quinta-feira, janeiro 24, 2008

Société Generale - Trapaça gigantesca

Societe Generale

O Banco francês Société Generale anunciou ter descoberto uma fraude gigantesca, provocada por um trapaceiro, de que resultou um prejuízo de 4,9 mil milhões de euros.

O banco acrescentou que a fraude se baseou em transacções simples, mas foi oculta por meio de tecnicas diversificadas e sofisticadas.

Também anunciou novos prejuízos de 2,05 mil milhões de euros devido à crise dos créditos de alto risco dos Estados Unidos.

As acções do banco, que foram suspensas durante a manhã, sofreram uma queda de 3,6% quando voltaram a ser negociadas.

A Société Generale esclareceu que um traficante cometeu o que foi designado por posições fraudulentas de grande envergadura durante os anos de 2007 e 2008, ultrapassando a sua competência.

A fraude é uma réplica extraordinária de uma outra cometida pelo trapaceiro Nick Leeson, que levou ao colapso do banco Barings em 1995, disse o correspondente da BBC para a área de negócios Nils Blythe.

Só que os prejuízos descobertos pelos patrões do Barings ascenderam apenas a 1600 milhões de euros ou seja, cerca de um quarto daquilo que perdeu a Société Generale.

Negócio secreto

O banco, um dos maiores de França, precisa de novos capitais no valor de 5,5 mil milhões de euros para se recompor do prejuízo.

Mas garantiu que, ainda assim, terá um lucro de 600 e 800 milhões de euros em 2007, apesar do rombo na sua folha de balanço.

O banco acrescentou que o negociante possuía conhecimentos profundos dos procedimentos de controlo, adquiridos durante uma antiga posição que deteve num departamento bancário.

As transacções fraudulentas eram simples - incidindo sobre subidas de acções - mas camifladas por técnicas extremamente diversificadas e sofisticadas, disse o director executivo Daniel Bouton num carta dirigida aos clientes do banco.

O banco acrescentou que o traficante confessou a fraude e foi demitido. Os seus chefes abandonarão também o banco.

Lamento mas não compro a ideia de que um traficante possa empreender um 'negócio secreto' de 4,9 mil milhões de euros sem que alguém seja capaz de o descobrir, disse Ion-Marc Valhi do banco Amas.

Frederic Hamm, fundador do Agilis Gestion, crê que a fraude tem impacto na reputação do banco.

O Sr Bouton colocou o lugar à disposição, mas a administração rejeitou o pedido de demissão.

Richard Fuld, presidente do Lehman Brothers, disse ao correspondente da BBC em Davos que nada me espanta, nada me surpreende verdadeiramente nos dias que passam.

Acontecimento sem precedentes

Os prejuízos do banco afectaram gravemente os ganhos em 2007.

A companhia irá apresentar os resultados a 21 de Fevereiro próximo, tendo já anunciado que espera um lucro entre 600 a 800 milhões de euros.

As acções da Société Generale caíram 50% nos últimos seis meses.

A Société Generale irá também aumentar o capital em 5,5 mil milhões de euros para reforçar o seu activo.

Entretanto, outro banco francês, o BNP Parisbas disse que não detectou perdas que justificassem qualquer alerta para o mercado.

Gilles Glicenstein, director executivo do BNP Paribas, deixou entender que faltam peças de informação para se compreender o que se passou na Sociéé Generale.

Dada a amplitude da fraude, deve haver uma explicação complexa ... para a Société Generale, isto é um acontecimento sem precedentes, acrescentou.

O Sr Glicenstein disse também que estas não eram boas notícias para os bancos em geral, pois podem lançar dúvidas.

Noutros tempos, este tipo de notícias era escondido, porém hoje há uma tendência para revelar tudo e talvez seja revelando tudo que se consiga refazer a confiança, disse.

O primeiro-ministro francês, Francois Fillon, disse que a Société Generale tomou medida sérias para lidar com a situação.

Reparei que o Banco de Fraça informou que não há razão para nos preocuparmos com a saúde da Société Generale e estou satisfeito com isso, acrescentou.

Fonte: Rogue trader to cost SocGen $7bn,
publicado por BBC News em 24 de Janeiro de 2008

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