terça-feira, dezembro 11, 2007

José Croca e o Princípio de Heisenberg

Entrevista conduzida por Rita Silva Freire para o Jornal de Letras

Jornal de Letras: O que significa ter refutado o princípio da incerteza de Heisenberg?

José CrocaJosé Croca: As relações de Heisenberg impõem um limite à nossa capacidade de conhecer. De acordo com estas relações, a partir de um certo limite, definido precisamente por elas, não podemos colocar questões, pois este constitui uma barreira intransponível. Estas relações, descobertas por Heisenberg em 1927, imperaram até há pouco tempo como omnipresentes. Desmontei teoricamente essas relações e depois mostrei que, na realidade, a natureza é muito mais complexa. As relações de Heisenberg são válidas a uma dada escala de descrição da realidade, mas não limitam realmente a possibilidade de conhecer. A imaginação humana vai sempre mais longe que qualquer barreira que possamos tentar construir. As relações de Heisenberg tentaram impor essas balizas. E o que mostrei é que podemos ir além delas.
Jornal de Letras: E que balizas eram essas?
José Croca: Imagine um automóvel em movimento. Quer saber onde ele está. De acordo com Heisenberg, posso saber a posição do automóvel. Mas se quiser saber a posição com rigor absoluto, não poderei saber a velocidade a que circula e vice-versa. As relações de Heisenberg dizem-nos que é impossível prever o valor destas duas grandezas conjugadas.
Jonal de Letras: Refutou essa teoria. O que propõe?
José Croca: Que é possível ir muito para além dessas relações de Heisenberg. Dentro do limites impostos pelas relações de Heisenberg não é possível prever com rigor a posição de uma partícula e a sua velocidade. Mas eu mostrei que é possível, não só teórica como também experimentalmente, ir muito além desses limites.
Jornal de Letras: E como é que isso se aplica na prática?
José Croca: Admitamos que num DVD, de acordo com o limite de Heisenberg - uma consequência directa da ontologia de Fourier - podemos ter só duas horas de gravação. Rompendo com essa ontologia e usando a análise por onduletas, podemos ter oito horas ou mais.
Jornal de Letras: E no plano teórico?
José Croca: As relações de Heisenberg são a expressão matemática do princípio da Complementaridade de Niels Bohr, que afirma a existência de uma dualidade intrínseca na natureza. Tal como acontece numa moeda, ou vejo a cara ou vejo a coroa. Não posso ver as duas faces simultaneamente. Mas podemos, com um espelho. Por outro lado, a mecânica quântica nega a existência de uma realidade objectiva, independente do observador. Em última instância, nesta teoria, é a consciência do observador que cria a realidade. O que estamos a fazer é criar uma nova mecânica quântica causal e não-linear, mais geral e em que a realidade não seja criada pelo observador. O objectivo é desmistificar a mecânica quântica.
Jornal de Letras: Quais as consequências, no plano do conhecimento, destes avanços?
José Croca: Romper com a hipótese - horrenda - de que há barreiras intransponíveis para o conhecimento. As relações de Heisenberg constituem uma prisão para o espírito humano. Mostrei que tal barreira não existe. Ou que podemos ir muito para além dela. É possível explicar em termos causais fenómenos tidos como misteriosos e inexplicáveis. Não há fenómenos misteriosos em Ciência. Há fenómenos muito complexos. Se lhe perguntar porque chove, não vai dizer que foram os deuses que estavam mal dispostos, como se pensava antes. Chove porque o Sol aqueceu mais determinada região da Terra, dando origem à precipitação de água. A mecânica quântica bohreana induziu, de certa forma, a ideia de que os fenómenos acontecem sem que para isso exista explicação causal. O que se mostra é que os fenómenos apresentados como incompreensíveis são perfeitamente explicados em termos causais e racionais, dentro do quadro da nova mecânica quântica não-linear. Do ponto de vista do conhecimento humano, isto é importantíssimo. Pelo menos para aqueles que acreditam que o mundo é compreensível.

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