domingo, maio 25, 2008

Paradigma para uma economia sustentável

Uma economia sustentável deve basear-se num paradigma totalmente distinto, mais especificamente, no paradigma dos seres vivos. As coisas vivas são, por natureza, auto-produtoras, auto-renováveis, reprodutivas e regenerativas. As plantas têm a capacidade de capturar, organizar e armazenar a energia solar, tanto para dar suporte a outros organismos vivos como para compensar a energia que inevitavelmente se perde em entropia. As coisas vivas também têm uma tendência natural para reproduzir-se dentro da espécie. Os humanos, por exemplo, dedicam muito tempo e esforços para o crescimento das famílias, com bem pouco incentivo económico para esse efeito. Está claro que a vida de um indivíduo isolado não é sustentável pois cada coisa viva acaba, eventualmente por morrer. Porém, as comunidades e as sociedades de coisas vivas possuem claramente a capacidade e a propensão natural para serem produtivas, dado que canalizam uma parte significativa das suas energias vitais na concepção e alimentação da geração seguinte.

As relações entre os sistemas vivos saudáveis caracterizam-se por serem mutuamente benéficas e têm, por isso, uma natureza selectiva. Todos os seres vivos são contituidos por células e cada célula está contida numa membrana selectiva ou semi-permeável. Esta menbrana semi-permeável mantém algumas coisas dentro deixando escapar outras, de igual modo que mantém algumas coisas fora deixando entrar outras. Também as coisas vivas são definidas pelas suas fronteiras - pele, casca ou escamas, - que, selectivamente, permitem a diversas subastâncias - ar, água, alimentos, desperdícios - entrar ou sair do corpo. Se estas fronteiras fossem totalmente permeáveis ou impermeáveis o organismo seria incapaz de vida, logo incapaz de produzir ou de se reproduzir.

Os mesmos princípios se aplicam aos sistemas sociais: ecosistemas, famílias, comunidades, economias e culturas. As relações entre os diversos componentes de um mesmo ecosistema saudável são, por natureza, de benefício mútuo. Porém, os humanos dispõem de escolha nas suas relações com a Natureza ou com os outros homens, logo, estão obrigados a fazer uma opção consciente e propositadamente selectiva. As pessoas têm que empenhar a sua vontade para escolher e para manter as boas relações com as outras pessoas e têm que optar por cuidar da Terra, não apenas para seu próprio benefício, como para benefício das gerações futuras.

O Capitalismo não oferece incentivos económicos para sustentar a vida na Terra, porém os homens dispõem da capacidade inata e da tendência natural para o fazer. Ao longo de toda a História da Humanidade, as pessoas preferiram viver em famílias, em comunidades e sociedades à vida em isolamento, até mesmo quando, no curto prazo, não era do seu interesse pessoal fazê-lo. Ao longo de toda a História da Humanidade as pessoas desenvolveram um sentido de respeito e reverência para com a Terra e tentaram cuidar dela, mesmo quando não dispuseram de incentivos para o fazer.

in Is Capitalism sustainable?
publicado por Small Farm Today Magazine,
Missouri Farm Publications, Clark, MO.
November-December 2006.

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