não preferem.
As pessoas escolhem o que têm à disposição.
Entre um cd de Vivaldi mal tocado e um jovem cantor a raiar energia, é seguro que as crianças vão preferir o segundo.
Entre a montagem de uma obra clássica e a montagem de uma imitação de morangos com açúcar, as crianças comprovadamente preferem a primeira e de vez em quando divertirem-se um pouco com a segunda.
A questão é que o esforço do professor é bem diferente...e acaba por dar a ouvir rap do manual e montar as pombinhas da cat'rina, na melhor das hipóteses- para não entrar em descompensação- facto que se reverte contra si próprio a médio prazo.
As instituições esperam milagres ao preço da chuva pelo que é preciso explicar-lhes que não há omoletes sem ovos.
O meu mestre disse-me outrora que não ensinava acordes. Não tive portanto outro remédio senão deduzi-los, o que me abrandou na percepção das funções tonais, e enquadramento dos modos.
Não me preocupa que um aluno se queira divertir com canções da moda/ comerciais / embrutecedoras. Não é certamente um fenómeno recente e acho que é da maneira como ficam vacinadas precocemente.
A música é uma abstracção inventada pelo homem. Da teoria musical, nem falo (a religião dos músicos). A única utilidade que tem, é a vivência que proporciona.
E há ainda outra questão. É que nem tudo na música são flores. O que tem de bom pode transformar-se em mau num ápice- é a própria vida espelhada sem maquilhagem.
Quando oiço alguém a tocar, só me falta saber o que comeu de manhã, para tirar a fotografia...
Isto assusta as pessoas que nunca participaram num processo semelhante.
Em suma.
Os objectivos do 2ºciclo foram escritos por não músicos, pelo que acho que até nem estão nada maus.
Há alunos que tocam fluentemente por estudarem um instrumento desde os quatro anos, mas espante-se... Explicar as diferenças entre um membranofone e um cordofone, não é suficiente para que eles façam a distinção auditivamente. Os pedagogos vêem utilidade nesta capacidade de discernimento e se calhar têm razão, pois é concreta.

 
At 23:46, Blogger Moriae disse...

O Jorge é um bom exemplo do que falo ... é pena ...

 
At 00:08, Blogger Moriae disse...

“A música é uma abstracção inventada pelo homem. Da teoria musical, nem falo (a religião dos músicos). A única utilidade que tem, é a vivência que proporciona.”
- a música não é uma abstracção inventada pelo homem;
“E há ainda outra questão. É que nem tudo na música são flores. O que tem de bom pode transformar-se em mau num ápice- é a própria vida espelhada sem maquilhagem.”
- respeito a opinião;
“Quando oiço alguém a tocar, só me falta saber o que comeu de manhã, para tirar a fotografia...”
- não entendo, não concordo;
“Isto assusta as pessoas que nunca participaram num processo semelhante.”
- sim, parece-me estranho. Assustador, é muito forte … afinal trata-se de pequeno almoço … ;)
“Em suma.
Os objectivos do 2ºciclo foram escritos por não músicos, pelo que acho que até nem estão nada maus.”
- já não há objectivos. Mas ok, as competências … respeito a opinião.
“Há alunos que tocam fluentemente por estudarem um instrumento desde os quatro anos, mas espante-se... Explicar as diferenças entre um membranofone e um cordofone, não é suficiente para que eles façam a distinção auditivamente. Os pedagogos vêem utilidade nesta capacidade de discernimento e se calhar têm razão, pois é concreta.”
- Lá está … então e a fruição? A sensibilidade? O que nos dão as artes? O que representam? O legado humano??? Qual membranofones ou percussões … interessava desenvolver outras coisas, penso eu …
Peço desculpa por ser tão incisiva!
Jorge, a sua formação musical não é parecida com o meu ideal. Peguei em alguns aspectos, pegue nos meus.
Com respeito,
M.

 
At 00:15, Blogger Jorge Ferrão disse...

Mais aspectos no post acima.
Talvez entenda melhor...

 

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