segunda-feira, dezembro 17, 2007

Nós e as crianças

Ensinar uma criança é um desafio monumental.
Educá-la é um trabalho desmedido.
É necessário adaptarmo-nos a ela, pensar e observar o mundo como ela o vê, para conseguirmos perceber a sua realidade. Só assim conseguiremos compreender algo das suas atitudes, entender as suas dúvidas, viver os seus medos.
É tão difícil que muitas pessoas com crianças à sua guarda desistem e deixam simplesmente que as situações vão acontecendo, ora vendo-as como meros espectadores ora reagindo bruscamente porque não as preveniram ou previram.
Para evitar isso é preciso estudar, falar com outros que experienciam problemas semelhantes, não se isolar e dar amor, muito amor.

Uma criança desde o berço precisa do contacto de pele para se desenvolver equilibradamente. Conheço mulheres que evitaram esse contacto íntimo que só uma mãe sabe dar. Mais tarde, os adultos que se formarem saberão utilizar essa doacção e transmiti-la à geração seguinte.

Educar é saber perdoar também mesmo quando não se entendem as motivações de determinados actos.
É ser-se firme mesmo que custe; é negar oportunamente e não porque não nos apetece explicar ou simplesmente por posição de retaliação.

Ter crianças como "suas" é para toda a vida, não é para "experimentar".

Muitos pais estão extenuados quando, no fim de um dia de trabalho, chegam a casa. Só pensam em repôr forças e, vezes sem conta, põem os filhos a jogar computador ou a ver televisão para não incomodarem nas tarefas domésticas.
Corajosos são aqueles que, quase na exaustão, se organizam e, enquanto um faz os ditos trabalhos, o outro ensina, brincando com os seus filhos também. Outro modo de agir poderá ser envolvê-los no grupo distribuindo-lhes pequenos trabalhos, não perigosos. Mesmo que eles desarrumem e pouco resulte da sua actividade estão a desenvolver-se e para a próxima estarão mais aptos.

As crianças não são pequenos adultos. Muitos pais vêem-nas como tal e exigem-lhes comportamentos desajustados. A estrutura mental de uma criança vai-se formando por etapas, como se se estivesse a construir uma escada. Se os degraus de baixo não estiverem firmes será um ser desajustado que vai encontrar mais tarde muitas dificuldades de integração e mesmo de desenvolvimento. Se muitas conseguem ultrapassar esses desequilíbrios, outras não. E há tantos, tantos mas tantos adolescentes desajustados!
E cada um de nós, cada pai, cada mãe, cada professor, pode estender a mão e dizer:"diz-me o que se passa que eu oiço".

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1 Comentários:

At 20:35, Blogger José Ferrão disse...

E quando se juntam duas crianças, o problema cresce exponencialmente:
primeiro porque, enquanto um adulto se adapta a uma delas, desadapta-se da outra;
segundo, porque a criança não é a mesma, enquanto se encontra sózinha ou acompanhada.
Daí que o problema do pai, não é de todo, o mesmo que o do professor.

 

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