quarta-feira, outubro 15, 2008

Teixeira dos Santos - o Timming certo

Teixeira dos Santos

- Posso entrar?
- Claro meu caro jovem. Sente-se à vontade. Em que posso ajudá-lo?
- Diga-me Dr Teixeira dos Santos, o Sr considera-se um democrata?
- Mas é claro. Que pergunta...
- Confia então que o povo português sabe optar em consciência face aos diversos programas?
- Isso resulta de eu ser um democrata.
- Como encara a realização de um programa?
- No partido, faço sempre questão que todos tenham em consideração os dois níveis em que as questões programáticas estão divididas.
- Como?
- Já explico. Há o programa antes das eleições e o programa depois das eleições. Nunca se deve confundir uma coisa com a outra.
- É por essa razão que propõe um orçamento de Estado para 2009 com derrapagem do défice comercial, condenando os jovens de hoje ao pagamento de juros na sua vida profissional futura? Foi o que eu ouvi o Dr Medina Carreira dizer.
- Olhe, meu querido amigo. Está na hora de começar a perder a ingenuidade. Compreenda que o homem da rua não tem discernimento para avaliar essas questões técnicas. No novo timming eleitoral, aberto com a proposta de Orçamento de Estado que entreguei ontem ao parlamento, estão acautelados os factores necessários para uma futura vitória do Partido Socialista. Nós, os dirigentes do partido, pomos cada macaco no seu galho: por um lado, as elites conscientes do interesse geral. Entre nós, falamos à vontade, sabemos as consequências de cada acto que praticamos. Mas como vê, por um infeliz acaso da nossa história, temos que submeter-nos a um escrutínio de quatro em quatro anos. Isto já foi bem diferente no passado, nos saudosos tempos dessa figura ímpar que foi Salazar. Não quereria, já agora, que fôssemos confiar na capacidade de escolha de gente que não sabe ao que anda: era o que mais faltava. Infelizmente, temos que usar de subterfúgios, dizer as verdades apenas quando é conveniente.
- Sr Dr, mas actua dessa forma porque está sinceramente convencido que é o interesse geral que defende? Há quem diga que é apenas o interesse de uma clientela muito restrita do Partido Socialista ou, quando muito, dos partidos do centrão.
- Não estou a ver o ponto. Interesse geral é apenas uma expressão cómoda. A Comunicação Social tem a incumbência de difundir a imagem da defesa do interesse geral. Os ignaros devem viver no mundo da ilusão, coitados. Mas o meu caro jovem, distinto e promissor elemento da nossa elite, tem obrigação de ver mais longe. A governação é a arte de manter a populaça endividada. Só assim continuaremos a usufruir do trabalho do dia-a-dia desses acéfalos armados em eleitores.

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1 Comentários:

At 15:09, Blogger Maria Lisboa disse...

http://marialisbo.blogspot.com/2007/06/antes-e-depois-da-posse.html

Bjs

 

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