sábado, junho 09, 2007

Associação dos Professores de Matemática e os exames escolares



Agradeço a Paulo Guinote a sua chamada de atenção para o problema. (AF)


A Associação de Professores de Matemática (APM) vem manifestar a sua total discordância com a afirmação da senhora Ministra da Educação, publicada na comunicação social no dia 12 de Maio: “Pela primeira vez, o país associará os resultados não apenas à performance dos alunos, mas também ao trabalho das escolas e dos professores, para o melhor e para o pior”. A senhora Ministra referia-se ao trabalho no âmbito do Plano da Matemática, a medida 1 do Plano de Acção para a Matemática, lançada em Maio de 2006.

A APM aceitou estar representada na Comissão de Acompanhamento desta medida, onde sempre contrariou o discurso excessivamente centrado sobre os resultados esperados com a realização dos projectos nas escolas, porque há muitos aspectos das aprendizagens que não são mensuráveis, sobretudo a curto prazo, e porque há muitos factores, alheios ao sistema educativo, que influenciam as aprendizagens dos alunos. A afirmação de que os resultados dos exames de Matemática do 9º ano vão ser “teste ao trabalho das escolas”, revela ausência de sentido pedagógico e exprime uma leitura muito simplista e redutora do que é esse trabalho e a educação. De facto, mudanças relevantes e duradouras em educação não acontecem num ano e projectos como os que, no âmbito referido, estão em curso nas escolas têm que ser avaliados por indicadores mais apropriados – as produções dos alunos e as taxas de abandono, por exemplo - que não são certamente os exames, que são instrumentos muito limitados e pouco adequados para a avaliação deste tipo de intervenções.

Excerto de:
O Plano da Matemática e os exames nacionais do 9º ano
publicado pela Associação dos Professores de Matemática em 15 de Maio de 2007

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3 Comentários:

At 08:31, Blogger José Ferrão disse...

"Pela primeira vez, o país associará os resultados"
a ministra, essa nunca fez outra coisa senão associar os resultados à justificação das suas políticas.
Com uma arrogância de tal ordem, que lhe permite decretar qual foi a primeira vez que o país fez alguma coisa.
Qual terá sido a "primeira vez" da senhora ministra?
Será que foi ela que inventou o país?
Será que ela já fez algum exame?
E o resultado desse exame, foi associado a quê?

 
At 09:55, Blogger José Ferrão disse...

Penso que a APM, enquanto organismo de professores, só tem é que denunciar públicamente as provas de aferição.
Se o ME toma a iniciativa de validar duas repostas diferentes, e com esse critério extrair conclusões sobre o desempenho dos professores, então a opção que resta à APM, é apenas entre:
a) Denunciar públicamente os critérios de correcção das provas;
b) Passar a ensinar aos meninos que em Matemática a resposta certa e a errada podem perfeitamente ter a mesma cotação.

Caso a opção venha ser a b), ficarei a perceber a importância que a APM atribui aos subsídios que recebe do ME.
Ou haverá outra solução, igualmente certa, ou pelo menos igualmente válida, que eu não conheça?

 
At 09:39, Blogger José Ferrão disse...

Esta ministra é mesmo um ponto:
Quer observar os resultados das suas medidas, antes mesmo da chegada dos dinheiros anexos às mesmas medidas, ao recinto das salas de aula.
Comparado com esta ministra, o cow-boy que diziam que era mais rápido do que a própria sombra, era uma autêntica lesma...

 

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