sexta-feira, junho 20, 2008

Sociedade Portuguesa de Matemática versus GAVE

Provas de Aferição
Resposta ao director do GAVE



As declarações que o Director do GAVE fez a propósito do parecer da Sociedade Portuguesa de Matemática sobre as recentes provas de aferição são inexactas e infelizes.

O tom é totalmente inadequado, não dignifica ninguém e não o mantemos. Estão em discussão duas provas concretas, às quais é necessário fazer reparos. Segundo o Jornal de Notícias, citando a Lusa, o Director do GAVE acusa as nossas críticas de "levianas", dando a entender que a SPM não detém o "conhecimento técnico indispensável".

Repudiamos em absoluto. A Sociedade Portuguesa de Matemática tem a competência para criticar rovas de matemática, fá-lo ponderadamente e tem todo o direito de o fazer.

Mantemos que "os enunciados contêm um número exagerado de questões demasiado elementares" (sublinhado do parecer). Vejam-se, por exemplo, a questão 18 da prova do primeiro ciclo e as questões 8 e 16 da do segundo ciclo. O comentário do Director do GAVE dá a entender que nunca, em circunstância alguma, poderia haver questões demasiado elementares, mas apenas questões de dificuldade variável. Discordamos, como é óbvio.

Este aspecto é muito importante, pois com provas tão fáceis, o Ministério está a desautorizar o esforço dos professores que têm insistido com os seus alunos na necessidade de dominar bem o cálculo, o raciocínio e os conceitos matemáticos. Estas provas não apoiam a exigência escolar nem fazem justiça ao esforço de professores e alunos.

As nossas críticas podem ser ouvidas, segundo o que diz o Director do Gave, mas não é verdade, em geral, que sejam tomadas em conta. Temos insistido na necessidade de provas fiáveis, comparáveis de ano a ano, mas o ministério não o tem querido, sabido ou decidido fazer. Temos insistido na necessidade de as provas serem mais exigentes e isso não tem acontecido. Temos insistido na necessidade de estabelecer mais exames, e isso não tem ocorrido.

Finalmente, temos de esclarecer que, apesar de nos termos sempre disposto a colaborar com o GAVE em todos os aspectos para que somos solicitados, não temos qualquer responsabilidade na concepção ou no grau de dificuldade de nenhumas provas. Neste particular, o único aspecto em que temos colaborado — e apenas em algumas provas, que não estas — é na correcção de possíveis erros científicos. A nossa colaboração com o Ministério, que mantemos e manteremos sempre que solicitada, não pode significar a restrição da discordância.

O Gabinete do Ensino Básico e Secundário
da Sociedade Portuguesa de Matemática


publicado pela Sociedade Portuguesa de Matemática
a 22 de Maio de 2008

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