quinta-feira, janeiro 31, 2008

Novas tecnologias

Hitler e as tecnologias modernas
Hitler foi comprovadamente um adepto da utilização das tecnologias modernas para reforçar o seu poder. Não só viajou de avião frequentemente entre Berlim e Munique num tempo em que as viagens aéreas não eram a norma, como reconheceu o poder da rádio antes de muitos outros políticos.


Foto e texto: Der Spiegel

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quarta-feira, janeiro 30, 2008

Eric Weitz - A República de Weimer

(Entrevista conduzida por Sonia Phalnikar)

Fim da República Weimer
A subida ao poder dos nazis em 1933 pôs termo aos 14 anos da República de Weimer.

Há setenta e cinco anos, Hitler chegou ao poder, pondo termo à República de Weimer. Poderia a experiência democrática alemã entre 1919 e 1933 ter alguma chance real? Eric Weitz, um historiador e autor americano, tem a resposta.

Em 30 de Janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler alemão, proclamando o fim da República de Weimer - o fim da experiência democrática turbulenta que vigorou entre 1919 e 1933. Este período foi baptizado pelos historiadores como a "República de Weimer", em homenagem à cidade de Weimer, onde a assembleia nacional se reuniu para escrever e adoptar a nova constituição do Reich na sequência da derrota do país na Primeira Guerra Mundial. A República de Weimer foi marcada, por um lado, por hiperinflacção, desemprego massivo e instabilidade política; por outro, por uma criatividade artística e científica brilhante e por uma vida nocturna lendária em Berlim.

Eric Weitz, presidente do Departamento de História da Universidade de Minesota nos Estados Unidos da América, publicou no ano passado um livro muito aclamado sobre este período: "A República de Weimer: Promessa e Tragédia". A Deutche-Weller (DW) falou com ele sobre o espírito reinante na altura, os factos que conduziram à subida ao poder dos nazis e as lições que se devem extrair da República de Weimer.
DW: Uma das premissas do seu livro é a de que a República de Weimer não deve ser vista apenas como o prelúdio da ditadura Nazi, mas como uma era por direito próprio.
Eric Weitz: Certamente que deve ser vista como uma era por direito próprio. A República de Weimer foi um esplêndido período de criatividade. Não deveríamos olhar para os 14 anos da República de Weimer somente a partir do período de 12 anos do Terceiro Reich que se seguiu, pois a República de Weimer foi um período de grande importância de inovação política, cultural e social. Temos de recordá-la e avaliá-la como uma entidade por direito próprio. Cada questão relacionada com a República de Weimer, sobre a vida na Alemanha na década de 1920 foi intensamente debatida no livro - tanto pelos valores intelectuais ímpares na altura, como pelo seu elevado nível artístico e também ao nível político e social.
DW: Como explica o florescimento cultural e artístico da Alemanha e em Berlim especialmente durante a década de 1920? Apesar de tudo, tratou-se de uma nação fustigada pela guerra, com milhões de mortos, e flagelada pela superinflacção e pela instabilidade.
Eric Weitz: A intensa inovação da altura está precisamente relacionada com esses factores. Muita gente limitou-se a registar o desespero resultante da Primeira Grande Guerra. Claro que houve desespero em abundância. Morreram dois milhões de alemães durante a Primeira Grande Guerra, quatro milhões ficaram feridos e os homens que regressaram estavam muitas vezes feridos tanto física como psicologicamente. As mulheres nas frentes de batalha interna suportaram quatro anos de privações extremas. Logo a seguir, sobreveio a crise do pós-guerra - reajustamento e hiperinflacção.

Quadro de Otto DixOtto Dix, que criou este trabalho em 1920, foi um dos artistas proeminentes da República de Weimer.
Mas em certa medida, esta instabilidade económica, política e social alimentou este profundo empenhamento intelectual para com os problemas da vida nos tempos modernos, com a definição da configuração política mais adequada para a Alemanha. Mais do que isso, a revolução de 1918/1919 foi também determinante para o florescimento cultural. A revolução depôs o Keiser e estabeleceu um sistema democrático - o mais democrático que os alemães já haviam vivido até essa data. O espírito da revolução espalhou a crença de que o futuro estava aberto, com possibilidades ilimitadas para o tornar mais humano. Não poderia durar para sempre, mas foi este sentimento que incentivou a inovação cultural da república.
DW: No entanto, havia pessoas na Alemanha que odiavam a República de Weimer. Quem eram? Porque desejaram o seu fim, se parecia tão prometedora e atractiva?
Eric Weitz: Tudo na República de Weimer foi objecto de contestação. O tipo de artistas, os pensadores, os arquitectos que menciono no livro - tudo ou quase tudo no seu trabalho foi intensamento desafiado pela direita. Por direita, entendo a direita instalada - os aristocratas ultrapassados, altos funcionários do estado, oficiais das forças armadas, homens de negócios, banqueiros, pessoas das igrejas que, no seu conjunto, não eram apenas anti-socialistas e anti-comunistas mas também anti-democráticas. A revolução de 1918/1919 deixou o seu poder intacto. Estabeleceu uma democracia política mas não afectou de todo a situação social e o poder desta elite conservadora.

Esta elite, passada a agitação inicial da revolução, desafiou a república em todas as ocasiões daí para a frente. Muitos pontos de conflito verificaram-se não só no plano político, como nas esferas cultural e social. Houve, por exemplo, a chamada "guerra dos telhados de Zehlendorf" na qual os conservadores, arquitectos e críticos - incluindo os nazis - opinavam que os telhados planos da arquitectura moderna eram claramente não-alemães e que a arquitectura genuinamente alemã só contemplava telhados com elevações. Estes críticos afirmavam que os telhados planos eram uma forma de arquitectura judia. A emancipação da mulher nos anos 20 e mesmo a verbalização da satisfação erótica constituiram outros pontos de conflito aberto.
DW: Afirmaria que a República de Weimer foi uma vítima antecipada da globalização? Pensa que poderia ter sobrevivido, caso não ocorrese a Grande Depressão económica de 1929?
Eric Weitz: A Grande Depressão foi o sopro final. Se observarmos a economia e as eleições de 1928, imediatamente antes da Grande Depressão, notamos um regresso ao centro político e progressos económicos sérios. Sem a Grande Depressão, a república teria pelo menos algumas hipóteses. Tinha conseguido sobreviver à hiperinflacção de 1923, mau grado a sua natureza socialmente disruptiva. Foi seguramente a depressão proveniente dos Estados Unidos que se alastrou muito rapidamente para a Alemanha com grande estrondo que deu o golpe final.

Também devemos não esquecer que poucas foram as democracias fundadas em condições tão difíceis como as da República de Weimer. A república necessitava de um longo período de consolidação, de uma atitude mais conciliadora e dialogante por parte dos aliados ocidentais e de avanços importantes na estabilidade económica - tudo isso foi demasiado escasso nos anos que se seguiram à Primeira Grande Guerra.
A hiperinflacção de 1923 na Alemanha tornou insignificante o valor da moeda e desencadeou uma crise económica.Hiperinflacção na Alemanha
DW: O que terá conduzido finalmente à capitulação da república de Weimer? Apesar de tudo, nas eleições gerais de 1928, os nazis apenas tinham conseguido 2,8 porcento dos votos; cinco anos depois encontravam-se no poder.
Eric Weitz: É verdade. Em 1928 o Partido Nazi era um grupo marginal, desprovido de importância e com pouca audiência fora de algumas zonas já bem localizadas, onde a depressão já se notava mesmo antes da Granda Depressão - zonas rurais em particular. Mas a república encontrava-se seriamente ameaçada de múltiplas formas e o sistema político havia-se polarizado antes da subida ao poder dos nazis. Durante uma depressão, as pessoas procuram soluções e a república não conseguia oferecer qualquer resposta para a crise. A partir de 1930, a Alemanha foi governada por uma ditadura presidencial porque o sistema político se encontrava tão fragmentado que o parlamento (Reichtag) não conseguiu formar uma maioria parlamentar. Desta forma, os chanceleres que governaram desde a Primavera de 1930, Heinrich Brüning e seu sucessores, fizeram-no quase sempre ao abrigo de medidas de emergência proclamadas pelo presidente, o Marechal de Campo Paul von Hidenburg.
Subida ao poder dos nazisOs nazis nunca receberam um voto maioritário.
Quero porém acentuar que os nazis nunca receberam um voto popular maioritário em qualquer eleição livremente participada. No Verão de 1932 receberam 32,4 porcento dos votos - o valor mais alto que alguma vez conseguiram. É concerteza uma salto significativo, porém não é a maioria e a afirmação popular que tantas vezes ouvimos aqui nos Estados Unidos: "O povo alemão elegeu Hitler ao poder ou elegeu os nazis ao poder" - está errada, não é correcta, não é verdadeira. Os nazis nunca foram eleitos ao poder. Nas eleições seguintes, em fins de 1932, já haviam perdido uma parte significativa do apoio que tinham conseguido no Verão. O Partido Nazi estava desnorteado. Em última instância, eles foram propulsionados para o governo porque a elite conservadora, um conciliábulo de homens poderosos que gravitava à volta do Presidente Hinderburg, forçou-o a entregar o poder aos nazis. Foi esta aliança que matou finalmente a república.
DW: Que lições podem depreender-se da República de Weimer? Implícita em todo o seu livro está a questão: será possível que as democracias contemporâneas sucumbam às forças neo-nazis da mesma forma que a República de Weimer caiu sob os nazis?
Eric Weitz: A Alemanha actual é uma democracia bem estabelecida. Não me preocupa de modo algum. Para dizer a verdade, há alguns grupos da extrema-direita que podem ser perigosos e a reacção contra eles peca às vezes por lentidão. Mas estes grupos são marginais e Berlim não é Weimer.

As minhas preocupações centram-se mais em torno do meu próprio país, os Estados Unidos da América, dado que as ameaças à democracia nem sempre vêem do exterior. A ameaça mais séria pode vir de dentro. Este foi certamente o caso de Weimer, em especial nos seus últimos anos. Preocupa-me o facto de algumas pessoas ou instituições propalarem a democracia de boca, ao mesmo tempo que minam as práticas genuinas da democracia. Claro que os nazis nunca se comprometeram com a democracia, mas usaram a retórica populista que alicia as pessoas. Quando esta espécie de retórica mascara práticas anti-democráticas temos razóes sérias para nos preocuparmos.

A situação análoga que me confrange é a de que homens conservadores do establishment se tornem salonfähig ou, em linguagem coloquial, "aceitáveis numa sociedade polida". Penso que tal já começou a acontecer nos Estados Unidos. Quando os conservadores do establishment ultrapassam os limites aceitáveis para um discurso democrático, torpedeiam os preceitos constitucionais e conseguem tornar o seu programa, os seus representantes e as suas ideias aceitáveis - é quando começamos a ter problemas.
DW: Em meses recentes parece ter havido um renascimento do interesse da República de Weimer nos Estados Unidos, quer relativamente à moda, quer à música ou à arte em geral. Como explica isso?
Eric Weitz: É bastante curioso. Isso é verdade especialmente em Nova York. Penso que se prende ao tipo de fragilidades evidenciadas com os ataques de 11 de Setembro. O que as pessoas adoptaram foi a imagem da República de Weimer veiculada pela produção americana "Cabaret" onde, por exemplo, há uma associação da Weimer à degenerescência e à eminência da crise, o que em parte até é verdade.
Trabalho de George Grosz, de 1922.George Grosz
Houve uma exposição de pintura no Museu Metropolitano com retratos de Otto Dix e George Grosz. É claro que, se esta fôr a única imagem de Weimer, convercer-se-á que este foi um período em que só havia corpos mutilados e feições distorcidas. O que falha nessa representação é a promessa democrática e a inovação cultural. Foi esse lado de fragilidade que conferiu a Weimer o seu encanto, que animou a cidade baixa de Nova York, enquanto colocava em alta a sua cultura.


Sonia Phalnikar in
Historian Says Weimar Republic Holds Potent Lessons for Today
publicado por Deutsche Welle em 30 de Janeiro de 2008

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terça-feira, janeiro 29, 2008

Os desvarios do Ministério da Educação

É tempo de a equipa ministerial respeitar o Professor enquanto Pessoa e enquanto Profissional

Compreende-se hoje melhor a razão por que os actuais responsáveis do ME tratam os docentes com tanto desrespeito e desconsideração, bastando que tenhamos em conta o que se passou, ontem, na Assembleia da República, em reunião realizada no grupo parlamentar do PS.

Conforme se relata hoje na comunicação social, um responsável do ME terá acusado os deputados da maioria de, em relação à gestão escolar e à avaliação dos professores, estarem a defender as posições dos "professorzecos"!

A FENPROF repudia esta desconsideração proferida por responsáveis da actual equipa ministerial e considera que uma Ministra da Educação com dignidade apresentaria um pedido público e formal de desculpas, dirigido a todos os Professores e Educadores Portugueses.

Esta forma indigna e imprópria de um responsável do ME se dirigir aos Professores se não surpreende, pois reflecte todo o comportamento da equipa ministerial ao longo da legislatura, atinge um nível insuportável de desrespeito e desconsideração por toda uma classe profissional que a FENPROF não pode deixar passar em claro.

O Secretariado Nacional da FENPROF
25/01/2008

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A economia de Robinson Crusoé

Robinson Crusoé
Uma vez que a economia política gosta das robinsonadas, visitemos então Robinson na sua ilha. Embora naturalmente modesto, nem por isso tem menos necessidades diferentes a satisfazer, sendo-lhe necessário executar trabalhos úteis de várias espécies, por exemplo, fabricar móveis, fazer utensílios, domesticar animais, pescar, caçar, etc. Acerca das suas orações e outras bagatelas semelhantes nada temos a dizer, pois que o nosso Robinson encontra nisso o seu prazer, considerando essas actividades como uma distracção tonificante. Apesar da variedade das suas funções produtivas, ele sabe que elas são apenas as diversas formas pelas quais se afirma o próprio Robinson, isto é, são simplesmente modos, diversos de trabalho humano. As próprias necessidades obrigam-no a dividir o seu tempo pelas diferentes ocupações. O facto de uma ocupar um maior, e outra um menor lugar no conjunto dos seus trabalhos, depende da maior ou menor dificuldade que tem de vencer para conseguir o resultado útil que tem em vista. É a experiência que lho ensina, e o nosso homem que salvou do naufrágio relógio, livro-razão, pena e tinta, não tarda, como bom inglês que é, a anotar todos os seus actos diários. O seu inventário contém a descrição dos objectos úteis que possui, dos diferentes modos de trabalho que a sua produção exigiu e, finalmente, do tempo de trabalho que lhe custaram, em média, determinadas quantidades destes diversos produtos. Todas as relações de Robinson com as coisas, que formam a riqueza que ele próprio criou, são de tal modo simples e transparentes que qualquer pobre de espírito as poderia compreender sem grande esforço intelectual. E, no entanto, estão aí contidas todas as determinações essenciais do valor. Passemos agora da ilha luminosa de Robinson para a sombria Idade Média europeia. Em vez do homem independente, todos aqui se encontram dependentes: servos e senhores, vassalos e suseranos, leigos e clérigos. Esta dependência pessoal caracteriza tanto as relações sociais da produção material, como todas as outras esferas da vida assentes sobre ela. E é precisamente porque a sociedade se baseia na dependência pessoal que todas as relações sociais nos aparecem como relações entre pessoas. Por isso, os diversos trabalhos e os seus produtos não têm necessidade de assumir uma figura fantástica distinta da sua realidade. Surgem [no mecanismo social] como serviços e prestações em espécie. É também a forma natural do trabalho, a sua particularidade e não a sua generalidade, o seu carácter abstracto, como na produção mercantil -, que é aqui a sua forma [directamente] social. A corveia, tal como o trabalho que produz mercadorias, é igualmente medida pelo tempo; mas todo o camponês sabe muitíssimo bem - sem necessidade de recorrer a um Adam Smith - que é uma quantidade determinada da sua força de trabalho pessoal que ele dispende ao serviço do seu senhor. O dízimo a pagar ao cura é bem mais claro que a bênção deste. Como quer que julguemos os papéis que os homens desempenham nesta sociedade [uns perante os outros], as relações sociais das pessoas nos seus trabalhos respectivos afirmam-se com toda a nitidez como as suas próprias relações pessoais, não se dissimulando em relações sociais das coisas, dos produtos do trabalho.

Excerto de Karl Marx
O Fetichismo da Mercadoria e o Seu Segredo (O Capital)
publicado por Arquivo marxista

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segunda-feira, janeiro 28, 2008

João Paulo Soares - Manifesto de professores

via A Educação do meu Umbigo

ProfessorOs professores estão a atravessar o momento mais negro da sua vida profissional desde o 25 de Abril. Com um pacote legislativo concebido em sucessivas fases, começando pelo novo Estatuto da Carreira Docente e culminando com o novo modelo de gestão escolar, passando pelo Decreto Regulamentar da avaliação de desempenho, a actual equipa do Ministério da Educação desferiu um golpe profundo na imagem social dos professores, na sua identidade enquanto grupo profissional e nas condições materiais e simbólicas necessárias para que os mesmos se empenhem na qualidade do ensino. A um sentimento de enorme frustração soma-se hoje a insegurança quanto ao futuro profissional, uma insegurança decorrente de todos os mecanismos de fragilização da carreira e de instabilidade de emprego que o governo actual tem vindo a introduzir.
Torna-se agora cada vez mais evidente que os professores deste país foram as cobaias de um ataque aos direitos laborais, segundo uma receita de efeitos garantidos: uma campanha inicial de difamação orquestrada com a cumplicidade de uma comunicação social subserviente, que visou justificar, no plano retórico e propagandístico, a redução sistemática de direitos no plano jurídico. Hoje é também óbvio que este programa teve como objectivo essencial a quebra do estatuto salarial dos professores, que passaram a trabalhar mais pelo mesmo dinheiro, que viram a progressão na carreira arbitrariamente interrompida, e que foram, desse modo, uma das principais fontes drenadas pelo governo para satisfazer a sua obsessão de combate ao défice.
Hostilizados por uma opinião pública intoxicada e impreparada para reconhecer aos docentes a relevância da sua profissão, desprovidos dos meios legais e materiais que lhes permitiriam dignificar o seu trabalho, é com fatalismo, entremeado por uma revolta surda, que os professores deste país encaram hoje o futuro mais próximo. Muitos consideram o Estatuto da Carreira Docente como um facto consumado, procurando adaptar-se-lhe o melhor possível. No entanto, as piores consequências desse Estatuto só agora começarão a revelar-se, e há sinais de que a ofensiva do governo contra os professores e contra a escola pública não chegou ainda ao fim:
· Este ano vai ter início o processo de avaliação do desempenho, pautado pela burocratização extrema, por critérios arbitrários e insuficientemente justificados que poderão abrir a porta para acentuar o clima de divisão e a quebra de solidariedade entre os professores, para «ajustes de contas» adiados, para a perseguição aos profissionais que se desviem da ideologia pedagógica dominante, para a subordinação dos resultados dos alunos à demagogia ministerial do sucesso escolar compulsivo.
· O governo prepara-se para aprovar, sem discussão pública que mereça esse nome, um novo modelo de gestão escolar que se traduz pela redução ainda maior da democracia nos estabelecimentos de ensino, já antecipada ao nível do Estatuto da Carreira Docente, pela diminuição drástica da influência dos professores, atirados para uma posição subalterna nos órgãos directivos, pela sua subordinação a instâncias externas, muitas vezes movidas por interesses opostos ao rigor e à exigência do processo educativo.
· Finalmente, o governo tem também a intenção de suprimir as nomeações definitivas para a grande maioria dos funcionários públicos, iniciativa que terá particular incidência numa classe docente cuja garantia de emprego já está, em muitos casos, consideravelmente ameaçada.
Tudo isto deveria impor, desde já, a mobilização dos professores e o abandono de uma postura de resignação. Não há processos legislativos irreversíveis. Por outro lado, não podemos esperar por uma simples mudança de ciclo eleitoral ou de legislatura para que o ataque à nossa condição profissional seja invertido. Ninguém, a não sermos nós, poderá lutar pelos nossos direitos.
Por tudo isto, e para contrariar a atitude cabisbaixa que impera entre a classe docente, consideramos importante lançar um conjunto de iniciativas, algumas delas faseadas, outras que poderão ser desenvolvidas em paralelo. Assim, propomos:
- apoiar o movimento, que começa a surgir na blogosfera dedicada à nossa profissão, no sentido de se alargar o prazo de discussão do novo modelo de gestão escolar, e organizar nas escolas espaços de debate desse projecto-lei, tendo o cuidado de o situar no quadro mais geral dos constrangimentos legislativos a que hoje se encontra sujeita a nossa actividade profissional;
- promover, nas diferentes escolas e nos agrupamentos de escolas, a discussão sobre as condições de aplicação do Decreto que regulamenta a avaliação de desempenho dos professores, tendo em conta a necessidade de se fixar critérios mínimos de rigor e de justiça nessa avaliação, e considerando que, se a avaliação dos alunos tem sido objecto de muita elucubração teórica, as escolas se preparam para avaliar os docentes sem ponderarem devidamente as dificuldades científicas e deontológicas que semelhante processo suscita;
- encetar um processo de contestação do Estatuto da Carreira Docente nos tribunais portugueses e nas instâncias judiciais europeias, considerando que esse diploma atinge direitos que não são simplesmente corporativos, mas que constituem a base mínima da dignificação de qualquer actividade profissional.
- pressionar os sindicatos para que estes retomem os canais de comunicação com os professores e efectuem um trabalho de proximidade junto destes, o qual passa pela deslocação regular dos seus representantes às escolas a fim de auscultar directamente os professores e de discutir com eles as iniciativas a desenvolver;
- contactar jornalistas e opinion-makers que, em diferentes órgãos de comunicação, tenham mostrado compreensão pelas razões do descontentamento dos professores e apreensão perante o rumo do sistema de ensino em Portugal, no intuito de os incentivar a prosseguirem com a linha crítica das suas intervenções e de lhes fornecer informação sobre o que se passa nas escolas;
- propor políticas educativas que se possam constituir em defesa de uma escola pública de qualidade, que não seja encarada como simples depósito de crianças e de adolescentes e como fábrica de «sucesso escolar» estatístico, políticas capazes de fornecer alternativas para as orientações globais do Ministério da Educação e para as reformas mais gravosas que o mesmo introduziu na nossa profissão.
Se concordas com o MANIFESTO divulga-o o mais possível.
Para mais informações usa o seguinte e-mail profsemluta@hotmail.com

João Paulo Soares
BioTerra
Matosinhos - Portugal

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Enquanto a ASAE entretém os fumadores...

POR SE TRATAR DE UM TEMA DE SAÚDE PÚBLICA, POR FAVOR, REPASSEM ESTE E-MAIL A TODOS DO SEU CATÁLOGO DE ENDEREÇOS, PARTICULARMENTE OS QUE TÊEM JOVENS NA FAMÍLIA.

ESTA BEBIDA ESTÁ À VENDA EM TODOS OS SUPERMERCADOS E NOSSOS JOVENS PODEM CONSUMI-LA PARA PROVAR e iSTO PODE SER MORTAL !




A RED BULL foi criado para estimular o cérebro de pessoas submetidas a um grande esforço físico e em "coma de stress". NUNCA PARA SER CONSUMIDA COMO UMA BEBIDA INOCENTE OU REFRESCANTE,

A RED BULL é uma BEBIDA ENERGIZANTE, comercializada a nível mundial com o slogan:"Aumenta a resistência física, agiliza a capacidade de concentração e a velocidade de reação, dá mais energIa e melhora o estado de ânimo" . Tudo isso pode ser encontado numa latinha de RED BULL, "a bebida energética do milênio!"

A RED BULL conseguiu chegar a quase 130 países de todo o mundo com um faturamento anual acima de 21 bilhões de euros na venda de 3 bilhões de latas. Os jovens e o desporto foram os símbolos eleitos pela marca para caracterizar a sua imagem, dois segmentos atrativos que foram cativados pelo estímulo causado pela bebida.

Foi criada por Dietrich Mateschitz, um empresário de origem austríaca, que a descobriu por acaso, durante uma viagem de negócios a Hong Kong , quando trabalhava para uma empresa fabricante de escovas de dentes.



Uma lata de 250 ml, contém 20 gramas de açúcar, 1000 mg de taurina, 600 mg de glucuronolactona, 80 mg de cafeína e vitaminas do complexo B.



MAS A VERDADE DESTA BEBIDA É OUTRA


A FRANÇA E A DINAMARCA acabam de proibi-la por ser um cocktail da morte , devido aos seus componentes de vitaminas misturadas com "GLUCURONOLACTONE", química altamente perigosa, que foi desenvolvida pelo Depto de Defesa dos USA, durante os anos 60 para estimular o moral das tropas americanas no VIETNAM. Seus efeitos eram como se fossem o de uma droga alucinógenea, que acalmava o stress da guerra. Entretanto seus efeitos no organismo dos soldados foram devastadores - alto índice de casos de enxaquecas, tumores cerebrais e doenças do fígado.

Apesar de tudo, na lata de RED BULL ainda se lê entre os seus componentes: GLUCURONOLACTONE, catalogado medicamente como um estimulante.

Mas o que a lata de RED BULL não diz são as conseqüências do seu consumo, que obriga a colocar uma série de ADVERTÊNCIAS:

É perigoso tomá-lo se, em seguida, não se fizer exercíco físico, já que a sua função energizante acelera o ritmo cardíaco e pode provocar um enfarte fulminante.
O risco de se sofrer uma hemorragia cerebral, porque o RED BULL contém componentes que diluem o sangue para que seja mais fácil ao coração bombear
o sangue e assim se poder fazer esforço físico com menos esgotamento.



É proibido misturar RED BULL com álcool, porque a mistura transforma a bebida numa "Bomba Mortal" que ataca diretamente o fígado, levando a zona afetada a incapacidade de jamais se regenerar.

Um dos componentes principais do RED BULL é a vitamina B12, utilizada em medicina para recuperar pacientes que se encontram em coma etílico; daí o estado de excitação em que se fica após tomá-lo. É como se estívessemos estado de embriaguez.

O consumo regular de Red Bull provoca uma série de doenças nervosas e neuronais irreversíveis.

CONCLUSÃO
A RED BULL deveria ser proibida em todo o mundo , como já está sendo em alguns países pois se desavisadamente ou intencionalmente misturada ao álcool torna-se uma bomba relógio para o corpo humano, principalmente entre adolescentes e adultos que desconheçam os efeitos letais da bebida.

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Manuel Baptista - MOVIMENTO PELA DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA NASCE EM ESCOLA DA BAIXA DA BANHEIRA*

Escola Mouzinho da SilveiraEsteve reunido no sábado 26 de Janeiro 2008 um grupo de membros signatários do Apelo que circula desde 12 de Janeiro (de autoria de Isabel Guerreiro, Paulo Guinote, Manuel Baptista e Luís Mateus e assinado por mais de 1700 subscritores), ao qual se juntou outro grupo, que está centrado nas Caldas da Raínha (mas não só) e que tinha congregado cerca de 40 professores em torno de um manifesto. Os mais de trinta participantes presentes aprovaram um documento, com um conjunto de resoluções (logo que postado será aqui reproduzido).
No essencial, constatou-se uma grande coincidência de opiniões no diagnóstico, havendo porém uma certa dificuldade em se encontrar os caminhos de intervenção mais apropriados. Porém, há propostas nesse sentido, que dependem largamente da capacidade que estas e outras pessoas envolvidas (várias, pelos mais diversos motivos, não puderam comparecer) terão de intervir ao nível local. Constatou-se que há urgência em dar resposta face a esta catadupa de legislação que cai sobre as escolas. Constatou-se que as situações das quais os professores e as escolas são vítimas não devem ser vistas como um «assunto de professores», mas sim como de cidadania. Deve-se portanto encorajar uma participação cívica em núcleos em defesa da escola pública, numa perspectiva de cívica, ou seja, a escola pública é de todos e é a todos que cabe defendê-la dos intuitos desestabilizadores e privatizadores. Todas as pessoas estiveram de acordo com o essencial das resoluções adoptadas, que o foram por unanimidade em vários pontos e por larga maioria noutros.
Ficou-me a sensação de que este conjunto de pessoas tem capacidade para avançar, que tem uma clara compreensão da urgência de um combate e participação mais abrangente. Esta não pode ser reduzida a uma luta (corporativa) de sindicatos, nem hostil aos mesmos. Não pode ser distante de pais e encarregados de educação, nem dos alunos, mas deve apelar ao máximo de convergência e de confluência na base.

Manuel Baptista

*esta reportagem que pode ser complementada com apontamentos do Paulo Guinote:
Apontamentos 1

Publicado por Luta Social em 27 de Janeiro de 2008

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sábado, janeiro 26, 2008

Viva os afinados!



Com esta peça pretendo ilustrar uma doença antiga: a "doença da razão". Em alguns casos, assume contornos mais graves e passa a chamar-se a "doença da certeza".

A COUVE

O que se conseguiu com esta lei?
A divisão do povo em dois tipos de pessoas:
Os fumadores, que cultivam o cancro e são estúpidos, pois que já foram devidamente informados pelos não-fumadores, agora investidos duma moral certificada em Diário da República.

Pela parte que me toca, venho propor uma nova lei, visto que me sinto lesado com a seguinte situação: Para cada ida ao café de um não-fumador no primeiro sábado de cada mês, que ao sentar-se na mesa diz "eu não tomo nada", eu tomo vinte cafés na rua, à noite, no inverno, à porta desse mesmo estabelecimento.

A minha proposta é uma lei que regule as atitudes das pessoas. Assim, em vez de dizermos "vou tomar um café", passemos a dizer "vou tomar uma couve".

Em vez de "vou ao café", digamos "vou à torrada" criando assim uma nova instituição.
Em vez de "queres namorar comigo?" perguntemos "queres ser saudável comigo?" para precaver os dissabores.
Em vez de "quero escalar uma montanha!" passemos a exclamar "quero ficar no meu sofá, em segurança!"
"Quero ser possuidor de conhecimentos profundos na minha área" pode ser substituído por "não quero estudar, pois provoca muito stress".

A este pacote de medidas, que servem como uma protecção acrescida da sociedade dos seus vícios, acrescento algumas medidas práticas como:
"é proibido em recintos fechados, poluir o ar com conversas que incomodem ou perturbem o pensamento", visto que eu não sou obrigado a ouvir as ideias dos outros, só porque fui ter com eles.
Uma lei anti-hipócrita especial para não-fumadores-fundamentalistas que os proíba, quer em recinto aberto ou fechado de cometer erros, ficando estes a cargo apenas dos fumadores. Qualquer coisa como "A permanência de não-fumadores-fundamentalistas só será tolerada se estes se portarem bem"

Paulo Coelho - O Autor Pirata

Nos primeiros 20 minutos desta apresentação, o autor Paulo Coelho defende a utilização da Internet e da "pirataria" para promover o seus livros, coloca em causa os limites convencionais dos direitos de autor, e expõe uma visão muito humana sobre a Internet enquanto meio de comunicação entre autores e leitores.

Vale a pena ouvir, mesmo que esteja em Inglês:

quinta-feira, janeiro 24, 2008

NATO/OTAN - tratado defensivo?

Formalmente sim. Mas parece que para desgosto de alguns militares que andam muito nervosos e querem brincar às bombinhas antes do Carnaval. Ele há cada cromo.

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Société Generale - Trapaça gigantesca

Societe Generale

O Banco francês Société Generale anunciou ter descoberto uma fraude gigantesca, provocada por um trapaceiro, de que resultou um prejuízo de 4,9 mil milhões de euros.

O banco acrescentou que a fraude se baseou em transacções simples, mas foi oculta por meio de tecnicas diversificadas e sofisticadas.

Também anunciou novos prejuízos de 2,05 mil milhões de euros devido à crise dos créditos de alto risco dos Estados Unidos.

As acções do banco, que foram suspensas durante a manhã, sofreram uma queda de 3,6% quando voltaram a ser negociadas.

A Société Generale esclareceu que um traficante cometeu o que foi designado por posições fraudulentas de grande envergadura durante os anos de 2007 e 2008, ultrapassando a sua competência.

A fraude é uma réplica extraordinária de uma outra cometida pelo trapaceiro Nick Leeson, que levou ao colapso do banco Barings em 1995, disse o correspondente da BBC para a área de negócios Nils Blythe.

Só que os prejuízos descobertos pelos patrões do Barings ascenderam apenas a 1600 milhões de euros ou seja, cerca de um quarto daquilo que perdeu a Société Generale.

Negócio secreto

O banco, um dos maiores de França, precisa de novos capitais no valor de 5,5 mil milhões de euros para se recompor do prejuízo.

Mas garantiu que, ainda assim, terá um lucro de 600 e 800 milhões de euros em 2007, apesar do rombo na sua folha de balanço.

O banco acrescentou que o negociante possuía conhecimentos profundos dos procedimentos de controlo, adquiridos durante uma antiga posição que deteve num departamento bancário.

As transacções fraudulentas eram simples - incidindo sobre subidas de acções - mas camifladas por técnicas extremamente diversificadas e sofisticadas, disse o director executivo Daniel Bouton num carta dirigida aos clientes do banco.

O banco acrescentou que o traficante confessou a fraude e foi demitido. Os seus chefes abandonarão também o banco.

Lamento mas não compro a ideia de que um traficante possa empreender um 'negócio secreto' de 4,9 mil milhões de euros sem que alguém seja capaz de o descobrir, disse Ion-Marc Valhi do banco Amas.

Frederic Hamm, fundador do Agilis Gestion, crê que a fraude tem impacto na reputação do banco.

O Sr Bouton colocou o lugar à disposição, mas a administração rejeitou o pedido de demissão.

Richard Fuld, presidente do Lehman Brothers, disse ao correspondente da BBC em Davos que nada me espanta, nada me surpreende verdadeiramente nos dias que passam.

Acontecimento sem precedentes

Os prejuízos do banco afectaram gravemente os ganhos em 2007.

A companhia irá apresentar os resultados a 21 de Fevereiro próximo, tendo já anunciado que espera um lucro entre 600 a 800 milhões de euros.

As acções da Société Generale caíram 50% nos últimos seis meses.

A Société Generale irá também aumentar o capital em 5,5 mil milhões de euros para reforçar o seu activo.

Entretanto, outro banco francês, o BNP Parisbas disse que não detectou perdas que justificassem qualquer alerta para o mercado.

Gilles Glicenstein, director executivo do BNP Paribas, deixou entender que faltam peças de informação para se compreender o que se passou na Sociéé Generale.

Dada a amplitude da fraude, deve haver uma explicação complexa ... para a Société Generale, isto é um acontecimento sem precedentes, acrescentou.

O Sr Glicenstein disse também que estas não eram boas notícias para os bancos em geral, pois podem lançar dúvidas.

Noutros tempos, este tipo de notícias era escondido, porém hoje há uma tendência para revelar tudo e talvez seja revelando tudo que se consiga refazer a confiança, disse.

O primeiro-ministro francês, Francois Fillon, disse que a Société Generale tomou medida sérias para lidar com a situação.

Reparei que o Banco de Fraça informou que não há razão para nos preocuparmos com a saúde da Société Generale e estou satisfeito com isso, acrescentou.

Fonte: Rogue trader to cost SocGen $7bn,
publicado por BBC News em 24 de Janeiro de 2008

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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Joseph Stiglitz - Como travar a crise

Joseph StiglitzA economia americana está dominada pelo abrandamento. Que sobrevenha uma recessão (três trimestres consecutivos de crescimento negativo) é menos importante que o facto de a economia estar a funcionar bem abaixo do seu potencial e o desemprego estar a subir. O país precisa de um estímulo, mas como qualquer coisa que façamos irá aumentar o nosso já elevado défice é importante que consigamos tanto proveito quanto possível das despesas. O pacote ideal de medidas conterá uma de efeitos rápidos junto com outras que poderão conduzir a um aumento de despesas mas apenas no caso de a economia continuar a afundar-se.

Deveremos começar por reforçar o sistema de segurança para o desemprego pois o dinheiro recebido pelos desempregados será gasto imediatamente.

O governo federal deveria também oferecer alguma assistência aos estados ou localidades que já estão a ser afectados pela degradação da pobreza. Normalmente a resposta é cortar nas despesas mas isso levaria a uma desestabilização. A ajuda federal deveria revestir a forma de financiamento para a reconstrução de infra-estruturas cruciais.

Ajuda federal adicional deve ser canalizada para os orçamentos na educação do estado pois isso reforçará a economia a curto prazo e promoverá o crescimento a longo prazo, tal como acontecerá se se investir nas medidas de poupança de energia e na redução das emissões. Levará algum tempo a implementar programas bem delineados nestas áreas, porém o actual abrandamento parece que irá permanecer por mais tempo que os anteriores num passado recente. Os preços das casas ainda têm um longo caminho a percorrer até que atinjam níveis normais e, se os americanos começarem a poupar mais do que costumam fazer, o consumo poderá permanecer baixo por algum tempo.

A administração Bush há muito se convenceu que a redução de impostos (especialmente os que afectam os ricos) são solução para todos os problemas. Isto está errado. A redução de impostos, em geral, tende a perpetuar o consumo excessivo que caracterizou a economia americana. Mas os americanos de rendimentos médios ou baixos têm sofrido nos últimos sete anos; o rendimento médio das famílias é hoje mais baixo que no ano de 2000. Uma redução incidindo sobre os rendimentos médios ou baixos faz sentido, especialmente porque produziria efeitos imediatos.

Algo terá que ser feito para parar as execuções de hipotecas e aqueles que foram vítimas de esquemas predatórios de endividamento deveriam ser protegidos por meio de legislação adequada para poderem continuar a viver nas suas casas, pois isso estimulará a economia. Porém, não se deve apostar demasiado neste sentido. Caso o fizéssemos acabariam por ser os investidores a ganhar e estes são precisamente aqueles que menos precisam de ajuda dos contribuintes.

Em 2001, a administração Bush usou a eminência da recessão como argumento para reduzir os impostos dos americanos de maiores rendimentos - o mesmo grupo que se saiu tão bem no último quarto de século. Estas reduções não foram concebidas para estimular a economia e o seu resultado nessa direcção foi marginal. Para viabilizar a economia, a Reserva Federal viu-se obrigada a reduzir a taxa de juros sobre os empréstimos para níveis sem precedentes e depois olhar para o lado enquanto a América se enchia da empréstimos imprudentes. A economia segurou-se com dinheiro emprestado e com tempo emprestado.

Chegou o dia de prestar contas. Agora é que precisamos de um estímulo a sério. A questão é: porão o Presidente e o Congresso a política de parte para fazer o trabalho?

Joseph Stiglitz in
How to Stop the Downturn
publicado por The New York Times em 23 de Janeiro de 2008

Também publicado por Der Spiegel

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terça-feira, janeiro 22, 2008

A aurora boreal - Interacções na Natureza


Do latim boreale, que significa Norte.

A aurora boreal, que é vista muitas vezes nas latitudes extremas Norte, é uma das exibições mais inspiradoras da Natureza. Partículas carregadas oriundas do Sol penetram no campo magnético da Terra. Neste, as forças de Lorentz actuam, aprisionando algumas delas em trajectórias espiraladas que convergem para o Polo, já que o campo magnético terrestre não é uniforme.

Quando estas partículas rodopiam à volta do Polo, muitas vezes descem o suficiente para colidirem com as moléculas do ar, excitando-as, originando a emissão de luz visível aquando da sua desexcitação.

Porque estas partículas são carregadas podem ser vistas como uma corrente oscilante, fluindo na atmosfera.

Pela lei de Ampère esta corrente origina um campo magnético variável, embora fraco, junto ao solo.

Pela lei de Faraday este campo magnético variável induz um campo eléctrico.

Se bem que fraco, quando estendido por centenas de quilómetros, o campo eléctrico pode acumular uma energia considerável, capaz de provocar grandes descargas, suficientes para paralisar centrais eléctricas ou interferir de outro modo com dispositivos eléctricos.

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O futuro Director Executivo

Com a devida vénia ao António Valério:

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Martin Luther King - I have a dream

Washington, 28 de Agosto de 1963

Eis o documento usado na teoria da gestão como o paradigma da definição da missão - em contraposição aos objectivos - das organizações.(AF)




Texto completo do discurso

E aqui em português

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Sarah Chang - J.S. Bach

Para quem tem que fazer serões de trabalho, uma música de fundo para ajudar...

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domingo, janeiro 20, 2008

Carlos Pinto Santos - A morte de Amílcar Cabral

A 20 de Janeiro de 1973 - há 35 anos - foi assassinado um dos homens mais marcantes do século XX (AF)
Amilcar Cabral

NOITE DE FACAS LONGAS EM CONACRI

  • O cenário: uma casa branca, isolada, de um só piso, um largo terreiro à volta, uma enorme mangueira em frente da casa, um telheiro que serve de garagem; em Conacri, capital da República da Guiné, de que é Presidente Séku Turé.
  • O tempo: três da madrugada do dia 20 de Janeiro de 1973.
  • A acção: um carro, um Volkswagen, que o condutor arruma no telheiro. Dois faróis projectam a luz para os ocupantes do veículo que são Amílcar Cabral e a sua segunda mulher, Ana Maria. Uma voz ríspida vem da noite e ordena que amarrem Amílcar. Este resiste. Não deixa que o atem. O comandante do assalto dispara. Atinge-o no fígado. Amílcar, sentado no chão, propõe que conversem. A resposta é uma rajada de metralhadora que acerta na cabeça do fundador do PAIGC. A morte é imediata.
  • Os autores do atentado: Inocêncio Kani, que dispara primeiro, um veterano da guerrilha, ex-comandante da Marinha do PAIGC; membros do Partido, todos guineenses.


Carlos Pinto Santos in AMÍLCAR CABRAL
publicado por Vidas Lusófonas

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Animaniacs - Nations Of The World



Publicado por rsalinas723

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The Miniature Earth

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

A Antártida em fotos



Imagens lindíssimas recebidas por e-mail. Não resisti em colocá-las aqui. Os seus autores estão identificados assim como a música.
Partilho convosco a calma que transmitem.


É só carregar em:
Antártida (pps)

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quarta-feira, janeiro 16, 2008

Prova de Ingresso dos Professores - abaixo-assinado

(recebido via email)


Acresce, a tudo o que em baixo é dito, que nos diferentes exames a serem realizados, ninguém pode ter menos do que 14. Se o tiver é excluído.
Maria Lisboa



Petição contra a Prova de Ingresso na Carreira Docente



Senhor Presidente da Assembleia da República,

No passado dia oito de Novembro foi aprovado em Conselho de Ministros o projecto de decreto regulamentar que estabelece as regras relativas à prova de avaliação de conhecimentos e de competências necessária para o ingresso na carreira docente.
Os peticionários abaixo-assinados, professores e outros cidadãos, de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, vêm-se opor a uma prova que:

a) desvaloriza a formação dos professores, bem como as instituições formadoras e seus docentes;

b) anula a experiência acumulada dos professores nos seus anos de serviço lectivo;

c) desvaloriza a avaliação anual de que os professores contratados são alvo;

d) contradiz em absoluto o facto incontornável de os consecutivos Ministérios da Educação, incluindo o actual, terem considerado os professores contratados profissionalmente competentes para leccionarem, estabelecendo contrato, para agora pôr essa competência em causa;

e) por fim, desvaloriza ainda todo o trabalho realizado até agora em prol da Escola e dos Alunos, trabalho esse feito em condições precárias (quer pessoais como profissionais), facto esse habitual nos actuais professores nos primeiros anos de serviço.

Conscientes de que este pedido se fundamenta no exercício de uma cidadania empenhada e participativa, os signatários esperam de Vossa Excelência a tomada de medidas com a urgência que a gravidade da situação justifica, nomeadamente a inclusão da referida prova nos próprios cursos via ensino, como requisito obrigatório de conclusão de licenciatura e a não aplicação da mesma a docentes já profissionalizados.

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terça-feira, janeiro 15, 2008

Privados à portuguesa

Não aprecio símbolos bíblicos por aí além, mas desta vez é irresistível. Aos sete pecados mortais, quem quer que seja que os tenha inventado, faltou o mais apreciado pelos adeptos da iniciativa privada portuguesa: usufruir privadamente dos bens públicos. Durante anos o sucesso da banca privada foi apontado como o grande exemplo em como a acção do estado é dispensável na economia. Logo agora, que eu estava quase disposto a resignar-me, eis que 97 porcento das acções (que não dos accionistas) do maior banco privado português dizem amén ao casamento contra-natura com o estado. Os arautos da superioridade da iniciativa privada parece terem-se esquecido, nas suas campanhas de esclarecimento, de elucidar a nata da sociedade quanto à desejável independência do sector privado. O que torna doravante a sua missão junto do resto da sociedade praticamente impossível. Bad luck Jeff. Mais facilmente convenceriam agora toda a gente que a lei em vigor é: público nos custos, privado nos lucros.

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Já é dono do seu banco?

Provavelmente é num certo sentido, embora não saiba.

É sabido: o ganho é proporcional ao risco. Quanto maior o risco assumido, mais rentável o investimento.

SIC Notícias, Jornal das nove (21H00) de hoje: desta vez deixei passar o nome do convidado de Mário Crespo, um economista que falou como poucos.

Eis o aspecto que mais me chamou a atenção: a indexação do crédito hipotecário à taxa do Euribor é uma prática da banca portuguesa, que não serve de exemplo para os demais países europeus.
A taxa do Euribor é uma taxa de risco. A sua utilização no crédito para aquisição de casa própria representa a transferência para os clientes do risco que os bancos incorrem nas suas aplicações financeiras. Esses riscos deveriam estar reservados aos accionistas e credores do banco. Partilhando os portugueses - enquanto clientes - desses riscos, ganha uma realidade surpreendente o mote do anúncio do Montepio Geral. Eis mais uma falha grave a constar no cadastro já pesado de Vitor Constâncio, formalmente exercendo o papel de regulador do sector. Eis mais uma lacuna legal altamente explorada a favor dos accionistas em geral e em detrimento de todos os que vivem do seu trabalho. Mais uma prática tipicamente terceiro-mundista.

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segunda-feira, janeiro 14, 2008

François Ruffin - Trabalho e Capital

"A parte dos lucros é hoje invulgarmente elevada (e a parte dos salários invulgarmente baixa). Na realidade, a amplitude desta evolução e o leque dos países a que diz respeito não tem precedentes nos últimos 45 anos."
... estas linhas ... estão num artigo do Banco de Pagamentos Internacionais (BPI), instituição que todos os meses , em Basileia, reune os responsáveis dos bancos centrais... Não se trata propriamente de um covil de marxistas, mas o seu requisitório contra a referida "margem de lucro de um valor sem precedentes" ocupa vinte e três páginas do referido texto (Luci Ellis e Kathrin Smith, "The Global Upward Trend in the Profit Share", Bank of International Settlement, Working Papers, nº 231, Basileia, Julho de 2007).
Com esta transcrição começa François Ruffin o seu excelente artigo, que vale em todos os seu parágrafos. Por ele ficamos a saber que, enquanto eminentes socialistas Vitor Constâncio, José Sócrates e Vital Moreira e Vieira da Silva continuam a praguejar contra os privilégios dos trabalhadores, os banqueiros já estão preocupados com possíveis revoluções caso não se ponha termo a esta grande bouffe do Capital.(AF)

in François Ruffin, SALÁRIOS: O TABU DA PARTILHA DA RIQUEZA
publicado por Le Monde Diplomatique em Janeiro de 2008

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Rui Pedro ( vamos fazer isto circular o mundo )

Rui Pedro

Apesar da comunicaçao social não ter ligado ao assunto como no caso Maddy acho que não se deve deixar este caso morrer. Nao custa nada.
(Recebido por email de Flávio Delgado)

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A escola inclusiva

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domingo, janeiro 13, 2008

APELO PARA UMA DISCUSSÃO PÚBLICA ALARGADA DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS

A todos os interessados no Futuro da Escola Pública em Portugal



Está em período de debate público apenas por um mês o Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário.

Não apenas como profissionais da Educação, independentemente de qualquer filiação organizacional, mas também como cidadãos e encarregados de educação atentos, queremos manifestar o nosso desejo de um debate digno e alargado sobre um assunto tão importante como este que não pode ficar circunscrito a gabinetes ou a algumas reuniões longe do escrutínio público de todos os interessados.

Fazemos este apelo porque temos consciência de que estas mudanças terão repercussões profundas na qualidade do ensino ministrado nos estabelecimentos do ensino público e que nem todas essas repercussões se encontram devidamente avaliadas neste momento.

Para além disso, este projecto de alteração do regime jurídico ainda em vigor não se apresenta como resultante de uma necessidade pública, claramente sentida e demonstrada na e pela sociedade civil e comunidades educativas, de reformar o modelo em vigor. Pelo contrário, surge na sequência de uma profusão legislativa que se tem norteado por alguma incoerência entre as intenções manifestadas e as condições concretas existentes no nosso sistema educativo, o que desde logo nos suscita as maiores reservas quanto à sua validade.

Não esqueçamos que:
• No sistema educativo português os alunos têm sido alvo de reformas sobrepostas, mal preparadas e pior implementadas.
• Tais reformas sucedem-se sem serem devidamente avaliados os resultados das reformas anteriores,
• A não avaliação aprofundada de todas as medidas e do seu efeito no sistema leva a que os actores institucionais e a cidadania se interroguem sobre as razões destes sucessivos fracassos.
• Apesar de todas essas reformas, os índices de literacia (global ou funcional) continuam dos mais baixos, enquanto que as taxas de insucesso e de abandono escolar são das mais altas, não apenas em termos europeus, como até mundiais.
• Com um novo modelo de gestão, insuficientemente fundamentado e imposto em nome de uma desejável autonomia e abertura da gestão dos estabelecimentos de ensino às comunidades, corre-se o risco de um agudizar das disfunções que o sistema vem demonstrando, com consequências imprevisíveis não só em termos pedagógicos como da coerência, integridade e solidariedade do sistema público de ensino.

Perante este panorama, que aconselha a maior prudência em novas alterações na arquitectura do sistema público de ensino e perante as incoerências internas do projecto do Ministério da Educação em termos operacionais e a sua aparente inadequação quanto ao quadro legislativo em que se insere, nomeadamente quanto à Lei de Bases do Sistema Educativo, os signatários deste manifesto, reivindicam, por isso, ao Governo e ao Ministério da Educação que:
a) Exista um prazo suplementar de dois meses para discussão da proposta governativa;
b) Se promovam debates públicos em todas as escolas do país, mobilizando as comunidades educativas para a discussão das qualidades e óbices do novo modelo proposto;
c) Se faça a divulgação de todas as análises dos dados estatísticos e outros estudos de departamentos do Ministério da Educação, com especial relevo para a Inspecção Escolar relativos ao desempenho das Escolas em matéria de gestão que justificam a necessidade de mudança do modelo existente.
Apelamos ainda a que todos os intervenientes das comunidades educativas (alunos, encarregados de educação, docentes, funcionários não docentes, autarquias) se mobilizem para uma discussão alargada da Escola Pública.

Só com o activo envolvimento de todos na preparação de reformas com esta dimensão e impacto numa área crítica como a Educação é possível garantir que a mudança se transformará em algo positivo e não meramente instrumental.

Os órgãos de gestão das escolas e os Centros de Formação estarão, naturalmente, vocacionados para organizar e dinamizar este debate.
Os autores deste manifesto reiteram que não representam quaisquer organizações socio-profissionais de professores ou profissionais de educação actualmente existentes ou em processo de formação, sejam elas de natureza sindical, profissional, científico-profissional ou outra. Desejam afirmar, porém, que as organizações acima referidas são organizações da sociedade civil com legitimidade própria para se pronunciarem sobre as questões respeitantes ao sistema de ensino e à governação das escolas;

Deste modo, num contexto em que o poder político afirma a necessidade de envolver a sociedade civil na governação das escolas, a eventual limitação da intervenção no debate destas organizações e/ou movimentos independentes constituídos especificamente para este efeito, comprometerá gravemente a legitimidade dessa governação e das políticas que a determinam, gerando inevitavelmente fenómenos de inércia na sua aplicação, em grande parte resultantes da forma como a informação e o debate (não) se realizaram.

(via A Educação do meu umbigo)

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quinta-feira, janeiro 10, 2008

Gaiteiros - Chula da Póvoa

Chula da Póvoa


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quarta-feira, janeiro 09, 2008

A lógica do Ministério da Educação




Parece que Portugal recebeu dinheiro da U.E. para formação profissional. Verdade?
Parece que o M.E., afinal, continua a exigir acções de formação aos seus professores para eventual progressão na carreira. Verdade?
O que eu sei é que estão já disponíveis mapas de acções de formação em várias escolas. Conforme a sua duração assim lhes corresponderão créditos que os professores vão acumulando.
O que eu também sei é que essas acções de formação vão ser pagas pelos formandos, pelo menos para já, e que ficam entre 50 e 70 euros cada.

Ora, todos sabemos que as empresas privadas investem na formação dos seus quadros, pagando-lhes essa formação. Também sabemos que até 28 de Agosto de 2005 o Estado pagava a formação dos seus professores, pelo menos a que lhes exigia, pois cada profissional podia reforçar os seus conhecimentos, actualizar-se, com outras formações que pudesse pagar.

É espantoso o que estamos a observar todos os dias, especialmente a actuação deste governo no que diz respeito às suas atitudes para com o corpo docente público.
Despojam-no de dignidade, sugam-lhe as algibeiras, retiram-lhe autoridade, exploram-no até à exaustão com implicações na qualidade do Ensino em Portugal.
Mas Sócrates não está preocupado com a Educação, está ocupado em apresentar números, não para os nacionais mas para os seus congéneres estrangeiros a quem ele "bate a pala". Assim com a diminuição da qualidade, com a exaustão, passarão muitos mais alunos de ano, a todos os níveis, que irão engrossar o exército de analfabetos funcionais de que já dispomos em grande número de unidades.

Há que tomar medidas que impeçam este estado de coisas!

....

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segunda-feira, janeiro 07, 2008

Gigliola Cinquetti - Dio, come te amo

Para os jovens que não conhecem,
para os mais velhos que sentem saudade,
tempos diferentes,
tempos que foram de mudança,
como em qualquer época. (MR)





From: anelia1

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Delfim Sousa - O tabu sobre o BCP

Recebido por email



É estranho o manto de silêncio, o tabu, sobre a provável e principal razão que envolve o interesse súbito de «todo o mundo» sobre o Banco Comercial Português: a possível transferência para a Segurança Social do fundo de pensões dos colaboradores do Banco avaliado em cerca de quatro mil milhões de euros.

Esta transferência, a concretizar-se, será contabilizada como receita extraordinária da Segurança Social neste ano 2008 e controlará o défice do Estado satisfatoriamente. Esta solução que estará na mira do Governo Sócrates (sem dúvidas), já foi testada pelo Governo de Guterres (com a transferência do fundo de pensões do BNU, realizado pelo ex-ministro Sousa Franco) e pelo Governo de Santana Lopes, para controlar o défice e cumprir os valores limite fixados pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Assim, no ano de 2004, o ex-ministro das Finanças Bagão Félix transferiu fundos de pensões de empresas públicas (entre outros, o Fundo da Caixa Geral de Depósitos) para a Caixa Geral de Aposentações, conseguindo um encaixe financeiro de cerca de 1,9 mil milhões de euros (segundo foi noticiado).

Estamos, na verdade, no cerne das negociações das cadeiras na Administração do BCP! Isto é, poderá o PS garantir um perfeito e tranquilo sucesso orçamental no Ano 2008, com uma total concordância do maior partido da oposição (?), tendo em vista o ano de eleições de 2009? Mas, é bom recordar e não esquecer (PS e PSD) o parecer do Tribunal de Contas sobre este tipo de operações:
"O impacto directo sobre as finanças públicas, que se projectará por um período longo, resultante das transferências referidas, tem um efeito positivo sobre as receitas do Estado no ano em que ocorreram, mas têm um efeito inverso nos anos posteriores, uma vez que as receitas não serão suficientes para suportar o valor das despesas".
Neste cenário, bem descrito pelo Tribunal de Contas, afirmamos que não se augura nada de bom para os reformados e trabalhadores no activo com a transferência do Fundo de Pensões para o Estado. Denunciamos a apatia e a ingenuidade dos Sindicatos e da Comissão de Trabalhadores do BCP em não verem e não perceberem o fundo real da situação. Ou, será que querem ver e perceber? Porque será que não defendem os legítimos interesses dos trabalhadores com absoluta firmeza e determinação?

O Accionista mediático do BCP, Joe Berardo, o homem que «Sabe Tudo», que no seu apostolado de criticas e denúncias emite opiniões diversas, ainda não se pronunciou sobre esta matéria? Ou, será que sabe e não quer dizer? Ou, sabe mesmo da medida desejada pelo Governo de Sócrates?

O Senhor Joe Berardo não é seguramente um «capitalista do povo», como quer fazer passar na imagem que vende. Pelo contrário, Berardo defende unicamente o seu dinheiro, os seus investimentos e o Fundo de Pensões representa uma responsabilidade para o Banco que quer ver eliminada, ou antes, transferida para o Estado.

Finalmente, independentemente dos respeitáveis nomes que são apontados como candidatos às cadeiras do Conselho de Administração Executivo do BCP, os accionistas, os clientes, os colaboradores do Banco, gostavam de saber da voz dos Candidatos a Presidente, nos próximos dias que antecedem a Assembleia Geral, quais são os modelos e as orientações que pretendem imprimir na organização, se vão seguir a política das fusões, se vão continuar o Programa em marcha “Millennium 2010”, etc. Ou seja, Os Curriculum Vitae de Santos Ferreira e Miguel Cadilhe são inquestionáveis, mas urge sentir e reflectir as linhas orientadoras de liderança que sustentam as suas candidaturas.

Até agora vivemos no campo vago da dança dos nomes. Historicamente, o Banco Comercial Português sempre nos habituou à excelência na liderança e à clareza sólida dos objectivos a atingir. Por esta via, se atingiu o patamar de importância que o BCP hoje ocupa no sistema financeiro português.

DELFIM SOUSA

Accionista, Ex-Quadro do BCP, Ex-Sindicalista, Ex-Membro da Comissão de Trabalhadores do BCP

delfimsousa1@netcabo.pt

Telemóvel: 91 635 90 54

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domingo, janeiro 06, 2008

Un novo tipo de inteligência

Eis um site com uma nova visão de crianças e adultos sobre-dotados.

Já vai longe a imagem de uma pessoa que é excelente em matemática e usa óculos (se bem que alguns até são assim).

Convido-vos a ir ler, até pode ser que se reconheçam.

douance

É em francês... Coragem ; )

Avó Wanda

Abaixo-assinado sobre a Gestão Escolar

POR UM REGIME DE DIRECÇÃO E GESTÃO QUE DEFENDA A DEMOCRACIA NA ESCOLA PÚBLICA E RESPEITE A PROFISSÃO DOCENTE



Os professores e educadores portugueses têm dado inestimáveis contributos para a construção da democracia na Escola Pública, assegurando a sua gestão, durante mais de trinta anos, por vezes em condições particularmente difíceis.

Confrontados com a intenção do Governo de alterar o modelo de autonomia, administração e gestão com pressupostos que desprezam o património histórico da Educação em Portugal, os professores e educadores abaixo-assinados, rejeitam a ideia promovida pelo governo de que as dificuldades e problemas vividos no sistema educativo resultam de práticas democráticas na gestão das escolas e de que há um conflito que opõe os docentes à sociedade e os interesses dos professores aos das escolas e dos alunos e manifestam a sua frontal discordância com:
  • a imposição de um órgão de gestão unipessoal e o processo da sua selecção;
  • a desmedida concentração de poderes no director que, entre outros aspectos, designa todos os coordenadores das estruturas pedagógicas intermédias e preside obrigatoriamente ao Conselho Pedagógico;
  • a constituição de um Conselho Geral revelador de desconfiança em relação aos docentes, colocando-os em minoria e impedindo-os, até, de exercerem a sua presidência;
  • a completa desvalorização do Conselho Pedagógico.
Na defesa de uma Escola Pública de Qualidade e da dignificação da profissão docente, este abaixo-assinado afirma e defende, de acordo com o consagrado na Lei de Bases do Sistema Educativo:
  • o reconhecimento da importância do papel dos professores e do Conselho Pedagógico, garante do primado do pedagógico e do científico face ao administrativo;
  • o princípio da colegialidade e as suas vantagens, face aos riscos da autocracia e das lideranças unipessoais.
Com a sua experiência e saber profissionais, os docentes afirmam que o modelo proposto pelo Governo é contrário às necessidades da Escola Pública e do Sistema Educativo. Este projecto é mais uma afronta aos professores que proclamam que nenhum sistema educativo melhora com a reiterada desvalorização dos seus profissionais.

Os professores e educadores consideram que a sua participação neste abaixo-assinado integra o processo de "consulta pública" sobre o projecto apresentado pelo Governo e afirmam a sua disponibilidade para lutar no sentido de que os princípios aqui expressos, sejam devidamente acolhidos e reflectidos.


Fonte: FENPROF
Se pretender assinar, clique aqui.

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sábado, janeiro 05, 2008

A globalização à portuguesa

"A lavoura nacional não passa dos 700 Kg de trigo por hectare, enquanto que os franceses produzem 5 mil Kg por hectare".

Esta é a parte que os nossos políticos gostam de contar, para justificar à populaça os magros vencimentos nacionais, comparados com os da europa.
Aqui vai o resto da história, que os mesmos políticos não gostam de contar, para não se colocar em causa os magros rendimentos dos políticos europeus, quando comparados com os dos nossos governantes:

"Os 700 Kg de trigo nacional destinam-se ao consumo humano, e os 5 mil Kg de trigo francês destinam-se a fazer biodiesel, para transportar o trigo nacional para os franceses fazerem o seu pão.
Para os camiões não virem vazios, trazem trigo francês para os portugueses fazerem o pão de que necessitam para continuar a produzir os seus magros 700 Kg.
Quanto ao preço do pão, esse fica mais caro aqui, porque alguém tem que pagar o biodiesel que os camiões gastam para fazer a troca".

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quinta-feira, janeiro 03, 2008

Referendo Europeu

Referendo europeu
Peço um referendo consultivo europeu sobre a Constituição Europeia, a realizar no mesmo dia que as eleições para o Parlamento Europeu de 2009.


Publicado por Moriae em A Sinistra Ministra

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quarta-feira, janeiro 02, 2008

Paulo Guinote - Debate sobre a Gestão das Escolas

Já que não se percebe como a tutela pensa envolver todos os interessados na discussão do novo modelo de gestão escolar, para além do espaço reservado no site do ME para quem quiser deixar o seu contributo, parece sentir-se a necessidade em muitos de nós de conhecer melhor o novo modelo proposto para a gestão das escolas públicas, assim como de debater a solução apresentada.

Se com os contributos que foram deixados para o Debate Nacional sobre a Educação foi o que se viu (tudo na gaveta), com todo o aparato formal que teve, já sabemos que neste caso a “consulta pública” não passará de uma formalidade com um sentido: o ME apresenta a sua proposta, os parceiros e o vulgo lêem-na e está tudo resolvido. Acertam-se umas vírgulas, emendam-se as incongruências mais disparatadas e o projecto faz-se lei com todas as suas insuficiências, equívocos e contradições com outros diplomas legais em vigor.

Pelo menos com o RAAG houve algum cuidado em, gostássemos ou não do projecto, tentar explicá-lo às pessoas, com sessões abertas ao público interessado e mesmo com debates sobre o tema. Podiam não ser as melhores iniciativas - assisti a uma perfeitamente caricata com um técnico superior do ME, apoiado num powerpoint, que não aceitava interrupções na sua exposição e escrutinava as questões a que não respondia - mas era alguma coisa.

Agora adivinha-se pouco mais do que nada: um destes dias alguém do ME reúne-se com os “parceiros” e dessa reunião sairão sindicatos zangados, Confap feliz e a ANMP a pedir mais dinheiro. Consta que o Conselho de Escolas emitirá um parecer, mas desconhecem-se os trâmites para a sua elaboração.

Por isso mesmo é necessário que algo mais se faça, em tão curto espaço de tempo. E nesse sentido a Isabel Guerreiro enviou-me no passado domingo o mail que passo a transcrever na íntegra (e a que já aludira em post anterior):

Olá Paulo

Não me conheces mas como tu sou professora e descobri há pouco tempo o teu blogue, onde me revejo (como muitos outros colegas aliás) nas tuas tomadas de posição perante o descalabro que tem sido a actuação deste governo no campo da educação.

Ao mesmo tempo constato, com desânimo, que muitas das vozes de protesto que se ouviam/liam se remeteram ao silêncio (de mim falo) ou andam por aí espalhadas pelos vários umbigos da blogosfera.

Esta notícia do Público (ver anexo) não é uma surpresa e faz antever a machadada final que se preconiza para a escola pública, republicana e laica.

Penso que, se não fizermos alguma coisa agora, será muito difícil reavê-la mais tarde.

Sabemos como é a nossa “classe” e os nossos “sindicatos” mas ninguém me convence de que esperarmos de braços cruzados é a única alternativa.

Por que não esquecermos as divergências pontuais de alguns professores e pedagogos mais lúcidos e activos da nossa (pobre) praça (estou a pensar em Santana Castilho, Mithá Ribeiro, Amélia Pais e outros tantos que certamente conhecemos) e nos reunimos para tomar uma posição firme e clara perante tudo isto?

O projecto de lei vai estar em debate público durante o mês de Janeiro, não há tempo a perder.

Um dos pontos de partida poderia ser um abaixo-assinado on line que permitisse também agregar o maior número de pessoas em torno desta questão central para a democracia, de modo que, mesmo o governo leve avante o seu projecto, se possa constituir um grupo mais ou menos organizado de resistentes.

A escola pública tem de ser uma questão transversal de cidadania acima de lógicas “politiqueiras” mesquinhas!

Uma vez que muitos colegas nossos frequentam o teu blogue, deixo-te este desafio: não queres tomar a iniciativa de promover um debate público aberto sobre esta questão (não faltarão espaços onde um evento desses possa ter lugar)?

Isabel Guerreiro
(professora de educação musical)

Como a ideia é boa, reencaminhei este mail para uma dúzia de colegas, autores de blogues e não só, no sentido de auscultar ideias e se procurarem propostas de acção concreta para as próximas semanas. O Fernando Martins divulgou a ideia no Geopedrados, o Miguel Pinto fez o mesmo, acrescentando a sua opinião no outrÒÓlhar, o José Matias Alves já vem abordando o assunto há alguns dias no Terrear, assim como já terão aparecido entretanto outras prosas em outros blogues, à medida que fui recebendo resposta aos mails e comentários aqui no Umbigo por parte de pessoas de que não tenho o contacto directo.

Neste momento, e para facilitar, eu sintetizaria algumas das opções em aberto, para serem concretizadas em rede ou isoladamente, a partir da ideia original. Nos próximos dias (até final da semana) irei tentar sistematizar prós e contras e avaliar da exequibilidade de cada uma:
  • Realização de um encontro de âmbito nacional sobre o tema, organizado a partir da blogosfera, mas com ancoragem em grupos locais/regionais de professores.
  • Realização de uma rede de encontros locais/regionais deste tipo, com um calendário adequado às possibilidades de cada grupo dinamizador, reunindo-se no final os diversos contributos.
  • Sensibilização dos órgãos de gestão das Escolas/Agrupamentos e Centros de Formação para a realização - em prazo útil - de iniciativas destinadas ao debate do tema.
  • Organização de um abaixo-assinado/petição online para que o debate em torno desta legislação seja mais alargado.
  • Produção de materiais sobre o tema para um suplemento especial do Correio da Educação a publicar na segunda/terceira semana de Janeiro, sob coordenação do J. Matias Alves.
  • Abordagem sistemática do diploma apresentado pelo ME, assim como do modelo de gestão da Escola Pública nos blogues.
Penso que, no essencial, são estas as ideias que até ao momento recolhem maior consenso, sendo evidente que quase todos os que se pronunciaram parecem concordar que, mesmo articulando esta iniciativa com organizações existentes, deveria ser algo que emanasse directamente dos professores e da sua vontade de participar na discussão do seu futuro, sem filtragens hierárquicas/organizativas, que possam desvirtuar a sua espontaneidade ou tornar mais fácil a sua catalogação por parte de quem gosta de ver o mundo apenas a preto/branco ou vermelho/verde.

Como iniciativa de Ano Novo a coisa é obviamente ambiciosa.

Pelo que me toca, e na medida das minhas possibilidades, a partir de amanhã penso começar uma série de textos sobre a proposta governamental de gestão escolar, da qual discordo em vários aspectos da sua fundamentação teórica, da sua dimensão prática e ainda da sua incongruência com diversa legislação existente,a começar pela LBSE. Esses textos serão sintetizados para uma crónica a inserir no Correio da Educação. Se estiver mesmo bem disposto colocarei os materiais produzidos aqui no blogue, incluindo este post, no espaço de propostas aberto pelo ME.

Na minha escola, onde tem sede um Centro de Formação, irei procurar saber o que se poderá realizar a nível local e, a partir daí, procurar perceber o que será possível alargar.

Claro que quem tiver essa possibilidade e principalmente os contactos certos, também deveria sensibilizar quem de direito nos órgãos de comunicação social de “referência”, escritos mas não só. Porque não conheço a agenda do Prós & Contras não sei se esta será uma temática a abordar proximamente.

Agora, é esperar de forma activa pelos próximos episódios.

Paulo Guinote in
O Novo Modelo de Gestão das Escolas: O Debate Necessário
publicado por A Educação do meu Umbigo em 1º de Janeiro de 2008

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terça-feira, janeiro 01, 2008

João Tilly e a comunicação social

"Quem viu ontem os Gatos, na passagem do ano, contente-se agora com a sua recordação e diga-lhes adeus pelo menos até Outubro. É que o grupo tem contrato de exclusividade com a RTP, mas está impedido de trabalhar até lá. Quer dizer: recebem para não trabalhar. Pareceria uma enorme estupidez, pagar balúrdios a gente que consegue a liderança das audiências, neste preciso momento... para não fazerem nada, cedendo desta forma estúpida uma liderança certa à concorrência. Mas é preciso perceber que quem lhes paga somos nós. O contrato é com a RTP e os buracos da RTP são sucessivamente cobertos pelo estado. Portanto não faz mal a ninguém. E depois é preciso perceber-se que eles estavam a ser incómodos de mais para Sócras e a sua pandilha. Pode dizer-se até que os Gatos eram, neste momento, a única pedra no sapato de Sócras, já que toda a comunicação social está controlada, desde as rádios às televisões, passando pelas sondagens e pela imprensa escrita propriedade de 3 grandes grupos financeiros. A estratégia parece-me simples: o povo será submetido, a partir de agora, a uma medicação diária de 2 anos, com lavagens sucessivas e permanentes ao cérebro onde se lhe incute que, por pior que os portugueses vivam, este "é o melhor governo do mundo" e a coisa fica assim mais composta e a revolta natural, provocada pela vida cada vez mais difícil e já quase impossível para a esmagadora maioria dos portugueses, fica abafada.
As sondagens continuarão a mostrar que Sócras ganhará com maioria absoluta e quando chegar a hora das eleições espera-se que o rebanho se comporte em conformidade com a ração que lhe é deitada. Já Pavlov o postulava... o princípio da acção e reacção.

O dramático é percebermos que as poucas vozes que se levantavam a denunciar esta nova ditadura da comunicação social - mesmo que na brincadeira - acabam por ser sistematicamente silenciadas.

Ninguém pode ridicularizar o ridículo Sócrates. Ninguém pode denunciar as verdades que, aos olhos de todos, assumem proporções de verdadeiro escândalo internacional. Ninguém pode dizer a verdade, a partir de agora, em Portugal. E o povo continua oprimido, a pagar cada vez mais pelos serviços cada vez piores, a suportar uma corda ao pescoço cada vez mais apertada pela alta finança, a verdadeira patroa deste - e de qualquer outro - governo.

As poucas vozes vão-se calando... a válvula de escape da sociedade vai-se emperrando, mas isso pode não ser bom para o governo. Quando uma caldeira ou uma simples panela de pressão aquece cada vez mais e tem a válvula de segurança avariada, o que acontecerá inevitavelmente? Esta democracia de mentirinha que todos os dias é substituída, nas suas diversas vertentes, por um polvo ditatorial que vai estendendo os seus tentáculos a todas as áreas de intervenção social, instalando-se progressivamente à vista de todos, não sobreviverá muito mais tempo. Depois de nos tirarem o direito à saúde e depois de deixarem a justiça e o ensino num estado caótico, este governo não poderá esticar muito mais a corda, porque o povo não aguenta. Penso seu...Mas, se calhar, sim. Aguentámos os espanhóis durante 60 anos e a última ditadura mais 48... E já vamos em 34 de anarquia democrática e de assalto generalizado ao aparelho de estado por parte da alta finança que recuperou, em menos de uma década, tudo o que terá perdido na revolução dos cravos. Já foi indemnizada milhões de vezes mas continua a reclamar mais e mais ainda de quem já não pode pagar nem sequer os juros.

A válvula de segurança da sociedade deve estar lubrificada e operacional. Não deve soldar-se à estrutura. O governo deve deixar as pessoas indignarem-se publicamente com a sua atitude despótica e ditatorial. Para além de um direito constitucional, é a atitude social mais inteligente. Mas não é isso que se verifica. São dezenas os exemplos de tentativas de controle da comunicação social. E já nem isso é notícia. Tal como a subida semanal dos combustíveis já o não são. É suposto que os portugueses continuem a ser oprimidos e a pagarem pelos bens essenciais o dobro do que aqueles que ganham o triplo do que nós ganhamos pagam.

Esta indignidade é inclusive defendida descaradamente nas televisões pelos comentadeiros proSócras do costume - os únicos que são convidados a "opinar", hoje em dia. Não sei quem se lembrou de submeter o povo português a tal indignidade.

Fizemos, os portugueses, mal a alguém para nos calhar esta sina?Assim está mal, caros leitores. Assim é fascismo. Assim Portugal não pode sobreviver enquanto democracia. Até na América Latina a pobreza intectual deixou de andar de mão dada com a repressão. Portugal não será excepção. Ou a alta finança pela mão do seu mordomo, José Sócrates, alivia a opressão sobre o povo, ou um novo 25 de Abril se aproximará a passos largos. É inevitável. Bom ano de 2008 para Portugal."


Fonte: João Tilly in
2008 começa com o controle total da comunicação social pelo governo
publicado no seu blog pessoal em 1º de Janeiro de 2008

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