terça-feira, setembro 23, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século

O autor começa por identificar correctamente o que se deve entender por "laços transatlânticos", expressão tão cara ao bovino Luis Amado, ao ex-salazarista recentemente convertido aos encantos da democracia Adriano Moreira e outros acéfalos: subjugação dos interesses nacionais aos interesses dos EUA. Também se percebe, embora não esteja explícito, a incapacidade dos prestimosos empresários adoptarem uma política de defesa dos interesses nacionais. Este extenso artigo, porque permite entender o papel da Alemanha na actual União Europeia, onde ainda pontifica o caceteiro Durão Barroso, será aqui traduzido integralmente. Esta a primeira parte. (AF)

Um projecto para o novo século na Europa

Para uma parte importante dos alemães ainda parece indecente que o seu Estado possa ter "interesses", apesar de ser notório que na Alemanha estão instalados muitos interesses estrangeiros. Talvez por isso se discuta entre nós com tanto entusiasmo os direitos humanos e a libertação da burka. Tendo em mente o contexto histórico - o período que vai de 1939 a 1945 e a consequente subjugação da soberania nacional alemã até 1990 - é compreensível que o seu enfeudamento e vassalagem ao Ocidente, aquando da confrontação entre os blocos, bem como os aspectos particulares da política de segurança nela constantes, tenham deixado à Alemanha pouca margem de manobra para formular e implementar uma política mais conforme aos seus próprios interesses. O gigante económico alemão (Oeste) optou por se identificar até ao absurdo com a submissão ocidental sob o lema da "comunidade de valores transatlânticos" - situação que prevalece até hoje. Para tanto, os Estados Unidos da América (EUA) prestaram - no seu próprio interesse, bem entendido - uma contribuição determinante, atribuindo indiscriminadamente a responsabilidade do passado nazi a todos os alemães, e a obrigação de retribuirem aos EUA a disponibilidade para reintegrar a Alemanha na comunidade internacional. Eis porque a tentativa de Willy Brandt, empreendida no interesse dos alemães, de reequilibrar as relações com o Ocidente através do reforço das relações com os vizinhos a Leste RDA e União Soviética, despertou tanta desconfiança em Washington. Mais tarde os EUA aperceberam-se que a "abertura a Leste" poderia facilitar uma evolução no sentido que se verificou em 1990, abrindo uma oportunidade de afirmar o seu domínio sem precedentes na História, como superpotência hegemónica mundial. Ironia da História, a única tentativa empreendida pela RFA para se emancipar parcialmente da tutela dos EUA serviu exclusivamente os interesses deste último.
A geopolítica da Guerra Fria, que era relativamente simples, sofreu uma alteração fundamental. O contexto radicalmente distinto que o procedeu foi caracterizado pela perda do equilíbrio estratégico entre o Ocidente e o Oriente, pelo processo de unificação europeia, pela mundialização crescente da economia e das comunicações, assim como pela entrada em cena de novos centros de desenvolvimento económico, capazes de exercer uma influência significativa nas relações internacionais. A situação gerada tem a ver com as iniciativas dos EUA, pois a política praticada pelo governo desse país deu cobertura, quando necessário inclusivé pela força bruta. A política e a economia europeia, pelo contrário, remeteu-se a uma atitude defensiva, resguardando-se num alinhamento tácito sob os interesses transatlânticos em vez de tomar a ofensiva contra os ditames da estratégia da segurança nacional dos EUA, cujas origens remontam à queda do bloco de Leste, vidé: "Rebuilding America Defenses", de Paul Wolowitz.
Ora, este comportamento teve, sobre as economias europeias e alemãs, efeitos negativos, como ilustram numerosos factos dos últimos anos.

(continua)

Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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