quarta-feira, maio 30, 2007

Reformas à custa do coirato...

Ao nosso Ministério da Educação já deixou de bastar a carga horária semanal dos docentes.

Depois de "regulamentar" a ocupação da carga horária "não lectiva", preenchendo as horas que vão desde as 22 horas de aulas até às 36 horas do funcionalismo público, com actividades de duvidosa incidência no sucesso escolar e sem ouvir os docentes, assiste-se agora à distribuição de trabalho não pago que excede a ocupação daquela carga horária.

Solícito a apresentar reformas para consumo da opinião pública, o ME "esquece-se" obstinadamente de cabimentar as mesmas reformas na utilização dos recursos humanos que são chamados a dar corpo à sua execução.

As "provas de aferição" que este ano foram alargadas ao universo completo do corpo discente do 1º e 2º ciclos, deixaram de ser pagas aos docentes que são chamados a corrigi-las, em acumulação com todas as restantes tarefas que foram planificadas desde o início do ano lectivo.

Esta situação introduziu uma discriminação grosseira entre os docentes que dão o Português e a Matemática, que os pedagogos "profissionais" (leia-se: aqueles que não levam para casa 60 provas para corrigir em dez dias...) teimam em considerar as áreas charneira na avaliação do sistema educativo, e os restantes docentes, que pelo mesmo ordenado ainda são capazes de se dar ao luxo de comentar as asneiras que os seus alunos cometem nas provas de aferição das disciplinas "dos outros"...

5 Comentários:

At 12:05, Blogger Kaos disse...

Está a decorrer uma greve geral de blogs. Se desejares participar podes copiar a imagem que está no meu blog. Obrigado
Um abraço

 
At 13:10, Blogger Jorge Ferrão disse...

Há dez anos atrás, senti na pele os efeitos de uma situação identica à que tu descreves mas no privado. Posso dizer que terminou no tribunal com um acordo à porta da audiência.
A injustiça
A indefinição de funções
A sobrecarga

 
At 13:19, Blogger Jorge Ferrão disse...

O multifunções

Não são um bom prenúncio...

 
At 16:57, Blogger José Ferrão disse...

O problema aqui, é que os sindicatos ainda não conseguiram engendrar uma greve que fosse adaptada a este tipo de desmandos.
Se as provas de aferição se destinam a avaliar ou corrigir o sistema educativo, porque razão terão os professores destas duas disciplinas a obrigação de suportar estas medidas?
Afinal enquanto a maioria dos professores apenas "trabalham" para os alunos, e vá lá "qualquer coisita" para as escolas, agora também alguns professores têem que trabalhar para o ministério?
E tudo isto, enquanto os professores que se encontram "destacados" nas DRENs ainda arranjam tempo para se entreter com processos disciplinares acrca dos dichotes uns dos outros?
Como é que o ministério conseguiria afectar os descontos no ordenado perante uma greve, mas é às provas de aferição?
quando a greve é apenas às aulas, é tudo muito mais fácil, basta marcar as faltas e descontar no ordenado, que o Ministro das finanças até fica todo contente.
Mas se a greve fosse mas é às provas de aferição, aí é que havia de doer a sério ao Ministério, porque não tinha como se queixar à opinião pública por um trabalho que não é pago, e por outro lado também não podia proceder a descontos, uma vez que não havia ausência das actividades lectivas ou para-lectivas.

 
At 18:49, Blogger Jorge Ferrão disse...

É bem visto.

 

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