quarta-feira, janeiro 23, 2008

Joseph Stiglitz - Como travar a crise

Joseph StiglitzA economia americana está dominada pelo abrandamento. Que sobrevenha uma recessão (três trimestres consecutivos de crescimento negativo) é menos importante que o facto de a economia estar a funcionar bem abaixo do seu potencial e o desemprego estar a subir. O país precisa de um estímulo, mas como qualquer coisa que façamos irá aumentar o nosso já elevado défice é importante que consigamos tanto proveito quanto possível das despesas. O pacote ideal de medidas conterá uma de efeitos rápidos junto com outras que poderão conduzir a um aumento de despesas mas apenas no caso de a economia continuar a afundar-se.

Deveremos começar por reforçar o sistema de segurança para o desemprego pois o dinheiro recebido pelos desempregados será gasto imediatamente.

O governo federal deveria também oferecer alguma assistência aos estados ou localidades que já estão a ser afectados pela degradação da pobreza. Normalmente a resposta é cortar nas despesas mas isso levaria a uma desestabilização. A ajuda federal deveria revestir a forma de financiamento para a reconstrução de infra-estruturas cruciais.

Ajuda federal adicional deve ser canalizada para os orçamentos na educação do estado pois isso reforçará a economia a curto prazo e promoverá o crescimento a longo prazo, tal como acontecerá se se investir nas medidas de poupança de energia e na redução das emissões. Levará algum tempo a implementar programas bem delineados nestas áreas, porém o actual abrandamento parece que irá permanecer por mais tempo que os anteriores num passado recente. Os preços das casas ainda têm um longo caminho a percorrer até que atinjam níveis normais e, se os americanos começarem a poupar mais do que costumam fazer, o consumo poderá permanecer baixo por algum tempo.

A administração Bush há muito se convenceu que a redução de impostos (especialmente os que afectam os ricos) são solução para todos os problemas. Isto está errado. A redução de impostos, em geral, tende a perpetuar o consumo excessivo que caracterizou a economia americana. Mas os americanos de rendimentos médios ou baixos têm sofrido nos últimos sete anos; o rendimento médio das famílias é hoje mais baixo que no ano de 2000. Uma redução incidindo sobre os rendimentos médios ou baixos faz sentido, especialmente porque produziria efeitos imediatos.

Algo terá que ser feito para parar as execuções de hipotecas e aqueles que foram vítimas de esquemas predatórios de endividamento deveriam ser protegidos por meio de legislação adequada para poderem continuar a viver nas suas casas, pois isso estimulará a economia. Porém, não se deve apostar demasiado neste sentido. Caso o fizéssemos acabariam por ser os investidores a ganhar e estes são precisamente aqueles que menos precisam de ajuda dos contribuintes.

Em 2001, a administração Bush usou a eminência da recessão como argumento para reduzir os impostos dos americanos de maiores rendimentos - o mesmo grupo que se saiu tão bem no último quarto de século. Estas reduções não foram concebidas para estimular a economia e o seu resultado nessa direcção foi marginal. Para viabilizar a economia, a Reserva Federal viu-se obrigada a reduzir a taxa de juros sobre os empréstimos para níveis sem precedentes e depois olhar para o lado enquanto a América se enchia da empréstimos imprudentes. A economia segurou-se com dinheiro emprestado e com tempo emprestado.

Chegou o dia de prestar contas. Agora é que precisamos de um estímulo a sério. A questão é: porão o Presidente e o Congresso a política de parte para fazer o trabalho?

Joseph Stiglitz in
How to Stop the Downturn
publicado por The New York Times em 23 de Janeiro de 2008

Também publicado por Der Spiegel

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