sábado, outubro 18, 2008

Honório Novo - Redução da taxa de juro

Honorio Novo
Senhor Presidente
Senhores Deputados

Sem surpresa, a recente descida da taxa de juros do BCE não teve consequências sensíveis na descida da taxa Euribor. Decidida tardiamente e com valores insuficientes, os seus efeitos práticos dificilmente podiam ser outros.
Por isso o PCP entende que continua a ser fundamental que o Governo Português insista e exija novas descidas dos juros que tenham em conta as dificuldades das economias mais débeis, que potenciem um maior crescimento económico e que permitam combater o desemprego.
Mas não é só no plano europeu que se pode atenuar a dramática situação das famílias que estão literalmente afogadas pelo crescimento imparável das prestações mensais dos empréstimos à habitação.
Se o Governo e a maioria do PS quiserem há formas de descer esta factura mensal das famílias!

Senhor Presidente
Senhores Deputados

Há quase um milhão e trezentos e dez mil empréstimos à habitação em Portugal no regime geral de crédito à habitação.
Estes contratos são mais de 75% do total de empréstimos à habitação e bem mais de 80% da dívida contraída, acima de 82.000 milhões de euros!
Por causa do valor atingido pela Euribor e das margens de lucro usadas pela Banca Comercial há hoje milhares de famílias insolventes, a devolverem os apartamentos e a perderem o seu património! É possível resolver este drama, se o Governo intervier para baixar essas margens de lucro, impondo à CGD a utilização de um spread máximo de 0,5 pontos percentuais em todos os empréstimos à habitação em vigor, renegociando os seus termos sem custos nem comissões adicionais.
E não se venha aqui usar o argumento da concorrência ou do mercado! Não se venha aqui dizer que isto é impossível!
Basta para isso que o Governo imponha aos outros o que já faz consigo próprio. É que o Estado decidiu impor - e bem - uma taxa de referência no cálculo das bonificações (TRCB) que paga à banca no regime de crédito bonificado. Neste semestre ela é de 5,428% e já inclui um spread máximo imposto de 0,5 pp, não obstante esta margem ter sido contratada com o valor de 1,5 pp!
Como se vê não é impossível! Basta que o Governo "diga" à Banca Comercial que não pode cobrar aos portugueses com empréstimos à habitação margens superiores ao valor que o próprio Estado paga no regime bonificado!
Por isso, o PCP entende que é necessário o Governo determinar à Caixa Geral de Depósitos - através da sua posição accionista - a baixa da margem de lucro e a imposição de taxas de juro até ao valor da taxa Euribor mais 0,5 pontos percentuais.

Senhor Presidente
Senhores Deputados

A Caixa tem cerca de 1/3 do total dos contratos à compra de habitação. Se o spread baixar nestes contratos, toda a restante banca comercial irá também baixar as suas taxas. Se não o fizesse veria certamente os seus contratos serem transferidos para o banco público.
Com esta medida, apenas com esta medida, os portugueses veriam baixar imediatamente as suas prestações mensais: Para um empréstimo de 100.000 euros e um spread actual de 1% a poupança seria de 32 euros/mês; para um spread de 1,5% seria de 65 euros/mês; e para um spread de 2% poderia atingir quase 100 euros/mês o valor da poupança.
Se o PS quiser beneficiar mais de um milhão e 300 mil portugueses, se quiser baixar entre 30 e 100 euros os seus encargos mensais votará o Projecto de Resolução do PCP (projecto de resolução nº 390/X).
Mas se insistir em tentar salvar a economia de casino, inventando fundos de investimento para salvar os especuladores imobiliários e para dar uma mãozinha ao sector bancário, então rejeita o nosso Projecto de Resolução mas será certamente o responsável pela falência patrimonial de dezenas de milhares de portugueses."


Contudo, ainda apoiando o PCP e, considerando que a negociação real está sempre condicionada, que, as exigências, no contexto parlamentar, devem observar certa moderação, mas, assumindo como que, o governo se situa no contexto europeu para justificar as medidas que promulga e que, posteriormente, de forma invariável, se revelam lesivas para a população, pregunto:

Se, já em 2005, a taxa media de IRC, relativa à banca e, nos três anos anteriores, apresentava estes rácios,
Taxa média dos ultimos 3 anos:
Millenium BCP8,49%
CGD12,90%
BES13,67%
Totta15,04%
BPI19,50%
Que o nosso vizinho, Espanha, grava a banca, por este mesmo conceito, em trinta por cento (30%), que a Caixa geral de depósitos (CGD), hoje, nesse país, como entidade estrangeira, tem vindo a demonstrar uma expansão relativamente significativa - o que revela um investimento substancial - e que, practíca um "Spread", ou diferencial, de trinta e três pontos(0,33%), sabendo que em Portugal - onde a CGD é pública - a banca, hoje, paga, em média, doze e meio por cento (12,5%) de IRC e que, está cada vez mais aprovisionada, será dificil apoiar esta proposta do PCP? Não seria, inclusivamente, digna do nosso apoio, uma proposta de redução do "Spread" até aos trinta e cinco pontos (0,35%)?



Honório Novo, PCP propõe redução das taxas de juro no Crédito à Habitação, Partido Comunista Português, 17 de Outubro de 2008

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3 Comentários:

At 16:49, Blogger CRN disse...

Ferrão,
A partir de "Contudo, ainda apoiando o PCP...", não parece ser do camarada Honório. Porém, excelente denúncia, mais uma vez, uma entidade de capital público, serve para alimentar a corja.

A revolução é hoje!

 
At 16:53, Blogger António Chaves Ferrão disse...

CRN
Obrigado pelo reparo. Descuido meu. É parte do artigo publicado no site referenciado.
Um abraço

 
At 17:33, Blogger Elisabete Ferrão disse...

Se o Estado português estivesse realmente empenhado em proteger as famílias...

Família?!
Quem protege a família?

Família versus Lucro financeiro,
forças muito desiguais!

 

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