sexta-feira, abril 18, 2008

Ana Paula Lavado - Vozes do Vento

(rosa de porcelana -Angola)


Quando te disse
Que era da terra selvagem
Do vento azul
E das praias morenas...
Do arco-íris das mil cores
Do Sol com fruta madura
E das madrugadas serenas....

Das cubatas e musseques
Das palmeiras com dendém
Das picadas com poeira
Da mandioca e fuba também...

Das mangas e fruta pinha
Do vermelho do café
Dos maboques e tamarindos
Dos cocos, do ai u'é...

Das praças no chão estendidas
Com missangas de mil cores
Os panos do Congo e os kimonos
Os aromas, os odores...

Dos chinelos no chão quente
Do andar descontraído
Da cerveja ao fim da tarde
Com o Sol adormecido...

Dos merenges e do batuque
Dos muquixes e dos mupungos
Dos imbondeiros e das gajajas
Da macanha e dos maiungos.

Da cana doce e do mamão
Da papaia e do caju...

Tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!"




Ana Paula Lavado
In Vozes do Vento

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7 Comentários:

At 02:14, Blogger O Diário da Cunsseissom disse...

Olá
Sou Ana Paula Lavado, e gostaria de expessar o orgulho que senti em ver uma poesia minha publicada no vosso blog.
Apenas queria fazer uma correcção, pois esta poesia não pertence ao livro «Vozes do Vento», que foi publicado no ano passado, mas sim ao livro «Um Beijo Sem Nome» que ainda não se encontra publicado.

 
At 00:05, Blogger roger disse...

Olá Paula Lavado. Seja de que livro for é bonito.
Conheci em tempos alguem quase com o teu nome (falta-lhe a "paternidade")que adorava poesia.
Sejas quem eu penso ou não, parabéns.

 
At 17:05, Blogger A.C. disse...

Adorei ouvir esse sentimento...

Parabéns!.

 
At 12:59, Blogger jim disse...

Ana Paula,

Os meus parabéns pelo sentimento e força que esse trecho consegue transmitir. Se as editoras não forem sensíveis a isso... então, andam todos a dormir!

kandandu.

mad.

 
At 18:49, Blogger Fotografia disse...

Boa Tarde...

Há uns tempos atrás, enviado "via e-mail" por um amigo angolano, tive a oportunidade de conhecer o Poema da minha conterrânea, Ana Paula Lavado, "Sou da mesma terra que tu" e adorei tanto, que as lágrimas quase não me deixavam ler o final.
Já o li e reli inúmeras vezes.

Além de angolano, tenho uma paixão imensa pela fotografia e no próximo dia 11SET será inaugurada a minha II Exposição de fotografia, sob o tema "Angola... contrastes, trajes e tradições" e gostaria de colocar à entrada da galeria, um mapa de Angola, com esse poema inserido nele.
Queria pedir permissão à autora, para esse facto e ao mesmo tempo trocar impressões sobre Angola.

Como poderei obter o contacto de Ana Paula Lavado?

Os meus telefones são: 964496604 ou 913991604 e ainda o e-mail: jacsmarques@gmail.com

Um abraço fraterno.

José A. Silva Marques

 
At 17:03, Blogger Ana disse...

Lindo amei, o teu poema Ana Paula, eu sou do mesmo país que o teu. nasci em Benguela em 1965 e estou em portugal com a minha família desde 1975, já lá vão 35 anos mas ainda sinto saudades da minha Benguela não sei como ela está. Mas continuo a amá-la com a mesmo força que me lembro nos tempos de criança que lá passei. Tenho um filho de quase 18 anos e não vou morrer sem o levar a conhecer o País mais lindo do mundo " Angola" e a melhor e mais bela cidade do mundo " Benguela", parabéns os teus poemas fazem-me reviver tudo isso. Bem hajas mulher de Angola e do mundo. Um Beijinho de uma contêrrania saudosa. Nita

 
At 14:46, Blogger Nuno Faria DA disse...

Embora não posso dizer que somos da mesma terra, sinto uma enorme ligação com as fortes palavras que caracterizam todo um país e uma cultura. Cultura essa que me é transmitida através da família do meu pai.

Quando acabei de ler este poema perguntei-me, " Como posso eu sentir saudades de um país em que nunca estive?"
Ao que parece é possível.

Parabéns pelas belas palavras e obrigado!

 

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