quinta-feira, novembro 20, 2008

Sobre a avaliação dos docentes em Portugal

Esta é uma reacção a quente sobre as últimas evoluções da situação. Em primeiro lugar, acho extraordinário que um problema administrativo tenha assumido proporções tais que se tenha transformado num problema político, ao extremo de exigir um Conselho de Ministros Extraordinário. Quando os problemas pequenos não são resolvidos, acabam por se transformar em grandes. A função primordial da liderança reside precisamente nisso: dirigir de modo a que tal não aconteça. Maria de Lurdes Rodrigues falhou, porque não o conseguiu evitar. José Sócrates falhou também, enquanto dirigente, porque não tirou a conclusão acertada.
Tanto um como o outro começaram repentinamente a reclamar a necessidade de diálogo. Mas passaram-se já três anos e, na hipótese de ter havido algum nível de diálogo, nunca teria sido possível mobilizar a quase totalidade de uma classe profissional de um país contra uma política. Note-se a dimensão dos acontecimentos, tão invulgar que, mesmo à escala planetária, não deve ter precedente histórico. Apostar na mesma pessoa que conseguiu esse feito histórico para conduzir um processo de diálogo é, no mínimo, uma má aposta. Maria de Lurdes Rodrigues tem limitações, como qualquer pessoa. Mas nem todos temos a mesma inconsciência para desempenhar papeis para os quais sabemos, de antemão, que não estamos suficientemenete preparados.
Não houve falta de oportunidades para alimentar o diálogo em permanência. Houve, em vez disso, uma aposta declarada no possível efeito da intimidação levada a cabo por uns tantos aspirantes a caciques espalhados pelas escolas.
A cultura do medo não é primordialmente alimentada por pequenos caciques locais. A condição necessária para que o medo alcance efeitos duradoiros reside, antes de mais nada, na intervenção intempestiva de forças de repressão especializadas, sempre disponíveis e ao alcance dos humores desses pequenos tiranetes. Ora aqui reside o último engano de José Sócrates. Para governar com base no medo, chegou tarde demais a Portugal.

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