quarta-feira, setembro 10, 2008

A democracia defende-se nas escolas

(Imagens do Público de 10 de Setembro de 2008)

Fatima GomesFrancisco Santos
Isabel SantosMauricio Brito
Olinda GilPaulo Guinote

Com o início do ano lectivo, em cada nova reunião, os campos vão-se demarcando. Face a uma ofensiva governamental que procura estilhaçar a dignidade dos professores e criar obstáculos para que a escola funcione, sempre há os que procuram, na nova situação, somar dividendos. Começam já a mostrar as unhas, porém, a voz sai-lhes embargada pela natureza inconfessa dos objectivos, senão mesmo pela incerteza dos resultados. Facilmente se exaltam, perdem as estribeiras. As suas hipóteses assentam na sua capacidade de se transformarem em retransmissores do medo. O mesmo medo, muito medo, que Maria de Lurdes Rodrigues tem tentado espalhar pelas escolas. Só que não gozam, como ela, do conforto de um quartel-general, estão expostos às duras vicissitudes do campo de batalha, onde todas as dúvidas são legítimas. Como tanta papelada burocrática, visivelmente, só pode retirar disponibilidades para a dedicação às aulas, essas dúvidas, além de legítimas, são muitas, entre os professores. Cada dúvida transforma-se numa bala no caminho dos adesivos. Não há, no mundo, inteligência suficiente para harmonizar o trabalho de um professor com o papel de burocratas a tempo inteiro em que o ministério os quer ver reduzidos. Logo, a voz destas caixinhas de ressonância embarga-se em justificações esfarrapadas, ou altera-se num insulto ou gritaria. Quem por aí decide caminhar, já dispensou o uso da inteligência algures pelo caminho. Esse é o sinal claro, melhor mesmo, o sinal esperado, por quem não baixou os braços e resolveu aceitar o combate. É o prelúdio da vitória, pois esta, como outras batalhas políticas, será vencida somente com inteligência. É a altura para baixar o tom de voz e falar muito devagarinho, acentuando a pertinência do ponto em dúvida e a necessidade do seu cabal esclarecimento, sempre com sentido naqueles outros professores, que são muitos, que anseiam por vislumbrar uma luz no fundo do túnel. Naqueles muitos que ainda não se atreveram a exprimir qualquer opinião, mas que estão expectantes quanto ao rumo dos acontecimentos. Com eles, existe uma sólida base de confiança para derrotar a asfixia da escola engendrada por este governo. É preciso acreditar nisso, pois não há heróis, quando muito o despertar de uma consciência mais ampla do que cada um é capaz de fazer para melhorar a sua sorte profissional.
A gigantesca máquina governamental procura espalhar a confusão sobre a real situação. Ignora que os portugueses tomam os professores entre as classes profissionais mais prestigiadas, enquanto os responsáveis governamentais rastejam no lugar dos lanternas vermelhas na escala de credibilidade. Criam apaniguados para dar uma falsa imagem dos anseios dos pais dos alunos. Distorcem estatísiticas e, pior ainda, distorcem mecanismos administrativos para condicionar os resultados a miragens estatísticas pré-definidas. Abusam da demagogia, ao apelidarem os críticos das suas mistificações de gabinete de vulgares cínicos, que só se comprazem com o desaire educativo. Tudo isto com a máxima impunidade que o desigual acesso aos meios de informação permite. Aos professores cabe hoje desfazer todos esses equívocos. Defendendo a sua profissão, defendem também as aspirações dos alunos e as esperanças dos portugueses. Não será uma tarefa fácil. Não devem, porém, sentir-se sozinhos. Há muitos que acompanham essa luta. Eu estou entre eles.


Zeca Afonso: Os eunucos
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Som: Voz do seven

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2 Comentários:

At 23:24, Blogger josé manangão disse...

Este DESgoverno, quer fazer do ensino um grande aviário, onde os professores são os tratadores e os alunos os pintos.
O que é preciso é que fiquem frangos rápidamente, a qualidade pouco importa.
Este Partido (Socialista)é o tal que não queria o Socialismo de miséria...Lembram-se?

 
At 09:04, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Ena!
Tive a visita de um poeta. Bemvindo.

 

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