terça-feira, junho 05, 2007

John Catalinotto - O almirante com medo?


Alguns dos oficiais superiores, que normalmente não têm perturbações ao ordenar ataques e bombardeamentos cirúrgicos que provocaram centenas de milhares de baixas, e que certamente não têm problemas morais em começar uma guerra, começam a hesitar em obedecer à liderança da administração Bush. Uma notícia do Inter Press Service divulgada em 19 de Maio relata que o almirante William Fallon, chefe do CENTCOM e um dos nomeados pelo próprio Bush, "em Fevereiro exprimiu forte oposição a um plano da administração para aumentar o número de grupos de porta-aviões (carrier strike groups) no Golfo Pérsico de dois para três, e prometeu, em privado, que não haveria guerra no Irão enquanto ele fosse chefe do CENTCOM, de acordo com fontes que conhecem as suas ideias".

Segundo esta fonte não mencionada, Fallon disse não estar só e que "há vários de nós a tentar colocar os loucos outra vez dentro da caixa". Esta declaração, publicitada uma semana após o vice-presidente Dick Cheney ter ameaçado a guerra contra o Irão no convés de um porta-aviões no Golfo Pérsico, ao largo da costa daquele país, e próximo do momento em que o arquitecto da guerra do Iraque, Paul Wolfowitz, foi forçado a demitir-se do Banco Mundial, tem um fundo de verdade, ainda que não seja fácil verificá-la.
Fallon é um leal oficial do imperialismo americano, cujos interesses de classe e privilégios estão ligados ao domínio militar norte-americano no mundo. As suas palavras — partindo do princípio que o relato da IPC é verdadeiro — reflectem o cepticismo existente entre a classe dominante quanto à capacidade de liderança da administração Bush. Elas reflectem o impacto de quatro anos de heróica resistência iraquiana que paralisaram a tentativa americana de dominar aquele país.

De uma forma diferente, a resistência iraquiana estimulou a dissidência honesta e a recusa em participar em crimes de guerra expressa pelos oficiais de patente mais baixa. Os sinais de que esta dissidência está a crescer e a difundir-se nas Forças Armadas dos EUA constituem a melhor notícia para aqueles que querem acabar com a horrenda e criminosa ocupação do Iraque.

Publicado no O Diario.info a 2 de Junho de 2007

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