sábado, junho 30, 2007

A Liberdade

A liberdade, é como a linguagem não verbal: tem o condão de revelar cada um por aquilo que realmente é, e não por aquilo que gostaria de transmitir aos outros.

A diferença, é que eu posso utilizar ou não a minha liberdade, conforme eu quiser, ao passo que a linguagem não verbal, essa transmite-se independentemente da minha vontade.

A liberdade que assiste ao primeiro ministro José Sócrates para utilizar um título académico na sua cerimónia de investidura no governo, é a mesma liberdade que assiste ao prof António Caldeira, para investigar públicamente a legitimidade desse mesmo título académico.

A utilização da liberdade por cada um deles, vem revelar ao público em geral o conhecimento público das qualidades de cada um.

O primeiro, viu-se forçado a recorrer à via judicial para procurar completar a mensagem que não conseguiu transmitir no programa de televisão que promoveu para justificar a utilização indevida de um título académico, que entretanto teve que abandonar;

O segundo, granjeou uma onda de reconhecimento que se prepara para juntar forças numa luta desigual entre um aparelho de estado e um simples cidadão.

Essa onda de reconhecimento surge, não pelo facto da luta ser desigual mas porque as pessoas sentem que o que está em causa é a própria liberdade como valor de cidadania.

As pessoas gostam de assistir à utilização que cada um faz da sua liberdade individual, para lhes poder tirar o retrato daquilo que elas realmente são, independentemente do certificado ou do título que ostentem.

A liberdade é um valor que pertence a todos por igual, e não pode em caso algum ser apropriada seja por quem for, nem mesmo por aqueles que possuem como missão exercer a defesa dessa mesma liberdade.

O charuto

sexta-feira, junho 29, 2007

Max Bruch 1838-1920

Uma cruzada contra o riso, Sr Sousa?

LOL

A palavra jocoso foi mencionada por duas vezes nos tempos mais próximos associada a processos disciplinares intentados pelo Governo do Sr Sousa contra funcionários públicos. O simples bom senso aconselharia uma abordagem totalmente distinta. O riso é uma arma temível contra qualquer figura pública. É tanto mais difícil de conter quanto mais fôr hostilizado pelo Poder. O Governo pediu aos cidadãos que aceitassem sacrifícios hoje em nome de uma bem aventurança futura; não poderá pedir-lhes que contenham o riso hoje para creditar numa futura gargalhada maior.
Foi pena a Constituição não consagrar o Direito ao Riso. Isso é apenas sintomático de quanto somos sorumbáticos. Mas não se fie o Sr Sousa nas aparências. A liberdade discricionária de que necessitava para aniquilar a vontade de rir de todos os cidadãos está totalmente fora do seu alcance: mais facilmente reparava o défice, fazia desaparecer o desemprego, baixava os impostos, dignificava o trabalho dos professores e ganhava no referendo para alienar o resto das competências dos órgãos de soberania nacional. Sabemos que não está nada fácil sair-se bem desta empreitada. Sabemos o quão reduzida foi a vontade do Sr Sousa em contar com a mobilização da vontade dos trabalhadores para ser bem sucedido, tendo preferido hostilizá-los continuadamente. Nada disto, porém, justificava que desse um passo tão obviamente voltado ao fracasso. Apesar de tudo, esperava que demonstrasse um pouco mais de maturidade. O Sr Sousa deveria saber que não há antídoto mais poderoso para preservar a sanidade mental daqueles que se vêem confrontados com desilusões sucessivas.

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quinta-feira, junho 28, 2007

A Universal comprou a Deutsche

EUA - Cresce a tensão entre o Senado e a Casa Branca

A Comissão Jurídica do Senado intimou A Casa Branca e o Vice-Presidente Dick Cheney a pronunciarem-se sobre o programa de escutas ilegais.

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José Croca e Rui Moreira - Mecânica quântica para não-físicos

José CrocaComeço por pedir a indulgência do leitor para a minha prosa um tanto rude. Isto resulta do facto de não ser um homem de letras,...sou engenheiro de profissão.
Assim começa, à guisa de introdução, este conjunto de conversas registadas pelos autores e mantidas por um grupo amigos de várias formações, currículos profissionais e avaliações das questões da ciência, todos apaixonados pelo impacto que a mecânica quântica teve sobre o conhecimento em geral.(AF)
Faltam obras (do domínio da divulgação científica) não comprometidas, directa ou indirectamente, com dogmas religiosos, políticos, sectários, empresariais ou de qualquer outra origem. Presentemente assiste-se a um assalto sistemático à ciência por estas forças, mais ou menos ocultas.
...

...demonstraremos que estas ideias, que não nos permitem aceitar a existência de uma realidade objectiva, foram já superadas... Mostraremos que a desgastada interpretação corrente da física quântica pode e deve ser substituida por uma nova física causal e não-linear, onde o ponto de partida, o pressuposto fundamental, é a existência de uma realidade independente do observador.
...

Entendemos que, para se atingir um público mais amplo, seria útil apresentar uma versão, por um lado simplificada do ponto de vista formal, por outro mais fundamentada do ponto de vista histórco. Assim, nesta obra, procurou-se eliminar tanto quanto possível o formalismo matemático e desenvolver um pouco mais as origens históricas da ciência.
...

Como é sabido, muitas vezes a ciência é apresentada de um modo inteiramente acrítico, como um corpo de saber perfeitamente acabado, onde a dúvida não tem lugar; como uma aventura em que os bons ganham sempre, sendo o progresso um caminho perfeitamente definido, sem altos nem baixos. Esta visão pareceu-me reducionista e castrante.

Fonte: José R. Croca & Rui N. Moreira,
Diálogos sobre a física quântica - dos paradoxos à não-linearidade
publicado pela Esfera do Caos Editores em Maio de 2007

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Carta aberta ao Sr

Primeiro Ministro de Portugal
Excelência,

Queira em primeiro lugar, desculpar-me a ousadia de endereçar a Vexa esta missiva, com evidente prejuízo do escasso tempo que a coisa pública dispõe para a dedicação de Vexa.

No entanto, sinto que não é apenas meu direito, na qualidade de governado e contribuinte, como ainda meu dever, associando-me ao esforço nacional a que ascendeu a causa do combate ao défice, manifestar a minha discordância pela via judicial que Vexa escolheu para procurar resolver o diferendo que entendeu que existiria entre Vexa e um habitante da nossa blogosfera.

Assim como a muitos outros contribuintes, que continuam a aceitar com mais ou menos resignação, as medidas que têm orientado a acção do governo presidido por Vexa, na perseguição implacável ao mesmo défice orçamental que já justificou uma ditadura de quarenta anos, e que se prepara para repetir a proeza, não consigo resignar-me passivamente, a assistir a mais um prejuízo do défice, para pagar a advogados que se irão empenhar precisamente em silenciar uma voz que nada mais fez do que publicar documentos que, feitas as contas, já eram públicos antes de serem publicados.

O objectivo desta minha, que espero venha a tornar-se de muita gente, carta aberta é o de apontar a Vexa um caminho alternativo para resolver esta situação que pelo que nos é dado assistir, tem constituído um incómodo para a sua acção governativa.

Esse caminho existe, e se for acatado não apenas resolverá automáticamente os litígios que se preparam para invadir o nosso sistema judicial e incendiar a nossa comunicação social, como ainda por cima devolverá automáticamente a Vexa a dignidade a que a sua pessoa ascendeu no dia em que o partido que lidera ascendeu à maioria absoluta.

E em que consite esse caminho? Consiste simplesmente, em Vexa inscrever-se nas escolas que entender, de maneira a resolver de uma vez por todas, a legalidade do título académico que Vexa já ostentou e que se viu forçado a retirar.

E tudo isso, a expensas do erário público, isto é, sem custos para a sua pessoa. Trata-se evidentemente, de uma situação injusta para o resto da população portuguesa, mas mesmo assim fica mais barato à coisa pública do que a acção judicial que se está a preparar.

quarta-feira, junho 27, 2007

A Dança das Sombras

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O comprometimento de Portugal nos voos da CIA

A partir deste vídeo podem ser vistos outros.

Um deles foi exibido, hoje, na Sic Notícias, no jornal das 13 h, embora mais completo, em que era relatada a saga de um raptado alemão e devolvido à procedência através da Albânia.

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segunda-feira, junho 25, 2007

Patrick Keefe - Não privatizem os nossos espiões

Nem só a Câmara Municipal de Lisboa anda em roda livre no outsourcing. Veja-se até onde já chegam os campeões do neo-liberalismo.(AF)


David SuterLogo a seguir ao 11 de Setembro, o senador Bob Graham, presidente da Comissão do Senado para a espionagem, apelou à "relação simbiótica entre a comunidade de espionagem e o sector privado". Foi então dito que deveríamos ter cuidado com o que queríamos.

Nos anos subsequentes foi desenvolvido um imenso complexo industrial de espionagem, à medida que o governo contratava externamente tudo, desde a tecnologia de vigilância até gestão de gabinetes oficiais no estrangeiro. Hoje, menos de metade dos membros em serviço no Centro Nacional de Contra-terrorismo em Washington são funcionários do estado, segundo noticiou o Los Angeles Times; No escritório da CIA em Islamabad, Paquistão, as contrataçóes externas ultrapassam o número de empregado na razão de três para um.

Que parte do orçamento de espionagem vai parar a mãos privadas? Como o orçamento está abrangido pelo mais alto grau de secretismo e muitos contratos são feitos sem controlo de custos ou confontos de competitividade, parece que nunca haveremos de saber. Até que, no mês passado, um funcionário superior da Procuradoria do Gabinete de Direcção da National Intelligence fez uma apresentação em PowerPoint numa conferência no Colorado e deixou escapar um dado estatístico espantoso - os contratos privados ascendem agora a 70% do orçamento para a espionagem.

Excerto do artigo de Patrick Radden Keefe:
Don’t Privatize Our Spies
publicado pelo New York Times em 25 de Junho de 2007

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Carlos Viera Dias - Canto a Luanda

Luanda

Canto a Luanda:


Composto em 1977, exprime a tristeza dessa época dolorosa.(Jorge Macedo)

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domingo, junho 24, 2007

Est l'Europe mal partie?

Europe

Quem acha dispensável o escrutínio popular dos órgaos de soberania não deve esperar no futuro tratamento muito democrático.
A ler o comentário de Pacheco Pereira.

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quinta-feira, junho 21, 2007

22 de Junho de 2007

Querido pai

Já não te escrevo há muito tempo e não posso deixar que esta data passe em branco. Já lá vão 86 anos! Nasceste numa época muito difícil mas,"chegaste, viste e venceste"!

Agora já quase não se escrevem cartas, só se "tecla", pois a vida corre mais depressa do que quando cá estavas. Mas hoje fiz um esforço e embora não te vá pô-la no correio, escrevo-te à mesma.

Eu gostava de receber postais das viagens que fazias e as tuas cartas mostravam uma paciência infinita às minhas propostas de inovação de procedimentos, às minhas tentativas de afirmação perante ti, às minhas mudanças, à minha sofreguidão de vida. Escrevia-te sempre mesmo que para te contradizer, adorava fazê-lo!

Hoje, sonho com os tempos em que, ao teu colo, me mostravas as estrelas. As noites eram mornas, suaves, deitávamo-nos naquelas cadeiras compridas que nos permitiam olhar o céu e sentir a brisa húmida, com cheiro a terra vermelha.
As estrelas abundavam e eu só conseguia fixar as obrigatórias: Estrela Polar, as 3 Marias, a Cassiopeia, Orion, a Ursa maior, a menor (mais?).
Fascinava-me como uma estrela tinha ajudado os nossos navegadores a escolherem rumos como me contavas tão perigosos e desconhecidos. Sorvia as estórias ( agora escreve-se estórias, em vez de histórias, vê lá tu!) que nos contavas, umas verdadeiras, outras inventadas - eram mais as inventadas - que tinham sempre um final moralista.
Assustava-me a tua rectidão, o teu rumo de vida desenhado, não percebia o teu afastamento de pessoas sem interesse, oportunistas, fingidas, vaidosas. Não entendia o teu descomprometimento com a sociedade que nos rodeava, afinal, o teu isolamento.

Hoje entendo. Percebo a asfixia em que se vivia, o apertar do cerco quando se era diferente! E também penso agora que só aprendemos a ser bons filhos quando somos pais e pais quando experimentamos a alegria de ser avós.

Lembro-me particularmente de um poema que recitavas várias vezes e que acabei por decorar e entender a sátira que encerra. Querias que eu o soubesse e conseguiste. Há 50 anos que me vou "deliciando" com ele. Hei-de ensiná-lo aos meus netos também.
Tentei identificar o autor mas ainda não consegui. Alguém me terá dito que é de Francisco Quevedo y Villegas mas não o comprovei ainda. Se souber digo-te depois, O.K.?

Vou transcrevê-lo para to relembrar:

Com propósitos severos,
A bien de la religión,
Hallabanse en reunión
Distinguidos caballeros.

Uno era contribuyente,
Otro, dueño de una tienda,
Otro, ex ministro de Hacienda,
Y así sucesivamente.

-Hay que enfrentar la cosa
Con mucha severidad
Porque reina la impiedad
De una manera asombrosa!

Mientras la gente pía
Se entusiasma y arrebata,
Falta un tintero de plata
Que estaba en la escribanía.

Dice el cura a los colosos
Con aire muy altanero:
- Todos sois muy religiosos,
Pero aquí falta un tintero!

Y para que no se sepa
Aquel que ladrón fué
Yo la luz apagaré
E vuélvalo que lo tenga.

Sopló... y por la sacristía
Se extendió un negro capuz.
E cuando volvió la luz
Faltaba la escribanía!


Não sei se está bem escrito mas o que interessa é o sorriso que se "arranca" a quem lê esta sátira! E tu conseguias passar-me essa mensagem!

Obrigada por esses bons momentos e mando-te muitos, muitos beijinhos.

P.S. Os meus netitos também te mandam muitos, muitos ...

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Luis Morais e António Miranda

Uma mistura explosiva: Maria Gabriela com o clarinete mágico de Luis Morais e Pôr do Sol com as cores fortes a óleo de António Miranda. Para apreciar melhor, fazer-se acompanhar de um whisky com soda ou de um mazagrã.(AF)

António.Jorge. Miranda

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ImagemKoresdAfrika
SomQuipiri

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Quadratura do círculo - A democratização dos lobbies

We have chaos in the garden

O caso OTA tornou-se paradigmático de uma transformação em curso no país. De tudo o que se ouve, a única mensagem realmente inteligível é a de que os lobbies continuam a privilegiar os jogos de bastidores quando se interessam pela coisa pública. No dizer de Pacheco Pereira, não gostam da transparência, vá-se lá saber porquê. Está claro que a responsabilidade não é deles mas sim do governo que lhes dá ouvidos ou, dizendo de outro modo, a responsabilidade é de todos nós cidadãos. Se os empresários de referência, representados pela Confederação da Indústria Portuguesa, olham para o governo e descobrem nele os legítimos representantes de uma cambada de otários, não cabe aos empresários outro papel senão dar utilidade a essa qualidade intrínseca pois toda a gente sabe que os otários servem para isso mesmo: para serem extorquidos.
A tradição manda que o lobbie mais bem colocado junto do governo satisfaça totalmente os seus apetites, antes de permitir que a caraça seja abocanhada pelos leões mais fraquitolas. E assim, no respeito pelos desígnios superiores na Natureza, não ficarão todos satisfeitos, mas reina o equilíbrio e o belo respeitinho. Mas a tradição já não é como era...
Eis que um novo lobbie, representado pela Associação Comercial do Porto foge às regras da boa convivência entre predadores e dá uma nota dissonante no equilíbrio. Lobo Xavier, na Quadradura do Círculo de ontem, além de mostrar abundante documentação sobre a falta de transparência do processo OTA, pondo a nú mentiras descaradas e repetidas do Governo para favorecerem o lobbie do Banco Espírito Santo, anunciou que a alternativa Portela+1 vai ser mesmo objecto de estudo de viabilidade económica. Pacheco Pereira, menos comprometido, vai brandindo a bandeira que já foi esquecida algures nesta caminhada, a necessidade de subordinar a opção do futuro aeroporto a um modelo de desenvolvimento do país. Nesta guerra de lobbies, com este governo, arrisca-se fortemente a falar para o boneco.
Por mim, aprecio os pequenos progressos. Prefiro uma luta de lobbies que o domínio absoluto de um único lobby. Sempre temos a esperança - e o mórbido prazer - de assistir às sessões de lavagem de roupa suja.

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quarta-feira, junho 20, 2007

Vital Moreira - Direitos abstractos

Vital Moreira
Espanta, à primeira vista, que um professor universitário esteja disposto a descer à liça na praça pública em defesa de um conjunto de medidas promovidas por um governo que começa a dar sinais visíveis de desgaste da imagem. Interessa então saber porque o faz.
A tese é a de que recentes decisões de tribunais administrativos ferem o poder discricionário do Governo, constituindo intromissões do poder judicial no poder executivo. Para melhor ilustrar o seu ponto de vista, esclarece Vital Moreira:

"Nenhuma região pode reivindicar judicialmente um suposto direito a ter ou a não ser privado de centros de saúde, escolas ou qualquer outro serviço público."

Noutra parte do mesmo artigo de opinião, adianta:

Uma coisa é garantir judicialmente a uma certa pessoa os cuidados de que ela carece, se necessário com carácter de urgência, caso lhes tenham sido negados, e outra coisa é anular ou suspender o encerramento de instituições de saúde com o argumento de que tal pode envolver risco para a prestação de cuidados de saúde numa certa localidade ou região.

Em engenharia dos sistemas telefónicos, o problema levantado pela díspar interpretação da lei manifestada por Vital Moreira e pelos tribunais administrativos - a que se referiu - tem um nome: qualidade de serviço. Em que consiste? Simplesmente, no tempo que o chamador espera para conseguir estabelecer a chamada. Se porventura os sistemas colocassem à disposição uma linha para cada utilizador potencial, esse tempo seria sempre nulo e a qualidade seria total (100%). Os sistemas reais não são construidos dessa maneira, por razões económicas. Tolera-se uma probabilidade de espera superior a, digamos, dez segundos em 99% das chamadas: assim se fixa a qualidade. Se o planeamento estratégico especificar 5 segundos de espera para 99,5% das chamadas, o preço da rêde será outro.
Este tipo de raciocínio esteve claramente em jogo no centro de urgência médica de Vendas Novas, que Vital Moreira não referiu explicitamente. Para o juíz que deu razão à providência cautelar, a necessidade de deslocação dos doentes críticos para um Hospital em Lisboa ou Évora punha gravemente em causa a qualidade dos cuidados de saúde nessa localidade. O tempo útil para alguém ser assistido em caso de embolia, acidente vascular cerebral, obstrução cardiovascular ou outro acidente grave é fulcral. Afastar o centro de assistência para além de cem kilómetros foi considerado pelo tribunal como uma degradação inaceitável.
Em toda a argumentação, Vital Moreira evitou especificar qual seria a distância máxima aceitável para que ficasse assegurada a qualidade de serviço médico à população. Mas é apenas esta a questão que interessava discutir. Não é plausível que Vital Moreira desconheça a relação entre quantidade (de kilómetros para um centro de assistência) e a qualidade da assistência. Vital Moreira evita este ponto crucial para poder lançar o peso da sua autoridade como constituinte contra uma nova geração de juízes que não olham para os direitos dos cidadãos como categorias aristotélicas abstractas; mas também para tentar sossegar os eleitores e simpatizantes do Partido Socialista que andam preplexos face à sanha demonstrada pelo Governo em atacar tão despoduradamente o Sistema Nacional de Saúde.


Fonte das citações: "Separação de poderes", artigo de opinião assinado por Vital Moreira e publicado no jornal Público em 19 de Junho de 2007

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Santana Castilho in "Público" - 19 de Junho - "Demitam-se depressa"


As arbitrariedades deste governo têm sido tantas e tão absurdas que dá vontade de gritar bem alto: Demitam-se depressa - conforme o título do artigo de Santana Castilho, acima referido, que transcrevo: ( M.R.)




1. O Tribunal Constitucional, em acordão da semana passada, declarou inconstitucionais as palhaçadas de Valter Lemos, que propiciaram a repetição dos exames do 12º ano. Olimpicamente, contra tudo e contra todos , a ministra sustentou a tese do seu secretário de Estado. Foi cilindrada na Assembleia da República, onde ouviu até uma acusação de falta de dignidade intelectual. Em artigo que aqui escrevi em 31 de Julho de 2006, demonstrei a arrogância, o autismo e a incompetência com que o processo foi conduzido e previ as batalhas judiciais que se seguiram. Ao que julgo, foram 10 decisões dos tribunais sempre desfavoráveis ao Ministério da Educação, embora sistematicamente recorridas, que antecederam este acórdão.
É impossível corrigir o mal feito. Não temos meio de ressarcir os 10.000 alunos prejudicados. Mas,em nome da dignidade do Estado de Direito, recomendo aos tristes protagonistas: demitam-se depressa!

2. Viram o mesmo que eu vi, não correram mais que escassas semanas? O primeiro-ministro, braço desnudo e garrotado oferecido à pica, a inscrever-se como dador de medula?
Leram o mesmo que eu li? Manuela Estanqueiro professora, 63 anos de idade, 30 de serviço, morreu em sofrimento evitável, uma semana depois de um comité de burocratas a ter coagido a regressar às aulas, ela que tinha uma leucemia certificada por junta médica e que, triste fado o seu, nenhum transplante de medula pôde salvar?
Achei acabrunhante a ideia de se convocarem as televisões para propagandear um acto de Sócrates, que deveria ter ficado protegido pela discrição. Todavia, concedo que a decadência moral desta sociedade seja mobilizável por tais iniciativas. Por isso me calei. Mas agora acuso os corações gelados que roubaram a uma colega a dignidade de morrer na paz possível e grito o que me vai na alma.
Por uma questão de coerência e para acreditar que foi genuíno o interesse do primeiro-ministro pelos que a leucemia condena, seria preciso que ele, ou alguém a seu mando, se tivesse já apressado a mandar apurar por que assim se fez com a defunta professora e convocado de novo as televisões para nos garantir que assim não se voltará a fazer. Este silêncio dá-me náuseas. Maquiavel tinha razão: na política não há moral!

3. "Pela primeira vez, o país associará os resultados não apenas à performance dos alunos, mas também ao trabalho das escolas e dos professores, para o melhor e para o pior." Assim falou a ministra da Educação, a propósito dos resultados que o exame de Matemática do 9º ano dite e referindo-se ao Plano da Matemática. Esta frase é um assassino disparate. Disparate, porque traduz uma visão epidérmica que não se permite a uma ministra da Educação. Com efeito, ninguém de bom senso pedagógico espera que escassos meses de trabalho removam problemas de décadas ou pretende que os exames, sendo importantes, dêem fé de tudo o que é relevante. Assassino, porque descarrega sobre a escola e sobre os professores o todo de uma responsabilidade que é partilhada por muitos outros, a começar pela própria ministra. Com efeito, à massiva disponibilidade voluntária dos professores e das escolas não respondeu o Ministério da Educação com o que lhe competia. Porque o ano lectivo começou sem que os planos apresentados pelas escolas estivessem aprovados. Porque os professores acompanhantes só em Janeiro de 2007 estavam recrutados. Porque os financiamentos , para além de diferirem do que as escolas orçamentaram, pingaram parte em Dezembro e a outra parte com Abril entrado. Porque, em muitos casos, requisitos pedagógicos e científicos necessários só foram disponibilizados no 3ºperíodo lectivo. Porque, como a ministra bem sabe, além daquela a que se referiu, há outras medidas que nem sequer sairam do imobilismo dos papéis. O Plano de Matemática tem um órgão de acompanhamento, do qual fazia parte a APM ( Associação de Professores de Matemática).
Porque esta associação disse em público mais ou menos o que acima afirmei, diligente funcionário superior teve a inferior iniciativa de indicar à APM a porta de saída. Bem doutrinou Bush: "quem não está connosco está contra nós".

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Solstício de Junho

Agora é que pinta o bago



Agora é que pinta o bago




Fonte:ImagemAlto Minho
SomMinho Fonoteca
LetraMeadela

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segunda-feira, junho 18, 2007

António Balbino Caldeira - Do Portugal Profundo



Não é todos os dias que um post tem direito a mais de 1600 comentários. Só isso constitui um facto notável. O comentário que escolhi, assinado Curiosa é aquele com que mais me identifico. Mas a narração merece ser seguida de perto.


Desculpem lá, mas não me venham com a treta do cidadão José Sousa se sentir enxovalhado com o debate acerca do seu percurso académico, em particular o da UnI.

Para já, não se pode queixar enquanto cidadão, na medida em que utilizou meios públicos na frequeência do seu curso, como é o caso do papel timbrado da secretaria do ambiente, o fax da mesma, cartões com timbre da mesmo e inclusivé o motorista. Logo aqui enxovalhou-nos a todos.

Em segundo, utilizou os secretários e acessores do primeiro ministro José Sócrates, para responder por si enquanto cidadão José Sousa. Voltou-nos a enxovalhar.

Em terceiro, usou o meio de comunicação do estado (RTP1) enquanto primeiro-ministro, para expor o que bem entendeu.

Em quarto, para levantar processo, deveria fazê-lo a quase todos os cidadãos portugueses que falam sobre ele, não se esqueçendo do ciganito a quem apreenderam a mercadoria de contrafacção numa feira qualquer, nem do Arouca que disse que ele aprendeu o inglês com a namorada.

E assim por diante...
Curiosa | 15.06.07 - 11:06 pm |

Fonte: Arguido por causa... do Dossier Sócrates
publicado por António Balbino Caldeira a 15 de Junho de 2007

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Universidade de Purdue - Simulação do colapso do WTC

Uma equipa de investigação da Universidade de Purdue criou uma simulação animada do ataque que fez ruir as torres do World Trade Center a 11 de Setembro de 2001 de modo que os engenheiros de estruturas possam estudar o colapso e evitar futuros desastres.



Fonte: Purdue creates scientifically based animation of 9/11 attack
Publicado por Purdue University News a 12 de Junho de 2007

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Bobby McFerrin e Urszula Dudziak - Tico tico no fubá

Haja alegria


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sexta-feira, junho 15, 2007

Duo Ouro Negro - Maria Provocação

Músicas de Angola
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Fonte: Very small doses (ilustração) - Quipiri (som)

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quinta-feira, junho 14, 2007

Lurdes Van Dunen

Lurdes Van Dunen

“Monami”:

Pequena homenagem à memória da artista

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quarta-feira, junho 13, 2007

Na saia da Carolina tem um lagarto pintado...

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Música angolana




Em Música angolana

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Ministra Educação vai ao Parlamento

"O PS aprovou esta terça-feira a audição da ministra da Educação em sede de comissão parlamentar, onde Maria de Lurdes Rodrigues será confrontada pela oposição com a recente polémica que envolve a Associação de Professores de Matemática, entre outras matérias.

Depois de no final do mês de Maio o PS ter aprovado a audição da ministra da Educação sobre o processo disciplinar movido ao professor de Inglês e ex-deputado do PSD Fernando Charrua, por um comentário à licenciatura do primeiro-ministro, esta terça-feira os socialistas voltaram a votar favoravelmente outros três requerimentos para ouvir Maria de Lurdes Rodrigues.

Um dos requerimentos, apresentado pelo PSD, requeria a audição da ministra da Educação para " o cabal esclarecimento" dos "estranhos factos" que envolveram a saída da Associação de Professores de Matemática da comissão de acompanhamento do Plano de Matemática.

No requerimento, os sociais-democratas referiam que, segundo informações divulgadas pela própria associação, o abandono " deveu-se ao facto de um director-geral do ministério da Educação ter convidado esta associação a deixar a referida comissão".

"Esta posição do senhor director-geral terá sido justificada com uma discordância pública que a Associação de Professores de Matemática assumiu relativamente a declarações da ministra da Educação sobre a aferição dos resultados imediatos do desenvolvimento do programa através dos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais do 9º ano ", era referido no requerimento.

"É uma notícia extremamente grave ", afirmou o vice-presidente da bancada do PSD Pedro Duarte, considerando que é mais uma nota que demonstra "que o Governo convive muito mal com as críticas".

Outro dos requerimentos, apresentado pelo Bloco de Esquerda, sobre a mesma matéria solicitava igualmente a audição da ministra da Educação na Assembleia da República.

Durante a discussão dos requerimentos na comissão parlamentar de Educação, a deputada Cecília Honório justificou o pedido do seu partido por considerar que a saída da Associação de Professores de Matemática da comissão de acompanhamento do Plano de Matemática constituiu " uma sanção por delito de opinião".

O terceiro requerimento, da autoria do PCP, e que foi igualmente aprovado, referia-se às audição de Maria de Lurdes Rodrigues acerca das condições de acesso à categoria de professor titular.

"O que pode estar em causa é a exclusão de 20 mil professores do acesso à categoria de professor titular ", adiantou o deputado do PCP João Oliveira.

Pelo PS, o deputado socialista Fagundes Duarte justificou o voto favorável do PS à audição da ministra da Educação por ter " todo o interesse em que as matérias em causa sejam esclarecidas".

Assim, Maria de Lurdes Rodrigues deverá deslocar-se à comissão parlamentar de Educação antes das férias de Verão do Parlamento, altura em que será confrontada com as polémicas que têm envolvido o seu ministério ao longo do último mês. "

Fonte: TVNET/Lusa a 12 de JUlho de 2007

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Manuel Faria - Mana Fatita

Angola 70's


Em Mana Fatita, Manuel Faria lamenta a morte da sua irmã Fátima.
Com a tua morte fiquei sózinho
Mas vou criar os nossos filhos
Na tradição bantu o tio cuida dos sobrinhos, que são considerados como filhos.
(Ariel de Bigault)

“Mana Fatita”:


Fonte: Le Mellotron, 12 de Junho de 2007

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Reinhard Höppner - Negociar com o inimigo


Os terroristas, incluindo os talibãs, pertencem à mesa das negociações. Só quando ofereço ao meu inimigo o lugar de honra posso aspirar a alcançar a paz.
Reinhard Höppner, presidente do congresso da Igreja Protestante Alemã, citado por Deutsche Welle em 11 de Junho de 2007

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terça-feira, junho 12, 2007

Angola - Panfleto esquecido

Valodia

“Valódia”:

por Santocas (1975)

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Bernd Klein - A Música



Há um elemento musical em todas as artes e - por estranho que pareça - também nas ciências. Não consigo ler um livro sem pensar, ou melhor, sem sentir uma espécie de música. O mesmo se passa com a Matemática e a Computação isto é, não consigo apreendê-las apenas tecnicamente.

A Música como outras artes é uma recriação da realidade, filtrada e transformada pela percepção do compositor e do ouvinte. Mas a Música parece mais distante dos objectos e acontecimentos diários do que as suas representações pela Literatura e pela Pintura. Ainda que possa conter palavras, a Música pode prescindir de todo o contexto verbal.

A Música pode existir e será sempre apreciada tanto pelas emoções como pelo intelecto. Podemos mesmo dizer que a Música incita ambos. Um peça de Música que não estimule emoções torna-se estéril e será rejeitada. Mas também uma peça que apenas transmita sentimentos inflamados - desligados de qualquer racionalidade - poderá ser vista como demasiado básica.

Tradução da versão em inglês do original:
World of Music

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Citação do dia

Política é a arte gentil de obter o voto do pobre e o financiamento do rico para que cada um se proteja do outro.

Oscar Ameringer citado em:
Lying the political way

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segunda-feira, junho 11, 2007

Numa aula de Física e Química

Com se pode observar o fenómeno "indisciplina/falta de respeito" não é original deste país.

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Fundamentalismo mercantilista

Henry Ford and the Nazis

"Que Henry Ford, o famoso construtor de automóveis, tenha dado - directa ou indirectamente - dinheiro aos nacional-socialistas, nunca foi posto em causa", declarou Konrad Heiden, um dos primeiros biógrafos de Hitler. O romancista Upton Sinclair escreveu em The Flivver King, um livro sobre Hitler, que os nazis receberam quarenta mil dólares de Ford para produzirem panfletos anti-judeus traduzidos para alemão além de uma verba de trezentos dólares que foi enviada a Hitler via um neto do Keiser agindo como intermediário. O embaixador dos EUA na Alemanha, William E. Dodd, afirmou numa entrevista que "alguns industriais americanos estão fortemente comprometidos com o ascenso ao poder dos regimes fascistas tanto na Alemanha como na Itália". Ao tempo em que estas críticas foram feitas, o público estava bem ciente de que era a Ford que elas se dirigiam, porque a imprensa fez uma associação directa das declarações de Dodd com outras, em que Ford manifestava o seu anti-semitismo.
...

O reconhecimento de Hitler para com Ford chegou finalmente em Julho de 1938 quando, por ocasião do seu septuagésimo quinto aniversário, lhe foi atribuída a Grande Cruz da Ordem Suprema da Águia Alemã. Ford foi o primeiro americano e a quarta pessoa no mundo a receber esta medalha, que era a mais elevada condecoração alemã que podia ser dada a um estrangeiro. Benito Mussolini, outro dos financiadores de Hitler, havia sido agraciado com a mesma honra nesse mesmo ano.
A cerimónia teve lugar no escritório de Ford em Dearborn com a presença do Consul Alemão em Cleveland, Karl Kapp, e do Consul Fritz Hailer de Detroit. Kapp colocou a faixa de seda vermelha sobre o ombro direito de Ford. A faixa descaía do ombro direito para a anca esquerda, rematada por uma cruz a ouro e branco. Kapp prendeu depois uma medalha brilhante em forma de estrela ao fato branco de Ford. A condecoração destinava-se a "reconhecer o pioneirismo (de Ford) na produção de motores automóveis ao alcance das massas". O prémio foi acompanhdao por uma mensagem pessoal de congratulação de Hitler.

Tradução do original em Inglês:
Who Financed Hitler: The Secret Funding of Hitler's Rise to Power 1919-1930
de James Pool e Suzanne Pool, Dial Press, 1978, pp 111,129
citados por:
Henry Ford & the Nazis
publicado por The Memory Hole - rescuing knowledge, freeing information sem data

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domingo, junho 10, 2007

Desligar o som das televisões, observar e pensar

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Asfixia das estruturas intermédias

Quadrantes de Ken Blanchard

O Dia de Portugal presta-se a reflexões mais distantes dos acontecimentos diários. A maior parte das dificuldades que sentimos não tem tanto a ver com limitações do nível dos conhecimentos alcançados actualmente, mas com dificuldades impostas - de modo artificial na maior parte das vezes - à sua aplicação.

Os quadrantes de Blanchard - acima ilustrados - pretendem ser uma descrição do processo natural de desenvolvimento pessoal de cada elemento dentro de uma organização. De um ponto de entrada caracterizado pelo desconhecimento das formas de proceder, exigindo o máximo de esforço directivo até à situação em que a organização já não tem segredos, recolhendo por delegação a responsabilidade autónoma do cumprimento de uma parte dos objectivos gerais, cada um passa por um período em que as "normas gerais" e a "cultura da organização" já não constituem a questão mais importante, mas o desempenho está fortemente condicionado pelo acompanhamento próximo. Esse esforço de acompanhamento que a organização presta em ordem a melhorar todas as hipóteses de desenvolvimento individual, intenso nas fases de supervisão e orientação, não é tanto atribuição da estrutura superior da organização, mas das suas estruturas intermédias.

Se olharmos com atenção para a figura, facilmente identificaremos o papel das estruturas superiores nos quadrantes inferiores (controlo e delegação), repousando os restantes (supervisão e orientação) sobre os quadros intermédios. É nos níveis intermédios de gestão que se joga o essencial do êxito de um projecto. A confirmação mais eloquente da importância das estruturas intermédias é-nos dada em Portugal pelo próprio 25 de Abril, também conhecido como a "revolta dos capitães".

Os governos não têm primado pelo respeito devido aos quadros intermédios do Estado. As inflexões frequentes nas orientações políticas gerais e uma desconfiança exagerada do impacto político que cada organismo do Estado representa têm conduzido a uma delapidação progressiva da experiência acumulada pelos quadros do Estado, cerceando pela base a sua operacionalidade. Ora, sem estruturas intermédias diversificadas, dinâmicas e autónomas, os próprios objectivos de cada legislatura ficam igualmente comprometidos e a espiral da inacção vai-se realimentando. No limite, chegaremos ao Estado microcéfalo, caracterizado pela paralização geral da iniciativa dentro dos organismos, relegados ao papel de espectadores, enquanto na ribalta se moverá um único actor, o chefe do governo. Falar em prossecução dos objectivos, quaisquer que sejam - combate à corrupção, aumento da produtividade, salvaguarda de direitos constitucionais - não passará então de uma declaração de intenções.

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Incumprimento de normas legais do concurso a professor titular obrigam à apresentação de providência cautelar

Últimas:

( Fonte - Fenprof )

"A Plataforma Sindical dos Professores decidira (4/06/2007) não avançar com providência cautelar sobre o concurso de acesso a professor titular por considerar que as principais ilegalidades poderiam ser facilmente solucionadas.

Por essa razão, a delegação da Plataforma Sindical que reuniu com o Senhor Chefe de Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, no dia 4 de Junho, não só as identificou, como solicitou que fossem corrigidas as seguintes situações:
- Garantia de que os docentes de técnicas especiais e do ensino artístico das Escolas de Música e Dança pudessem concorrer, como se prevê no DL 200/2007, de 22 de Maio, mas que o ponto 10.6 do Aviso de Abertura impede;
- Divulgação dos Avisos de Abertura de cada concurso (relativo a cada agrupamento de escolas ou escola não agrupada) nos sites das Direcções Regionais de Educação, com a inclusão de todos os elementos obrigatórios, designadamente a indicação das vagas a concurso, como estabelece a alínea d), do número 2, do Artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 200/2007, de 22 de Maio. (Este diploma obriga, também, à divulgação do Aviso de Abertura, contendo as vagas, nos sites das escolas; contudo, a esmagadora maioria não tem página electrónica ou não a tem activada, pelo que, para a Plataforma, bastaria que as vagas a concurso fossem tornadas públicas através dos sites das DRE's).

Só que, passado dia e meio de concurso, o ME não corrigiu as ilegalidades e manteve tudo na mesma. Por essa razão, a Plataforma Sindical dos Professores não pôde deixar de, na tarde de 5 de Junho, entregar em Tribunal uma Providência Cautelar referente ao concurso, pela qual solicita a suspensão da eficácia do despacho de abertura do mesmo, em virtude de se encontrar ferido de ilegalidade. Assim, cumprida a obrigação de zelar pelo cumprimento da lei, os Sindicatos da Plataforma aguardam que o ME, de uma vez por todas, a respeite. Aliás, uma lei que ele mesmo impôs aos professores e educadores.~

Por fim, a Plataforma Sindical regista negativamente o facto de, durante o dia de hoje, o acesso à candidatura ter estado bloqueado por largo tempo, o que prejudicou a possibilidade de, dentro dos prazos legais, muitos interessados poderem concretizar a candidatura. Espera-se que esta situação não volte a surgir, pois restringe o tempo de útil de apresentação de candidaturas."

A Plataforma Sindical
5/06/2007

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Dia de Portugal

Pergunta do dia : Será Portugal a única nação no mundo que tem como símbolo um poeta?
(Joaquim Farias)





Ao Desconcerto do Mundo


Luis de Camões, Ao desconcerto do Mundo

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Évariste Galois (2)


Em Fevereiro de 1830, Galois submeteu um texto ao concurso "Grande Prémio em Matemáticas" promovido pela Academia das Ciências. O manuscrito foi confiado a Fourier para apreciação, que o teria levado para casa. Aconteceu que Fourier viria a morrer passados alguns dias e o manuscrito nunca mais foi visto. Galois interpretou os recorrentes desaparecimentos das suas teses como o efeito de uma sociadade capaz de negar a justiça em favor da mediocridade; atribuiu a responsabilidade ao regime opressivo de Bourbon.

Em Janeiro de 1931, tentou a sorte como explicador particular em Álgebra Avançada, com sucesso reduzido. Nesse mesmo mês, submeteu mais uma tese à Academia das Ciências, com o título: "Das condições de solubilidade das equações por meio de radicais". A avalição foi confiada a Poisson e Lacroix. Não tendo obtido resposta, escreveu uma carta ao Presidente da Academia dois meses mais tarde, igualmente sem sucesso.

Juntou-se então à Artilharia da Guarda Nacional, um organismo republicano. Pouco depois os comandantes desta organização foram presos como conspiradores, mas libertos pelo Juíz. A Artilharia foi dissolvida por ordem do Rei. Num jantar de protesto em Maio, com os ânimos exaltados pelas contínuas perseguições, Galois brindou à saúde do Rei com um canivete aberto na mão. Foi preso até ao julgamento, ilibado pelo juiz e libertado no mês seguinte.

Em Julho soube da apreciação da Academia das Ciências - assinada por Poisson - sobre a tese que apresentara: incompreensível.

Passados uns dias, enquanto dirigia uma manifestação, fardado como guarda republicano e com uma navalha e uma pistola foi preso e depois condenado. Enquanto cumpria a pena, prosseguiu a escrita das suas descobertas, mas acabou por ser contagiado pela epidemia de cólera de 1832. Transferido para o Hospital, foi libertado pouco depois.

Novamente em liberdade, apaixonou-se pela filha de um médico vizinho, chamada Stephanie. Não tendo sido correspondido, ficou bastante abalado. Nessa altura foi desafiado para um duelo por motivo dos sentimentos que acalentara para com a rapariga. A este respeito, Galois escreveria:

Peço aos meus amigos que não me condenem por morrer por outra causa que não seja a minha pátria. Morro vítima de uma infame coqueteria. É numa rixa miserável que a minha vida se extingue.
... Perdoai aqueles que me matam, eles agiram de boa fé.


Nessa mesma noite de 29 de Maio de 1832, véspera do duelo, escreveu ao seu amigo Auguste Chevalier um resumo das suas descobertas. Nelas esboçou a ligação entre os grupos e as equações algébricas, afirmando que as equações são solúveis por meio de radicais desde que o grupo seja solúvel. Mas referiu muitas outras ideias sobre funções elípticas e a integração de funções algébricas, além de questões demasiado crípticas para poderem ser deslindadas. Nas margens repetia-se o comentário: Je n'ai pas du temps!


Atingido no estômago, foi deixado à sua sorte no local do duelo. Um camponês recolheu-o e conduziu-o ao hospital, onde veio a morrer no dia seguinte, de peritonite. Tinha vinte anos de idade.

Excerto adaptado do original em inglês:
The Life of Galois
I. Stewart, Galois Theory, Chapman and Hall, 1992,
disponibilizado electronicamente por Algebra Research Group, Oxford

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sábado, junho 09, 2007

Notas de final de ano lectivo

Sem nomes, dois emails recebidos por mim e para mim na plataforma da turma.
Respondo?
E o problema é que vou ter muitas saudades deles,é um facto!
Ó "cabeças de vento", não percebem que se alguém podia fazer alguma coisa eram vocês e não eu? (MR)



NÃÃÃÃO!!!!
Ó Professora mais bonita daquela escola, pelo meu trabalho desempenhado ao longo de todo o ano lectivo, penso que e a professora também pensa que a nota mais adequada será o 12 e nunca um 11.
Porque repare...se a professora me der um 11, para o ano vai ter que me aturar outravez com um 12, o caso já muda de figura... :D

Boas Férias.



stora só 14?? enganou-se a escrever o número não foi .

Esforçeime tanto este ano (que nem precisava pois ja tenho a disciplina feita) a stora podia dar uma ajuda sabe que estou a fazer melhoria e so me quer dar 14.?

A stora dar-me o 14 é o mesmo que me dar o 13.. não influencia quase nada na minha nota para ir a exame, por sua vez o 15 modifica todo o cenário. Depois de todo o esforço que eu fiz durante o ano quase não modifica a minha nota... já para nao falar do meu bom comportamento e das participações nas aulas que são sempre positivas.

Stora veja la se pode levantar um bocadinho a nota.

Bom fim-de-semana e bom trabalho também para a stora e para todos os colegas.

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(15).

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Associação dos Professores de Matemática e os exames escolares



Agradeço a Paulo Guinote a sua chamada de atenção para o problema. (AF)


A Associação de Professores de Matemática (APM) vem manifestar a sua total discordância com a afirmação da senhora Ministra da Educação, publicada na comunicação social no dia 12 de Maio: “Pela primeira vez, o país associará os resultados não apenas à performance dos alunos, mas também ao trabalho das escolas e dos professores, para o melhor e para o pior”. A senhora Ministra referia-se ao trabalho no âmbito do Plano da Matemática, a medida 1 do Plano de Acção para a Matemática, lançada em Maio de 2006.

A APM aceitou estar representada na Comissão de Acompanhamento desta medida, onde sempre contrariou o discurso excessivamente centrado sobre os resultados esperados com a realização dos projectos nas escolas, porque há muitos aspectos das aprendizagens que não são mensuráveis, sobretudo a curto prazo, e porque há muitos factores, alheios ao sistema educativo, que influenciam as aprendizagens dos alunos. A afirmação de que os resultados dos exames de Matemática do 9º ano vão ser “teste ao trabalho das escolas”, revela ausência de sentido pedagógico e exprime uma leitura muito simplista e redutora do que é esse trabalho e a educação. De facto, mudanças relevantes e duradouras em educação não acontecem num ano e projectos como os que, no âmbito referido, estão em curso nas escolas têm que ser avaliados por indicadores mais apropriados – as produções dos alunos e as taxas de abandono, por exemplo - que não são certamente os exames, que são instrumentos muito limitados e pouco adequados para a avaliação deste tipo de intervenções.

Excerto de:
O Plano da Matemática e os exames nacionais do 9º ano
publicado pela Associação dos Professores de Matemática em 15 de Maio de 2007

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sexta-feira, junho 08, 2007

Jogos perigosos

Os jovens precisam do seu grupo para crescerem harmoniosamente. Estes grupos costumam ser constituídos por adolescentes da mesma faixa etária. São importantes mas, muitas vezes, também são fonte de angústias, de dúvidas e de perigos.

Por isso a atenção dos seus pais deve estar sempre presente nas suas actividades e brincadeiras. Na ausência dos pais cabe à escola o zelo pela sua comunidade para que tudo decorra normalmente e sem incidentes.

A escola reflecte a sociedade em que vivemos e esta é agressiva, pouco atraente, não faz sonhar e poucas alternativas apresenta. E estas idades são feitas de sonhos e devaneios.

Vejamos o que se passa em França, como pequeno exemplo:

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Évariste Galois (1)

Evariste Galois

Talvez a história mais fascinante de todos os matemáticos.


Nasceu em 1811, num subúrbio de Paris. Foi educado pela mãe, filha de um magistrado, até aos doze anos. Com ela aprendeu Latim, Grego e Religião e partilhou o seu cepticismo. Entrou para um internato escolar em 1823. Logo no primeiro ano assitiu à expulsão de 40 colegas, por simpatias republicanas. Esse ano correu bem quanto aos estudos. Mas já no ano seguinte não foi assim. Aparentemente por falta de método, o instrutor aconselhou a repetição. Evaristo Galois aproveitou para entrar nas classes de Matemática. Tendo ganho acesso aos Elementos de Geometria de Legendre, leu-a como um romance do princípio ao fim. Saltava sem esforço das planícies para os cumes da abstracção. Os livros de Álgebra elementar deixaram de interessá-lo, porque lhes faltava a marca do inventor.
Empreendeu uma marcha solitária pelas obras mais avançadas de Lagrange, que incluiam a Resolução de Equações Numéricas, a Teoria das Funções Analíticas e as Lições sobre o Cálculo das Funções, todas destinadas a matemáticos. Prosseguiu com Euler, Gauss e Jacobi. Curiosa a contradição entre as opiniões a seu respeito dos professores de Retórica: "A fúria das matemáticas domina-o. Seria melhor para ele que os pais o autorizassem a dedicar-se exclusivamente ao estudo desta disciplina." e de Matemática: "A facilidade por esta disciplina parece-me apenas uma lenda em vias de extinção; - não há vestígios nos seus trabalhos, que desdenha, e só resta bizarria e negligência; - está sempre ocupado com o que não é preciso; - ocupa-se permanentemente em fatigar os seus mestres; - o seu rendimento baixa todos os dias.
Aos dezasseis anos autopropôs-se à admissão à Escola Politécnica, um sonho que acalentava, não apenas por ser a referência nacional nas matemáticas, mas também um pólo de resistência activa aos monárquicos, regressados ao poder por imposição das potências que derrotaram Napoleão. Não foi aprovado.
No princípio de 1828 entrou para a classe especial de Matemática de M. Richard, um professor prestigiado e talvez o único matemático que reconheceu o mérito de Galois em vida. Descobriu em Galois um génio capaz de sondar todas as profundidades e de alargar os limites da ciência. Defendeu que tal aluno devesse entrar imediatamente para a Escola Politécnica com dispensa de exame. Este aluno destaca-se notoriamente dos seus condiscípulos; - só trabalha nos níveis superiores das matemáticas.
Em 1829, aos dezassete anos, publicou o seu primeiro trabalho, Demonstração sobre um Teorema das Fracções Contínuas Periódicas. Nesse mesmo ano, submeteu o seu primeiro manuscrito à Academia das Ciências, tendo Cauchy ficado árbitro. O documento foi perdido. Nem o autor conseguiu recuperá-lo ao reclamar insistentemente na Secretaria.
Nesse mesmo ano o pai de Galois - antigo presidente do Município - suicidou-se, na sequência de perseguições políticas movidas pelo padre da circunscrição.
Logo a seguir Galois propôs-se pela segunda vez à Escola Politécnica. Novamente sem sucesso. Este exame tornou-se uma lenda. Vinte anos mais tarde, podia ler-se numa nota dos Nouvelles Annales Mathématiques: "Um candidato de uma inteligência superior perdeu face a um examinador de uma inteligência inferior. Barbarus hic ego sum quia non intelligor illis!" A tradição conta que Galois, tendo consciência de que o sonho da sua vida se afundara ali, teria atirado com o apagador ao examinador.

Resumo do original em francês:
La Vie d'Évariste Galois
P. Dupuis, Annales Scientifiques de l'É.N.S., 1896

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Senhor da Serra



Ó Senhor da serra
Eu da serra sou
Eu cantar não sei
Eu bailar não vou

Bailaste, bailaste
Bailaste, bailei
Bailaste no adro
Qu’eu bem te mirei

Ó Senhor da serra
Eu hei-de te amar
De dia ao Sol
De noite ao luar

Ó Senhor da serra
Eu hei-d'ir hei-d'ir
Jurar a verdade
Q'eu não sei mentir

Eu hei-d’ir, hei-d’ir
Eu hei-d’ir se for
Jurar a verdade
Por ti meu amor


Fonte: Associação Euro-Asiática, Singapura

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quarta-feira, junho 06, 2007

Educação/Computadores ou uma Operação de Cosmética do Governo

Um dos processos utilizados por este governo é fazer flores à custa dos outros.
Ao afirmar que vai "dar" computadores aos professores e alunos a maioria das pessoas fica a pensar que " sim senhor, estão a ver?, e aqueles parasitas dos profs. ainda se queixam, agora vão ter 1 computador à nossa custa...etc...".

Acontece que se este dito Governo o vai poder fazer será porque "aldrabou" o corpo docente de todas as escolas, roubando-lhes vencimentos durante estes quase 2 últimos anos e estando a pensar no que vai "retirar" mais, não deixando progredir a maioria dos docentes deste país.

De mim levou-me já o equivalente a 4 computadores, novinhos em folha! Possivelmente deveria sentir-me contente porque esses computadores irão para 4 alunos. Sucede que esses 4 alunos não só já possuem computadores como telemóveis topo de gama, sapatos de marca, etc, isto no público...

- Não fico feliz, José Sócrates. Não vai ser este acto seu que vai melhorar o ensino e diminuir o insucesso! E o senhor sabe muito bem tudo isso!

Portanto, este cidadão que se julga iluminado - gostaria de saber por quem - pensa que está a fazer um figurão e que, assim, talvez votem nele outra vez. Isto se vierem eleições e eles não chegarem à conclusão que este acto cívico deixou de se enquadrar na realidade portuguesa, e porque não?, na realidade europeia!

- José Sócrates, os seus jogos de cintura, correspondentes aos seus raciocínios falaciosos, são observados e tiradas conclusões sobre os seus actos públicos!
- Pode acontecer que muitos ainda não tenham percebido que a sua ambição é desmedida, que a sua arrogância lhe tem permitido ofender colegas políticos - como eu vi na sua última sessão da Assembleia da República em que, de dedo espetado repetiu para os "Verdes": eu sei bem que partido é o seu, eu sei bem que partido é o seu! - nas 2 vezes que lhe foi dada a palavra.
- Pois, senhor primeiro ministro, eu também sei bem que partido é o seu e mais, sei muito bem do que o senhor é capaz!

Dia virá em que muitas mais pessoas perceberão os seus jogos e o seu tempo terá terminado. Aliás, todos nós temos o nosso tempo, só que uns deixam para trás coisas bem feitas, úteis, outros deixam amarguras, sentimentos de ódio, frustrações, prejuízos, muitos prejuízos!

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terça-feira, junho 05, 2007

Xue Shen, Hongbo Zhao - Tokyo 2007, Gala -1 Caruso

O olhar segue os movimentos e o pensamento voa, voa até muito longe. A sincronização dos corpos lembra a busca do perfeito, do óptimo, acto diário nem sempre, melhor dizendo, raramente conseguido.



E a vontade de dançar com eles, quase sendo eles!

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Saldanha Sanches - entrada de leão...


...na província há casos de "captura" do Ministério Público pela estrutura autárquica.
Fonte: SIC online de 5 de Junho de 2007

Confrontado com o processo-crime apresentado ao Departamento de Investigação e Acção Criminal (DIAP), ficámos conhecedores de que a "captura" não significava subordinação, troca de favores.

- Não, meu querido amigo! Apenas uma muitíssimo ligeira falha deontológica, coisita praticamente insignificante que está longe de merecer a atenção da população. Nada de grande monta, dormi pois descansados, que não é caso para alarme nem justifica tanto alarido.

- Pois!

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Francisco - Um grito por Manuela Estanqueiro



... relativamente a esta notícia da professora com leucemia que foi obrigada a trabalhar há 3 meses:

Com leucemia, obrigada a dar aulas

essa professora, a minha colega Manuela Estanqueiro, foi hoje a enterrar às 15.30h no Cemitério de Cacia, em Aveiro.
Estou REVOLTADO. Nem sabem o que me apetece fazer.
Agora percebo porquê que às vezes lemos nos jornais casos de ajustes de contas a tiro.
Por muito menos o fazem, por muito menos.
Desculpem a crueldade mas, dizer menos que isto, era lutar contra um sentimento de justiça que me atormenta e é bem mais forte.
Estou ENOJADO.
ENOJADO!!!!!!!!!!!!!

Francisco

Publicado em As Minhas Leituras a 4 de Maio de 2007

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John Catalinotto - O almirante com medo?


Alguns dos oficiais superiores, que normalmente não têm perturbações ao ordenar ataques e bombardeamentos cirúrgicos que provocaram centenas de milhares de baixas, e que certamente não têm problemas morais em começar uma guerra, começam a hesitar em obedecer à liderança da administração Bush. Uma notícia do Inter Press Service divulgada em 19 de Maio relata que o almirante William Fallon, chefe do CENTCOM e um dos nomeados pelo próprio Bush, "em Fevereiro exprimiu forte oposição a um plano da administração para aumentar o número de grupos de porta-aviões (carrier strike groups) no Golfo Pérsico de dois para três, e prometeu, em privado, que não haveria guerra no Irão enquanto ele fosse chefe do CENTCOM, de acordo com fontes que conhecem as suas ideias".

Segundo esta fonte não mencionada, Fallon disse não estar só e que "há vários de nós a tentar colocar os loucos outra vez dentro da caixa". Esta declaração, publicitada uma semana após o vice-presidente Dick Cheney ter ameaçado a guerra contra o Irão no convés de um porta-aviões no Golfo Pérsico, ao largo da costa daquele país, e próximo do momento em que o arquitecto da guerra do Iraque, Paul Wolfowitz, foi forçado a demitir-se do Banco Mundial, tem um fundo de verdade, ainda que não seja fácil verificá-la.
Fallon é um leal oficial do imperialismo americano, cujos interesses de classe e privilégios estão ligados ao domínio militar norte-americano no mundo. As suas palavras — partindo do princípio que o relato da IPC é verdadeiro — reflectem o cepticismo existente entre a classe dominante quanto à capacidade de liderança da administração Bush. Elas reflectem o impacto de quatro anos de heróica resistência iraquiana que paralisaram a tentativa americana de dominar aquele país.

De uma forma diferente, a resistência iraquiana estimulou a dissidência honesta e a recusa em participar em crimes de guerra expressa pelos oficiais de patente mais baixa. Os sinais de que esta dissidência está a crescer e a difundir-se nas Forças Armadas dos EUA constituem a melhor notícia para aqueles que querem acabar com a horrenda e criminosa ocupação do Iraque.

Publicado no O Diario.info a 2 de Junho de 2007

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segunda-feira, junho 04, 2007

Luís Represas - Feiticeira

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José Barreiros - Aliar a forma ao conteúdo

No dia 4 de Junho de 2007, o advogado José António Barreiros apresentou do Departamento de Investigação e Acção Penal uma queixa-crime para que sejam averiguados factos relacionados com a corrupção nas autarquias, na sequência de declarações nesse sentido proferidas por Saldanha Sanches num entrevista à revista Visão.

Sinais dos tempos: os brandos costumes estão a dar mostras de putrefacção. Numa simples iniciativa individual, o advogado José António Barreiros deita por terra toda a tradição de fingimento longamenta instalada, de fala-barato inconsequente, de nivelamento de comportamentos e de assumpção frouxa das responsabilidades, numa palavra, do que muito se tem falado de nacional-porreirismo. Por que golpe de génio foi possivel tal operação? - Obrigando quem profere declarações públicas a assumir todas as consequências jurídicas do acto. Se o conteúdo é este, a forma adequada é aquela. Maior simplicidade não é possível.
A solução do problema é tecnicamente complicada: todos os magistrados que têm processos das autarquias como âmbito do seu trabalho estão constituidos arguidos. Apetece-me, neste momento, citar Pacheco Pereira: o assunto tem a bonomia de um problema técnico ou a acutilância de um problema político?
Em poucas ocasiões se pôde assistir em Portugal a uma acção individual tão marcante pelo estabelecimento da confiança dos cidadãos nas suas leis. Se essa confiança viveu tempos difíceis na ditadura e em consequência de atitudes irreflectidas de muitos dirigentes pós 25 de Abril, abre-se agora mais um pretexto para avançar alguns passos. E pode ser, assim esperamos, que aconteça como resultado que a democracia ganhe mais algum fôlego.

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Concurso para professor titular

No Público, hoje:

"Mais de 20 mil docentes de fora devido ao número limitado de vagasProfessores ameaçam entupir tribunais com contestação a concurso de titular 04.06.2007 - 14h30 Lusa

Os sindicatos de professores disponibilizaram-se hoje para apoiar juridicamente os docentes que não consigam aceder à categoria de titular, estimando que milhares de processos venham a entupir os tribunais quando forem divulgados os resultados do concurso.

No primeiro dia de candidaturas à categoria de professor titular, a mais elevada da nova carreira, a plataforma que reúne todos os sindicatos do sector estimou que mais de 20 mil docentes fiquem de fora devido ao número limitado de vagas e às restrições do concurso, cujos resultados serão divulgados no final de Julho.

Em conferência de imprensa, a plataforma apelou a todos os docentes em condições de concorrer para se candidatarem, reclamando depois nos tribunais caso não consigam aceder à categoria, em virtude de restrições consideradas ilegais como a penalização de faltas dadas por motivos de doença. "Estamos preparados e disponíveis para apoiar cerca de 20 mil processos em tribunal, com acções individualizadas movidas pelos professores que ficarem de fora", afirmou Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores e porta-voz da plataforma sindical.

Na sexta-feira, os sindicatos tinham admitido a hipótese de interpor uma providência cautelar para suspender o processo de acesso a titular, mas hoje declararam que isso não é possível, uma vez que o Ministério da Educação não abriu um concurso nacional, mas um concurso por cada agrupamento de escolas."Para suspender, não teríamos de apresentar uma providência cautelar, mas centenas ou milhares, uma por cada concurso. Isso é praticamente impossível e poderia até aprofundar as desigualdades, fazendo suspender uns concursos e outros não", explicou o porta-voz.

A penalização de faltas dadas por doença na apreciação do factor assiduidade continua a ser um dos aspectos mais contestados pelos docentes, assim como o facto de a análise curricular ser restringida aos últimos sete anos, quando a maioria dos candidatos tem, em média, mais de duas décadas de serviço.

Para os sindicatos, as regras deste concurso promovem a discriminação de vários docentes, nomeadamente os bacharéis que se encontram nos escalões mais elevados da carreira e que estão impedidos de concorrer, assim como os que actualmente beneficiam de uma dispensa parcial da actividade lectiva por razões de doença.

A possível ultrapassagem de docentes mais graduados por outros com menos pontuação, devido à existência de regras diferentes para os candidatos do 10º escalão, constitui igualmente uma das preocupações da plataforma.Ao contrário do que acontece com os colegas do 8º e do 9º escalões, os docentes do 10º não estão sujeitos à existência de vagas para poderem aceder à categoria de titular, bastando-lhes somar 95 pontos no conjunto dos diversos factores em análise. Esta pontuação não é, contudo, fácil de alcançar, sendo mesmo impossível para um professor que não tenha desempenhado cargos nos últimos sete anos, mesmo que este tenha tido uma avaliação positiva e nunca tenha faltado.

Assim, se um docente do 10º escalão tiver 94 pontos, por exemplo, fica automaticamente de fora, enquanto um colega de um escalão mais baixo pode subir a titular, mesmo que com uma pontuação menor, desde que haja vaga.

Todas estas situações são passíveis de contestação em tribunal, pelo que a plataforma apela aos docentes para exporem aos gabinetes jurídicos dos sindicatos os motivos da sua exclusão, depois de ser divulgada a lista final dos candidatos admitidos e não admitidos.

No final da conferência de imprensa, os dirigentes dos diversos sindicatos do sector deslocaram-se ao ministério para entregar um abaixo-assinado subscrito por mais de 30 mil docentes contra a divisão da carreira em duas categorias.No entanto, ninguém no ministério se dispôs a receber os dossiers com as assinaturas, tendo os sindicatos recebido indicações para deixarem o abaixo-assinado na recepção, o que motivou um forte protesto por parte dos professores.

Em declarações à Lusa, o porta-voz da plataforma adiantou que, na sequência desta situação, agentes da PSP presentes no local procederam à identificação dos professores que se encontravam à porta do Ministério da Educação, gerando grande indignação."

Nota: os itálico e bold são de minha autoria. Já não há paciência para os desmandos deste M.E.! Ao que chegámos passados todos estes anos do 25 de Abril. Chamar a polícia para identificar professores que pretendiam entregar um abaixo-assinado! Sem comentários!

Vitor Dias versus Francisco Louçã


Francisco Louçã, no discurso de encerramento da V Convenção do Bloco de Esquerda, a 5 de Junho de 2007
...se Sá Fernandes estivesse na Câmara há mais tempo, o negócio Bragaparques nunca teria acontecido...


Vítor Dias, no blog O tempo das cerejas, em 19 de Maio de 2007
...foi a 1º de Março de 2005, na Assembleia Municipal em que a direita estava em minoria, que foi aprovada uma deliberação indispensável à viabilização do citado negócio, com os votos a favor do PSD, do CDS, do PS, do BE e com o voto contra do PCP e do PEV.

Declarações reproduzidas em:
Vermelho Vivo, a 5 de Junho de 2007

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domingo, junho 03, 2007

Apenas bloguistas



Hoje dispomos desta capacidade de atirarmos palavras ao vento, com ou sem assinatura, avançarmos para o diálogo de uma forma ampla que não era possível até há pouco tempo. Nem todos mantêm aberta a caixa de diálogos, nem todos assumem plenamente a sua identidade, nem todos têm computador ligado à rêde global mas não há dúvida de que o campo está profundamente alterado. Isto é, genuinamente, a concretização de um velho sonho. Não há limites ou melhor, os limites formais - ou legais - e tecnológicos estão imensamente ampliados. Um palco para oportunidades está aberto que era difícil mesmo imaginar que aparecesse em tão pouco tempo. Com a vantagem de se desenvolver através da linguagem escrita, o que lhe confere uma dignidade adicional, além de contribuir activamente para a literacia.
Para quem sentiu o que era a asfixia da palavra, o não poder dizer o que lhe ía nas entranhas, calar a revolta, ouvir as suas intenções deturpadas por vozes autorizadas - este tempo é de festa.
As palavras emergem em grande quantidade, chocam-se, soltam-se as paixões, revitalisam-se fantasmas, marca-se território, rebuscam-se memórias, contrapõe-se argumentos, compara-se exemplos, perscruta-se intenções, ignora-se as razões institucionais, descobrem-se novas razões, dá-se contribuições individuais para a amálgama geral das opiniões. O resultado parece um pouco confuso. Nada parecido com a simples polarização da situação versus do contra dos tempos do antanho.
Alguns já se vão dando conta das novas responsabilidades que a escrita acarreta: discordando, procuram fazê-lo de modo que as suas palavras não possam ser viradas contra o próprio. É uma faceta difícil de desenvolver na arte de discordar. Mas mantém as portas abertas para que um dia possamos descobrir que da mente que nos pareceu mais obtusa viesse a solução mais inesperada e prometedora para algum desconforto que nos tenha atormentado.
Por particularidades que fica bem aos sociólogos explicar, os professores estão bastante activos nesta festa. Já por duas ocasiões deparei, com surpresa, que o seu estatuto profissional é usado contra eles, numa tentativa de os fazer calar. Como se, na blogosfera, não estivessemos mais próximos da cidadania directa e activa, fazendo pontes transprofissionais, desobrigados mas não impedidos de usar calão técnico específico, mas igualmente livres de mostrarmos outras facetas das nossas personalidades que o exclusivo exercício da profissão tende a asfixiar. Pequenos escolhos num terreno que já mudou radicalmente a paisagem comunicacional, mas que ocasionalmente não apreciamos na sua plenitude. Como se, nesta festa, não fôssemos todos apenas blogistas.

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sexta-feira, junho 01, 2007

Paulo Guinote - a discussão necessária


Meu caro amigo, os números da última greve na FP foram - vamos lá usar o lugar comum - pouco animadores. Em relação às movimentações anteriores, notou-se um decréscimo da mobilização. Por exemplo nas Escolas a adesão foi mesmo muito baixa, incluindo professores e funcionários. O efeito de “confluência” e acréscimo de entusiasmo na mobilização tinha ultrapassado o seu pico.

As pessoas começaram a resignar-se. Mesmo entre os docentes.

Se essa é uma atitude errada? Certamente que poderá ser.

Só que lidamos com pessoas e grupos. Há que ler os momentos e não ouvir apenas as vozes dos mais entusiastas, porque esses já estão convencidos à partida. Há que ir à procura dos cépticos, dos que balançam, daqueles que têm receio ou dúvidas e, em vez de os criticar por assim serem, convencerem-nos a deixar de o ser.

Se é verdade que as manifestações e greves de final de 2006 foram encorajadoras, se é verdade que em 2007 o Governo continuou num caminho desfavorável para muitos trabalhadores, não é menos verdade que bastaria a alguns activistas saírem de si e irem em busca dos outros, das outras formas de pensar e agir, para perceberem que podem estar a dar um tiro no pé enorme, pois gastaram uma arma que deve ser usada com ponderação, de forma desnecessária. No sector privado, globalmente, a desão à greve deve ter sido abaixo dos 20%. É muito pouco.

As pessoas são o que são. Agarram-se à rocha escorregadia enquanto podem, se sentem o mar agreste. E estando o mar muito agreste, não querem perder a sua réstia de segurança.

Haverá que vituperá-las por isso? Talvez mais importante seja convencê-las. E para isso não é muito certo avançar de punho em riste. Isso deve reservar-se para quem está por cima.Não para quem está por baixo.

Ver mais opiniões aqui.

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Dia Mundial da Criança

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