quinta-feira, setembro 18, 2008

Ecos de uma bomba ideológica

A palavra capitalismo já vai aperecendo muito timidamente, porém muitos continuam a resguardar-se atrás de eufemismos como mercado livre ou economia de mercado. Respeitamos, as formulações exactas como foram publicadas. A seu tempo, lá descobrirão o resto que já foi dito por Karl Marx no século XIX.
Por outro lado, manifesta-se uma tendência preocupante dos salvíficos monopólios em preferir os negócios directamente com o Estado, em vez de cada um dos eleitores individuais. É mais fácil convencer políticos corruptos sobre a excelência e "interesse social" dos seus produtos ou serviços.
(AF)

Ron Chernow

Historiador
Receio que o governo dos EUA tenham ultrapassado a linha de não-retorno. Estamos perante a ironia de uma administração do mercado livre tomar medidas que a maior parte da administrações liberais democráticas nunca teriam tomado, nem nos seus mais negros pesadelos.Ron Chernow

Mario Monti

Ex-director da Comissão Anti-trust da CE
Mario MontiOs adversários do mercado livre na Europa e não só têm agora a excelente oportunidade de invocar o exemplo dos EUA. Dirão que até no farol da economia de mercado, os EUA, a prática contradiz os seus princípios fundamentais. É a primeira vez que isto acontece no coração do capitalismo, o que tem efeitos muito mais devastadores para a credibilidade da economia de mercado.

Bernard Carayon

Jurista do governo francês
As decisões políticas tomadas hoje nos EUA demonstram a necessidade do patriotismo económico. Congratulo-os por isso. Para os evangelistas do mercado, esta é uma lição dolorosa. As economias nacionais entraram numa era em que haverá muito mais regulação e em que os sectores público e privado se embrenharão muito mais.Bernard Carayon


The New York Times, Abroad, Bailout Is Seen as a Free Market Detour,
18 de Setembro de 2008

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2 Comentários:

At 20:21, Blogger Ana Camarra disse...

Ferrão

É pena que se demore tanto tempo a constatar o obvio!

Não é?

beijos

 
At 22:26, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Olá Ana

Emquanto se tratou de pintar a realidade económica com cores neoliberais, digo, artificiais, foram-se servindo à grande e à francesa. Agora, os factos ganharam força suficiente para estilhaçar as veleidades intelectuais desses pobres de ideias. Cést la vie.

Bjs

 

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