segunda-feira, setembro 15, 2008

Porque razão a dívida da França não será reembolsada

Nota à margem: seria muito interessante observar como o paladino do "interesse geral acima das classes" (representado pelo Governo), o distinto Vital Moreira, se pronunciaria sobre este caso de manifesta subserviência política dos interesses dos cidadãos à lógica privada. Se não fosse demais, pretender que tão primorosa figura desviasse um pouco a sua atenção dos professores ou do sindicalismo, aos quais só consegue referir-se nestes tempos repetindo as ladainhas que foi repescar ao corporativismo de Salazar. (AF)

Já ouviu falar do artido 104 do Tratado de Maastricht? Se não for o caso, o melhor é interessar-se pelo assunto. Passou despercebido pelos meios de informação, e contudo não data de ontem...

Este artigo - treasnformado em artigo 123 do Tratado de Lisboa - estipula que os Estados membros da Comunidade Europeia já não dispõem do direito de se endividarem junto dos bancos centrais, antes têm a obrigação de se endividarem junto dos bancos privados, suportando os juros muito elevados. Antes, os empréstimos concedidos aos países não eram sujeitos a juros, apenas o montante do empréstimo era reembolsado.
Depois, os banqueiros tomaram o controlo de grande parte da "criação de dinheiro" conluiados com personagens políticas sufragadas para nos representarem, para nos protegerem, em todos os sentidos da palavra.

Resultado: os bancos privados em questão geram lucros colossais graças aos nossos impostos! E a dívida pública não cessa de crescer inexoravelmente ao longo do tempo.

A França está sobre-endividada, ninguém o desmente (déficit oficial, 2000 milhões de euros!) Se se tratasse de uma empresa privada, há muito que estaria na bancarrota. Portanto, para tapar os buracos nas caixas, para manter a aparência desta grande, próspera e potente nação que foi outrora, a França reclama fundos à banca privada, que são obtidos imediatamente, pois o negócio é sunarento para estes credores. Não conseguindo equilibrar a balança de pagamente ano após ano, deve endividar-se novamente. Em primeiro ligar, para fazer funcionar o país; em segundo lugar, para reembolsar os empréstimos anteriores; em terceiro lugar, para pagar os juros da dívida anteriores, com uma percentagem indecente. E assim em diante... Este é um círculo vicioso infernal! Finalmente, esta anarquia gera um efeito inflaccionista nefasto.

Claro que este artigo consta do Tratado de Lisboa, ou "Tratado Simplificado". Sabeis, este tratado que nos quiseram impor a todo o custo, quer o queiramos quer não. Não perderam um segundo para tentarem desembaraçar-se desta esclada que tem aproveitado por décadas os coleguinhas dos lobbies financeiros.

No vídeo aqui citado, Etienne Chouard - durante a Conferência no Intituto de Estudos Políticos de Aix-en-Provence - explica como nos nosso dirigentes montaram este sistema financeiro que torna enxangue a economia de certos países europeus. A dívida não é uma espécie de destino, é uma consequência de políticas desastrosas. Estas foram concebidas e realizadas com o objectivo, entre outros, de enriquecer os novos senhores à custa dos cidadãos.

Penso que aqueles que ainda acreditam nos nossos dirigentes políticos - que há décadas desempenham o papel de replicadores de políticas alheias - aqueles que pensam que os nosso pdirigentes encarnam seres responsáveis e altruistas, eleitos para o bem das pessoas, para quem acredita nisso, o despertar arrisca-se a ser brutal. A democracia morreu há muito tempo, é necessário tomar conscincia disso...

http://www.dailymotion.com/video/x5swz0_maastricht-article-104_news

Aleth, 15 de Stembro de 2008

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1 Comentários:

At 14:25, Blogger neurology resident disse...

Muito bem escrito. Concordo. E já lá vão 3 anos.

 

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