terça-feira, maio 29, 2007

O código

Não me interessa acumular conhecimento como se de um capital cultural se tratasse. Interessa-me mais manter a destreza mental para identificar e resolver problemas que me afectam directa ou indirectamente.
Assim o fiz.
Passo a partilhar a minha visão:

1)Seduzidos pelo poder de operar o fogo que os enfeitiçou, inscreveram-se.
Para começar, são informados que nada sabem ou sentem.
Começa a transferência.
Ao serem castrados de apetites, são informados que estão velhos e gastos.
Os que não fogem a tempo, ficam presos a um código que não entendem e dependentes de terceiros para aliviar a sua dor.

2)Se nunca tirarmos as rodinhas à bicicleta da criança, é bom que seja ela própria a fazê-lo, em tempo útil.

3)A resina serve para a primeira fase da aprendizagem, e para os preguiçosos que não querem ter o trabalho de mudar as cordas, porque "mudar cordas não é fazer música."

Como prémio ganham um silvo constante na zona dos sobreagudos equivalente ao raspar do talher no prato, a 4 cm do ouvido.

Quando não aguentam mais, mandam tudo para o luthier que simpaticamente, investe 10 min por 400Euros.

Daqui até à Polónia só conheço um interlocutor para este tema, o que é estranho pois afecta muitas pessoas bem mais próximas.

Não é o conhecimento que é valioso (em euros) mas sim o desconhecimento.

5 Comentários:

At 00:42, Blogger António Chaves Ferrão disse...

o descódigo:
Operar o fogo = enveredar pela profissão de músico.
Increver-se = ir a uma escola de música
Seguem-se alusões a várias visões desculturizantes, e a dores próprias de praticantes de instrumentos de arco.

 
At 09:44, Blogger Jorge Ferrão disse...

Nada mau!

Agora tens de te afastar, para apreciares a imagem.

 
At 12:14, Blogger Elisabete Ferrão disse...

Jorge entendo-te perfeitamente!

Não é só no "ensino da música" que isto acontece, acontece em todos os ensinos.
No ensino básico, secundário ou superior, com franqueza, até no ensino doméstico.
Acontece sempre que o professor está com medo de ser apanhado em falta pelo aluno, como se a sua supremacia fosse o objectivo a atingir, ou fosse um universo de sabedoria.(estas posturas deixam-me logo desconfiada!)

Como disse no início, isto acontece no ENSINO, talvez não acontecesse com tanta frequência se fosse na APRENDIZAGEM.
Passo a explicar, se todos os professores estivessem centrados na aprendizagem do aluno, e respeitassem o seu caminho e descobertas, talvez a sua função fosse mais eficaz. Teriam por ventura um espírito muito mais aberto a novas ideias, fomentariam a auto-descoberta, diminuiriam as suas depressões e andariam muito mais bem dispostos, pois a próxima aula seria um momento de partilha de reflexões e de conclusões adquiridas autonomamente (sempre prontas a serem postas em causa, claro!)e não o stress de ter na ponta da língua todas as respostas para as eventuais perguntas.

Temos o exemplo:
Como aprendemos a andar?
Não dizemos: Como nos ensinaram a andar?

Pois não, porque os professores não estavam preocupados a pensar; e se explico mal? o pé não se coloca assim. Primeiro pões o pé direito depois o esquerdo. O sapato tem que ter sola com, exactamente, 7mm de sola.Tens que praticar pelo menos 5 horas por dia... Ou então não vais andar nunca, ou nunca serás um caminhante virtuoso...
...

Mal de quem dá ouvidos ao desincentivo à aprendizagem, como se já se soubesse tudo e não houvesse nada a descobrir.

A vida é descoberta e aprendizagem constante. Não percas mais tempo com "tretas", Jorge.

Procura o que está "para lá do que se vê"!

 
At 12:59, Blogger António Chaves Ferrão disse...

A propósito de aprender a andar...

P: Quando morreu de fome a centopeia?
R: Quando erigiu como questão essencial da sua existência conhecer a ordem exacta porque movia as patas.

 
At 14:57, Blogger Jorge Ferrão disse...

Parece perda de tempo e se calhar é.
Mas desta vez não é por mim.
O.k.
Vou perder a mania de querer salvar o mundo. Talvez o status quo seja apesar de tudo, interessante para todos (era tão fácil agora para mim APENAS, MANTER A TRADIÇÃO...).
Contudo, começo a ficar cansado de tantas agressões por simpatia com o modo como se aprendeu.
Não sou melhor ou mais- apenas vejo o que está á frente do meu nariz e não, para lá do que se vê.

Para quê complicar o básico?
Acaso preferirão o sofrimento?

Tirem a resina e deixem as cordas descansar, pode ser que descubram o que procuram.

 

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