segunda-feira, janeiro 29, 2007

Eu animal me confesso


O estampido do martelo sobre a mesa como que sublinhou a sentença:
- Condenada a três anos de prisão.
Enquanto recolhia aos calabouços, já pesava sobre a mim a responsabilidade deste acontecimento.
Não vale a pena fugir. Desde que temos o poder de eleger os representantes da assembleia legislativa, tudo o que sai de lá passa a ser responsabilidade comum. Neste caso, a favor ou contra a prisão.
Sabemos com segurança a relação entre os catetos e a hipotenusa. A dependência da atracção mútua de dois corpos com a distância. A particularidade sui generis da minúscula molécula hexagonal do benzeno. As cambalhotas das moléculas de água sob a acção de um feixe de micro-ondas. Ciência feita, que não passa da porta de entrada do grande edifício do conhecimento que está quase todo por construir. As nossas convicções começam a esmorecer quando transitamos para as ciências sociais. O raciocínio linear já não funciona. E fazemos papel de ignorantes quando enfrentamos a realidade do simples e irredutível indivíduo.
Mas não haverá certezas neste domínio? Eu tenho poucas. Sei que a mulher não é menos submetida à força bruta, animalesca, do impulso sexual que o homem. Mas as consequências que advêm da procura da sua satisfação são bem diferentes para os dois sexos. Há diferenças inevitáveis, logo, resolvidas por si próprias. A essas acrescem hoje, como ontem, algumas que são puras construções sociais para desiquilibrar mais a balança a favor de um dos lados. Construções que procuram apoio na racionalidade. Racionalizar o que não é racionalizável. Estaremos à procura do estado de loucura de Nietche? Prefiro ater-me aqui ao simples bom senso, à meneira do saudoso José Redinha: A civilização no homem tem a espessura da pele. O meu-eu racional não mais está disposto a medir forças com o meu eu-animal. Porque já sei quem perde, sem apelo nem agravo.
Tudo no domínio das relações sexuais é frágil e volátil. É a antítese do mundo das certezas. As diferentes condições face à lei jogam contra a sua própria sobrevivência. Como sei? É simples: quando um fogoso jovem chega à Europa, proveniente dos países muçulmanos, fica imediatamente encantado pelas jovens europeias. Que têm elas de diferente das suas companheiras no país natal do recem-chegado? Um estatuto de liberdade acrescida. Através dele, a possibilidade de se mostrarem como são, em vez de como alguém pretende que elas sejam (uma subversão dos valores). Que vantagem líquida se pode retirar dos milhentos condicionalismos que pesam sobre as mulheres muçulmanas? Ignoro, mas mútua satisfação é-me difícil conceber.
Sejamos modestos. Não estamos no micro-universo ficcionado da mecânica, do electromagnetismo, ou da química orgânica. A pergunta que nos é colocada no referendo sobre o aborto remete-nos para o nosso verdadeiro mundo, com todas as suas imperfeições. A prisão, ou a sua ameaça, desquilibra demasiado a balança. Estaria disposto a votar não, se a medida que se pretende manter abrangesse por igual os dois responsáveis. Com os testes de ADN, isso nem seria dificil. Uma vez que não se trata disso, não vou facilitar a repetição do acto descrito no início.

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Eu dou a cara pelo NÃO porque:

- Penso que a despenalização não pode senão aumentar a taxa de abortos, e com isso não apenas reduzir os nascimentos mas aumentar o sofrimento das mulheres que são atingidas por esse flagelo;

- Aumenta a pressão social de toda a espécie (familiar, laboral e tudo o mais) sobre as mulheres, atirando para cima delas toda a responsabilidade pelo aborto;

- Não reduz a discriminação social no aborto, pelo contrário uma mulher que não tem posses está sujeita a uma resposta dos "serviços" a dizer que já passaram mais de 10 semanas, aumentando a sua determinação por essa opção na clandestinidade, ao passo que uma mulher com outros "atributos" pode encontrar mais flexibilidade, canalisando para si os recursos estatais - como aliás já acontece com a assistência estatal à saúde em geral, que reserva muito menos recursos para os mais desfavorecidos económicamente;

- Uma mulher que se encontra em "estado de choque" por uma gravidez indesejada, não se encontra em condições de assumir uma responsabilidade exclusiva, de tão graves consequências;

- A medicina não foi feita para atentar contra a vida humana, seja em que estádio for do seu desenvolvimento: é muito mais saudável para a própria mulher, deixar vir o filho e entregá-lo, do que praticar o aborto; na maior parte dos casos, a própria mãe pode mudar de opinião no decurso da sua gestação; e já agora, os nossos impostos também não foram cobrados para atentar contra a vida humana nem para pagar os erros alheios.

- À mãe que pretende abortar, não lhe faltam porta-vozes e defensores, a começar por elas próprias; ao passo que aqueles que ainda não têm voz, não lhes resta senão falar através daqueles que são capazes de colocar a razão acima de todos os outros argumentos;

- E finalmente, nunca vi nesta como na outra campanha, nada que coloque em causa todas estas e as outras razões. Eu não preciso de invocar o que diz o governo, a igreja ou o parlamento europeu, ou até a campanha adversária, para justificar a minha posição: basta invocar aquilo que vejo com os meus próprios olhos, a minha inteligência e as minhas convicções.

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domingo, janeiro 28, 2007

O referendo de 11 de Fevereiro de 2007

Se os nossos deputados e governo, na generalidade, tivessem tido a coragem suficiente para enfrentar o problema da despenalização do aborto, nós não iríamos gastar mais um tanto, que até nem sei quanto será, para realizar mais este referendo. Afinal não há falta de dinheiro? Ou o país está folgado?

À pergunta: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" eu vou responder SIM. Não porque ache que seja bom abortar mas porque considero que responder a favor da pergunta vai:
- contribuir para alterar uma situação de absoluta hipocrisia;
- pôr fim a julgamentos e penas de prisão absolutamente arcaicos;
- criar mais justiça social, pois a actual lei penaliza as mulheres e as jovens das camadas mais desfavorecidas que, sem recursos financeiros, sofrem as consequências do aborto clandestino e inseguro.

Não defendo o aborto, defendo uma sociedade mais justa e menos hipócrita pois sabemos que, entre 1996 e 2002, 9 mil portuguesas se deslocaram a clínicas espanholas para aí abortarem.
É preciso saber também que:
nos hospitais do continente entre 2001 e 2005 foram identificadas:
2 929 interrupções da gravidez ao abrigo da actual lei;
5615 situações por complicações resultantes de aborto clandestino;
28 545 entradas em resultado de aborto considerado espontâneo...

Posso acrescentar, ainda, que o Parlamento Europeu, na sua Resolução de 3 de Julho de 2003 recomendou: "que, a fim de salvaguardar a saúde reprodutiva e os direitos das mulheres, a interrupção voluntária da gravidez seja legal, segura e universalmente acessível" exortando os governos "a absterem-se em qualquer circunstância, de agir judicialmente contra as mulheres que tenham feito abortos ilegais".

Se os nossos governantes estivessem, de facto, preocupados com o aumento de natalidade do país, não teriam retirado o subsídio por nascimento e criariam condições favoráveis aos casais com mais de 2 filhos; favoreceriam os núcleos familiares, permitindo descontos no IRS por cada filho aos casais tal como fazem às famílias monoparentais, promovendo, deste modo, a estabilidade da nossa sociedade.
Essas deveriam ser as suas reais preocupações e não fingir que estão muito preocupados com crianças que poderiam nascer para depois serem dadas para possível adopção sem lhes proporcionar condições adequadas de existência.

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Manifestação contra a guerra no Iraque






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sábado, janeiro 27, 2007

Carta aberta

Uma Conferência, duas associações, um centro e algumas equipas juntaram-se para me escrever uma carta.
A carta contém um questionário que eu não pedi, mas como vejo tantas mentes interrogativas, aqui vai.

À Conferência Episcopal Portuguesa
À Associação dos Médicos Católicos Portugueses.
À Associação Católica dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde.
Ao Centro de Preparação para o Matrimónio.
Às Equipas de Nossa Senhora.

Não vos conheço. Não sei quem são. Contudo, a vossa propaganda terrorista intitulada "10 semanas 10 perguntas um exercício de amor", juntamente com o panfleto "razões para escolher vida" veio trazer à luz alguns aspectos mais obscuros da vossa demanda.

Andava eu preocupado com a vossa obstinação punitiva e penalizadora (visto ser este o tema do nosso querido referendo), dando voltas ingénuas para absorver tanta ânsia de poder quando li a vossa propaganda.
Afinal a Igreja está no caminho certo. O da honestidade. Honesta o suficiente para ser transparente.

Afinal o que Vos preocupa, não é de todo a mulher, ou o embrião a despenalização ou não. O que vos preocupa até já tem um nome acordado entre Vossas Excelências: "liberalização legalizada".

Não temam! Estamos em Portugal.
Com meia dúzia de jantares mais, estou certo que conseguirão fazer ver aos Senhores da Gasolina que também têm uma capacidade nata para instrumentalizar e monopolizar a vossa melhor amiga: A sociedade.

Da próxima vez que quiserem meter algo na minha caixa de correio, não se esqueçam de preencher o campo destinatário, senão, faço queixa à DECO. Publicidade não endereçada, aqui não! Obrigado.

Jorge Ferrão

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quinta-feira, janeiro 25, 2007

George McGovern - A guerra dos belicistas

Através das suas palavras, as ideias do orador escorrem fluidas nesta palestra do Clube da Imprensa. George McGovern encarna o que há de melhor do pensamento político nos Estados Unidos da América (EUA). Uma intervenção de qualidade invulgar. (AF)

Estou feliz por regressar ao Clube da Imprensa. Para dizer a verdade, com 84 anos, já me sinto feliz por me encontrar em qualquer sítio. Em jovem, pensando no envelhecimento e querendo parecer sensato, dizia: "Não importa os anos que tenha, mas sim o que tiver feito ao longo dos anos". Já não penso assim. Agora quero chegar aos cem anos. Porquê? Porque gozo plenamente a vida e há tantas coisas que tenho ainda que fazer, antes de penetrar nos mistérios do além.

A mais importante destas coisas é retirar os soldados americanos da armadilha infernal que Bush-Cheney e seus teóricos neo-conservadores criaram no Iraque; que - em tempos - foi o berço da civilização. Crê-se ter sido o lugar dos Jardins do Éden. Relembro aos neo-conservadores o reparo de Walter Lippman: "Nada há de mais perigoso que o belisista."

Questões impertinentes

Entre as coisas que me fazem sentir saudades dos 18 anos que passei no Senado dos EUA estão as histórias dos velhos democratas do Sul. Nem sempre votei com eles, mas adorava a sua técnica de responderem aos seus opositores com histórias de humor. Uma vez, quando o senador Sam Irvin da Carolina do Norte teve que contestar uma questão difícil colocada por Mike Mansfield, disse: "Sabe, Senhor Dirigente, a sua questão lembra-me a do velho pregador protestante que contava a história da Criação aos rapazes da escola num domingo: 'Deus criou Adão e Eva. Desta união nasceram dois filhos, Caim e Abel, e então a raça humana desenvolveu-se.' Um dos rapazes perguntou: 'Reverendo, onde foram Caim e Abel buscar as suas mulheres?' Depois de hesitar por momentos, o pregador respondeu: 'Jovem, são questões impertinentes como essa que ferem a religião.'"

Pois bem, Sr Bush Júnior, preparei algumas questões impertinentes para si.

Sr Presidente, Excelência, quando o repórter Bob Woodward lhe perguntou se tinha pedido conselho ao seu pai antes de dar a ordem de avanço às tropas para o Iraque, respondeu: "Não, ele não é o género de pai que é preciso consultar para se tomar uma decisão como esta. Falei com o meu Pai celestial que está acima de nós." A questão que tenho para lhe apresentar, Sr Presidente, é: se Deus lhe exigiu que bombardeasse, invadisse e ocupasse o Iraque por quatro anos, porque deu uma mensagem contrária ao Papa? Sabe que o seu pai, George Bush Sénior, o respectivo Secretário de Estado, James Backer, além do Consultor para a Segurança Nacional, o general Scowcroft, se oposeram à sua invasão? Não teria sido melhor para si, para as nossas tropas, para todos os americanos e iraquianos se tivesse prestado atenção às pessoas mais experientes, incluindo o seu pai terreno? Em vez de culpar Deus pela terrível catástrofe que espalhou pelo Iraque, não tería sido menos pretensioso se se justificasse com a muito citada explicação para os erros: "O diabo mandou-me fazê-lo?"

E, Sr Presidente, após os ataques do 11 de Setembro contra as torres gémeas em Nova York, que atraiu sobre nós a simpatia e o apoio de todo o mundo, porque ordenou a invasão do Iraque, que nada tem a ver com o 11 de Setembro? Tem consciência de que os seus actos delapidaram a reserva de confiança internacional sobre as boas intenções dos EUA? Qual o custo para a América da destruição do estatuto e influência do nosso país aos olhos do mundo?

Porque razão, Sr Presidente, presssionou a CIA a reportar falsidades sobre o fabrico de armas de destruição maciça incluindo armas nucleares? E, quando mandou o Secretário de Estado, Colin Powel, deslocar-se a Nova York para apresentar às administrações das Nações Unidas "provas" de que o Iraque era uma ameaça nuclear eminente para os EUA, sabe porventura que, depois de ler esse depoimento fraudulento, o Sr Powel disse a um ajudante que as supostas provas eram "merda"?

É razoável para si, Presidente Bush, que Colin Powel tenha dito no fim do seu primeiro mandato que ele não continuaria na sua administração caso fosse eleito para um segundo mandato? Que pessoa decente poderia sobreviver a dois mandatos completos de imposição de mentiras e fraudes?

E Sr Presidente, como disfruta os seu tempos de descanso, e como consegue dormir à noite, sabendo que 3.014 jovens americanos morreram numa guerra que desencadeou por engano? Que tem a dizer aos 48.000 jovens americanos estorpiados física ou mentalmente para o resto das suas vidas? Que tem a declarar quanto às conclusões do mais importante jornal de Medicina britânico (Lancet) que nos informa que, desde que iniciou os bombardeamentos e ocupação do Iraque há quatro anos, já foram mortos 600.000 iraquianos: homens, mulheres e crianças? O que pensa da destruição dos lares iraquianos, dos seus sistemas de abastecimento de água e de electricidade assim como dos seus edifícios públicos?

Vietname

E Sr Bush e Sr Cheney, embora nunhum de vós tenha estado alguma vez em combate (tendo o Sr Cheney requerido e obtido cinco adiamentos de incorporação durante a guerra do Vietname), terão pelo menos lido ou recebido informações sobre os custos terríveis dessa guerra mal-aconselhada e igualmente sem fim que a América impôs ao minúsculo Vietname? Repararam que outro presidente do Texas, Lyndon Baines Johson, desistiu de se candidatar ao segundo mandato, em parte, porque perdeu credibilidade devido ao seu desastroso envolvimento na guerra ao Vietname? Tendes consciência de que um dos mentores principais daquela guerra, o Secretário da Defesa Robert McNamara, resignou ao seu posto e publicou anos mais tarde um livro em que declarou que a guerra foi um logro trágico? Conheceis a história recentemente vinda a lume que relata que 58.000 jovens americanos morreram nesto processo de matar 2 milhões de vietnamitas: homens, mulheres e crianças? Se não conheceis este terrível logro do Vietname, conheceis ao menos a afirmação de um dos nossos grandes filósofos: "Aqueles que desconhecem a História estão condenados a repeti-la." E, Sr Presidente, no meio da sua ignorância das lições da História, não estará a condenar as nossas tropas e o nosso povo a repetir a mesma tragédia no Iraque?

Durante os longos anos desde 1963 até 1975, quando lutei para pôr termo à guerra do Vietname, inicialmente como senador da Dacota do Sul e, mais tarde, como membro designado pelo meu partido para a candidatura presidencial, certa noite, as minhas quatro filhas conspiraram contra mim: "Pai! porque não desistes dessa luta? Andas a vituperar essa guerra louca desde que somos bébés. Quando ganhares a nomeação para presidente pelo Partido Democrático, vais ficar esmagado por Nixon." Retorqui: "Não esqueçam que acontece na História que até erros trágicos podem conduzir a algo de bom. O bom àcerca do Vietname é que é um logro tão terrível, que não iremos repeti-lo novamente." Sr Presidente, caímos novamente nessa asneira. Que devo dizer às minhas filhas? E que diz o Sr às suas filhas?

Sr Presidente, não falo como pacifista nem como tosco espertalhão. Falo como um dos que, após o ataque a Pearl Harbour, se apresentou voluntariamente aos dezanove anos na Força Aérea e completou 35 missões de vôo num bombardeiro B-24. Acreditei nessa guerra na altura e continuo a acreditar nela hoje, passados que são 65 anos - e, como eu, o resto da América. Sr Presidente, faltar-lhe-á capacidade intelectual e moral para distinguir entre uma guerra justificada e as guerras de loucura do Vietname e do Iraque?

Opinião pública

As sondagens à opinião pública indicam que dois terços dos americanos pensam que a guerra do Iraque foi um erro da sua parte. É largamente aceite que esta guerra constituiu a razão principal da mudança de ambas as câmaras do Cogresso para os democratas. As sondagens realizadas entre os iraquianos indicam que quase todos desejam que a nossa presença militar no seu país nos últimos quatro anos termine já. Porque insiste em desafiar a opinião pública tanto dos EUA como do Iraque e demais países sobre a Terra? Julga-se omnisciente? Qual a sua opinião sobre a doutrina da auto-regulação que tanto prezamos na América?

E, milagre dos milagres, Sr Presidente, depois de tal matança e destruição, primeiro nas florestas vietnamitas, depois no deserto árabe, como consegue mandar mais 21.500 soldados americanos para o Iraque? Tem a noção de que, à medida que a guerra do Vietname andava de mal para pior, os nossos dirigentes enviaram mais tropas e desperdiçaram mais milhares de milhões de dólares até que o número de soldados dos EUA que se encontravam naquele pegueno país chegou a atingir os 550.000? Como velho piloto bombardeiro, até tremo só de me lembrar que caíram mais bombas sobre os vietnamitas e o seu país que o total de bombas despejadas por todas as aviações militares em todos os países na Segunda Guerra Mundial. Está, Sr Presidente, honestamente convencido de que precisamos de mais dezenas de milhares de soldados e de um orçamento suplementar de guerra da ordem de 200 mil milhões de dólares , antes de nos retirarmos deste pesadelo da velha Bagdad?

Coservador compassivo

No início da sua campanha para presidente, Sr Bush, definiu-se a si próprio como um "conservador compassivo". Onde está a compaixão, quando se condena a juventude americana a uma guerra desnecessária e sem fim á vista que já durou mais tempo que a Segunda Guerra Mundial? E que há de conservador em reduzir os impostos necessários para financiar esta guerra, optando em vez disso por elevar a nossa dívida externa a nove biliões de dólares com dinheiro emprestado pela China, Japão, Alemanha e Grã-Bretanha? Será este déficit selvagem a sua idéia de conservadorismo? Sr Presidente, como pode um verdadeiro conservador ser indiferente aos custos sempre crescentes da guerra que já atingiram os 7 mil milhões de dólares por mês, ou seja, 237 milhões por dia? Perdurbá-lo-á, como conservador que afirma ser, tomar conhecimento de que apenas os juros da nossa dívida cósmica já ascendem a 760.000 dólares por cada dia que passa? Sr Presidente, o nosso compatriota - agraciado com o prémio Nobel - Joseph Stiglitz, estima que, se esta guerra se prolongar até 2010 como indicou, o seu custo irá exceder um bilião de dólares.

Talvez devesse meditar, Sr Presidente, nas palavras de um genuino conservador, o parlamentar inglês do século XIX, Edmund Burke: "Um homem conscioso deve rodear-se de cautelas ao decidir assuntos que implicam sangue".

E, Sr Presidente, no momento em que os mais respeitados generais chegaram à conclusão de que o caos e o conflito no Iraque não podem ser resolvidos nem por mais dólares americanos nem por mais mortes de jovens americanos, alguma vez teve em consideração os sentimentos da ansiosa e perturbada sociedade doméstica? Que tal as palavras de outro verdadeiro conservador, o general e presidente Dwight Eisenhour, que afirmou: "Cada espingarda que é fabricada, cada navio de guerra que é lançado ao mar, cada disparo de canhão significam, em última instância, uma ameaça para os que têm fome e não têm alimento, para aqueles que têm frio e não têm roupa para se proteger."

E, Sr Presidente, não lhe faria bem tal como a todos nós, considerar as palavras de despedida do presidente Eisenhower: "Nos gabinetes governamentais, deveremos estar alertas contra a presença não solicitada do complexo militar-industrial. O perigo do crescimento desastroso de um poder sem controlo existe e continuará a existir".

Finalmente, Sr Presidente, pergunto-lhe se honrou o seu juramento feito sobre a Constituição, ao usar aquilo que designa por guerra ao terrorismo para atacar os Direitos e Garantias dos cidadãos? Em qual teoria constitucional se baseia para a detenção de prisioneiros sem acusação, por vezes torturando-os em prisões estrangeiras? Com que base constitucional ou legal intercepta chamadas telefónicas sem aprovação dos tribunais como é exigido por lei? Estará Vossa Excelência acima da Constituição, acima da Lei e acima da Convenção de Genebra? Se estamos a lutar pela liberdade no Iraque, porque se mostra tão indiferente à protecção das liberdades aqui, nos EUA?

Fora do Iraque

Muitos americanos interrogam-se: "A guerra americana no Iraque criou aí uma confusão horrível, mas como poderemos abandoná-lo agora?" William Polk, um antigo professor de Estudos do Mádio Oriente nas universidades de Harvard e Chicago e também antigo perito em questões do Médio Oriente no Departamento de Estado, emparceirou comigo na escrita de um livro recente, solicitado pela editora Simon & Schuster. O título é: "Fora do Iraque: Um Plano Prático para o Repatriamento Imediato."

Sinto-me embaraçado em apresentá-lo, e por isso reproduzo as palavras da respeitável jornalista do New York Times e agora também da Newsweek, Anna Quindlen, que declarou em entrevista ao excelente programa de televisão de Charlie Rose: "É um livro maravilhoso que recomendo a todos. É muito pequeno e muito fácil de ler, este livro de George McGovern e de William Polk chamado 'Fora do Iraque'. Rapidamente passa pela história deste país, a sua construção, como chegámos lá, que argumentos usámos na altura - muitos deles sem fundamentação - e como poderemos sair de lá. É como uma obra-prima. Penso que toda a Nação deve lê-lo e, então, estaremos unidos."

Se pretenderem segunda opinião, posso citar também a do estimado Liberty Journal: "Neste livro, com argumentos vigorosos e convincentes, o ex-senador McGovern e o académico Polk desenvolvem uma crítica contundente e clara à guerra no Iraque. O que torna este livro altamente legível singular é que não só argumenta porque devem os EUA retroceder militarmente do Iraque já, mas também indica claramente os passos práticos que devem ser dados para o repatriamento das tropas. Uma leitura obrigatória para todos os que desejam terminar com a confusão em que está envolvida a actual política dos EUA. Altamente recomendável para o público e para a academia."

O professor Polk é descendente do Presidente Polk e irmão do notável George Polk, que se encontra hoje connosco vindo da sua residência do Sul de França, e que se juntará a mim neste pódium no final desta interrogação imparcial que fiz ao presidente Bush. E agora, caros membros do Clube de Imprensa e convidados, é a vossa vez de examinarem Bill Polk e a mim próprio , certamente, do mesmo modo imparcial.

George McGovern, o canditado presidencial do Partido Democrático em 1972, esteve ao serviço da Casa dos Representantes desde 1957 até 1961 e do Senado por 18 anos. Foi também presidente do Conselho para as Questões do Médio Oriente em Washington, DC durante seis anos. Pronunciou o seu discurso na National Press Club em Washington, DC em 12 de Janeiro de 2007.


Tradução integral do artigo:
War of the Belligerent Professors
publicado a 22 de Janeiro por Counterpunch.

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

Até quando?

Tenho televisão por cabo.. Interessam-me canais como o de História, o National geographic, etc.
Chego a casa e pego na cabomagazine à procura de um programa interessante... Para já, nem falam nos 4 canais nossos, depois só vejo publicidade a filmes, documentários, nomes de estrelas de cinema, cujas estórias circulam todas à volta do que se passa na América.

Já não chega a música que é transmitida diariamente pelas rádios maioritariamente anglo-americana! Bolas! É demais. E a diversidade? E o cinema italiano, as suas canções? E os dramas que existem nos 360º deste planeta? E as comédias de vida que decorrem noutros sítios do globo?
É demais!
Será falta de imaginação ou alguém lhes paga para se ver o mundo só com algumas tonalidades, as que eles querem?
Dá para imaginar que sim!
Sempre poderei escolher um livro que eu queira ler e não que outros queiram que eu leia!
Está "dicidido". Aqui vou eu!

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O deputado e o ladrão

O mais difícil, nos tempos que correm, é manter a confiança nas instituições democráticas, quando todos os dias assistimos a atropelos à democracia praticados exactamente por aqueles que se apresentam como os seus mais renhidos defensores.
O esquema está bem montado. Para que as leis satisfaçam a maioria da população, o poder legislativo é sufragado directamente. O poder judicial subordina-se, essencialmente, ao espírito da lei. Igualmente para o poder executivo. Tudo em ordem.
Não se pretende que as leis emanadas pelo parlamento eleito criem uma aceitação unânime entre os eleitores. Talvez a única vantagem seja a dificuldade que é posta sobre a cabeça dos legisladores de criarem unanimidade na rejeição entre os eleitores. É um valor negativo, mas não será por isso que deveremos desejar o seu fim, pois a história demonstra que, por detrás de uma solução imperfeita há milhentas outras ainda mais imperfeitas que espreitam a sua oportunidade.
Ao receberem o crédito de confiança dos eleitores, os deputados echem o ego. Talvez não tenham conseguido o mesmo sucesso na sua vida fora da actividade estritamente política, enquanto responsáveis pela administração de uma parte de empresa ou serviço público.
A primeira coisa que os nossos mais importantes e directos representantes fizeram foi: colocarem-se à margem das suas próprias leis, inventando a figura da imunidade parlamentar. Demonstraram uma atitude apenas comparável à de outros marginais fora-da-lei. Mais grave ainda, pois a um vulgar bandido, pelo menos, não se lhe pode atribuir a responsabilidade do envolvimento directo na elaboração da lei que o incomoda.
Que contingência razoável poderá ser apresentada para a imunidade parlamentar, já esta cria dificuldades reais ao exercício dos que estão profissionalmente responsabilizados pela sua aplicação: as forças policiais e os tribunais? Só consigo vislumbrar uma: as forças policiais e os tribunais foram olhados com desconfiança (em 1976) por terem tido uma atitude demasiado subserviente durante o tempo da ditadura. Mas agora? Continuam a ser olhadas com desconfiança, por que motivo? Certamente, já não pelo mesmo. A imunidade parlamentar sobrevive porque os nossos deputados comungam confortavelmente com uma parte da população a vontade de se libertarem da acção da polícia e dos tribunais.
E os restantes cidadãos? Aqueles que vêm vantagens na organização social que a simples existencia da lei permite? Tornam-se os principais suportes sociais das suas virtudes. E aspiram a um tempo em que o parlamento venha a ser preenchido por algo mais consistente que cidadãos com reservas mentais face à acção da polícia e dos tribunais.
Compreendo a imunidade diplomática, um acordo de cavalheiros entre governantes que actuam na cena internacional. A lei de cada país tende a reflectir costumes consagrados e modos de ver o mundo que não são universalmente partilhados. Ao estender o conceito para os parlamentares, não se libertam os deputados de costumes que possam considerar estranhos, libertam-se, pura e simplesmente de todas as leis: a dos outros países e as do próprio país. Tornam-se párias na própria terra. E dão aos seus eleitores a pior mensagem: a de que não confiam no trabalho que fazem. Retiram à sua função o brilho do exemplo, o único mérito que todos estariam dispostos a reconhecer, incluindo os ladrões. Passam a ideia de que escapar às malhas da justiça é uma actividade suficientemente digna para merecer consagração institucional.
A força das palavras nunca excede a força das atitudes. Com melhores exemplos, não seria necessário refinar tão desmesuradamente a retórica; nem tantas altercações no hemiciclo. Tudo acontece porque, dado o exemplo, o que resta é um manto de descrédito. Explicitamente consentido a ainda não claramente rejeitado.
Os problemas colocados à aplicação simples e directa da lei já têm consequências no nosso país: a que mais me impressiona é o índice de suicídios entre os polícias. Todos temos obrigação de reflectir no que isto significa de distorsão das possibilidades de convivência mutuamente satisfatória. Não vale a pena iludir-nos quanto à aparente inocência de determinados actos que se negam a si próprios. A imunidade parlamentar é uma lei anti-lei; um entrave à assumpção plena das responsabilidades; um desafio ao senso comum; uma auto-proclamação de incompetência; um insulto à inteligência dos cidadãos; um manifesto de menoridade civil; um convite aberto ao faz de conta; uma ferida que nos amarra à condição anterior à república; um obstáculo ao desenvolvimento da cidadania; um punhal cravado no coração da democracia.

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terça-feira, janeiro 23, 2007

Debate sobre Mecância Quântica


(imagem Amazon.com)

Tomando como pretexto a publicação do livro do Prof José Croca, vai realizar-se um debate público promovido pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, que terá lugar às 21H30 do próximo dia 25 de Janeiro nas instalações da Livraria Ler Devagar na R. da Rosa 145, ao Bairro Alto em Lisboa.
Participam:
  • Rui Moreira
  • Jorge Valadares
  • João Luís Cordovil

O assunto tem merecido a atenção de professores do secundário nas áreas de Física e Filosofia.

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Bush isola-se entre os republicanos

John W Warner, senador republicano da Virgínia
O soldado americano não foi treinado, nem enviado para lá - de certeza que não, por decisão desta câmara - para ser colocado no meio do fogo cruzado entre chiitas e sunitas, no meio de uma matança deliberada e incompreensível que vai por lá. Não menosprezamos a importância desta missão, mas ela tem de ser empreendida pelas forças iraquianas e não pelas forças da coligação.
Susan Collins, senadora republicana do Maine
Já assistimos a quatro vagas desde que chegámos ao Iraque. Nenhuma delas produziu qualquer alteração duradoira da situação no terreno. Estou, portanto, bastante céptica que esta vaga venha a produzir qualquer resultado.

Artigo:
Key Republican Senator Offers Bipartisan Call to Reject Bush Plan for More Troops in Iraq
publicado em 22 de Janeiro de 2007 por The New York Times

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Paul Graig Roberts - Só a impugnação pode evitar mais guerra

Paul Craig Roberts foi Secretário adjunto do Tesouro na Administração Reagan. Foi editor associado da página editorial do Wall Street Journal, e editor convidado na National Review.
É co-autor de The Tyranny of Good Intentions. Pode ser contactado pelo endereço PaulGraigRoberts@yahoo.com
Todos sabemos que a "nova vaga" de Bush para o Iraque não vai resultar. Até os autores do plano, os neoconservadores Frederick Kagan e Jack Keane, realçaram que o plano não daria resultado com um acréscimo de tropas dos EUA inferior a 50000 homens e um prolongamento dos combates por mais três anos. Bush acrescenta apenas 40% deste número e o Secretário da Defesa Gates fala em terminar esta operação no final do próximo Verão.

A 18 de Janeiro, um painel de generais reformados classificaram o estrondoso plano de Bush como "um erro louco". Até o habitualmente dócil público americano sabe que este plano não funcionará. Uma sondagem da Newsweek de 20 de Janeiro mostra que apenas 23% do público apoia o envio de mais tropas para o Iraque e que o número de americanos que apoia os democratas é duas vezes superior àquele que apoia Bush.

A maioria dos americanos (54%) acredita que Bush não é honesto nem ético e 57% acredida que Bush é destituido de "qualidades fortes de liderança."

No entanto Bush insiste no seu plano de "nova vaga", tendo declarado na semana passada a um grupo de estações televisivas: "Eu acredito que resultará."

Mas Bush está certo - claro que dará resultados. Temos que examinar os termos precisos em que dará resultados. Não significa que as 21500 tropas adicionais tragam ordem e estabilidade ao Iraque. A vaga resultará, porque desvia a atenção do verdadeiro jogo do regime de Bush.

Dois grupos de navios de ataque foram enviados para o Golfo Pérsico. Os países vizinhos, produtores de petróleo, estão a receber anti-mísseis dos EUA para se defenderem de mísseis do Irão, caso os EUA não consigam destrui-los a todos. Há pilotos israelitas preparados para atacar o Irão. A doutrina de guerra dos EUA mudou, de maneira a permitir ataques nucleares preventivos contra países não-nucleares. Foram enviados aviões de combate para as bases da Turquia. Um almirante neoconservador que participa nos eventos da Conferência para os Assuntos Israelo-Americanos (AIPAC) foi promovido a comandante-em-chefe das forças do Médio Oriente. É obvio que as forças estacionadas no Iraque e no Afganistão já não constituem o cerne das novas movimentações militares de Bush. Bush está agora empenhado em atacar o Irão.

No Couterpunch (16 de Janeiro), o Coronel Sam Gardiner informou que o regime de Bush incumbiu um grupo dirigido por elementos do Conselho Nacional de Segurança de fomentar e manter activas operações de hostilidade contra o Irão. O Coronel Gardiner deu pormenores sobre as etapas da escalada e identificou os preparativos que assinalariam o ataque eminente ao Irão, tais como "o envio de aviões-cisterna da Força Aérea (USAF) para lugares pouco habituais, como a Bulgária" de modo a colocá-los em posição de reabastecimento em vôo dos bombardeiros B-2 na sua rota para o Irão.

Tanto Michel Chossudowsky (ICH, 17 de Janeiro) como Jorge Hirsch (Counterpunch, 20 de Janeiro) recolheram recentemente provas que o regime de Bush está a orquestrar uma crise no Irão que pode conduzir ao uso da força nuclear no ataque a este país.

Activistas pelas liberdades civis que têm observado a concentração de poderes ditatoriais promovidas pela presidência prevêm que esta guerra contra o Irão, especialmente se as temíveis armas nucleares foram usadas, será acompanhada pela declaração do estado de emergência. O regime de Bush usará a declaração do estado de emergência para alcançar arbitrariamente maior poder em nome da protecção dos "interesses da segurança nacional" e da protecção dos cidadãos americanos contra o "terrorismo".

Ao se avolumarem os crimes contra a Constituição dos Estados Unidos, os dissidentes serão dissuadidos e todos os americanos ficarão com medo de exprimir - ou mesmo de pensar - a verdade. Representará isto a destruição dos direitos civis que protegem a livre expressão, a discordância e a detenção arbitrária por tempo indefinido sem acusação que abra o acesso à justiça.

O Congresso perde um tempo precioso com resoluções não limitativas e debates sobre cortes no financiamento à guerra. O regime de Bush está a arrastar o país para a guerra e a torná-lo num estado policial. Em Slate, Dahlia Lithwick escreveu que um dos principais objectivos da chamada "guerra ao terror" (essencialmente uma misatificação propagandística) é a de expandir sem limites o poder executivo. Este é um objectivo longamente acalentado pelo Vice-Presidente Chenney e pelo seu chefe de gabinete, David Addington. É também o propósito mais importante da "conservadora" Sociedade Federal, uma organização de advogados republicanos de onde saem as nomeações judiciais do Partido Republicano.

A opinião pública americana está a ser manipulada. Em nome da "protecção da liberdade e da democracia americana", o regime de Bush atropela ambos e ignora tanto o público como o Congresso, prosseguindo a sua catastrófica política que apenas tem o apoio do próprio regime e de uma dúzia de loucos e poderosos neoconservadores.

Nada pode parar o regime senão a impugnação de Bush e de Cheney. Esta é a última oportunidade da América.
Tradução do artigo:
Only Impeachment Can Prevent More War
publicado em 22 de Janeiro de 2007 por Counterpunch.

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sábado, janeiro 20, 2007

A pirâmide do conhecimento

!

A r t e

C i ê n c i a

F i l o s o f i a

S e n s o C o m u m

P r o c u r a

V i s ã o

E x p e r i ê n c i a

C o n t a c t o

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Computer Busines Review - Software livre

Estudo da União Europeia declara que o software livre pode aumentar a competitividade


A utilização de software livre - Free/Libre Open Source Software (FLOSS) - pode tornar a União Europeia (UE) o líder mundial da economia do conhecimento por volta de 2010, conclui o estudo. "Dada a menor capacidade histórica da UE para criar novos negócios de software, quando comparada aos Estados Unidos da América (EUA), devido a restrições de tolerância e capital de risco, uma concentração de participações em programação de software livre europeu oferece a oportunidade única de criar novos negócios nesta área", diz o relatório que foi encomendado no quadro do Programa para a Sociedade das Tecnologias de Informação da Comissão Europeia.

O FLOSS abriria a porta a pequenos investimentos: uns meros 20 a 40% de aumento das participações nesta área poderá representar um aumento de 0,1% da Produção Bruta anual da UE, ou seja, uma contribuição de 10 milhões de euros. Segundo uma sondagem realizada pelo um centro de investigação e formação conjunto das Nações Unidas e da Universidade de Maastricht, 63% de todos os programadores FLOSS vivem na UE, enquanto nos EUA e Canadá vivem 20%; e também 42% dos utilizadores da Sourceforge encontram-se na UE, comtra 39% nos EUA e 7% na Ásia. O maior desafio para a UE é fixar estes programadores na Europa; entre os que não vivem no país natal, 5% abandonaram os EUA, enquanto 26% foram para os EUA. A capacidade em criar empresas de desenvolvimento de software livre pode ser o factor decisivo para a economia da informação na UE.

Extracto do artigo:
EU Study Says Open Source Could Increase Competitiveness
publicado em 15 de Janeiro de 2007 por Computer Business Review

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Ehud Olmert - lapsus linguae

Ehud Olmert, primeiro ministro de Israel
O Irão exprimiu de modo aberto, explícito e público que pretende que Israel desapareça do mapa. Poderá sustentar que tais declarações se encontram ao mesmo nível, quando aspiram a possuir bombas nucleares tal como a América, França, Israel ou Rússia?
Seppo Kääriäinen, ministro da defesa da Finlândia
Penso que o Sr Olmert deve fornecer mais pormenores sobre o que esta informação efectivamente significa.

Artigo:
OLMERT'S ATOMIC FAUX PAS
publicado em 19 de Janeiro de 2007 por Spiegel Online

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

Ciso juízo

Ó dente podre,
Cai aos bocadinhos.

Ó chumbo que o seguras,
Sabes melhor do que o vinho.

Ó meu bife que já não és cortado,
Nas gengivas te acomodas profundo.

Se não fores simples o suficiente,
Não mais darei voltas à mente.

Encolhe!
Ponto

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Miguel Torga - 17 de Janeiro de 1995

Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.


MIGUEL TORGA

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quarta-feira, janeiro 17, 2007

Para fugir à realidade




Só mesmo com uns copitos!

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Ser Professor em Portugal

De autor desconhecido, circula na internet em power point. Retirei-lhe o texto:

SER PROFESSOR EM PORTUGAL

Missão Quase Impossível

Esta é uma profissão em que se trabalha em casa (de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias!

Férias, sim, e sem eufemismos, que bem precisamos de pausas ao longo do ano para irmos repondo forças e coragens.

(De resto, é o que acontece nos outros países por essa Europa fora, às vezes com muito mais dias de folga do que nós: 2 semanas para as vindimas em Setembro/ Outubro, mais duas para a neve em Novembro, 3 no Natal e mais 3 na Páscoa , 1 ou 2 meses no verão) .

É a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado.
(também neste caso, exigirá a senhora Ministra um pré-aviso com 5 dias de antecedência?)

É uma profissão que exclui devaneios do tipo: hoje preciso de sair meia hora mais cedo, ou o corriqueiro "volto já" justificando a porta fechada em horas de expediente.

É uma profissão de enorme desgaste!
Ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava na 2ª posição, a seguir aos mineiros, mas isto, está bom de ver, não convém a ninguém lembrar.

É uma profissão que deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente.
Enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados, na nossa pessoa e no nosso trabalho.

É uma profissão cujos agentes têm de estar permanentemente a 100%.
Não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais.

É uma profissão em que, de 45 em 45, ou de 90 em 90 minutos, se tem de repetir o mesmo processo, exigente e desgastante, de chegar a horas, "conquistar" várias vezes ao longo do dia, um novo grupo de 20 a 30 alunos e todos ao mesmo tempo.
(não se confunda uma aula com uma consulta individual ou a gestão familiar de 1, 2, 3 filhos...)

É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção.

É uma profissão em que sofremos, ainda, a angústia do nosso próprio desempenho pelo insucesso dos alunos, o qual depende, igualmente, de factores que não controlamos:
- Problemas sociais e relacionais das respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do país!

Será bom que a “opinião pública” comece a perceber que, nas "imensas" faltas dos professores, são contabilizadas também situações em que, de facto, estão a trabalhar.
Como por exemplo:
A fazerem em casa a preparação de aulas (que é o sítio que lhes oferece condições), elaboração ou correcção de testes e afins, porque não é suficiente o tempo atribuído a essas tarefas.
No acompanhamento de alunos em visitas de estudo.
Em acções, seminários, reuniões, etc. para os quais até podem ter sido oficialmente convocados.

Se é professor, sabe o quão verdadeiro é o texto acima registado.

Se não é professor, creia que é verdade e apoie quem está a lutar simultaneamente pela dignificação da Carreira Docente e por uma educação de verdadeiro sucesso.

ACARINHE OS PROFESSORES!!!
ELES PRECISAM DO SEU APOIO!!!

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Angela Merkel - A Europa e a Rússia

Angela Merkel, Chanceler Alemã
A parceria com a Rússia é estratégica para a Europa. Deve expandir-se tanto quanto possível. Para isso, é necessário negociar um novo acordo de cooperação.

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Franklin Spinney - Porque não corre o tempo a favor de Bush?

Já nem os analistas militares acreditam em Bush? (AF)

Franklin C. Spinney foi analista do Pentágono, tendo trabalhado no DoD (NT - Departamento de Defesa) durante 33 anos, dos quais 28 no Pentágono. Nos primeiros 7 anos foi oficial engenheiro da Força Aérea e no restante analista civil na sede da Secretaria de Defesa. Os seus escritos sobre as questões de defesa podem ser encontrados no sítio Defense in the National Interest.

O ponto fundamental de qualquer estratégia de condução da guerra é a arte de colocar o adversário debaixo de uma pressão ameaçadora tal que ele se veja obrigado a tomar uma decisão, retirando-lhe a oportunidade de decidir razoavelmente fora do contexto imposto pela ameaça. A comissão Backer tentou comprar tempo, lançando uma bóia de salvação para o Comandante-em-Chefe, mas este recusou-a, tendo optado por desperdiçar dois meses de tempo precioso para alinhavar uma estratégia que, no melhor dos casos, exigiria um horizonte temporal alargado para que fizesse sentido e fosse executada militarmente.

O Sr Bush, pelas sua próprias palavras, não se encontra nas melhores circunstâncias. O resultado é uma amálgama de contradições paralisantes. Pior do que isso é o facto de estar a perder a oportunidade.

O crédito da estratégia do Comandante-em-Chefe está em risco. A reacção do público ao seu discurso de expansão da guerra foi morna, para sermos suaves. Enfrenta uma oposição crescente entre os republicanos do Capital Hill, não contando com a alienação para os democratas de ambas as câmaras do Congresso. Em resumo, a coesão interna dos Estado Unidos está a desfazer-se, o que Sun Tsu teria previsto facilmente, dadas as deturpações a que Bush recorre para justificar a agressão ao Iraque. Azar ainda maior, a predisposição do nosso aliado mais importante está a enfraquecer. Tony Blair já disse e repetiu que a Grã-Bretanha não enviará mais tropas para o Iraque e dará seguimento ao seu plano de repatriamento das tropas estacionadas no Sul chiita.

O plano militar de Bush está também desfasado da realidade política e militar do Iraque. Segundo um relatório do New York Times datado de 15 de Janeiro, Bush está a implementar uma controversa cadeia sobreposta de comando envolvendo iraquianos e americanos em cada nível de tomada de decisão. Analisando positivamente, o esforço suplementar de coordenação acarreta demoras de tempos (NT - em português, no original) operacionais com sacrifício da oportunidade. No pior dos casos, com a intromissão de mais gente de lealdade duvidosa nos processos de tomada de decisão em todos os níveis, a cadeia de comando inventada por Bush não só aumentará as oportunidades dos nossos adversários, como lhes facilitará as condições para se inflitrarem e agirem por dentro dos nossos planos tácticos e operacionais.

E há mais loucuras.

O sistema de comando e controlo do Sr Bush entra em contradição com a sua própria estratégia de "conquistar e ocupar". "Conquistar e ocupar" pressupõe a possibilidade de disseminar pequenos êxitos tácticos para alcançar sucessos operacionais mais amplos; culminando eventualmente na obtenção do objectivo geral. Mas a estrutura de comando e controlo que se prepara para implementar tornará muito mais fácil para os nossos adversários anular esta estratégia desarticulando-a nos níveis tácticos e operacionais inferiores do conflito, que são determinantes.

Nada há de novo na teoria da "conquista e ocupação" senão a aplicação da feitiçaria do Sr Bush, para dizer o mínimo. "Conquista e ocupa" é, de facto, uma retomada adulterada da estratégia que o Marechal Lyautey empreendeu nos tempos coloniais da entrada do século XX, sob o nome de tache d'huil (NT - em francês no original; mancha de óleo), para ganhar o apoio de diversas tribos árabes/berberes do Norte de África, em troca de protecção e serviços sociais - numa expansão lenta e metódica da área sob domínio francês. Tal como Lyautey, o Sr Bush usaria unidades rápidas de infantaria ligeira para desfazer depressa as concentrações do inimigo; e tal como Lyautey, o Sr Bush compreende que o sucesso desta estratégia depende da expansão gradual das zonas pacificadas ou "manchas de óleo". Mas, ao contrário de Lyautey, que percebeu perfeitamente que esta estratégia exigia um tempo dilatado, a atitude do Sr Bush, tal como a dos seus apoiantes, é "vamos dar-lhes um tiro rápido" para vermos se alcançamos resultados tangíveis em alguns meses numa frente urbana.

Muita gente morrerá neste tiro rápido porque, infelizmente, o TEMPO está a favor daqueles que nos querem expulsar do Iraque e eles sabem disso, mesmo que discordem de tudo o resto que possamos dizer.

Os pilotos de combate usam uma descrição para a paralisia do pensamento que acompanha o estado mental desesperado que as confusões do Sr Bush evidenciam: O homem está "fora da altitude, da rota e do juízo".


Tradução do original em inglês:
Why Time is not on Bush's Side
publicado em 17 de Janeiro de 2007 por Counterpunch

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terça-feira, janeiro 16, 2007

Os ponts nos iis!!


K è k tein o título?! Consultei a nova grmàtica de prtuguês e está td em ordeim!! :p
Agora a sério! O que me trouxe a vir aqui mandar uma posta de pescada (para além da incansável e determinada insistência da minha mãe) foram uns "sururus" sobre aborto que me chegaram ao ouvido. Vejo que os meus serviços são necessários!
Sei que já não é o primeiro post relativo ao assunto mas não é todos os dias que escrevo por isso perdoem-me o abuso. Então, lá vai.
Ponto 1 - O aborto é punível por Lei. A quem o executa e a quem o manda executar (normalmente uma mulher porque os homens portugueses não costumam engravidar)
Ponto 2 - Vai ser referendada a despenalização do aborto.
Ponto 3 - Um "SIM" no referendo poderá (ou não) trazer custos acrescidos ao contribuinte (vamos estudar esta questão mais adiante).
Ponto 4 - Um "NÃO" no referendo manterá inalterada a legislação actual bem como o panorama social.
Ponto 5 - Um aborto é uma experiência traumática para a mulher que o pratica.
Ponto 6 - Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz (a não ser a distância mínima de segurança)
Ponto 7 - Por que é que (sim, já ninguém se lembra mas é assim que se escreve - explico a quem estiver interessado) a imagem temática não tem nada a ver com o assunto? Já lá vamos!
Pois é:
É punido quem executar abortos a daí retire proveitos. A questão é que não é disto que trata o referendo. O dito acto incide sobre a mulher que pratica o aborto. A potencial mãe que decide abortar. Quem pratique abortos ilegalmente é e continuará a ser punido, independentemente do resultado do referendo.
Está em referendo a despenalização do aborto, não o ónus de pagamento do acto. Depois do "SIM" ganhar, quem quiser pode propor à Assembleia um referendo sobre os encargos da operação. Nesse referendo eu apoiarei a causa do "não pagar abortos alheios".
Nenhuma mulher mentalmente sã pratica "abortos em série". O aborto é uma experiência traumática e a mulher que o realiza é fisica e psicologicamente prejudicada. Não é razoável afirmar que exista um tipo de mulher sem sentido de Estado e pronta a delapidar o erário (público) e o horário (dos hospitais) que recorra com leviandade à solução aborto. Só para poupar nos preservativos? Não faz sentido.
O "SIM" poderá vencer, mas até penso que não. Penso que não porque a hipocrisia rege. Porque números importantes de mulheres que já abortaram ilegalmente e maridos (ou não) que o sabem/impuseram/se abstiveram votarão não. Porque não é socialmente correcto. Porque vai contra a moralidade. Tenhamos fé na consciência colectiva.
O "SIM" poderá trazer encargos acrescidos ao contribuinte em geral. É verdade. Pode acontecer. Tal como pode acontecer uma criança inesperada, filha de pais incapazes de a sustentar ir parar a um orfanato e ser, assim, um encargo para o Estado, não no momento do aborto mas durante 18 anos. Não façamos mais contas à bolsa porque este tema é delicado.
Agora, e a propósito do assunto sopa que também veio à baila. Pode ser verdade que muitas mulheres aqueçam a sopa no fogão sem ter o cuidado de tapar a panela, salpicando tudo. Relativamente a essas mulheres (e aos fogões que também não têm o cuidado de tapar a panela) não me pronuncio. Não nos podemos é esquecer que mesmo tapando a panela, a sopa pode transbordar e molhar tudo! (penso que era mais ou menos este o significado de molhar a sopa).
E agora vem um dos motivos principais da minha intervenção online (o principal foi defender o meu mano Jorge recém chegado ao espaço cibernáutico!).
"Abortar como opção quando já bate um coração?". Mas o que é isto?! Quantos neurónios tem um feto? Que sensações experimenta? Alguém tem memórias do interior do útero da mãe?
E acrescento: quantos neurónios tem uma vaca (eis solucionado o grande enigma do post!) adulta, passando uma vida em cativeiro ou em semi-cativeiro e abatida para nos alimentar? Que sensações experimenta? A dor é uma delas. Quantos milhões delas são abatidas por ano para nos alimentar? E as galinhas? Os perús? Os porcos? Não vou continuar esta lista infindável de animais que são, em massa, encarcerados e submetidos a dor com o simples fim de nos alimentar. Não sou vegetariano, mas gostava de lembrar que todos os dias são abatidos animais adultos, sensitivamente (para não arriscar emocionalmente) mais desenvolvidos que qualquer feto dentro do prazo em discussão.
E para terminar, a minha proposta para o próximo referendo:
"Concorda com a penalização dos homens que, sabendo que apenas um dos espermatozóides será bem sucedido, enviam 300 milhões de cada vez, truncando a vida potencial de 299 999 999 seres?"
E acrescentava ainda:
" Concorda com a penalização (ao quadrado) da mulher que, podendo ter quadrigémeos ou mesmo mais, apenas liberta um óvulo de cada vez em condições normais, num acto egoísta, em vez de lançar logo, pelo menos, vá...quatro óvulos de cada vez? Ou pelo menos que deixasse que o óvulo fosse fecundado por vários espermatozóides..."

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Paul Roberts: os detidos de Guantânamo

Este artigo é sintomático do isolamento de Bush, por ter sido escrito por um antigo membro da administração Reagan. Contém referências a episódios históricos de golpes usados por administrações anteriores para forçar decisões do Congresso favoráveis a intervenções militares. Devido à sua extensão, retiro apenas dois excertos relacionados com Guantânamo.(AF)
PAUL CRAIG ROBERTS, secretário adjunto do Tesouro na administração Reagan
Toda a "Guerra ao terrorismo" de Bush está baseada em mentiras. O regime de Bush, desesperado por encobri-las, está agora a tentar impedir que as firmas americanas de advogados defendam os detidos de Guantânamo. O regime de Bush treme face à eminência de os cidadãos descobrirem que os detidos não são terroristas, mas peças de um orquestração com aquela designação.

A única razão que levou Bush a prolongar tanto as detenções sem julgamento é a de que não há acusações formadas. Os detidos não são terroristas. São adereços numa guerra forjada para encobrir a sua política hegemónica no Médio Oriente.

Excertos de:
Bush Must Go. Only Impeachment Can Stop Him
publicado em 15 de Janeiro por Counterpunch.

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Neil A. Lewis - Ataque às firmas de advogados


O oficial do Pentágono responsável pelos detidos militares suspeitos de terrorismo disse, em entrevista, que estava consternado com o facto de muitas das principais firmas de advogados estarem a representar detidos da baía de Guantânamo, Cuba, e que os clientes empresariais dessas firmas deveriam terminar as suas ligações com elas.

Estes comentários de Charles D. Stimson, o procurador adjunto do secretário da defesa para os assuntos dos detidos, desencadearam uma torrente de respostas por parte de advogados, especialistas em ética do Direito e dirigentes de associações de Justiça, que disseram sexta-feira que tais declarações são repelentes e demonstram ignorância àcerca da função dos advogados na representação de pessoas com problemas legais.

"Isto é prejudicial para a administração da Justiça", disse Stephan Gillers, um professor de Direito na Universidade de Nova York e uma autoridade em ética legal. "É possível que aquilo que os advogados têm largamente aceite como uma ocupação digna comece a ser rejeitado devido a receios de problemas com clientes importantes".

"Há um funcionário superior do Estado que sugeriu que a defesa desses detidos comprometia de alguma forma os interesses da América, tendo mesmo indicado os nomes das firmas, oferecendo assim um alvo para as empresas americanas".

O Sr Stimson fez estas observações num entrevista na quinta-feira à Federal News Radio, uma estação local de Washington destinada a funcionários públicos.

O mesmo ponto de vista foi retomado na sexta-feira pelo editorial do The Wall Street Journal, no qual Robert L. Pollock, um elemento do corpo redactorial, apresentou uma lista de firmas de advogados e mencionou um anónimo "oficial superior dos Estados Unidos" como tendo declarado que "os presidentes das administrações das empresas que encarem estas firmas devem obrigá-las a escolher entre negócios lucrativos ou representação de terroristas."


Tradução da parte inicial do artigo:
Official Attacks Top Law Firms Over Detainees
publicado no The new York Times em 12 de Janeiro de 2007

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sábado, janeiro 13, 2007

PRELÚDIO VIOLETA




Em memória dos almoços na Cristal (2,5 euro com sopa, se bem me lembro), aqui fica o registo áudio do nosso trabalho.

Jorge Ferrão, Mariana Seara, Quintas e Ana Luisa.
2 Violas, Guitarra Folk e Baixo Acústico.

Aria em Re Maior
Capricho
La Cumparsita
When I am 64

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sexta-feira, janeiro 12, 2007

Que bom!




É tão bom ter um computador.
Estar ligado à Internet.
Ter toda a informação do mundo na ponta dos dedos.
Estar permanentemente contactável.
Conhecer os pensamentos dos outros.
Comentar, admirar, marcar, copiar, criar, estudar, sonhar...

Assim em vez de:

Andar de mota (que é perigoso)
Fumar um cigarro (que faz mal à saúde)
Sair à noite (limita as horas de sono)
Tocar (acorda os vizinhos)

Sempre posso:

Escrever um post.

É seguro, e se alguém se zangar com isso, só deve, por uma questão de ética utilizar o botão comentar.
É proibido, pela lei da Net, verbalizar ou extrair assuntos desta caixa ainda que de outra maneira nunca viessem à baila.

Por enquanto, vai saindo com nome e apelido, apesar do relevo indesejado. É como ir a um baile de máscaras sem o disfarce. Afinal, quantos blogueiros se identificam autenticamente? Ele há tanta gente séria por aí... Desde o Vinho Rosé até ao PSP, e todos bem falantes!

De resto, confesso que depois do charme inicial desta exposição, começam a vir à tona questões antigas. Por exemplo: Estarei agora mais unido aos meus interlocutores porque falei para todos com testemunhas? Ou é esta exposição que vai ditar uma cisão maior?

O Retrógrado
440

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Educação e Valores


Pergunta de exame, disciplina de Educação e Valores:

«Numa época de canhestros, sistemáticos e fragmentários dogmatismos, labilismos, labialismos, turismos culturais, pragmatismos, cepticismos, determinismos, fatalismos, autismos, narcisismos, parolismos... - mais ou menos camuflados por dinâmicas endógenas e exógenas - um relance, embora perfunctório, sobre a ossatura programática da Disciplina, permite afigurar-se razoável, liminarmente, a susceptibilidade de desfibrá-la, entre outras, nas seguintes dïcotomias axiológicas mediáticas multifacetáveis, confinantes, congruentes, sinalagmáticas..., a entrecruzarem-se, transumirem-se, transubstanciarem-se, transversalizarem-se, etc., v.g: Educação-Ética; Cultura-Civllização; Valores-Referências. Sem irrelevar o subjacente, atípico e ágrafo património - genético, material e espiritual - a montante e a jusante do aluno, teça um comentário sinóptico (corroborante ou repudiante), ancorado em dimensão axiológica e argumentos, empíricos ou especulativos, minimamente válidos.»

Se gostou desta, não perca as demais perguntas em:
Professores Contratados e Desempregados
Publicado em 28 de Novembro de 2006

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Então o que vai ser referendado?!

É o que me apetece perguntar ao movimento pelo não, que, num artigo que li, fez este tipo de declarações :

«No fundo, o Estado devolveu aos cidadãos a responsabilidade de se pronunciarem acerca de um problema que o Estado não demonstra existir. Mas é também muito grave que os defensores do ‘sim’ apostem agora fortemente numa campanha que tem como mote ‘acabar com a prisão’»

O artigo, tem lá bem escarrapachada, a hipocrisia e a desorientação de quem assim pensa. Como a lei existe, e até não é cumprida, então não vale a pena mudá-la, e então, é muito grave que alguém ouse dizer que vota a favor da despenalização porque quer a lei alterada.

Entretanto, anda o estado a gastar dinheiro e tempo a tratar destes casos(que até não dão em nada) e está tudo bem.

Que palhaçada! Pelo menos, assumam que acham que as mulheres, que abortam voluntariamente antes das 10 semanas, deviam ir presas!

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

José Berardo versus Belmiro de Azevedo


Por menos de 11 euros por acção, a administração da PT nem sequer era obrigada a sentar-se à mesa das negociações com a Sonae.

José Berardo em entrevista ao Jornal das Nove da SIC Notícias no dia 11 de Janeiro de 2007

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Eisenhower versus complexo industrial-militar



O complexo industrial-militar tornaria as despesas militares dependentes, não das necessidades da segurança nacional, mas da rede de fabricantes de armas, elementos dos lobies e funcionários eleitos...



Dwight D. Eisenhower

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Viola de amores com instrumento de afinação fixa






..........................D
Diapasão médio do instrumento de afinação fixa
...........................................G
..............A ...................................C

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Atavismos temporais


  • O feliz - este é o meu dia
  • O infeliz - nunca mais
  • O usuário - dá-me o teu tempo
  • O cidadão global - não tenho tempo
  • A criança - quando for grande
  • O idoso - em jovem
  • O jovem - é cedo
  • O maduro - é tarde
  • O patrão - ainda?
  • O empregado - já?
  • O candidato ao governo - está prestes a chegar a hora
  • O governante - ainda não há condições

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Der Spiegel - Flirt na Alemanha

PARA ELES:
Primeiro engano: semântico. A palavra "flirt" tem dois significados: um para os alemães e outro para o resto do mundo. A maior parte dos três mil milhões de homens na Terra estima que a melhor maneira é em tornar óbvias as suas intenções. O raciocínio é simples: se ela não souber que você está interessado, as suas chances são nada (NT - em português no original) -- mas se ela não puder ignorar as suas investidas, pelo menos terá que tomar uma decisão.

As mulheres alemãs, porém, deixam-se conduzir por um estilo totalmente diverso de galanteio. O interesse é sinalizado por uma forma estudada, compenetrada do olhar por parte do homem -- um olhar fixo que pode incluir um sorriso, mas não inclui na maior parte das vezes. O olhar, porém, não deve se ostensivo, antes breve e fugidio -- e o trabalho do homem está completo. No flirt entre alemães, o poder permanece solidamente no lado da mulher.

...
PARA ELAS:
O homem alemão pode pensar que você está interessada quando efectivamente não está. Pior é que não sabem como reagir quando indicia o seu interesse. O homem alemão entende isto: conversas sérias-mas-calorosas alongadas, entremeadas por conversas aligeiradas breves. O "flirt" na Alemanha não é tão divertido, ligeiro ou directo como em outros lados. Mas a dança às vezes estranha mas deliciosamente subtil entre os géneros poderá desenvolver-se dentro de si.

Tradução de excertos de:
Flirting with Fräuleins, Hunting for Herren
publicado no Der Spiegel em 5 de Junho de 2006

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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Mendes da Ponte - Degraus da Sabedoria


António Mendes da Ponte, com 81 anos, é um dos poucos agrónomos da Junta do Café de Angola e do Instituto de Investigação Agronómica de Angola que ainda está vivo. Vai vertendo no papel aquilo que fica, depois de esquecer tudo. Eis o que ficou em 9 de Agosto de 2004.(AF)

OBSERVARe interpretar os bons e os maus exemplos, os sucessos e os insucessos, os resultados ou consequências e as suas causas
ESCUTARos mais experientes, mais instruidos e bem intencionados
ESTUDARpara aquisição de mais conhecimentos, saber, ciência, preparação, formação e mais capacitação
ASSIMILARos novos conhecimentos, saber ou ciência adquirida
SELECCIONARdentre os conhecimentos ou ciência adquirida os mais adequados à sua vocação e necessidades
EXECUTARcom eficiencia e orgulho do trabalho ou obra produzida
ECONOMIZARou poupar, evitando desperdícios, nomeadamente em ostentação, alimentação, vícios e fanatismos para mais facilmente se alcançar a independência ou auto-suficiência
TOLERARperdoar ou desculpar as deficiências ou limitações dos semelhantes menos favorecidos pela natureza ou pelo meio em que se desenvolveram
AJUDARprincipalmente através do ensino, formação e capacitação e não através da esmolinha sistemática que pode conduzir à inércia e à dependência
ALCANÇARcom merecimento a estima, o respeito, o auxílio e a protecção do próximo
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Tudo Com Arco




Intervalo harmónico: Ré e Sol
Resultado pretendido: Sol subgrave.

Sol Dó
Dó subgrave

Agora é preciso extrair o harmónico Mi da corda Dó e tomá-lo como referência para o harmónico Mi da corda Lá.


Só para solistas não acompanhados.

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terça-feira, janeiro 09, 2007

Inventem-se novos psiquiatras

No programa Prós e prós de ontem lá voltámos a ouvir a mesma cassete acerca das mudanças que o mundo tem sofrido nos últimos trinta anos. Tudo o resto muda, mas a distância da Terra ao Sol e a cassete continuam a ser sempre as mesmas.

É o mesmo professor universitário, agora na versão filósofo, o mesmo médico do hospital Sta Maria, o mesmo consultório particular, e a nossa comunicação social não consegue promover um debate que trate da saúde à juventude sem se sentir obrigada a reservar um lugar para aquela figura.

Nunca se ouviu um reparo acerca das mazelas de todas aquelas instituições; enquanto o doente se esforça por rebuscar a mais remota das recordações de infância, o doutor não se conforma com as aulas "expositivas" que estão a decorrer no ensino secundário.

O doutor não se sente nada incomodado pelo facto da Medicina dos nossos dias ainda não ter conseguido transplantar um feto humano duma barriga para outra; pelo contrário, isto da Medicina é só sucessos atrás de $uce$$os, o único insucesso dos nossos dias é o insucesso escolar, mas isso ele garante que não é professor do básico, mas apenas do Superior, onde o sucesso escolar é de tal ordem que andam 900 médicos já licenciados há 9 meses, que estão à espera de ser colocados no Internato por causa de um simples erro informático.

Depois de ouvir todos os dirigentes das juventudes partidárias a queixarem-se, mais do que da falta de perspectivas, da falta de empregos, fiquei com mais admiração pelo cantor de "rap" que fechou o programa, do que pela cassete: pelo menos, o cantor conseguiu dar ocupação aos jovens da sua banda, ao passo que o doutor, mesmo com o irmão na Presidência da república, nunca conseguiu subir a Ministro da educação para colocar em prática as suas ideias peregrinas.

Se eu quisesse corrigir a nossa juventude, ter-me-ia colocado no lugar do professor e, numa acção didáctica, ter-lhes-ia oferecido o exemplo da minha acção; isso é que era um serviço público, e na direcção certa, e teria com certeza ficado a ganhar a admiração de alunos e professores. Assim, ao colocar-se no lugar dos alunos de uma sala de aula, nunca conseguiu fazer outra coisa senão constituir-se em arma de arremesso ao serviço daqueles que preferem deitar as culpas do insucesso escolar para cima dos professores do que proceder da maneira como os professores ensinam, que é analisar uma a uma as medidas que foram tomadas pelos ministros anteriores, e tirar conclusões credíveis acerca de quais foram os passos que foram dados na direcção certa e quais foram os passos que conduziram a resultados contrários.

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Smedley Butler - A Guerra é uma trapaça

A melhor definição que encontro para trapaça é algo que não corresponde àquilo que parece ser à maior parte das pessoas. Apenas um grupo restrito sabe do que se trata. É conduzida para benefício de muito poucos à custa das massas.

A GUERRA é uma trapaça. Sempre foi.

Deve ser a mais antiga, é facilmente a mais rentável, é certamente a mais viciosa. É a única que tem um âmbito internacional. É a única em que os ganhos são medidos em dólares e os prejuizos em vidas...

As taxas de juro normais em negócios nos Estados Unidos da América é de seis, oito, dez, e às vezes doze porcento. Mas os juros da Guerra - Ah! Isto é outra loiça - vinte, sessenta, cem, trezentos e mesmo oitocentos porcento: o céu é o limite. Toda a dinheirama aparecerá. O Tio Sam tem-na: vai buscá-la.

Claro que as coisas não são apresentadas desta forma cruel em tempos de Guerra. Vão revestidas em discursos sobre patriotismo, amor à patria.

Excertos traduzidos de:
War is a Racket
publicado em 1933

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segunda-feira, janeiro 08, 2007

Paulo Guinote - responsabilidade intelectual

Aproveitando as possibilidades de comunicação disponíveis hoje, este professor de História deu origem, em Portugal, a um fenómeno totalmente invulgar. Construiu uma sala sui generis onde cada um é livre de falar, sentindo a presença de outros interlocutores, tanto mais próxima quanto mais rápido encontra a réplica às suas opiniões. As luzes permanecem apagadas: nenhum registo visual. Com o tempo, começamos ainda assim a reconhecer a figura dos comvivas.

O anfitrião detém uma prodigiosa capacidade de intervenção, tanto em quantidade como em qualidade. É facil adivinhar muitas leituras, espírito de observação aguçado, capacidade de pesquisa de informações preciosas, pontos de vista críticos sedimentados numa arrumação complexa e desenvolvida dos conhecimentos. Diria, para sua eventual surpresa: um exemplo acabado de sucesso do sistema educativo.

Mas engana-se quem pensar que o anfitrião faz a festa. Há lá representantes de muitas classes de pessoas: pais não docentes, professores de Filosofia, Desenho, Português, Inglês, História, defensores do ensino privado, defensores e adversários da TLEBS, sindicalistas, engenheiros, gestores, liberais, visitantes ocasionais, até plagiadores. Numa sala sem púlpito cada lugar da plateia vai preenchendo esse papel.

Os assuntos giram, está bem de ver, à volta da Educação. A greve dos professores justificou-se? É possível agir com mais sentido nos resultados? As crianças de dez anos já devem saber pesquisa bibliográfica? Nuno Crato tem razão? Porquê a actual taxa de insucesso? Como ensinar a Constituição dos Estados Unidos? Em que partes deve ser dividida uma aula? São úteis as aulas de substituição? E os métodos de avaliação? E os regulamentos disciplinares? E os métodos vigentes de colocação dos professores?
Por vezes a discussão descai para os gostos ideológicos. Outras vezes, centra-se nos assuntos terra-a-terra. Ouve-se um ponto de ordem, como se houvesse mesa nesta reunião virtual. Um desabafo de cansaço. Ou de alguma etilização. Falta de sono, naturalmente, não fossem professores. Falta de tempo para os filhos. Fins-de-semana e feriados a disfrutar o prazer de mais duas turmas para corrigir as provas. Uma aluna triste por ser transferida recorre ao impossível amparo do professor - demonstrando afinal em quem confiam, por muito que isso custe aos tecnocratas-burocratas. Um Ministério tomado daquele sentido de liderança a que José Sócrates nos habituou, desde que Vitor Constâncio lhe arrancou a máscara emprestada quinze dias após as eleições. Demasiado para descrever num artigo. O Leitor só tem uma solução: vá para crer. Mas está advertido: aquilo é viciante.

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Joseph Stiglitz - Pode a economia ser salva?

Pode a economia mundial ser salva? Os dias do sistema de reserva dólar estão contados.



Um dos meus antecessores como Presidente do Conselho Económico gracejou um dia: aquilo que não é sustentável não será sustentado. O défice da balança comercial dos Estados Unidos da América (EUA)- que atinge actualmente os 900 mil milhões de dólares po ano - não é sustentável. O endividamento enorme e prolongado tranquilizou quem se convenceu que a posição excepcional dos EUA os tornava capaz de sustentar esta situação. Mas os optimistas do dólar deveriam lembrar-se que, no passado, tais défices enormes resultaram em sérios enfraquecimentos do dólar.

Há 35 anos apenas, Richard Nixon foi obrigado a pôr termo à paridade do dólar em ouro, tornando esta divisa flexível. Os grandes défices durante a administração Reagan foram um factor determinante para o enfraquecimento do dólar, no princípio dos anos de 1980.

Tudo isto é importante porque os países no mundo à volta possuem dólares nas suas reservas. Fazem-no para dar confiança à sua própria moeda e à sua economia e também como modo de assegurar aos seus credores que os seus empréstimos contraídos serão liquidados em dólares.

Mas a sua confiança no dólar decresce na mesma medida que cresce a dívida total dos EUA.

Os países que guardam montanhas de dólares em reserva estão a ver essa reserva a diminuir. Talvez preferissem comprar euros. Afinal, com os biliões de dólares que possuem em reserva, as suas perdas são enormes. Ainda ninguém entrou em pânico, no entanto, são cada vez mais os bancos centrais que adoptam um princípio basilar, daqueles que se aprendem em qualquer escola de negócios: diversificar. Vendem dólares e compraram outras divisas, e desta forma o dólar deverá continuar a cair, talvez de forma gradual, talvez não.

Os EUA têm conseguido forçar a China a suportar o peso do seu défice - insistindo em que, se a China não desvalorizar o dólar, os EUA deixarão de comprar muitas das suas mercadorias. E, se a China optar por reavaliar o dólar, a situação poderá até agravar-se. Os EUA poderiam continuar a comprar noutros lados, mas isso terminaria quando estivesse a negociar com países que não estão dispostos a retribuir a preferência adquirindo títulos do Tesouro dos EUA. Até ao momento, a China está, de facto, a financiar a exportação para os EUA dos seus texteis, equipamento e bens de consumo. Outros exportadores, tais como o Bangla Desh ou o Camboja, talvez prefiram reinvestir no país os seus ganhos ou então comprar euros.

Quem financiará nessa altura o défice dos EUA? A natureza do mercado é tal que de uma coisa poderemos estar certos: ele será financiado de alguma maneira. O ajuste é que poderá ser um processo indisciplinável, acompanhado por abrandamentos económicos ou mesmo por recessões. Dado o papel chave que os EUA desempenham na economia global, isto é um assunto que interessa não apenas aos EUA, mas também ao seu principal parceiro comercial, o Canadá, bem como ao resto do mundo.

Muitos economistas questionam os EUA pelo seu nível de endividamento, e têm razão. No entanto, os erros do passado colocaram os EUA e todo o mundo numa posição incómoda. Se o défice fiscal dos EUA fosse eliminado, digamos, por cortes repentinos da despesa pública, o decréscimo geral da procura poderia desencadear uma recessão - ampliando o quase inevitável abrandamento devido ao enfraquecimento do mercado interno.

Uma política fiscal mais inteligente - com subida de impostos para os mais ricos e cortes de impostos para os pobres já esgotados e para os trabalhadores de rendimentos médios - poderia conduzir a um aumento global do consumo. É difícil imaginar que tal política fosse seguida por uma administração apostada em cortar nos impostos para os ricos, indiferente às consequências para a economia. Além disso, com os consumidores domésticos a gastar hoje mais do que aquilo que produzem, os ganhos a curto prazo seríam obtidos à custa de problemas futuros.

Alternativamente, em princípio, uma desvalorização suficientemente forte do dólar estimularía o valor bruto das exportações, mantendo a economia a funcionar. Mas as mudanças para tal podem ser disruptivas, requerendo ajustes que não parecem suaves. E a erosão da confiança no dólar e no sistema de reserva do dólar podem ser prolongadas.

O que está claro, é que os dias da reserva em dólar estão contados. Alguns na Europa regozijam-se com a oportunidade de se tornarem a nova sede da divisa internacional, mas deveríam refrear os seus ânimos. Se se tornarem a nova reserva cambial, encontrar-se-ão mais adiante na mesma situação que estão hoje os EUA, enfrentando um défice da balança comercial resultante da "exportação" de euros para que outros o enterrem como forma de se protegerem contra dias mais agitados.

Mas exportar euros não cria empregos da mesma forma que a exportação de máquinas ou outros bens, e assim o nível de desemprego da Europa subiria ainda mais. E, com uma flexibilidade reduzida nas suas políticas macroeconómicas - um banco central exclusivamente preocupado com a inflacção e um pacto de estabilidade e crescimento que restringe os défices governamentais - pouca coisa poderá ser feita para estimular a economia.

O mundo precisa de um sistema financeiro global melhor. A instabilidade está instalada: à medida que mais e mais dólares fiquem em mãos estrangeiras como reserva, torna-se praticamente inevitável que a confiança no dólar desapareça. A questão não está em saber se tal irá acontecer, mas quando.

Também as centenas de milhares de milhões de dólares postos como reserva todos os anos afastam-nos da circulação monetária, não alimentam a procura. O défice dos EUA adiou os efeitos depressivos do sistema de reserva, mas isto é insustentável. Em vez disso, é necessária uma solução mais duradoira. Há quase 75 anos, o grande economista John Maynard Keynes detectou esta falha essencial no sistema financeiro global e propugnou uma divisa global de reserva (designou-a por bancor). No entanto, a necessidade do seu conselho não se fez sentir naquela altura, pois os problemas britânicos, marcados por um prolongado crescimento lento, ficaram resolvidos quando o dólar tomou o lugar da libra estrelina como divisa de reserva global.

O mundo está hoje muito mais globalizado que então. A necessidade da reforma ainda é maior, e este é o nosso entendimento do sistema financeiro e económico - com algum esforço, poderíamos adaptar as ideias de Keynes à realidade actual. A questão é, retomaremos estas ideias antes ou depois da próxima crise?



Tradução do original em inglês no sítio do autor,
publicado em 12 de Outubro de 2006

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As conchinhas do meu mar




Neste silêncio cortado pelo som da ribeira em que a várzea dormita, com uma teia de luar a baloiçar na minha janela, à luz de duas velas, eu escolho as conchinhas, separo-as:
amarelas, alaranjadas ( como o Sol ); rosadas ( como as núvens de um entardecer quente ); branquinhas ( como a espuma do mar ); acinzentadas ( como o lusco-fusco ).

Coloco-as em grupos conforme o formato. Disponho-as em carreiras: das maiores às mais pequenas, subindo na tela que preparei. Faço um desenho forte de quase arco-íris. Estão todas nos seus lugares e começo a colá-las à base para as segurar no esquema que imaginei.

Pego numa e noutra e, de cada vez que o faço, vejo um sorriso, ora de um neto ora de outro. Foram eles que as apanharam, num dia repleto de Sol, à beira-mar, uma leve brisa levantando-lhes os cabelitos, muitos salpicos de água e sal à mistura e um saco que ía ficando cheio, cada vez mais cheio de conchas variadas e areia, muita areia... Todos queriam participar, apanhar as mais bonitas. Escolhemos as melhores, no meio de incompreensões e malandrices. Partiram-se conchas, esconderam-se conchas, trocaram-se conchas, roubaram-se conchas...

O quadro está pronto, a cola a secar; vou pendurá-lo num canto da parede onde eu o possa ver bem e, assim, rever o rosto de cada um dos meus botões-de-rosas a desabrochar. Reconheço-lhes as carinhas associadas a cada concha, ouço-lhes os risos e uma paz imensa penetra-me a alma.

M. Rasa, 6 de Janeiro de 2007

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domingo, janeiro 07, 2007

Homens, francamente...

Antes da mulher dar à luz, o companheiro não é pai.
O companheiro tem uma mulher com barriga e suspeita ter alguma coisa a ver com o assunto.

A única coisa que segura o feto à vida é a mulher. Vamos então sentá-la no banco dos réus a explicar porque teve vontade de terminar com essa situação? NÃO!

Se tivesse de prender uma mulher por matar um filho, este teria pelo menos de já ter nascido.
Até lá, o assunto é da inteira competência do seu responsável máximo - a mulher.

O PS está mandatado por sufrágio directo para alterar esta lei que não presta. Não precisa de fazer muitas perguntas a quem já disse o que pensa no acto das eleições.

As mulheres, individualmente, devem ter autonomia sobre o assunto ABORTO. Se o homem não está satisfeito sobre o modo de actuar ou de pensar da sua cara-metade, sempre pode escolher outra.

A riqueza e diversidade da vida contempla também adversidades que não cabem numa Lei. A Lei não é mais forte do que a Natureza, nem o são os legisladores.

Podem treinar com coisas mais simples do tipo, fazer cumprir o limite de 50Km/h dentro das localidades. Irão concerteza salvar mais embriões, fetos e futuras gerações em potência.

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sábado, janeiro 06, 2007

O Poeta

Vi três cordas em concordância com uma mais grave,
Imediatamente antes de poder subir e descer à vontade,
Onde pensei não ter espaço para a expressão.
Logo pude gritar e sussurrar no mesmo segundo.
Assim mergulhei na memória à velocidade da luz.

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sexta-feira, janeiro 05, 2007

Despenalizar o Aborto voluntário? SIM!

Pelas ruas da minha cidade,
nos jornais do meu país,
nas Notícias e Debates de todos os canais de televisão e estações de rádio portuguesas,
satura-me o assunto:

ABORTO – A Favor ou Contra? Liberalização ou Não?

Ao abrigo do, suposto, esclarecimento para o Referendo que se irá realizar dia 11 de Fevereiro, as entidades, que se designam, informadoras estão apenas a proporcionar DESINFORMAÇÃO (intencionalmente, na minha opinião).

Ou porque, consideram os cidadãos portugueses, seres estúpidos, desprovidos de raciocínio próprio e da liberdade de reflexão, fomentando o culto da vergonha, vulgarmente, disfarçado de sentido de responsabilidade, ética e valores (sabemos muito bem que uma pessoa responsável, com ética, com valores, preocupa-se realmente com os outros, respeitando e promovendo a liberdade e dignidade de cada um, e não os seus caprichos opiniosos) ou porque, francamente, o conhecimento explícito da Língua Portuguesa, a nível geral, está moribundo.

A questão que vai ser referendada é a seguinte:

"Concorda com a DESPENALIZAÇÂO da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Que esta questão degenerasse em: Despenalização, sim ou não? Ainda toleraria.
Mas degenerações do tipo: A favor ou contra o aborto?! Por favor!!!

Se as entidades informadoras fossem realmente honestas, o que se discutiria nas ruas, nos jornais, na televisão e estações de rádio seria:
Uma mulher que aborte voluntariamente, nas primeiras 10 semanas de gestação, deve ser sujeita a julgamento e cumprimento de pena?
Uma mulher que aborte voluntariamente, deve ser presa?
Todas as mulheres que já abortaram voluntariamente, nos últimos 10 anos, devem ser presas?

Estima-se que, em Portugal, ocorram entre 16 a 20 mil abortos clandestinos, anualmente. Temos, então, 16 a 20 mil criminosas no nosso pais, a monte?

Se a nossa sociedade fosse mais sincera, menos hipócrita, e mais preocupada em construir soluções, eficazes e reais, de apoio social, privilegiando a dignidade da vida humana, a sua formação e valorização enquanto Pessoa, parece-me, que não faria, sequer, sentido referendar esta questão.

Cidadãos responsáveis e democratas, PROCURAM SOLUÇÕES para os problemas, não perdem tempo a erguer muros para os rodear.

O aborto voluntário existe, clandestinamente, mas existe.
A lei de penalização não soluciona este problema.
A APF apresenta 9 razões para despenalizar o aborto, as quais eu subscrevo.

Sou mulher, sou mãe, não condeno nenhuma mulher que tenha passado por esta situação, lamento, sim, que esta sociedade não proporcione alternativas.

Dia 11 de Fevereiro teremos a oportunidade de mudar o rumo deste flagelo social.



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