quinta-feira, abril 17, 2008

Manuel Resende - Basta de especulação, basta de crises!

Recebido por email de Carlos Júlio

Stop-finance

Caros amigos:

Surgiu em França um movimento para combater ao mesmo tempo a dominação da finança no capitalismo contemporâneo e o Tratado de Lisboa. É um movimento liderado essencialmente pelos economistas de esquerda (todas as tendências) que participaram na iniciativa pelo não ao projecto de Constituição Europeia. Creio que, neste momento, é uma iniciativa muito útil. Estão a tentar reunir, a nível internacional, o maior número possível de assinaturas até Junho.

O sítio web é o seguinte:

Spéculation et crises : ça suffit!

Pode assinar-se a petição.

Fiz uma tradução em português, que é a seguinte:

«Basta de especulação, basta de crises!

A desregulamentação da finança destrói as sociedades: destrói­‑as silenciosamente, dia a dia, quando os accionistas fazem pressão sobre as empresas, isto é, sobre os assalariados, a fim de extraírem deles maior rentabilidade, tanto nos países do Norte como nos do Sul; destrói­‑as à vista desarmada, com grande ruído, nas crises agudas em que se revelam brutalmente os inverosímeis excessos da cupidez especulativa e os seus ricochetes sobre a actividade económica e o emprego. Desemprego, precariedade, aumento das desigualdades: os assalariados e os mais pobres estão condenados a pagar os custos tanto da especulação, como dos danos que dela resultam.

Desde há duas décadas, a evolução da finança mundial mais não é do que uma longa série de crises: 1987, craque da bolsa; 1990, crise imobiliária nos Estados Unidos da América, na Europa e no Japão; 1994, craque obrigacionista americano; 1997 e 1998, crise financeira internacional; 2000-2002, craque da “nova economia”; e, por fim, 2007-2008, crise imobiliária e talvez crise financeira global.

Porquê tal repetição? Porque foram abolidos todos os entraves à circulação dos capitais e à «inovação» financeira. Quantos aos bancos centrais, que deixaram engordar a bolha financeira, não têm outra solução senão acorrer em auxílio dos bancos e dos fundos especulativos com falta de liquidez.

Não vamos esperar a próxima crise de braços cruzados, nem suportaremos mais as extravagantes desigualdades propiciadas pela finança de mercado. É que, sendo a instabilidade inerente à desregulamentação financeira, como poderão os irrisórios apelos à «transparência» e à «moralização» mudar seja o que for – e impedir que as mesmas causas venham a produzir os mesmos efeitos? Pôr cobro a isso­ pressupõe que se intervenha no cerne do «jogo», isto é, que se transforme radicalmente as suas estruturas. Ora, na União Europeia, toda e qualquer transformação vem a chocar­‑se com a incrível protecção que os tratados acharam por bem conceder ao capital financeiro.

Assim sendo, nós, cidadãos europeus, pedimos:

- a revogação do artigo 56.º do Tratado de Lisboa, que, proibindo toda e qualquer restrição aos movimentos desses capitais, proporciona ao capital financeiro todas as condições para exercer um domínio esmagador sobre a sociedade.

Pedimos ainda:

- a restrição da «liberdade de estabelecimento» (art. 48.º) que dá ao capital a oportunidade de se deslocar para onde as condições lhe são mais favoráveis, permitindo às instituições financeiras encontrar asilo na City de Londres ou noutro sítio qualquer.

Se, por «liberdade», há que entender a liberdade de as potências dominantes (hoje encarnadas na finança) reduzirem o resto da sociedade à servidão, digamos imediatamente que a não queremos: preferimos a liberdade dos povos, a liberdade de viverem livres da servidão da rentabilidade financeira.»

Manuel Resende

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1 Comentários:

At 19:02, Blogger Jorge Ferrão disse...

Uma visão muito interessante e perspicaz. Vou assinar.

 

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