quarta-feira, julho 16, 2008

As férias e eu

The Sea - by Arlene Graston The sea - Arlene Graston
No primeiro dia de férias vou acordar com uma sensação de vazio e farei uma pergunta já repetida a mim própria:" e agora, o que vou fazer?"

A pressão diária a que todos estamos sujeitos permanentemente, a urbanidade que nos é imposta, os horários obrigatórios, os esquemas que temos que cumprir diariamente, como se de uma lista de supermercado, farmácia,etc., se tratasse, embrutece-nos, não nos deixando espaço para a criatividade fora do plano em que estamos inseridos. Podemos ser criativos nesse plano mas, as nossas outras potencialidades são reprimidas, quase esquecidas. E não só, muitas necessidades intelectuais e afectivas são simplesmente ignoradas por nós por não se encaixarem no esquema... E isto tudo em nome do progresso, da organização da sociedade!

O que é mais grave é que estamos a introduzir as crianças e os adolescentes neste modo de viver, neste remoinho de actividades diárias, cortando-lhes a possibilidade de estarem simplesmente sem fazer nada, momentos durante os quais novas ideias poderiam surgir, fora do contexto traçado.

Estamos a transformar-nos em autómatos de que se exige um desempenho eficaz e dentro das normas!

Não é por acaso que cerca de 24 milhões de pessoas de 107 países tomam Prozac no intuito de conseguirem um equilíbrio psicológico, ainda que precário, para conseguirem desempenhar os papéis que deles se espera.

São cortadas as nossas raízes ( com a migração ) e o contacto com a Natureza de que fazemos parte integrante. Muitos nem querem ouvir dizer que fazemos parte de uma teia invisível que une todos os seres: vivos e inanimados. Não querem saber que quando um fio dessa teia se parte, todo o conjunto fica fragilizado e se ressente!

Os rituais religiosos, os familiares ou de grupos de pertença têm sido banidos a ponto de muitas pessoas se questionarem sobre a sua própria identidade! O individualismo sobrepõe-se ao colectivismo e, sem saberem porquê, elas encontram-se sós, profundamente isoladas.

O retorno à Natureza, ao equilíbrio com ela, far-se-á um dia mais tarde, depois de acontecerem grandes convulsões sociais, desde que não se percam as linhas dos valores e conhecimento humano.
Mas é importante que nos demos conta do que está a acontecer e agirmos sempre de modo a contrariar as tendências estupidificantes de uma globalização acéfala cujo fim principal é o da exploração da mão-de-obra disponível e frágil por não reconhecer o seu próprio valor e porque a miséria ainda impera.

No meu 1º dia de férias vou ficar sem fazer nada, a ouvir-me a mim própria, a relembrar as minhas origens e os ensinamentos que recebi. É o mesmo que dizer que vou fazer uma reunião com os já ausentes também, que foram importantes na minha vida.
E já agora, por que não?, tentar pôr em ordem os meus próprios objectivos!
Depois... acho que vou passear como toda a gente...

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4 Comentários:

At 21:46, Blogger Jorge Ferrão disse...

Dantes não se tomava prozac porque não existia. Bebia-se vinho para acalmar ou "ganhar força". Agora com o balão da polícia mais vale prozac. Há quem fume um cigarrinho, há quem jogue futebol com os amigos para poder gritar bem alto uns palavrões. Enfim... acho que sempre existiu prozac.
No primeiro dia de férias eu vou... ressacar.

 
At 01:05, Blogger Moriae disse...

Excelente texto, Magda!
bjinho,
M.

 
At 10:24, Blogger Hurtiga disse...

Bom texto de reflexão!

Mas...

"No primeiro dia de férias vou acordar com uma sensação de vazio e farei uma pergunta já repetida a mim própria:" e agora, o que vou fazer?"

Era exactamente isto que eu sentia quando comecei a trabalhar.

Agora, no primeirodias de férias sei sempre que irei fazer qualquer coisa, nem que essa qualquer coisa seja exactamente nada!

 
At 19:04, Blogger Magda Nieto Reprezas disse...

Obrigada a todos os comentaristas!
Só tentei expressar o que sinto quando paro a lufa-lufa em que ando com exigências cada vez mais apertadas e sem sentido. Este M.E. transformou a classe docente numa burocrática e suga-nos até ao último minuto de disponibilidade. De facto, Lurdes Rodrigues não está interessada no melhor desempenho dos professores. Está objectivamente a tentar quebrar-lhes a coluna vertebral e os alunos que se danem... aliás, ela só quer mesmo que eles passem, tenham ou não aprendido algo...

 

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