sexta-feira, novembro 30, 2007

Ary dos Santos - Os putos

Canção encontrada em João Tilly, apropriada ao dia que atravessamos.


Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.



Poema:José Carlos Ary dos Santos
Música:Paulo de Carvalho
Interpretação:Carlos do Carmo
Video:cabalaprod
Divulgação da poesia:Casa do Bruxo

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quinta-feira, novembro 29, 2007

GREVE - 30 DE NOVEMBRO DE 2007

Zé Povinho - de Rafael Bordalo Pinheiro

CONTRA A ARROGÂNCIA;
CONTRA A PREPOTÊNCIA;
CONTRA A INCOMPETÊNCIA;
CONTRA AS ARBITRARIEDADES;
CONTRA AS HUMILHAÇÕES;
CONTRA O DESRESPEITO;
CONTRA O CANSAÇO;
CONTRA O DESMANTELAMENTO DO ENSINO PÚBLICO;
CONTRA O DESMANTELAMENTO DA SAÚDE PÚBLICA;
CONTRA OS NEGÓCIOS ESCONDIDOS.

E MAIS, MUITO MAIS,
QUE ME ENCHE O PEITO,
ME AFOGA A VIDA,
ME CONFUNDE O EGO,
MAIS DO QUE O ACEITÁVEL,
QUE PUTREFAZ O PENSAMENTO!


JUNTA A TUA À NOSSA VOZ!

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quarta-feira, novembro 28, 2007

De um conhecimento virtual a um almoço real

Barreiro

A conversa correu animada. A libertação dos condicionamentos bloguísticos e a teimosa persistência de constrangimentos temporais precipitaram cada um dos interlocutores num atropelo de palavras. Cada tema - já objecto de anteriores abordagens ou totalmente novo - caiu sobre a mesa sem rebuços ou cautelas preventivas.
Dois indivíduos totalmente desconhecidos ainda há dois anos atrás, com percursos territoriais distintos, sem intersecções no mundo académico, político ou artístico, que casualmente se encontraram na blogosfera, decidiram completar o cenário das palavras escritas com o de um verdadeiro restaurante e dar dispensa ao teclado.
De um lado da mesa, o autor de um fenómeno de comunicação digital: do outro um simples amador. Ao longo de meses cada um foi dando a conhecer-se; quase sempre de forma indirecta pelas posições assumidas. Ilustrando o facto de que mais fica por declarar que o que é declarado, está a confusão do almoço.
De uma forma extrovertida e bem disposta, o campeão - dezasseis anos mais jovem - desentrelaçava episódios de vida que enformaram as suas opções principais. No meio de flagrantes contrastes, sobressaiu o cuidado de não perder, entre aquilo que foi abdicado, a firmeza de princípios, a confiança no valor singular do conhecimento e o apego à liberdade de expressão, que, pela forma como cultiva no seu site, facilmente se identifica como a sua imagem de marca.
E assim a hora de convívio pareceu tão fugaz como a passagem de um avião.

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terça-feira, novembro 27, 2007

Morte e Transfiguração - Ary dos Santos


Cinzas, vergões, renúncias, cicatrizes,
Lanceram-nos a esperança, mas dão outra.
Essa em que a dor nos faz criar raízes,
Árvore e fruto duma seiva nova.

Dos abismos da ira levantamos
As vozes, os protestos e as trombetas.
Só nos ouvimos quando nos calamos
E em vez de arautos nos tornamos poetas.

Cantores das coisas que nos doem, magos
Da nossa angústia, frémito das águas
Onde nos debruçamos, onde nós,

Narcisos do que é grande e impossível,
Nos transformamos por amor da voz
Enquanto a imagem nos parece inútil.

___________

Para a Elisabete, num esforço de ajuda.


(M.R.)

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segunda-feira, novembro 26, 2007

Um poema de Florbela Espanca


Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...


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Maria do Ceo - Lela




Están as nubes chorando
por un amor que morreu
Están as rúas molladas
de tanto como choveu (bis)

Lela, Lela,
Leliña por quen eu morro
quero mirarme
nas meniñas dos teus ollos

Non me deixes
e ten compasión de min.
Sen ti non podo,
sen ti non podo vivir.

Dame alento das túas palabras,
dame celme do teu corazón,
dame lume das túas miradas,
dame vida co teu dulce amor. (bis)

Lela, Lela....

....
Sen ti non podo,
sen ti non podo vivir.

Daniel Alfonso Rodríguez Castelao


Fonte: Galicia Espallada

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sexta-feira, novembro 23, 2007

Bonga - Mona Ngi Ki Xica

Rio Kwanza


I don't remember what I was doing when they played "Mona Ki Ngi Xica," or "The Child I Am Leaving Behind," but I remember I stopped and sat and listened. I put that song on the first mix tape I made in bulk, one of those crappy tape-to-tape-to-tape jobs I sent out to a handful of friends. At least one of those tapes is still kicking around; my college roommate stumbled across it when packing for a recent move. He'll tell you, it's a weird tape: Thinking Fellers and Funkadelic and Marian Anderson. And Bonga.

Bonga Kwenda recorded Angola 72 in Rotterdam; he'd been exiled for his affiliation with the anti-colonial insurgency, the Popular Movement for the Liberation of Angola. The album was banned in his homeland, offensive to Portuguese sensibilities on two counts: its lyrics described the desperate poverty of Angolans under colonial rule and its music contained coded shout-outs to Angolan national pride. Bonga's band back home was called Kisseuia, or "poor people's suffering." He wrote songs based on the traditional semba style, the ancestor or close cousin of Brazilian samba (depending on your read of the circular genealogy of Afro-Latin music). He included Angolan instruments like the dizanka, a bamboo-scraper-type beat-keeper that reminds me of the fish. Wait, is that what it's called, the fish? You can hear it in this song:


Bonga:
Mona ngi ki xica


I don't know the lyrics to "Mona Ki Ngi Xica" - it's sung in Kimbundu - but the emotion needs no translation: the plaintive guitars, the throaty hum, Bonga's husky cries, all speak anguished accusation. In 1974, a coup in Portugal brought down the colonial government; in 1975, a newly independent Angola imploded into a 27-year civil war that left the country in ruins. For many Africans, especially Bonga's fellow exiles in Europe, Angola 72 and the follow-up, Angola 74, became landmarks in time, music made in an explosive moment and instantly imbued with history (see Marvin Gaye, op cit).

I didn't have access to that history or those memories when I first heard the song, but it haunted me. Little by little, I learned new stories - about the song, about Bonga, about Angola.

Maybe eight years after that first hearing, another friend who got the tape I made picked up a copy of Angola 72 on a trip to San Francisco. Hearing Bonga then called up a lost moment in my own history: a rough, disheveled time when it was easy and necessary to imagine a radically different life-to-come. I grew to love another song on the album, "Muimbo Ua Sabalu," about which I can say nothing except, listen.

Hearing Bonga changed my life. It wasn't a conversion experience; I just learned something. And because I had some time on my hands, and because I bothered, the Bonga spread. I even got a little of the Bonga back. Nice, huh?

But thinking about Angola 72 makes me revise my lonely thesis. Maybe lonely isn't quite right. Loneliness is too diffuse. Maybe what I'm really talking about is longing - for home, for a time long past, for a better tomorrow - whatever endlessly deferred dream traps you, arms outstretched, in the infinite present. It's longing that opens the door. It's the door left open, waiting for someone to come home. Lower the arms, shut the door, miss the chance? No, I'm stuck with the longing, I guess. What are you gonna do?



in Megan Matthews
Mona ngi ki xica,Muimbu ua sabalu, Bonga, Angola 72
publicado em Moistworks em 22 de Julho de 2006

Som:Radio Muximangola
Imagem:Moistworks

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Adivinhem quem é que eu fui ouvir em concerto?


Oi gente!

Pois é, a Belgica anda a convidar uma data de gente conhecida da Lusofonia... Primeiro fui ouvir uma conferencia do Agualusa e agora...



Fomos ver o Bonga, aqui, em Bruxelas! Foi o maximo!!! Num ambiente muito descontraido, com as anedotas todas que ele conta, o Bonga conseguiu pôr estes Belgas (quase) todos a mexer! E até a minha mae fartou-se de dançar :)

Ai que saudade...

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Uma praia na Coreia

Clicar na foto para aumentar

Quem disse que há falta de espaço na Caparica?

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Eurydice - Professores de língua estrangeira

Professores generalistas

A Alemanha substitui gradualmente os professores de língua estrangeira generalistas por semi-especialistas.

Fonte: Chiffres clés de l’enseignement des
langues à l’école en Europe - Édition 2005

publicado por Eurydice em 2005 (pág 58)

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Escorpião do Paleozóico

Escorpião do Paleozóico

Para saber mais:
Fossil reveals monster scorpion
Geologic Ages of Earth History
Na era de dinossauros morava escorpião de 2,5 metros

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Ricardo Sanches - Tragam as tropas para casa

Ricardo Sanchez
Ricardo Sanchez foi o responsável directo das operações militares dos EUA no Iraque em 2003 e 2004.
  • Os progressos na segurança devidos ao sangue e coragem das nossas tropas não foi acompanhado pela vontade política dos dirigentes iraquianos em tomarem as decisões difíceis mas necessárias à paz no seu país.
  • Não há qualquer sinal de que os iraquianos venham a mudar de rumo num futuro próximo ou que nós tenhamos a capacidade de convencê-los a isso.
  • (A revisão orçamental dos democratas) dá passos acertados para o regresso das tropas como acção prioritária e exige uma revisão da missão dos militares compatível com a redução significativa do seu número no Iraque.
  • A missão dos EUA no Iraque é um pesadelo sem fim à vista.


Excertos de Anne Flaherty
Ex-Iraq Commander Says Bring Troops Home
publicado por San Francisco Gate a 21 de Novembro de 2007

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Joël Perino - Os professores e a riqueza

Crescimento PIB França

Ambos eram professores primários. Chamá-los-emos Aimée e Alberto. Começaram as suas carreiras pouco depois da 2ª Guerra. Em 1950 instalaram-se finalmente na mesma cidade. Por volta de 1955 compraram o seu primeiro carro, um Simca. No Verão foram acampar com os seus três filhos. Na cidade onde viviam, eram pessoas tão importantes como o padre e o presidente da Câmara. Habitavam uma residência reservada ao seu estatuto. Chamavam-nos: O casal de regentes. Se um gaiato era castigado, tentava a todo o custo impedir que os seus pais tomassem conhecimento, com medo de um segundo castigo do pai. Alberto reformou-se aos 55 anos, mantendo-se por algum tempo como secretário da Câmara. Não por neceesidade, mas por satisfação. Pelos seus três filhos, Aimée pode reformar-se mais cedo, aos 52 anos. Com as suas economias, compraram um bom apartamento. A reforma era confortável e passaram a viajar com outros sócios do clube dos antigos professores.

Se atribuirmos o valor 200 ao Pruduto Interno Bruto da França em 1948, obtemos, a preços constantes (francos), cerca de 1500 em 2004. Ou seja, segundo o Institut National de la Statistique et des Études Économiques, um crescimento da riqueza de cerca de 750% ou até mais.

Foi precisamente em 2004 que Alexia e Antoine começaram as suas carreiras de professores. Hoje ganham 3300 euros e pagam 1050 euros de renda de casa além de uma boa parte do salário à creche dos seus dois filhos. Têm um Scenic de ocasião e um Twingo apodrecido. António faz 80 kilómetros por dia e Alexia 30. Hesitam em prolongar as saídas de férias. Aguardam por uma colocação na mesma cidade. Interrogam-se sobre a possibilidade do terceiro filho. A muito custo conseguem pôr algum dinheiro de lado. Ainda não estão no inferno, mas já não estão no paraíso. O pior é a falta de consideração. Quando um gaiato é castigado, não raro os pais vêm sacar-lhes explicações, exibindo sem pudôr o seu nível de vida superior. Antoine reformar-se-á, no melhor dos casos, aos 60 anos e Alexia um pouco antes. Isto, se tudo correr bem e os seus contratos não foram unilateralmente renegociados.

Há dias que Antoine e Alexia se questionam: Para onde foi toda esta riqueza? Esta bela multiplicação do Produto Interno Bruto por 7,5? Porque razão se esgotam tanto, quando os seus avós foram tão bem sucedidos? Que sociedade é esta que trata os seus professores de forma tão impiedosa?

Fonte: JoëlIP,
Richesse
publicado por Dernières nouvelles de l'homme a 21 de Novembro de 2007

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quarta-feira, novembro 21, 2007

Sam Dillon - Aptidões em matemática

Math performance

Amostra dos resultados relativos a Matemática (oitavo ano de escolaridade), obtidos em testes levados a cabo em 50 estados dos EUA e 45 estados fora dos EUA.

in Sam Dillon
Study Compares States’ Math and Science Scores With Other Countries’
publicado por Logo New York Times

a 14 de Novembro de 2007

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Matos Carlos - Sítio Web cultural brasileiro em risco

Cecilia Gallerani

Recebido por email. (AF)
-Imaginem um site (lugar) onde se pode ler gratuitamente as obras de Machado de Assis ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos.
-Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde você pudesse escutar (de graça) músicas em MP3 de alta qualidade...
-Pois esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:
www.dominiopublico.gov.br
Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter isso, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
Ao invés de divulgar o site, é mais barato eliminá-lo , é um absurdo !!!
Divulgue para o máximo de pessoas, www.dominiopublico.gov.br

A Cultura pede socorro ...

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terça-feira, novembro 20, 2007

CONFAP - O protocolo da vergonha

CONFAP


A Confederação Nacional das Associações de Pais desempenha o papel de parceiro social do governo em matérias de política educativa. Aos olhos da população, os seus dirigentes representam os interesses dos pais. Esta é a verdade oficial e largamente difundida pelos órgãos de informação.
O leitor retiraria daí a conclusão de que os pais deste país que têm filhos a estudar foram suficientemente organizados para fundar, não apenas uma miríade de associações que representassem os seus interesses nas respectivas áreas de residência, como um confederação nacional. Que, por um sistema de quotas, tivessem conseguido dar agilidade financeira a estas estruturas orgânicas de nível local e nacional. Puro engano.
Antes que tais estruturas pudessem ser levantadas por um genuino e gradual esforço associativo, eis que veio o Ministério da Educação antecipar-se. Sob o pretexto de que a Confederação haveria de ser credível, prepara um generoso convénio com alguns cidadãos dispostos a falar em nome dos pais em regime de voluntariado. Para que nada lhes falte, poupa às associações o encargo de financiar a estrutura nacional - a Confederação - reservando uma verba que pode ser consultada no texto de protocolo assinado em 1996. E vivam as opiniões independentes dos representantes da sociedade civil. Pague prá ver, diriam os brasileiros, e os nossos governantes levam o conselho muito a sério.
O escândalo é a desvergonha destes cidadãos, com Albino Almeida à cabeça, capazes de se apresentar perante o público investidos de uma qualidade que sabem perfeitamente que lhes falta. Sentem-se confortáveis ao emprestar um ar de associativismo ao que não passa de um puro serviço de relações públicas do ministério. Para que ninguém desconfiasse de histórias de coronéis e de jagunços, retiraram dos olhos do público o protocolo da vergonha. O que conseguiram até ao dia em que o incansável Paulo Guinote o expôs a toda a gente. Uma cópia de segurança pode ser lida, reproduzida, difundida, policopiada a partir daqui, agora também no blogspot.

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Victor Cerqueira versus Teixeira dos Santos

Fernando Teixeira dos Santos
Teixeira dos Santos

Ex.mo Senhor Ministro das Finanças


Victor Lopes da Gama Cerqueira, cidadão eleitor e contribuinte deste País, com o número de B.I. 8388517, do Arquivo de identificação de Lisboa, contribuinte n.º152115870 vem por este meio junto de V.Ex.a para lhe fazer uma proposta:

A minha Esposa, Maria Amélia Pereira Gonçalves Sampaio Cerqueira, foi vítima de CANCRO DE MAMA em 2004, foi operada em 6 Janeiro com a extracção radical da mesma.
Por esta "coisinha" sem qualquer importância foi-lhe atribuída uma incapacidade de 80%, imagine, que deu origem a que a minha Esposa tenha usufruído de alguns benefícios fiscais.
Assim, e tendo em conta as suas orientações, nomeadamente para a CGA, que confirmam que para si o CANCRO é uma questão de só menos importância.
Considerando ainda, o facto de V. Ex.ª, coerentemente, querer que para o ano seja retirado os benefícios fiscais, a qualquer um que ganhe um pouco mais do que o salário mínimo, venho propor a V. Ex.ª o seguinte:

a) a devolução do CANCRO de MAMA da minha Mulher a V. Ex.ª que, com os meus cumprimentos o dará à sua Esposa ou Filha.
b) Concomitantemente com esta oferta gostaria que aceitasse para a sua Esposa ou Filha ainda:
c) os seis (6) tratamentos de quimioterapia.
d) os vinte e oito (28) tratamentos de radioterapia.
e) a angustia e a ansiedade que nós sofremos antes, durante e depois.
f) os exames semestrais (que desperdício Senhor Ministro, terá que orientar o seu colega da saúde para acabar com este escândalo).
g) ansiedade com que são acompanhados estes exames.
h) A angústia em que vivemos permanentemente.

Em troca de V. Ex.ª ficar para si e para os seus com a doença da minha Esposa e os nossos sofrimentos eu DEVOLVEREI todos os benefícios fiscais de que a minha Esposa terá beneficiado, pedindo um empréstimo para o fazer. Penso sinceramente que é uma proposta justa e com a qual, estou certo, a sua Esposa ou filha também estarão de acordo.

Grato pela atenção que possa dar a esta proposta, informo V.Ex.a que darei conhecimento da mesma a Sua Ex.ª o Presidente da República, agradecendo fervorosamente o apoio que tem dispensado ao seu Governo e a medidas como esta e também o aumento de impostos aos reformados e outras...

Reservo-me ainda o direito (será que tenho direitos?) de divulgar esta carta como muito bem entender.

Como V. Ex.ª não acreditará em Deus (por se considerar como tal...) e por isso dorme em paz, abraçando e beijando os seus, só lhe posso desejar que Deus lhe perdoe, porque eu não posso (jamais) perdoar-lhe.

Atentamente, 19/Outubro/2007

Victor Lopes da Gama Cerqueira

in Coragem civil,
publicado por Dedinho em O cartel a 19 de Novembro de 2007

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O caso Lafforgue - Minoria perigosa

Laurent LafforgeSeria muito interessante que os responsáveis das direcções nacionais do Ministério da Educação nos últimos anos não se escondessem hoje no anonimato envergonhado. O livro refere-se à França, mas a realidade descrita é, em quase todos os aspectos, idêntica em Portugal.(AF)
...
a deriva que a Escola e o conjunto do sistema de educação sofreram, e da qual constatamos os efeitos, não parece ser imputável aos docentes - contra a opinião dos quais ela foi feita, e que continuam a trabalhar em condições cada vez mais difíceis -, nem aos pais dos alunos - que gostariam que os seus filhos aprendessem mais, e que se queixam cada vez mais do estado actual da escola -, mas antes a uma minoria de pessoas influentes bloqueadas por a priori ideológicos e incapazes de reconhecerem os seus erros. Nos últimos trinta anos, essa minoria conseguiu, infelizmente, tomar conta de todos os organismos de controlo da Educação Nacional...; essa minoria esforça-se por impedir a avaliação das suas acções e recusa-se, na maior parte dos casos, a ouvir as opiniões dos docentes e dos especialistas independentes.

in Roger Balian e outros
Eduquês: Um Flagelo sem Fronteiras - o caso Lafforgue
publicado por Gradiva em Setembro de 2007

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segunda-feira, novembro 19, 2007

Joseph Stiglitz - As consequências económicas do Sr Bush (5)

O caminho em frente

Quem quer que vá para a Casa Branca em Janeiro de 2008 irá deparar-se com uma situação económica pouco invejável. Desentrelaçar o país do Iraque será a tarefa mais sangrenta, mas retomar o curso da economia doméstica será tortuoso e lavará anos.

O desafio mais imediato será simplesmente repor a economia nos trilhos normais. Isto significará passar de uma taxa de poupança próxima de zero (ou menos) para um valor mais típico, digamos 4 porcento. Apesar deste incremento ser bom para a economia a longo prazo, as suas consequências a curto-prazo serão dolorosas. Dinheiro poupado é dinheiro não gasto. Se as pessoas não gastam o dinheiro, o mecanismo económico estagna. Se os proprietários de casas cortarem abruptamente as suas despesas - algo a que poderão ver-se forçados a fazer, devido ao congelamento das hipotecas - poderá ocorrer uma recessão; se reduzirem de forma mais comedida, ainda assim teremos um abrandamento prolongado. As situações de execução hipotecária e de falência devidas a excesso de endividamento dos proprietários das casas plausivelmente irão agravar-se antes de voltarem a melhorar. O governo federal está amarrado: qualquer tentativa de restaurar depressa a sanidade fiscal apenas irá agravar ambos os problemas.

Ainda há mais. O que é necessário fazer não é difícil de descrever: resume-se a pôr fim ao nosso comportamento e fazer o exacto oposto. Significa não gastar o dinheiro que não temos, aumentar os impostos aos ricos, reduzir os benefícios às corporações, reforçar a segurança dos mais carenciados e investir mais em educação, inovação tecnológica e infra-estruturas.

A propoósito de impostos, deveremos tentar que eles deixem de incidir sobre as coisas que reconhecemos como boas, tais como trabalho e poupanças, para incidir naquelas que reconhecemos como más, tais como a poluição. Relativamente às despesas de segurança, é preciso lembrar que quanto mais o governo ajudar os trabalhadores a melhorarem as suas aptidões e gozarem de bons cuidados de saúde, mais disponíveis deixaremos os homens de negócios para competirem na economia global. Finalmente, estaremos em melhor posição se trabalharmos com os demais países no sentido de criar sistemas financeiros e de comércio global equitativos e eficientes. Teremos melhor oportunidade de assistir à abertura de outros mercados se nós próprios não nos comportarmos hipocritamente - isto é, se abrirmos o nosso próprio mercado às suas exportações e deixarmos de subsidiar a nossa agricultura.

Uma parte dos estragos provocados pela administração Bush pode ser reparada rapidamente. A parte maior levará décadas a reparar - e isto assumindo que a vontade política exista tanto na Casa Branca como no Congresso. Pensemos no fardo dos juros que estamos a pagar, ano após ano, sobre os quase 4 biliões de dívida acrescentada - mesmo a 5 porcento, isto representa um pagamento anual de 200 mil milhões ou seja, duas guerras do Iraque por ano e para sempre. Pensemos nos impostos que o futuro governo terá de cobrar para satisfazer ainda que seja uma pequena parte da dívida que acumulámos. Pensemos na divisão cada vez mais acentuada entre pobres e ricos nos EUA, um fenómeno que suplanta a economia e intercede com o próprio sonho americano.

Em síntese, vivemos um momento que exigirá uma geração para ser revertido. Daqui por diante e por décadas, teremos que medir cuidadosamente o que fizermos e também teremos que rever as ideias feitas. Merecerá hoje Herbert Hoover o seu troféu pouco honroso? Estimo que George W. Bush tenha conquistado um pódio ainda mais sinistro.


Anya Schiffrin and Izzet Yildiz colaboraram nas pesquisas para este artigo.

in
Joseph Stiglitz
The Economic Consequences of Mr. Bush
publicado por Vanity Fair em Dezembro? Novembro de 2007

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domingo, novembro 18, 2007

Ao novo mundo: Um brinde!

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Maria Callas-Casta Diva da Ópera Norma - Bellini

O trinar de uma voz, o estremecer de uma vida, a solidão, depois de atingir o auge da notoriedade.

Quando a oiço cantar confundo os seus trinados com os dos rouxinóis que ainda teimam em aparecer ao lusco-fusco em várzeas esquecidas. Também Callas parece ter sido esquecida e não o merecia. Raras são as pessoas que conseguem realizar-se naquilo que gostam. Ela adorava cantar, interrompeu o canto por amor mas rapidamente se arrependeu. E voltou a cantar até a saúde não lho permitir mais.


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Paulo Guinote versus Albino Almeida

Paulo GuinoteAlbino Almeida

Este é porventura o melhor artigo que já li em toda a blogosfera. Coloca a discussão com a Confederação Nacional das Associações de Pais no plano em que ela faz todo o sentido, e seria muito interessante que o seu presidente, defensor em regime de voluntariado das famílias portuguesas, aceitasse o repto e manifestasse claramente as suas opções. Em alternativa, o seu silêncio também será muito significativo.
Escudados pela longitude, os opinadores da nossa praça chegam a ser demasiado atlânticos e demasiado pouco europeus. Bem poderiam ir gastar o seu latim para o outro lado do Oceano.
(AF)
Por vezes é necessário abandonarmos o carreiro simples, mas estreito, do politicamente correcto e da sabedoria convencional, dos chavões adquiridos, das frases feitas e tentar pensar as coisas de outra forma, olhando-as de um novo ponto de vista.

A Escola a Tempo Inteiro é apresentada como uma grande conquista da acção deste Governo, deste ME, aplaudida pela Confap actual e por diversos opinadores (preo)ocupados com a situação das crianças, cujos pais não conseguem acompanhar devidamente e, por isso, devem ser deixadas mais de 10 horas “nas mãos” (não gosto da expressão por uma multiplicidade de razões) do(a)s professore(a)s.

É um excelente exercício de spin sobre a admissão clara de um fracasso do Estado Social e a demissão de quem representa as “famílias” de efectivamente as defender pela via certa que deveria ser a da “Família a Tempo Inteiro” ou, no mínimo, a “Família a Meio-Tempo”.

Porque parece que as coisas mudaram de lugar e a lógica se retorceu por completo neste país, nestes tempos. Com que então a Escola a Tempo Inteiro é uma grande conquista social? Porquê?

Não seria antes uma conquista ter-se conseguido desenvolver o país para que as “famílias” pudessem dispor de condições para estar perto dos seus filhos todo o tempo possível?

Conheço algumas pessoas a trabalhar em países consensualmente tidos como mais avançados do que Portugal, leia-se, Norte da Europa ou mesmo Costa Leste dos EUA.

Curiosamente, nesses países a Escola a Tempo Inteiro, em particular a Pública para os mais novos, não existe em muitas zonas e esse é um sinal do progresso dessas sociedades.

Porquê?

Porque existe uma efectiva protecção social à maternidade, que permite que as mães fiquem - se assim o quiserem - os primeiros anos de vida do(a)s seus(uas) filho(a)s em casa sem perda do posto de trabalho e vencimento. Porque os horários de trabalho são flexíveis, não para obrigar mães e pais a voltar a casa tardíssimo, mas para que possam recolher os seus filhos às 2 ou 3 da tarde, no máximo.

Porque se atingiram estados de desenvolvimento económico e protecção social inimagináveis para nós e que, mesmo em retrocesso, ainda estão muito à nossa frente.

Por isso, a Escola a Tempo Inteiro é apenas algo que se destina a apaziguar as “famílias” que, cada vez mais, são obrigadas a trabalhar em condições mais precárias e vulneráveis. Que não podem faltar, sob pena de perda do posto de trabalho no final do contrato. Que são obrigadas a cumprir horários incompatíveis com uma vida familiar harmoniosas. Numa altura em que, cada vez mais, as famílias são menos do que nucleares.

A Escola a Tempo Inteiro é um óptimo contributo para todos os empresários e empregadores que defendem a desregulação - pelo abuso - do horário de trabalho dos seus empregados. Se é isso que vai desenvolver o país? Abrindo mais umas dezenas de centros comerciais para as “famílias” tentarem desaguar as frustrações ao fim de semana?

Quem defende as “famílias” deveria defender, em coerência com os seus princípios, que o Estado protegesse a vida das ditas “famílias” a partir da melhoria das suas condições de vida. A defesa da Escola a Tempo Inteiro é a admissão de um fracasso, de uma derrota e não o seu contrário.

Eu, por exemplo, preferia viver num país com horários de trabalho que permitissem que os encarregados de educação dos meus alunos pudessem comparecer na escola num horário de atendimento civilizado e não em reuniões pós-laborais para todos. Gostaria de eu próprio não depender da Escola a Tempo Inteiro se o pudesse evitar.

Mas não. O Portugal Socrático, moderno e tecnológico, é um país falhado, com uma sociedade fragmentada e crescentemente fracturada e desigual. E o projecto democrático europeu dos últimos 20 anos - desde a adesão à CEE que trouxe fundos em forma de chuva grossa e os trará até 2013 - foi um projecto que falhou em tornar um país mais coeso, mais solidário, mais avançado em termos de conquistas sociais, só possíveis se o resto tivesse funcionado. Mas não funcionou. Ou funcionou apenas para alguns. Que são os que têm acesso a uma voz pública em nome do seu sucesso. E que depois palpitam sobre o tudo e o nada, sobre o que conhecem e desconhecem. Que têm serviçais para tratar das coisas chatas como ir buscar os “puto” à escola. Que só fazem por desfastio, em muitos casos.

As “famílias” comuns, essas, na sua grande maioria, podem olhar para a Escola a Tempo Inteiro como uma válvula de escape, uma almofada que amortece um maior choque da sua vulnerabilidade, mas é apenas isso mesmo, um estratagema para tornar um pouco mais suportável o que deveria ser visto como insuportável e intolerável.
A Escola a Tempo Inteiro é um projecto de sucesso se assumirmos que entre nós o Estado Social falhou irremediavelmente.
A Família a Tempo Inteiro, isso sim, teria sido uma enorme conquista e a marca do sucesso de um Portugal desenvolvido.


in Paulo Guinote
A Escola a Tempo Inteiro Como Símbolo Maior do Fracasso do Estado Social
publicado por A Educação do meu Umbigo em 17 de Novembro de 2007

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sexta-feira, novembro 16, 2007

Joseph Stiglitz - As consequências económicas do Sr Bush (4)

Desprezo pelo Mundo

Os défices orçamentais e comerciais atingiram níveis recorde sob a presidência Bush. Para falar a verdade, os défices não são em si próprios um problema. Se um empresário pede um empréstimo para comprar uma máquina, isto é uma coisa boa, não uma coisa má. Durante os últimos seis anos, os EUA - o seu governo, as suas famílias, o país inteiro - pediu empréstimos para manter o seu nível de consumo. Ao mesmo tempo, os investimentos em activos fixos - instalações fabris e equipamentos que nos ajudassem a amumentar a riqueza - foi declinando.

Qual o impacto para o homem da rua? O ritmo de crescimento dos padrões de vida nos EUA irá certamente abrandar. A economia americana pode cometer muitos abusos, mas nenhuma economia é invencível e as nossas vulnerabilidades estão à vista de todos. A confiança na economia americana afundou-se, tal como o câmbio do dólar - que perdeu 40 porcento face ao euro desde 2001.

Os desarranjos das nossas políticas económicas domésticas seguem a par das nossa políticas económicas internacionais. O Presidente Bush culpou os chineses pelo nosso défice comercial gigantesco, mas a valorização do Renminbi (RMB, moeda chinesa), apenas nos levaria a comprar mais têxteis e aparelhagem ao Bangladesh ou ao Cambodja, em lugar da China; o défice manter-se-ía inalterado. O Presidente reclama-se adepto do comércio livre, no entanto promulgou medidas de protecção para a indústria nacional do aço. Os EUA pressionaram fortemente o estabelecimento de uma série de acordos comerciais bilaterais com países mais pequenos à custa de ameaças e levando-os a aceitar toda a espécie de condições draconianas, tais como alargar o âmbito das patentes de forma abrangerem os medicamentos de que esses países tanto carecem para lutarem contra a SIDA. Pressionámos o mundo inteiro a abrir o mercado, mas impedimos a China de adquirir a Unocal, uma pequena companhia petrolífera dos EUA cujos activos se encontram principalmente fora do país.

Sem surpresa, explodiram protestos contra as práticas comerciais dos EUA em países como a Tailândia e Marrocos. Mas os EUA recusaram os compromissos - por exemplo, para abdicar dos enormes subsídios agrícolas, que distorsem o mercado internacional e prejudicam os agricultores pobres dos países em desenvolvimento. Esta intransigência levou ao colapso das negociações empreendidas para a abertura dos mercados internacionais. Como em muitas outras áreas, o Presidente Bush esforçou-se por enfraquecer o multirateralismo - a noção de que todos os países precisam cooperar - substituindo-o pelo sistema de domínio americano. Afinal, não conseguiu impôr o domínio - mas conseguiu enfraquecer a cooperação.

O desprezo primário da administração pelas instituições globais atingiu o cúmulo quando, em 2005, designou Paul Wolfowitz, antigo Secretário-adjunto para a Defesa e mentor principal da guerra do Iraque, como Presidente do Banco Mundial. Alvo da suspeição geral e cedo apanhado nas malhas de uma controvérsia particular, Wolfowitz transformou-se numa vergonha internacional e foi obrigado a demitir-se passados menos de dois anos no posto.

Globalização significa que a economia americana se tornou intimamente ligada à economia do resto do mundo. Consideremos as más hipotecas americanas. À medida que as famílias falhavam as prestações, os detentores das casas hipotecadas descobriram que apenas possuiam pedaços de papel inútil. Os originadores destes empréstimos problemáticos já os haviam vendido a outros, que os fundiram de forma não-transparente com outros valores, transferindo-os depois para terceiros não identificados. Quando o problema se tornou visível, as bolsas de valores globais sofreram abalos reais: descobriu-se que milhares de milhões de dólares em empréstimos incobráveis se encontravam escondidos em títulos accionistas na Europa, na China e na Austrália e até nos bancos de investimento exemplares dos EUA, tais como o Golden Sach e o Gear Stearns. A Indonésia e outros países em desenvolvimento - espectadores realmente inocentes - sofreram quando o índice global de risco dos investimentos subiu e os investidores sacaram o dinheiro destes mercados emergentes, à procura de paraísos mais sólidos. Demorará anos a ultrapassar esta situação.

Entretanto, tornámo-nos dependentes de outras nações para financiarmos a nossa própria dívida. Hoje, a China sozinha detem mais de 1 bilião de dólares em títulos de dívida americana públicos e privados. O valor acumulado dos empréstimos contraídos no estrangeiro pela administraçao Bush ao longo dos seis últimos anos totaliza perto de 5 biliões de dólares. É plausível que estes credores não reivindiquem o seu dinheiro - se o fizessem, desencadeariam uma crise financeira mundial. Mas há algo de bizarro e perturbador no facto de a nação mais rica do mundo não conseguir, nem de perto nem de longe, viver pelos seus próprios meios. Tal como Guantánamo e Abu Graib feriram a autoridade moral dos EUA, assim a política doméstica da administração Bush desgastou a nossa autoridade económica.

Anya Schiffrin and Izzet Yildiz colaboraram nas pesquisas para este artigo.

in
Joseph Stiglitz
The Economic Consequences of Mr. Bush
publicado por Vanity Fair em Dezembro? Novembro de 2007

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João Rato - O não-professor do ano

Burocracia

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...

in Pata Negra
O Não Professor do Ano
publicado por A Sinistra Ministra em 15 de Novembro de 2007

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quinta-feira, novembro 15, 2007

Joseph Stiglitz - As consequências económicas do Sr Bush (3)

Neste artigo, Joseph Stiglitz faz uma aplicação brilhante da teoria da Informação Assimétrica de que é co-autor, trazendo ao conhecimento do público aspectos subtis dos actos do governo - normalmente resguardados das atenções gerais - que ferem gravemente a justiça nas relações económicas, além de se tornarem factores de entrave para o desenvolvimento económico.(AF)

E então, aconteceu o Iraque

A guerra do Iraque - e, em menor extensão, a guerra do Afganistão - custou ao país um alto preço em sangue e riquezas. O valor das perdas em vidas nunca poderá ser contabilizado. Quanto às riquezas, vale a pena recordar que a administração, na sua arrancada para a guerra no Iraque, esteve relutante em fornecer uma estimativa do custo da invasão - e humilhou publicamente um conselheiro da Casa Branca, que sugeriu um valor total de 200 mil milhões de dólares. Ao ser pressionada para especificar um valor, a administração avançou 50 mil milhões de dólares - que corresponde ao que actualmente se vem gastando em poucos meses. Hoje, os números do governo reconhecem oficialmente que já se gastou no teatro acima de meio bilião de dólares. Mas, de facto, o custo global do conflito pode encontrar-se quatro vezes acima deste valor - como indica um estudo que eu próprio fiz com Linda Bilmes da Universidade de Harvard - e até o Orçamento do Congresso admite agora que as despesas totais são provavelmente duas vezes superiores às despesas operacionais. Os números oficiais não incluem, por exemplo, outras despesas relevantes escondidas do orçamento militar, tais como os custos crescentes do recrutamento, com prémios individuais de re-incorporação de 100 mil dólares; não incluem os benefícios por incapacidade ou cuidados médicos vitalícios que serão requeridos por dezenas de milhares de veteranos de guerra feridos, 20 porcento dos quais por lesões devastadoras no cérebro ou na coluna vertebral; surpreendetemente, não incluem os gastos de reposição do equipamento usado na guerra; se considerarmos também o impacto económico da carestia do petróleo e os efeitos impulsivos da guerra - por exemplo, as retracções em cadeia dos investimentos por incertezas da guerra e as dificuldades de colocação dos produtos que as empresas americanas enfrentam no estrangeiro, porque os EUA são hoje vistos como o país mais odiado do mundo, então o custo total da guerra no Iraque ascenderá, mesmo numa estimativa conservadora, a 2 biliões de dólares pelo menos. Ao que deveremos acrescentar: até à data.

Surge como natural a pergunta, Que poderíamos comprar com este dinheiro se o dedicássemos a outra finalidade? A ajuda dos EUA para o conjunto dos países africanos tem rondado os 5 mil milhões por ano, o equivalente a menos de duas semanas de despesas directas na guerra do Iraque. O presidente fez uma grande encenação quanto às dificuldades financeiras da Segurança Social, mas todo o sistema poderia ser reparado durante um século com aquilo que vertemos nas areias do Iraque. Tivesse uma pequena fracção destes 2 biliões sido aplicada em investimentos para a educação e inovação tecnológica, ou na melhoria das infra-estruturas, e o país estaria colocado numa posição económica muito mais favorável para vencer os desafios num futuro próximo, incluindo as ameaças exteriores. Por uma lasca desses dois biliões conseguiríamos garantir acesso à educação superior a todos os americanos habilitados.

A subida dos preços do petróleo está claramente relacionada com a guerra do Iraque. Nem se trata tanto de constatar se a guerra foi a culpada, antes de verificar em que medida o foi. Até parece incrível lembrarmo-nos hoje do que foi sugerido por funcionários da Casa Branca antes da invasão, de que as receitas do petróleo do Iraque pagariam completamente a guerra - Não fomos generosamente recompensados pela guerra do Golfo de 1991? - e, pior ainda, de que a guerra constituiria o melhor meio de garantir os preços baixos do petróleo. Retrospectivamente, verificamos que os únicos grandes vencedores da guerra foram as empresas petrolíferas, as firmas fornecedoras da Defesa e al Caeda. Antes da guerra, as estimativas dos analistas do mercado apontavam para uma establização dos preços a vigorar num período aproximado de três anos consecutivos na faixa dos 25 a 30 dólares por barril. Os accionistas já esperavam uma subida da procura por parte da China e da Índia, mas previam que esse aumento estava coberto pelo aumento da produção do Médio Oriente. A guerra estragou os cálculos, não tanto por ter esmagado a produção no Iraque - o que efectivamente fez - mais porque agudizou o sentimento geral de insegurança na região, anulando investimentos futuros.

A obstinada fixação no petróleo, mau grado o preço, ilustra mais um legado desta administração: a sua incapacidade em diversificar as fontes energéticas do país. Deixemos de lado as razões ambientais que aconselham a abandonar os hidrocarbunetos - até porque o presidente nunca se mostrou convictamente adepto. Os argumentos de natureza económica ou de segurança nacional haveriam de ser bem ponderados para as opções tomadas. Ao invés, a administração prosseguiu a sua política de exaurir primeiro a América - ou seja, adquirir tanto petróleo ao estrangeiro quanto possível, tão depressa quanto possível, com tanto desprezo pelo ambiente quanto possível, deixando o país numa futura dependência do petróleo importado ainda maior e alimentando a ilusão de que a fusão nuclear ou outro milagre qualquer chegará um dia para nos socorrer. Tantas foram as prendas depositadas no sapatinho das empresas petrolíferas pelo presidente no seu programa energético de 2003 que John McCain se referiu a este como Nenhum lobista será esquecido.

Anya Schiffrin and Izzet Yildiz colaboraram nas pesquisas para este artigo.

in
Joseph Stiglitz
The Economic Consequences of Mr. Bush
publicado por Vanity Fair em Dezembro? Novembro de 2007

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Falta grave

O Sr Ministro da Saúde facilitou um mês, trinta dias para que a Ordem dos Médicos adaptasse o seu código deontológico à nova realidade legislativa do aborto;
que considera esse acto médico como uma falta deontológica grave;
enquadrando a participação dos médicos na sua prática dentro de determinados condicionalismos de natureza excepcional;
os quais, na douta opinião do ministro, são manifestamente ultrapassados pelos novos condicionalismos decorrentes da legislação que a sua efémera maioria parlamentar traduziu em forma de lei;
ou melhor dizendo, pela falta de condicionalismos que reduzem o aborto a um acto que sai mais barato ao cidadão anónimo do que o IVA que é chamado a desembolsar para adquirir um simples preservativo;
e que pode libertar o estado das manifestações inconvenientes à porta dos tribunais de cada vez que há uma queixa resultante da prática do aborto clandestino;
o qual nos termos da nova lei não deixa de existir, uma vez que ela continua a ilegalizar (por enquanto...) a prática do aborto depois das dez (ou serão doze?) semanas.

Se o Sr ministro está assim tão preocupado com o código deontológico da Ordem dos Médicos, tem bom remédio: não se inscreva nessa associação de criminosos fora da lei.
Cá estaremos para assistir aos próximos episódios.
Da efémera maioria parlamentar.

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quarta-feira, novembro 14, 2007

Pergunta indiscreta ao Dr Victor Constâncio

Senhor Presidente do Banco de Portugal

Os seus camaradas da administração da RTP já concluiram o inquérito ao jornalista José Rodrigues dos Santos: a despedir por justa causa.
Será que o senhor doutor já concluiu a investigação sobre os perdões de dívida concedidos pelo BCP a Filipe Jardim Gonçalves?
A bem da equidade social
Com os meus melhores cumprimentos

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terça-feira, novembro 13, 2007

Parabéns Pai

[António Ferrão]
Não é todos os dias que o nosso mais activo blogger, além de querido pai e avô, festeja o seu aniversário :)

Brent Goff - How much bang can you get for your buck?

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segunda-feira, novembro 12, 2007

Alda Lara - Dois poemas

Acácias rubras
Acácias rubras - Benguela
Alda Lara encantou a minha adolescência com a sua subtileza de linguagem, a sua finura de trato. Para mim, jovem, envolvia-a um mistério, pois faleceu a dar à luz o seu quarto filho, em Cambambe, Angola. Os filhos que lhe conheci praticavam as suas traquinices, na Chimboa, onde viviam com seu pai e madrasta. Perto ficava a Ganda e a sua Serra de 2000 m, em cuja base eu vivi com meus pais, na mesma fazenda que eles.
Esta é uma pequena homenagem a uma presença tão forte na minha vida.

São apenas 2 poemas que sempre apreciei.

No Google pode-se pesquisar a sua vida em vários sítios.
(M.R.)

PRESENÇA AFRICANA


E apesar de tudo,
ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a irmã-mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto!…

- A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul…
A do dendém
nascendo dos abraços
das palmeiras…
A do sol bom,
mordendo
o chão das Ingombotas…
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas…

Sim!, ainda sou a mesma.
- A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11…Rua 11…)
pelos negros meninos
de barriga inchada
e olhos fundos…

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias…

E eu revendo ainda
e sempre, nela,
aquela
longa historia inconseqüente…

Terra!
Minha, eternamente…
Terra das acácias,
dos dongos,
dos cólios baloiçando,
mansamente… mansamente!…
Terra!
Ainda sou a mesma!
Ainda sou
a que num canto novo,
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu Povo!…

Alda Lara

TESTAMENTO


À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,

Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

Alda Lara

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eu sou o guilherme ferrao

este é o meu primeiro artigo
e gosto deste site
eu tenho 7 anos e já estou no 3º ano
faço anos no ultimo dia do ano
nasci no ano 1999
espero poder escrever mais vezes

Joseph Stiglitz - As consequências económicas do Sr Bush (2)

O próximo presidente terá de lidar com mais um legado estropiado de George W. Bush: a economia. Joseph Stglitz antecipa que a recuperação seja empreendimento para uma geração inteira.

O estrondo da bancarrota

Com um soberano desprezo pelas regras mais básicas da justiça fiscal, a administração continuou a reduzir os impostos até quando enveredou por novos e dispendiosos programas e embarcou na ruinosa guerra de eleição com o Iraque. De um excedente orçamental de 2,4 porcento do produto nacional bruto (PNB) com que foi brindado à chegada, Bush passou a um défice orçamental de 3,6 porcento do PNB em quatro anos. Os EUA não haviam passado pela experiência de uma inversão desta amplitude desde a crise da Segunda Guerra Mundial.

Os subsídios para a agricultura duplicaram entre 2002 e 2005. Os encargos públicos - o vasto sistema de subsídios e regalias ocultas na legislação fiscal - aumentaram mais do que um quarto.
As reduções de impostos para os amigos do presidente na indústria petrolífera atingiram valores de muitos milhares de milhões de dólares. Sim, nos cinco anos subsequentes ao 11 de Setembro de 2001, as despesas militares também aumentaram (cerce de 70 porcento), se bem que a maior parte desta despesa adicional não tenha de todo sido aplicada na Guerra ao Terror, antes delapidada ou alienada a firmas privadas em missões falhadas no Iraque. Entretanto, outros fundos continuaram a escoar-se como habitualmente em armas de fancaria que, ou não funcionam, ou se destinam a inimigos que não temos. Em síntese, o dinheiro foi gasto por todo lado menos onde era necessário. Ao longo dos últimos sete anos a porcentagem de gastos em investigação aplicada a sectores além da defesa e saúde caiu. Pouco se fez para manter as infra-estruturas - fossem os diques de Nova Orleães ou as pontes de Mineápolis. Recairá sobre o próximo ocupante da Casa Branca reparar os estragos.

A política de concessões no domínio da saúde, ainda que conduzida contra os que dela mais necessitavam, sofreu o maior aumento em quatro décadas - através do irreflectido programa de benefícios para as receitas médicas, arquitectado tanto como armadilha eleitoral como dádiva à indústria farmacêutica. Como mais tarde os documentos internos vieram a revelar, o conhecimento dos verdadeiros custos deste programa foi sonegado ao Congresso. No meio tempo, as companhias farmacêuticas receberam favores especiais. Para terem acesso aos novos benefícios, os doentes idosos ficaram impedidos de adquirir medicamentos mais baratos no Canadá ou noutros países. A lei também proibiu o governo dos EUA, o maior comprador singular de medicamentos, de negociar com fabricantes para manter os preços baixos. Como resultado, os consumidores americanos pagam pelos medicamentos muito mais que as pessoas em qualquer outro país desenvolvido.


Ainda se ouve alguns - e o próprio presidente, ruidosamente - alegar que as reduções dos impostos se destinavam a estimular a economia, mas isto nunca foi verdade. Tanto barulho por uma ninharia (*): o montante de estímulo por cada dólar de défice foi espantosamente baixo. Assim, o verdadeiro trabalho de estímulo à economia ficou entregue aos cuidados da Reserva Federal, que carregou ao fundo no acelerador fazendo descer os juros de empréstimo ao nível sem precedente histórico de 1 porcento. Em termos reais, se se considerar o efeito da inflacção, os juros de empréstimos ficaram negativos em 2 porcento. Como seria de esperar, o resultado foi um disparo do consumo sem pudor. Por outras palavras, o exemplo de irresponsabilidade da política de Bush encorajou a irresponsabilidade de todos os demais. O crédito foi distribuido às pazadas e as hipotecas de risco médio ficaram ao alcance de todos os que respiravam. No Verão de 2007, as dívidas dos cartões de crédito já descambavam nos 900 mil milhões de dólares. Qualificado por nascença tornou-se o mote da era Bush. Os americanos proprietários de casas tiraram partido dos juros baixos, subscreveram mais umas tantas hipotecas com juros iniciais de brincadeira e dirigiram-se à cidade à procura de mais oportunidades.

Todas estas despesas fizeram a economia parecer que melhorava durante algum tempo; o presidente pôde - e fê-lo - tregivesar as estatísticas económicas. Porém, as consequências tornaram-se evidentes para muitas famílias em poucos anos, quando os juros de empréstimo subiram e o retorno das hipotecas se mostrou impossível de concretizar. Certamente que, nas previsões do presidente, o dia do ajuste de contas só deveria acontecer algures para lá de 2008. Chegou porém 18 meses mais cedo. O número de americanos que deverão perder as suas casas nos próximos meses aproxima-se de um milhão e setecentos mil. Para muitos, tal representará a arrancada para uma espiral rumo à pobreza.

Entre Março de 2006 e Março de 2007 o ritmo de falências individuais sofreu um aumento acima dos 60 porcento. À medida que as famílias faliam, um número crescente delas passou a distinguir entre quem foram os vencedores e quem foram os perdedores dos custos da bancarrota empreendida pelo Presidente em 2005, o que tornou ainda mais penosa a satisfação dos compromissos de forma sensata. As firmas de crédito que haviam pressionado as reformas foram os claros vencedores, tenho ganho no processo capacidade de acção e protecção adicionais para os seus investimentos; os que acabaram por enfrentar o esgotamento financeiro apanharam as canas.


(*) the bang for the buck

in Joseph Stiglitz
The Economic Consequences of Mr. Bush
publicado por Vanity Fair em Dezembro? Novembro de 2007

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domingo, novembro 11, 2007

Kalinka

Oi, Tónio, prefiro o kalinka...

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Joseph Stiglitz - As consequências económicas do Sr Bush (1)

O próximo presidente terá de lidar com mais um legado estropiado de George W. Bush: a economia. Joseph Stglitz antecipa que a recuperação seja empreendimento para uma geração inteira.
Quando um dia olharmos retrospectivamente para o desastre que foi a administração Bush, lembrar-nos-emos de várias coisas: da tragédia do Iraque, da vergonha de Guantânamo e de Abu Graib, da erosão das liberdades civis. Os danos infligidos à economia americana não fazem hoje os títulos dos jornais, porém as suas repercursões estender-se-ão muito para além da vida de qualquer um que leia esta página.

Já posso ouvir os irritados descrentes. O Presidente não conduziu os Estados Unidos da América (EUA) para uma recessão ao longo dos seus quase sete anos de governo. O desemprego estabilizou no nível repeitável de 4,6 porcento. Muito bem! Só que o outro lado do balanço geme de exaustão: uma política de impostos hediondamente desiquilibrada a favor dos ricos; uma dívida externa que terá crescido provavelmente 70 porcento à data em que este presidente se retirar de Washington; uma cascata galopante de erros nas hipotecas; um desiquilíbrio da balança comercial próxima de 850 mil milhões de dólares; preços do petróleo mais altos do que já alguma vez estiveram; finalmente, um dólar tão fraco que o simples acto de pagar um café em Londres ou Paris - ou mesmo no Canadá (Yukon) - tornou-se um exercício financeiro complicado para os americanos.

Pior ainda. Após quase sete anos de presidência, os EUA encontram-se menos preparado do que alguma vez estiveram para enfrentar o futuro. Não instruímos engenheiros e cientistas suficientes, pessoas de que iremos precisar para competir com a China ou com a Índia. Não investimos nos sectores fundamentais da investigação, aqueles que nos colocaram no lugar de destaque nos finais do século XX. Embora o Presidente compreenda agora - ou assim o declara - que devemos apartar-nos do petróleo e do carvão, de facto tronámo-nos mais dependentes de ambos durante o seu mandato.

Até à data, a voz corrente apontava Herbert Hoover, cujas políticas agravaram a Grande Depressão, como o detentor do título de pior presidente americano na categoria de desempenho económico. Só quando Franklin Roosevelt assumiu a presidência e inverteu as políticas de Hoover pode o país começar a recuperar. Os efeitos económicos da presidência de Bush são ainda mais devastadores que os de Hoover, mais difíceis de ultrapassar, e plausivelmente manifestar-se-ão por tempo mais prolongado. Não há ameaça de que os EUA venham a perder a sua posição de economia mais rica do mundo. Mas os nossos netos estarão ainda a viver, ou a debater-se, com a reparação das implicações económicas das políticas do Sr Bush.

Lembram-se do superavit?


O mundo era um lugar bem diferente, falando em economia, quando Gearge W. Bush assumiu o poder em Janeiro de 2001. Na ensurdecedora década de 1990, muitos pensaram que a Internet iria transformar tudo. Os ganhos de produção, que se haviam situado em média nos 1,5 porcento no período que se estendeu dos anos 70's até aos anos 90's, aproximavam-se agora dos 3 porcento. No segundo mandato de Bill Clinton alguns ganhos de produtividade na indústria chegaram mesmo a ultrapassar os 6 porcento. O Presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, anunciou a chegada de uma Nova Economia caracterizada por ganhos de produtividade contínuos na mesma medida em que a Internet rompia as velhas formas de fazer negócio. Outros foram mesmo ao ponto de anunciarem o fim dos ciclos de negócio. Greenspan interrogou-se mesmo, alto e bom som, como conseguiria ele gerir a política monetária quando a dívida externa estivesse totalmente paga.

Esta tremenda confiança colocou o índice Dow Jones em níveis cada vez mais altos. Os ricos estiveram bem, mas também os não-tão-ricos e até os menos pobres. Os anos de Clinton não constituíram o Nirvana económico; como encarregado na altura do Conselho de Consultores Económicos do Presidente, eu próprio me apercebi de erros e oportunidades perdidas. Os acordos globais de comércio que pressionámos eram muitas vezes injustos para os países em vias de desenvolvimento. Deveríamos ter investido mais em infra-estruturas, exercido um controlo mais apertado na regulação do mercado das seguradoras e avançado mais na promoção da poupança de energia. Ficámos aquém das expectativas por motivos políticos, por falta de dinheiro e também, para sermos francos, porque interesses particulares condicionaram por vezes a agenda mais do que deveriam. Ainda assim, a expansão destes anos permitiu que o défice estivesse controlado pela primeira vez desde Jimmy Carter. Foi também a primeira vez desde os anos 70's que os rendimentos da base da pirâmide social cresceram acima dos rendimentos do topo - um marco que merece celebração.

Por alturas em que George W. Bush se preparava para o juramento, parte deste quadro brilhante começou a esmorecer. A explosão tecnológica acabou. O índice Nasdaq caiu 15 porcento num único mês de Abril de 2000 e ninguém soube ao certo qual o efeito do colapso da bolha da Internet na economia real. Estávamos num momento propício para a economia Keynesiana, no tempo certo para dar o impulso decisivo gastando mais dinheiro na educação, na tecnologia e nas infra-estruturas - tudo quanto a América necessitava desesperadamente, tal como ainda necessita, tendo porém a administração Clinton preferido adiar a favor da eliminação do déficit. Bill Clinton ofereceu ao Presidente Bush as condições ideiais para prosseguir estas políticas. Lembram-se, nos debates presidenciais de 2000 entre Al Gore e George Bush, de como ambos os candidatos teceram considerações sobre a melhor forma da América gastar os 2,2 biliões de dólares de superavit? O país bem podería tinha os recursos necessários para reforçar os investimentos domésticos nas áreas chave. De facto, se o tivéssemos feito, travaríamos a recessão a curto prazo, ao mesmo tempo que impulsionaríamos o crescimento a longo prazo.

Porém a administração Bush tinha outras ideias. A primeira iniciativa económica importante perseguida pelo Presidente foi um corte maciço dos impostos dos ricos, que entraram em vigor em Junho de 2001. Aqueles com rendimentos superiores a 1 milhão de dólares viram os seus impostos reduzidos em 18 mil dólares - mais do que trinta vezes superior à redução concedida em média a todos os americanos. Este desiquilíbrio foi ainda ampliado por um segundo corte dos impostos, em 2003, uma vez mais beneficiando largamente os ricos. Estes cortes nos impostos, quando estiverem totalmente implementados e caso se tornem permanentes, representarão uma redução média para os americanos com redimentos abaixo dos 20 porcento nacionais próximo dos 45 dólares, enquanto para aqueles com rendimentos superiores a 1 milhão de dólares, a factira dos impostos terá sido reduzida em cerca de 162 mil dólares.

A administração alega que a economia cresceu - cerce de 16 porcento - nos primeiros seis anos, porém este crescimento beneficiou principalmente aqueles que não precisavam de ser ajudados e não beneficiou aqueles que precisavam muito de ser ajudados. Uma maré crescente levantou todos os iates. A desigualdade alarga-se agora na América e a um ritmo nunca visto em três quartos de século. Um jovem adulto à volta dos trinta anos tem hoje um rendimento, ahustado à inflacção, que se situa 12 porcento abaixo daquele que o seu pai auferia quando completou trinta anos. Cerca de 5,3 milhões de americanos adicionais engrossaram as fileiras daqueles que vivem na pobraza desde que Bush se tornou presidente. A estrutura de classes na América ainda não chegou lá, mas está a caminho da do Brasil e dos México.


in Joseph Stiglitz
The Economic Consequences of Mr. Bush
publicado por Vanity Fair em Dezembro? Novembro de 2007

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sábado, novembro 10, 2007

Coro do Exército Vermelho - Poljuschka polje

Post dedicado.

Por ocasião dos 90 anos da Grande Revolução de Outubro.(AF)








A propósito, a entrada na Wikipedia com a letra em russo.
...

A crença na propriedade privada



Repare-se, por exemplo, na crença da propriedade privada - crença nascida originariamente com a família patriarcal e que consiste no direito que cada homem supõe ter relativamente ao produto do seu próprio trabalho, ou o direito que ele foi capaz de obter naquilo que conquistou pela espada. Apesar da antiguidade e diminuição de poder destas origens remotas da crença na propriedade privada e apesar do facto de nenhumas novas origens serem apontadas, a grande maioria da humanidade tem uma profunda e indiscutível crença nestas inviolabilidades, devidas am grande parte ao tabu que resulta das palavras não roubarás. É certo que a propriedade privada é uma herança da era pré-industrial, quando um indivíduo ou uma família podiam fazer qualquer produto por suas próprias mãos. Num sistema industrial um homem nunca faz o todo de qualquer coisa, mas antes a milésima parte de um milhão de coisas. Nestas circunstâncias, é totalmente absurdo dizer que um homem possui um direito relativamente ao produto do seu próprio trabalho. Considerai um carregador numa estação, cuja ocupação é carregar e descarregar comboios de mercadorias: que proporção de mercadorias carregadas pode representar o produto do seu trabalho? A questão é totalmente impossível de resolver.

Deste modo, é impossível assegurar a justiça social dizendo que cada homem deve possuir o que ele próprio produz.

Os primeiros socialistas antes de Marx sugeriram isto como uma cura para as injustiças do capitalismo, mas as suas sugestões foram a um tempo utópicas e retrógradas, desde que se tornaram incompatíveis com a indústria em larga escla. É, por conseguinte, evidente que a injustiça do capitalismo não pode ser sarada enquanto a inviolabiliade da propriedade privada for reconhecida. Os bolcheviques observaram isto e, por consequência, confiscaram todo o capital privado para uso do Estado. Foi por terem recusado a crença na inviolabilidade da propriedade privada que a perseguição contra eles foi tão grande. Mesmo entre os socialistas declarados, há muitos que sentem um estremecimento de horror ao pensar na expulsão dos homens ricos das suas casas, para darem lugar aos proletários. Tais sentimentos instintivos são difíceis de vencer, por razões óbvias. Os poucos homens que conseguem isto, tais como os chefes bolcheviques, têm de enfrentar a hostilidade do mundo. Mas com a criação actual de uma ordem social que não tenha em vista somente os malefícios tradicionais, está-se mais habilitado a destruir tais malefícios nos espíritos vulgares do que o que pode ser feito num século de propaganda teórica. Creio que se mostrará, quando, na devida altura, os homens observarem as coisas na sua verdadeira proporção, que o principal serviço prestado pelos bolcheviques assenta na sua recusa prática da crença na propriedade privada, crença que não existe, de modo algum, somente entre ricos e constitui no momento presente um obstáculo ao progresso fundamental - e um tão grande obstáculo, que unicamente a sua destruição tornará possível um mundo melhor.

in Romeu de Melo:
O Pensamento de Bertrand Russel, Selecção de textos
publicado por Editorial Presença, Lda, LISBOA, 1966

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Iraque - Mercenários em maus lençóis



A subserviência do governo do Iraque aos desígnios de Washington não vai ao ponto o fazer apreciar o estatuto de imunidade que os EUA pretendem para os seus mercenários.(AF)




República do Iraque
Ministério do Interior
Agência Ministerial de Informação e Investigações Nacionais
Departamento Geral de Assuntos Técnicos
Quartel-General de Registo e Avaliação de Companhias de Segurança Privadas
Ofício nº: 973
Data: 1º de Novembro de 2007

Para: todas as Companhias de Segurança Privadas
Assunto: Supressão da imunidade legal


Conforme directivas do Conselho de Ministros relativas às mudanças da imunidade legal a todas as companhias estrangeiras privadas de segurança, as quais passam a ficar sob a alçada da lei iraquiana.
Queira considerar em todas as suas missões futuras e transmitir ao seu pessoal. Para sua informação, todos os departamentos de segurança do Iraque já estão informados. O MNF confirmou que serão empreendidas todas as acções legais contra os violadores no futuro. Incluindo a assinatura dos vossos passaportes e a instrução Jinsseya que torna legal a vossa residência no Iraque. O violador ficará sujeito às penalizações previstas na lei do Iraque.

Col
O Director doDepartamento Registo e Avaliação de Companhias de Segurança Privadas


Cópias:}Para informação e tomada das devidas providências... com respeito.
PSCAI
PSC


PSC=Private Security Company


Fonte: New Law May Spell End To Iraq Contractors
publicado por CBS News a 10 de Novembro de 2007

Mais crimes de mercenários americanos nesta acta de audiência do Congresso dos EUA.

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Terrorismo de Estado em Portugal

Portugal não é um país onde as leis são para cumprir.

As leis só são para cumprir, quando correspondem às convicções de certos governantes, e /ou se pretendem aplicar a certos governados.
Quando o primeiro ministro deseja impor a lei do aborto à região autónoma da Madeira, que até votou contra o aborto, fica-lhe mais bonito dizer que "é preciso aplicar a lei" do que dizer que "vais ter que fazer o aborto, nem que seja à força".
Mas na realidade há aquelas leis que são para cumprir, e há aquelas que não são para cumprir, pelo menos por todos.

O decreto-lei nº 77/99, de 16 de Março, está a ser violado pelo menos desde 2002, com pleno conhecimento do estado, e o estado recusa-se a impor a aplicação da lei.
O caso já foi ao primeiro-ministro, depois de ter passado por todas as capelinhas, e ontem recebi mais uma resposta negativa.
Diz aquela lei, que uma empresa imobiliária, não pode abrir nenhum balcão ao público, que não seja utilizado única e exclusivamente pela mesma empresa, isto é, não pode abrir ao público um local que seja partilhado com outrs empresas.
Ora a Predial Liz sempre teve as suas instalações partilhadas com a Liz Portuguesa, conforme se pode ver sem mais do que abrir a lista telefónica da cidade de Lisboa; nem é preciso ir lá para ver.

O artigo 16, nº 1 diz assim:
"As empresas só podem efectuar atendimento ao público em instalações autónomas, separadas de quaisquer outros estabelecimentos comerciais ou industriais e de residências, e exclusivamente afectas ao exercício da actividade de mediação imobiliária, designadas por estabelecimentos".

Com base nessa transgressão, aquela quadrilha Predial Liz /Liz Portuguesa adquire o direito de cobrar a mediação imobiliária duas vezes: uma ao proprietário, para publicitar o negócio, e outra ao comprador ou arrendatário, para concretizar o negócio.
Para procurar o cliente, a Predial Liz cobra ao proprietário do imóvel; e para alugar a casa, a Liz Portuguesa cobra três meses de renda, sendo dois para o senhorio e um para a empresa. Se o cliente repara que foi à procura da Predial Liz, e passaram-lhe um recibo da Liz Portuguesa, eles dizem que "isso é a mesma coisa".
Entrando deste modo em concorrência desleal com as imobiliárias que respeitam a lei, e permitindo-se com a cumplicidade do estado, explorar em proveito próprio um direito fundamental que se encontra consagrado na constituição, que é o direito à habitação.

Se posso pensar que a dupla cobrança beneficia o cobrador, também posso admitir que o que se passa é que os próprios governantes se estão a abotoar com a ilegalidade.
E posso não só pensar como afirmar isso mesmo, a partir do momento em que dei conhecimento da situação às autoridades, e elas se recusam a aplicar a lei.

O nosso primeiro ministro, sente-se no direito de verbalizar nas Nações Unidas, que é contra a pena de morte.
E eu como cidadão e contribuinte, sinto-me no direito de verbalizar que prefiro ser abatido de uma vez pela ETA, do que passar a vida a ser comido aos poucos, por gatunos que se escondem atrás do aparelho do estado.

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quinta-feira, novembro 08, 2007

Fausto Bordalo Dias - "O que a vida me deu"

Fausto Bordalo Dias
Oi Fausto! O que a vida te deu, o que a vida me deu, o que a vida nos deu! É sempre uma surpresa, ninguém sabe o que nos sai na rifa. Mas não nos podemos queixar.
Gosto dos teus poemas e melodias e não me esqueço das serenatas que tu, e outros colegas nossos do Liceu de Nova Lisboa, nos fazias, às raparigas do lar. Não podíamos abrir as janelas, pelo regulamento, mas toda a gente espreitava e ouvia, deleitada.
Nunca tive oportunidade de te agradecer, nem no baile de finalistas, creio. Faço-o agora. Sorrio ao lembrar-me da alegria que nos proporcionaste.
Obrigada Fausto. (M.R.)

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Som - Lusofonias
Imagem - Obvious

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M. Grynbaun e P. Goodman - Afundam-se o mercado e o dólar e eleva-se o receio do abrandamento

DolarO artigo merece ser lido integralmente. Aqui reproduzo (em português) um excerto. Na parte não traduzida é evidente outro facto: que o valor do trabalho se deprecia, tal como as matérias primas.(AF)
As acções em bolsa chumbaram (plummeted) e o dólar afundou-se num novo recorde face ao euro ontem, quando os investidores em todo o mundo se assustaram com a nova subida de preço do petróleo conjugada com um abrandamento significativo da economia dos Estados Unidos da América (EUA).

O indicador industrial médio Dow Jones caiu 360 pontos e o conjunto das acções do mercado mais geral desceu 3 porcento, quedas que acentuam o receio de que os problemas provocados pelo mercado imobiliário se prolongarão para bem dentro do próximo ano, contribuindo para prejuízos adicionais no mercado dos créditos e espalhando o medo pelos restantes sectores da economia. Após um Verão relativamente forte, prevê-se que os gastos dos consumidores se reduzam e que os lucros dos negócios abrandem nos próximos meses, segundo os analistas.

Pressentimos através dos nossos clientes que os EUA se encontram numa grande aflição, disse Erik Nielsen, economista principal da Goldman Sach.

A subida dos preços do petróleo, que foi negociado por momentos a 98 dólares o barril - estacionando depois a 96,37 - está aparentemente a arrastar a subida do preço da gasolina, assim como dos combustíveis para aquecimento e para a aviação. Isto só faz subir os receios de que os consumidores americanos não consigam continuar a suportar as suas despesas noutros bens e serviços, especialmente nos veículos de alto consumo de gasolina que continuam a ser fabricados pelos industriais deste ramo em Detroit.

A razão próxima que desencadeou a venda de dólares ao desbarato, segundo os negociadores, foi o sinal áspero de que a China se preparava para trocar uma parte das suas enormes reservas em divisas estrangeiras - avaliadas acima de 1,4 biliões de dólares em que predominam o dólar e moedas fixadas ao dólar - para outras divisas de maneira a garantir melhor retorno.

Somos favoráveis a divisas mais fortes e iremos reajustar-nos em conformidade, disse Cheng Siwei, vice presidente da Comissão Permanente do Congresso Nacional Popular, durante uma conferência que teve lugar em Pequim na quarta-feira. Por outro lado, o director adjunto de um banco chinês, Xu Jian, afirmou que o dólar estava a perder o seu estatuto de divisa mundial, segundo relato da Bloomberg News.

O Sr Cheng afirmou mais tarde aos repórteres que não havia estipulado que a China poderia comprar mais euros e deixar cair o dólar. Contudo, no momento em que os mercados europeus se abrem, estas palavras ressoam como um convite para vender moeda americana.

O dólar caiu para o seu nível mais baixo relativamente ao dólar canadiano desde 1950, relativamente à libra britânica desde 1981, e ao franco suisso desde 1955. O euro subiu a um novo recorde de 1,4729 - antes de se retrair.

Ainda que as reacções às declarações chinesas possam parecer desproporcionadas, os analistas são da opinião de que as forças que minam o dólar e as acções em bolsa são mais amplas e profundas: a incerteza quanto à extensão da crise do crédito das hipotecas imobiliárias, bem como a convicção que se vai firmando de que, mais cedo ou mais tarde, as revelações do mercado das casas americanas venham a manchar o conjunto da economia.

As últimas semanas foram pródigas em incidentes desagradáveis para os principais bancos cotados na Wall Street, com muitos milhares de milhões de dólares a deslizarem das folhas de balanço por prejuízos no mercado imobiliário. Contudo, os investidores suspeitam que maiores dores estão para vir, sem que consigam precisar quanto ou quando, dada a complexidade da teia de aranha que envolve os negócios financeiros responsáveis pela bolha das casas.

in MICHAEL M. GRYNBAUM and PETER S. GOODMAN
Markets and Dollar Sink as Slowdown Worry Increases
publicado pelo The New York Times em 8 de Novembro de 2007

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quarta-feira, novembro 07, 2007

O reverso da medalha

Volto-me para o quadro, de giz na mão, atentamente, para seguir o fio condutor da minha exposição, sempre preocupada com o melhor desempenho possível... sempre preocupada com os meus jovens, que sinto quase meus filhos, na ânsia de eles apreenderem o máximo de modo a poupar tempo... querendo que eles todos tenham êxito, mais tarde, na vida... que eles a sintam leve, que compreendam melhor o mundo em que os puseram...

- pois, a quantidade de movimento... é uma grandeza vectorial porquê?
...escrevo uma expressão matemática, aguardo uma resposta... e ela veio, sim, mas não a que esperava! TRÁS! e TRÁS! Um som arrepiante.

Volto-me e vejo dois matulões de 17 anos, maiores do que eu, em pé, em posição de ataque, um deles com a cara toda vermelha, resultado do bofetão recebido...
Digo qualquer coisa, e mais outra, procuro acalmar-me porque a eles era impossível.
Consegui que saíssem. Não oiço mais nada... "Drª, Drª, deixe-me ir lá fora, que eles ainda se matam"... entendi.
Estas palavras longínquas fazem-me retornar ao local de que faço parte. Deixei sair.
-Sabe? foram uns papéis que o X atirou ao Y!
E eu pesada , letárgica, não consegui perceber ... aquilo não era motivo.
-Saiam todos, por favor.

Retiro um papel qualquer, esboço uma participação, marco 2 faltas disciplinares e fico parada a pensar que ninguém me respondeu à questão colocada:
-A quantidade de movimento é uma grandeza vectorial porquê?

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Naica - Cristais de gesso

Os maiores cristais do mundo situam-se em cavernas imensas no México.

Ainda por explorar completamente, muito já foi descoberto e fotografado. Aqui pode ver-se como o nosso tamanho não é assim tanto...
Os cristais de gesso são prismáticos, exfoliáveis, fibrosos e de brilho sedoso. A sua composição química é de sulfato de cálcio dihidratado e pode ser riscado com a unha.
O alabastro é uma variedade opaca de grão fino enquanto que a selenite desfaz-se em folhas incolores e transparentes.
O gesso pode ter brilho vítreo, pérola ou sedoso. As suas tonalidades dependem das impurezas que contem: incolor, acinzentado, amarelado, rosado ou acastanhado.

Encontra-se em regiões vulcânicas ricas em vapores sulfurosos que, misturados com o cálcio de depósitos salinos, se combinam com ele formando o sulfato de cálcio.
É também comum como ganga de filões metálicos.

No fabrico do gesso corrente, o mineral é moído e aquecido até 200 ºC .
Posteriormente, ao misturar-se com água, absorve-a lentamente, endurecendo. É usado como material de construção e decoração de interiores.
Misturado com argila serve como fertilizante.
O alabastro pode ser torneado para fins ornamentais.

in Dana - Hurlbut, Manual de Mineralogía, Editorial Reverté,S.A. Barcelona, MCMLXII.

Vejamos o pps que nos dá uma ideia real das Cuevas de Naica:

NaicaCrystalCave%28RudiSchwark%29.pps
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Prémio Blogue visitante

Correspondendo à menção do nosso mais assíduo visitante, chegou a nossa vez de nomear aqueles que nos visitam. Alguns ajustes foram necessários: como os blogues não nos visitam, referimos os nomes ou pseudónimos das visitas. Por visitas, entendemos aqueles que venceram as barreiras psicológicas que antecedem a escrita de um comentário, pois outra métrica não possuimos. Algumas visitas têm mais do que um blog. Dentro do possível, escolhemos aquele em que detêm uma participação mais forte. Incluimos apenas os que inscreveram mais do que um comentário nos últimos sete meses. Embora estejamos igualmente agradecidos a todos os restantes, mesmo os que nunca escreveram qualquer comentário. A lista segue a ordem decrescente do número de comentários.








1espumanteESPUMADAMENTE
2MoriaeIAOEOAI
3Maria LisboaPágina em branco
4Paulo SempreFilhos de um deus menor
5LaurentinaMarginal Nzambi
6Paulo G.Educação do meu umbigo
7alonsiiL'ARBRE DE LES 1000 MUSIQUES
8Rogerio Leite da Silvavermelho vivo

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