sexta-feira, outubro 24, 2008

Ministério da Educação - Directores pára-quedistas nas escolas

Para o consumo público ficam os bons princípios. Mas logo a seguir, trata de se desmentir, agindo em contradição com as próprias palavras. Quanto às vozes críticas, basta ir dizendo que são pessoas que não respeitam compromissos, não é assim, Drª Maria de Lurdes Rodrigues? Pois não espere dos outros, sejam o público ou os críticos, maior consideração pelas suas palavras que aquela que demonstra ser capaz através dos seus actos. Até se dissesse que o seu desejo é transformar cada director de escola num lugar apropriado para um boy (ou girl) do Partido Socialista, grangearia da minha parte, se não a anuência, pelo menos o respeito devido a quem sabe ser coerente. O que a fará, Senhora Ministra, correr por tão esconsos caminhos? Estará mesmo convencida de que todos os que escutamos as suas palavras estamos privados de discernimento? (AF)



O Presidente do Conselho Executivo, e simultaneamente Presidente do Conselho Pedagógico, não precisa ser TITULAR! Como explica isto Srª Ministra? A senhora Ministra criou esta distinção entre TITULARES e PROFESSOR! Então os Professores TITULARES não seriam aqueles que iriam desempenhar as funções de maior responsabilidade nas Escolas, um grupo altamente qualificado? Ou será que o Presidente do CE e do CP não é um cargo de responsabilidade? Como justifica que não seja necessário o título de TITULAR, se para outros cargos de menor importância, como Coordenador de Departamento ou de Directores de turma tal cargo é exigido? EXPLIQUE Srª Ministra! E quando este mesmo Presidente do Conselho Executivo tem apenas o equivalente ao antigo 7º ano (ou seja, é bacharel, depois de uma formação à distância de alguns meses)? Há TANTOS nas nossas escolas! Vai avaliar colegas com mestrados e licenciaturas? É ele que vai avaliar TODOS os colegas da Escola. Muitas vezes, para além de ter habilitação muito inferior aos avaliados, há anos que não lecciona! Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

A sinistra ministra, 24 de Outubro de 2008

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3 Comentários:

At 12:43, Blogger Francisca disse...

Realmente esta é uma das incoerências e aberrações do 75/2008. Mas, o que é facto é que pouco se fala disso, mesmo na blogosfera. Ainda não percebi porquê. Nem os sindicatos! Nem a comunicação social. Tanta entrevista que a Srª Ministra dá na C.Social, nunca ouvi um jornalista confrontá-la com esta questão. Gostava de ouvir a resposta.

Parabéns por este seu espaço e por ter aqui levantado uma questão que poucos ousam levantar.

 
At 01:52, Blogger Maria Lisboa disse...

Não é apenas essa!

Para o Conselho Geral está determinado que:
"As listas do pessoal docente devem assegurar, em termos a definir no regulamento interno, a representação adequada dos diferentes níveis e ciclos de ensino assim como da categoria dos professores titulares".

Quer isto dizer que cada agrupamento determina o nº de elementos pertencentes à "categoria de professor titular" que quer neste Conselho.

Para o Conselho Geral Transitório bastava que apenas 1 dos docentes fosse titular.

É o Conselho Geral que é o "Administrador" de toda a vida da escola. É o Conselho Geral que tem poder de decisão sobre todos os mecanismos de funcionamento da escola. É o Conselho Geral que tem poder sobre o Director! É ele que o elege e o demite ... e isto diz tudo.

Não é que me incomode que os professores ou os directores sejam titulares ou não. A titularidade não é sinónimo de competência (nem nos moldes actuais, nem nos futuros).

O que me incomoda é que se construam "hierarquias" para que não tenham significado.

O que me incomoda é a falácia da divisão da carreira, baseada numa conversa sobre mérito e importância de "ter os melhores no comando" quando tudo isso não passa de um engano para quem não sabe do que se passa nas escolas.

O que me incomoda é quie tudo isto não passou de uma mistificação social para diminuir a progressão dos professores e baixar os vencimentos à maioria pela impossibilidade de acesso a escalões superiores.

O que me incomoda é que isto apenas serve para sobrecarregar de trabalho uma meia dúzia, mais uma vez em nome "do prestígio" de um título que não me serve de nada a não ser de albarda para que melhor seja "montada".

PS: Estás bom?
De vez em quando apareço como "escrevente" (como hoje, lá no professor sem quadro ou na página em branco a semana passada por 2 vezes) mas na maioria das vezes só leio. Ando mesmo cansada, especialmente devido ao desencanto.

Com esta brincadeira deram-me um apartamento (departamento) com 7 assoalhadas (7 disciplinas) e 18 inquilinos (professores) para eu gerir. Para além disso, o "chefe" leu mal a legislação e construiu horários que não permitem a delegação de competências, o que faz com que tenha 17 profs para "observar". E como somos muito cumpridores (tudo protesta, mas preferem tomar aspirinas a tomar atitudes) já vou começar a observar esta 2ª feira.

Bjs

 
At 23:47, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Francisca
Agradeço o cumprimento, mas a questão foi levantada pelo blog colectivo A sinistra ministra.

Maria Lisboa
Fazem falta professores com a tua serenidade neste momento, pois as oportunidades são poucas e só os mais atentos reparam nelas e as divulgam. Parabéns

 

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