sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Os professores rejeitam esta avaliação

Movimento dos professores revoltados

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
INSCREVE-TE e PARTICIPA! 08 MARÇO.


professor suplente disse...

Se a intenção do Min-Edu é complicar a vida dos professores e da escola, colocando professores contra professores, pois seria esse o resultado de todo o processo se se viesse a concretizar, pois a avaliação entre pares é inaceitável. A ser regra, teríamos então ministros a avaliar desempenho de ministros (com quotas), etc.

Vamos então, se o Min-Edu teimar nesta asneira, reivindicar o seguinte: já que titulares vão avaliar não titulares, os titulares devem reivindicar o direito de assistir às aulas que entenderem dos titulares para "aprenderem" a respeitar todos os infinitos parâmetros da grelha. Todos, sem excepção devem exigir esse direito e solicitar as planificações de aula dos colegas titulares para assim verificarem o que é um exemplo de planificação e preenchimento de requisitos da "grelha".

Vamos difundir esta ideia em força antes do dia 8, para mobilizarmos todos os professores e sociedade civil para esta aberração que querem impor na escola, fazendo-a implodir.

28 de Fevereiro de 2008 17:54

Laurentina disse...

O país é pequeno e tudo se acaba por saber. Esta está demais...
Falei ontem com um colega socialista que esteve na reunião com o 1ºM e MLR e estava indignado porque quando alguém perguntou onde os professores avaliadores iriam arranjar horas para avaliar, assistir às aulas e todo o lado burocrático do processo, a ministra respondeu que não havia qualquer problema porque os professores avaliadores eram professores titulares, portanto com muita experiência, e já não perdem tempo a preparar as suas aulas...
Como diria Fernando Pessa:
"E esta, hein?"

29 de Fevereiro de 2008 3:39

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Pablo Neruda - Muere lentamente

¿Quién muere?
Pablo Neruda

Muere lentamente
quien se transforma
en esclavo del hábito,
repitiendo
todos los días
los mismos trayectos.

Quien no cambia de marca,
no arriesga vestir
un color nuevo
y no le habla
a quien no conoce.

Muere lentamente
quien hace
de la televisión su gurú.

Muere lentamente
quien evita una pasión,
quien prefiere
el negro sobre blanco
y los puntos sobre las “íes”
a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan
el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos,
corazones a los tropiezos
y sentimientos.

Muere lentamente
quien no voltea la mesa
cuando está infeliz
en el trabajo,
quien no arriesga
lo cierto por lo incierto
para ir detrás de un sueño,
quien no se permite
por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente
quién deja escapar un posible amor,
con tal de no hacer el esfuerzo
de hacer que éste crezca.

Muere lentamente
quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra
gracia en si mismo.

Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente,
quien pasa los días quejándose
de su mala suerte
o de la lluvia incesante.

Muere lentamente,
quien abandonando
un proyecto
antes de empezarlo,
el que no pregunta
acerca de un asunto
que desconoce
o no responde
cuando le indagan
sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte
en suaves cuotas,
recordando siempre
que estar vivo
exige un esfuerzo
mucho mayor
que el simple hecho
de respirar.

Solamente
la ardiente paciencia
hará que conquistemos
una espléndida felicidad.


Fonte: SUSURROS DEL ALMA

Etiquetas: ,

JS - Avaliação dos alunos

(grato a Fm em A Educação do meu umbigo)



Infelizmente Portugal já se comentou a si próprio! Parece o PM que se enaltece a si próprio, defeitos de formação, do PS, digo eu! E a propósito sou professor num colégio particular... Quer saber a diferença: Um aluno que reprove dois anos no mesmo ano é expulso! No que dei aulas no ano transacto, dois recados na caderneta escolar, ao 3º dá expulsão da escola... Nenhum pai questiona o Prof. porque senão o filhinho tem guia de marcha... É a disciplina ao serviço da educação e assim qualquer um consegue realizar um bom trabalho, não é difícil, ou melhor, pelo é menos mais fácil.... Mas tem mais, o Director do ciclo, não dá aulas apenas acompanha os professores, alunos e pais! Em suma resolve os problemas, orienta e esclarece! Tudo funciona bem! Estranho terem acabado os directores a tempo inteiro nas escolas de 1º ciclo, não! Se calhar é por falta de avaliação, ou será que foi para poupar?! E mais....E mais… E mais... podia escrever um livro que a sua bacoca inteligência não o ia entender, porque está tolhida no lamacento Roseiral.

JS em comentário 16 (28.02.2008 - 12h57) ao artigo
Sindicato de Professores da Região Centro entrega queixa em Tribunal contra Ministério
publicado no Público em 28 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: , ,

Ramiro Marques - Avaliação de professores

(via mail de Maria Lisboa)


Ramiro Marques
Vou contar pela primeira vez um episódio que esteve na génese do processo de avaliação de desempenho dos professores. O secretário de estado, Valter Lemos, que eu conheço desde os tempos em que estudámos juntos na Boston University, já lá vão 24 anos, pediu-me para reunir com ele com o objectivo de o aconselhar nesta matéria. Tenho de confessar que fiquei admirado com o conhecimento profundo e rigoroso que Valter Lemos mostrou ter da estrutura e da organização do sistema educativo português. Enquanto estudante, habituara-me a ver em Valter Lemos um aluno brilhante e extremamente trabalhador, qualidades que mantém passados tantos anos.

No início, fui um entusiasta da avaliação de desempenho dos professores pois considerava que manter o status quo era injusto para os professores mais dedicados e competentes. Nessa altura, eu encarava a avaliação dos professores como um factor de diferenciação que pudesse premiar os melhores e incentivar os menos competentes a melhorarem o seu desempenho. Fiz algumas reuniões de trabalho com a equipa técnica do ME e logo me apercebi de que a Ministra da Educação estava a engendrar um processo altamente burocrático, subjectivo, injusto e complexo de avaliação do desempenho que tinha como principal objectivo domesticar a classe e forçar a estagnação profissional de dois terços dos docentes. Ao fim de duas reuniões, abandonei o grupo de trabalho porque antecipava o desastre que estava a ser criado.

Nas reuniões que eu tive com a equipa técnica do ME, defendi a criação de fichas simples, com itens objectivos, sem a obrigatoriedade da assistência a aulas, a não ser para os casos de professores com risco de terem um Irregular ou um Regular (numa perspectiva formativa para melhorar a qualificação ou, havendo razão, proceder à sua exclusão), e com um espaçamento de três anos entre cada avaliação. Hoje, passados três anos, considero que se perdeu uma oportunidade de ouro para criar uma avaliação de desempemho dos professores realmente objectiva, justa, simples e equilibrada.Em vez disso, criou-se um monstro que vai consumir milhões de horas de trabalho e de recursos nas escolas e infernizar a vida de muitos professores, roubando-lhes a motivação e a energia para a relação pedagógica e a preparação das aulas.


in Barcelona 20,
publicado por Ramiro Marques em 7 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: , ,

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Bob Dylan - Blowing in the wind

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.



How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.


Fonte: Bob Dylan songs

Etiquetas: ,

Curriculum Vitae da Dona Maria.

Terminado o 5º ano dos liceus foi para Moçambique colonizar pretos e aí foi Sssss Prossora e levou muitos meninos a exame de 4ªa classe à maneira de slazar.
Teve sucesso, pois partia as venta à canalha à vontade e ninguém lhe dizia nada.
Ao depois veio como retórnada e meteu-se no curso mais da treta que havia na altura, uns pontos ainda abaixo da fiósofia e foi pra doutora souciólga.
Terminada a coisa da souciólga, foi pró ISCTE onde andam todos os dótores que nunca tiveram peida para meter numa sala de capelos de Cóimbra.
E aí a temos, avalição dos prófessores à Dótora, nota máxima.
Conseguiu fugir ao curso geral dos liceus completo e nunca precisou da escola para nada, mesmo sem haver novas oportunidades.
Construtor Civil | 25.02.08 - 5:43 pm | #

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Maria de Lurdes Rodrigues no Prós e Contras

Já lá vai o tempo em que a Ministra da Educação impunha como condição para participar no Prós e Contras a não comparência da Fenprof. A expulsão de Correia de Campos por incapacidade de gerir a imagem pública do governo a isso obrigam. Neste ponto estamos. O ambiente não está favorável a soluções de demasiado conforto governativo. Assim, para Maria de Lurdes Rodrigues, excluir a Fenprof com os professores todas as semanas na rua was not an option.
Os tempos também estão diferentes noutro aspecto. A torrente legislativa foi planeada para apresentar resultados na próxima campanha eleitoral do Partido Socialista e, nesse aspecto, está completa. Agora trata-se de gerir os estragos entre os professores com a confiança de quem tem a bota em cima, altura em que um sorriso seráfico nos lábios fica sempre muito bem.
Este foi o contexto em que decorreu o debate de ontem na RTP1.
Afinal, a missão até não foi assim tão difícil de levar a cabo. Valeu a experiência da equipa de realização para ocasiões como esta.
Não houve propriamente debate: para isso, além de argumentos passíveis de serem rebatidos, teria que haver também a oportunidade de réplicas. Ora, à excepção da ministra, que teve todas as oportunidades de se referir a cada um dos pontos específicos na altura que achou melhor, nenhum dos demais participantes teve idêntico direito. Estes últimos limitaram-se a procurar sintetizar na medida do possível um conjunto complexo de questões dentro dos poucos minutos que lhe estavam destinados e depois disso assistir calados o resto do tempo.
A fase em que o debate chegou também não foi inocente. Não se tratava de procurar agora centrar o discurso na incongruência do sistema de quotas para promover o mérito entre os professores. Nem de trazer ao de cima os subtis mecanismos de adulteração dos resultados escolares que explicam que as repetências (ou chumbos, em português mais corrente) apareçam em grande número nos anos seguintes ao do ensino obrigatório. Nem de apreciar as falácias da entrada dos elementos externos na gestão, inclusivamente pedagógica, das escolas. Nem de evidenciar as mazelas que programas desarticulados provocam ao trabalho dos professores. Nem mostrar o desprezo que os responsáveis do Ministério da Educação nutrem pelas condições de êxito do trabalho na aula, forçando a sua duração aos noventa minutos. Nem de explicar ao público geral a demagogia do discurso meritocrático, quando as peças legislativas definem corredores VIP para os lugares de maior poder sobre a escola. A catadupa de medidas foi de tal modo arrasadora, que tudo teria que ser feito ao mesmo tempo, por professores que vieram de todos os pontos do país, sem tempo para concertarem entre si os tópicos que cada um deveria expôr.
Os professores foram apresentados à opinião pública como os responsáveis pela situação do ensino. Esta acusação procura retirar, uma vez mais, a responsabilidade das estruturas ministeriais presentes e passadas: não cabia aos professores a regulamentação da lei velha de quinze anos definindo os mecanismos precisos da avaliação; não foram os professores que desarticularam os programas; não foram os professores que permitiram que livros escolares sem qualidade fossem postos no mercado; não foram os professores que retiraram os exames do ensino obrigatório. O sarilho está demasiado embaraçado para que agora tudo possa ser escalrecido de uma assentada. Ficar comodamente sentado a registar a exaltação que estas condições gravosas provocam a qualquer profissional que respeite e estime o seu trabalho, deixando-se seduzir pela calma cínica da ministra, é a melhor maneira de continuar a iludir os problemas e a prolongar desnecessariamente a actual situação.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Tribunal anula despachos do Ministério da Educação

Comentário de Ana Henriques num post de A Educação do meu umbigo. (AF)
Justiça
Urgente!
Recebido por mail:

Caros colegas,
o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto aceitou a providência cautelar apresentada pelo SPN.

Nesse sentido e apesar do que diz o ME, está tudo suspenso. Felizmente não é o imbecil do Miguel Sousa Tavares que governa o nosso país (ainda que ele o sonhe…) e os tribunais ainda têm poder sobre os actos do Governo.

As consequências são simples e podem ser consultadas no site da FENPROF:
- o despacho que delega na futura Presidente de um Órgão que ainda não existe as competências do futuro órgão;
- o despacho com as fichas. Ou seja, não há fichas nenhumas para se trabalhar;
- o despacho com os prazos.

Surpreendentemente o ME colocou no “site” da DGRHE as posições que antes assumira verbalmente ( as escolas podem fazer os seus próprios calendários).
Fê-lo através de uma folha branca, sem timbre e sem responsável que assine.

Quanto à questão da presença no Plenário, creio que este texto explica tudo.

Creio que estamos no bom caminho - finalmente começa a acontecer algo, ainda residual, que nos conforta!

Agora é só continuar a aumentar a pressão!

Nota: divulguem este mail junto dos colegas que conhecem!

Etiquetas: , , ,

Alemanha - Combate aos paraísos fiscais

Paraísos fiscais

A Alemanha tem menos disponibilidades monetárias devido aos paraísos fiscais tais como o Liechenstein.
Os responsáveis alemães estão a pressionar o Liechtenstein a adoptar uma política fiscal mais transparente, enquanto decorre uma investigação em larga escala ao destino de dinheiros de alemães alegadamente escondidos neste paraíso fiscal dos Alpes.
Queremos declarar a guerra aos paraísos fiscais na Europa.
declarou Peer Steinbrueck, o ministro alemão das finanças, na edição de domingo do jornal de grande circulação, o Bild.
A queda de Klaus Zumwinkel - o prestigiado gestor da Deutsche Post e um dos homens de negócios mais conhecidos - assim como a revelação de que ele e outros homens prósperos na Alemanha estariam a usar o Liechtenstein para ocultar as suas receitas, causou uma onda de furor.
Peer Steinbrueck não mede as palavras quando se refere à evasão fiscal.

in Germany Wants Broader Tax-Haven Crackdown in Europe
publicado pelo Deutsche Welle a 23 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: , , , ,

domingo, fevereiro 24, 2008

11 de Setembro - Por uma comissão de inquérito independente

Passadas algumas semanas sobre o Parlamento Japonês, é a vez da Europa abrir um debate sobre os acontecimentos do dia 11 de Setembro de 2001. Apesar de jornalistas e políticos franceses continuarem a sustentar a versão da conspiração islâmica da adminisração Bush, o eurodeputado italiano Giulietto Chelsa organizou uma jornada histórica que irá decorrer no Parlamento Europeu de Bruxelas no próximo dia 26 de Fevereiro, que inclui a exibição do seu filme "ZERO - Inchiesta sull' 11 Setembre."

Este documentário é fruto de um trabalho colectivo englobando oito meses de inquéritos, reportagens e entrevistas, tanto na Europa como nos Estados Unidos da América. O filme será seguido de debate com, entre outros, Giulietto Chiesa (jornalista e político italiano, membro da comissão de inquérito do Parlamento Europeu sobre as prisões secretas da CIA), Andreas von Bulow (antigo ministro alemão e especialista dos serviços secretos), Pr David Ray Griffin (autor de quatro livros de referência sobre o 11 de Setembro e especialista em processos de investigação) e Yukihisa Fujita (deputado japonês).

Esta iniciativa inscreve-se no movimento de resistência, agora com amplitude internacional, iniciado pelas famílias das vítimas e que apela à formação de uma comissão de inquérito internacional independente sobre o 11 de Setembro.

Ler a notícia completa aqui.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Ordem lexicográfica

(Solução do problema proposto no dia 11 de Fevereiro)

Cada permutação encerra nas inversões entre os seus elementos o número de ordem em que apareceria numa lista ordenada com todas as restantes permutações. A primeira tabela indica a vermelho os elementos que se encontram em ordem alfabética invertida relativamente a cada uma das posições anteriores, assinaladas a negrito.


xigubo
xigubo
xigubo
xigubo
xigubo
xigubo


A segunda tabela regista o número de inversões para cada posição:



InversõesPesoParcial
x55!600
i24!48
g13!6
u22!4
b01!0
o-0!0
Total658

(As respostas estavam conceptualmente certas, mas houve desatenção aos pormenores)

Etiquetas:

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O CERN em 3 minutos

O CERN - Conseil Européan pour la Recherche Nucléaire - é o maior centro mundial de investigação da Física das partículas.



É uma organização europeia para a investigação nuclear. Situa-se na Suíça , em Genebra.
Veja, também, o glossário do Laboratório de Instrumentação e Física das Partículas da Universidade de Coimbra

Etiquetas: , ,

Le Club des Cent (3)

Uma elite de adventícios

Elite francesaO Sr Fourtou, por exemplo, cresceu na região basca de Espanha junto do seu avô, que não frequentou a escola, e durante um curto período dirigiu um jornal e quiosque de livros para ajudar a família da sua mulher, após a sua formação na École Polytechnique.

"Cresci nem pobre nem rico," afirma o Sr Fourtou. "O meu pai foi um professor de matemática." Também os pais do Sr Bébéar foram professores na região da Dordonha, a Sudoeste da França.

Em vez de um sistema rígido de classes, foi a admissão do Sr Fourtou e do Sr Bébéar na École Polytechnique que garantiram os seus lugares dentro da elite. Isto é, por outro lado, uma das grandes ironias do situacionismo francês: ao mesmo tempo de gozam de privilégios análogos aos da elite dos Estados Unidos, a entrada na elite francesa é, no mínimo, de teor meritocrático muito mais acentuado, baseada em exames e selecções cada vez mais afunilados desde uma fase muito precoce.

O acesso à Universidade de Harvard, restringido a 9% dos candidatos, é uma suave aragem quando comparado à entrada na École Polytechnique.

Em França, dos 130 mil alunos que optam pelas áreas de ciências nas escolas secundárias, só cerca de 15 porcento conseguem nota nos exames suficiente para se candidatarem aos cursos de dois ou três anos de preparação para as universidades de elite. Dos que conseguem, 5 mil candidatam-se à École Polytechnique, referida simplesmente por "o X", e destes apenas 400 provenientes da França conseguem entrada.

A admissão é estritamente baseada nos exames dos cursos preparatórios; não há sequer um teste ou entrevista. E também não há admissões por desempenhos escolares extemporâneos, desportivos ou de outra ordem, para curto-circuitar as dificuldades de entrada "no X", tão usuais aqui nos Estados Unidos.

"Podes ser mesmo sobrinho do presidente, para entrares isso em nada te ajudará", diz Bernard Oppetit, um graduado do X de 1978 que trabalhou mais tarde no BNP Parisbas, antes de fundar a "Capital Centaurus", um fundo de investimentos londrino que gere uma carteira de 4 mil milhões de dólares.

A École Polytechnique foi fundada em 1794, durante a Revolução Francesa, para treinar os engenheiros militares franceses, e oficialmente permanece debaixo da tutela do ministro francês da Defesa. Não só esta escola é gratuita, como os seus estudantes recebem uma bolsa do governo para suportarem as suas despesas.

"Chamamos-lhe elitismo democrático," diz Pier Tapie, decano da Essec, uma escola de topo em gestão. "Estes são lugares em que podes encontrar-te com gente extraordinária, que estão lá porque se esforçaram muito e, entre eles, estão os elementos mais brilhantes de uma geração."

Ainda que a escola ministre temas dos mais avançados, tais como física, engenharia e ciências de computação, o seu propósito mais lato é o de criar quadros dirigentes que partilhem uma visão ordeira, hierarquizada do mundo, afirma Xavier Nichel, o presidente da École Polytechnique e general francês no activo dentro das forças armadas.

Em França, isto é conhecido como o sistema cartesiano, em homenagem ao filósofo René Descartes, e o Sr Michel encoraja os seus estudantes a "modelar" o mundo. Quando eventualmente se tornam directores executivos, assevera, "eles compreendem as capacidades das suas empresas. Sabem o que podem e o que não podem fazer."

Até ao momento, claro, em que o modelo começou a descarrilar - como acontece muitas vezes no mundo dos negócios e da finanças, qualquer que seja o país onde se exerçam.

O prejuizo de sete mil milhões de dólares provocado pelo Sr Kerviel não podia ter sido previsto por qualquer modelo, nem que fosse elaborado pelo próprio Descartes. Esta é uma razão pela qual a história da Société Générale representou um choque tão grande no situacionismo francês, que se orgulha da sua capacidade de previsão e respeito pela ordem que o Sr Michel instila nos seus estudantes.

Entre o povo francês indiferenciado, por outro lado, os destinos tão diversos do Sr Kerviel e do Sr Bouton reforçam o cepticismo nos valores do mercado livre cada vez mais apregoados pelos dirigentes dos negócios e também pelo nómada de circunstância, política e economicamente mais relevante, o Presidente Sarkozy.

NELSON D. SCHWARTZ and KATRIN BENNHOLD in
In France, the Heads No Longer Roll
publicado pelo The New York Times em 17 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: ,

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Le Club des Cent (2)

O Senhor Bébéar

Ecole Polytechnique"Em França a Administração não despede o Chief Executive Officer (CEO) com a mesma facilidade que nos EUA", disse o Sr Bébéar. "Pensamos que o CEO é responsável, porém despedi-lo de repente não é a melhor maneira de melhorar as coisas."

O Sr Bébéar, que adquiriu larga experiência nos EUA com a compra que a AXA fez de conhecidas firmas americanas tais como a Equitable Life Insurance e a Mutual of New York, disse também que "por vezes, sinto que o CEO é o bode espiatório no vosso país".

Para se chegar ao escritório do Sr Bébéar, os visitantes atravessam um átrio de vidro ultramoderno numa das artérias mais encantadoras de Paris, a Avenida Matignon, e entram numa mansão privada construida em 1767. O frémito high-tech do átrio rapidamente desaparece quando entramos no grande salão, onde sobressai um candelabro de cristal de Luis XVI, espelhos debraodos a ouro e cadeiras e sofás vermelhas e verdes.

O escritório do Sr Bébéar é igualmente faustoso e, como convém, este senta-se numa cadeira talhada da era de Luis XV, o Rei Sol. O celebrado estatuto régio atribuido a executivos dos EUA tais como John F. Welch Jr, ex-presidente da General Electric, empalidece face ao esplendor dos titãs da finança e indústria francesa.

"O CEO de uma companhia francesa é mais monarca que nos EUA", disse o Sr Bébéar. Desenvolvendo o tema, comparou os chefes executivos da França ao rei iluminado de Voltaire, ou "le monarque eclairé". No interior da França, o Sr Bébéar, agora com 72 anos, é tão da realeza como um rei.

"A imprensa trata-o como o padrinho do capitalismo francês. Ele é emblemático," diz Philippe Favre, presidente da Invest em França, uma agência governamental que encoraja companhias estrangeiras a fazer negócios em França.

Embora o Sr Bébéar construisse a AXA nos anos de 1980 e 1990 por meio de aquisições ousadas, o poder que agora disfruta vem-lhe de ligações com administrações empresariais onde trabalha e de amizades estreitas conseguidas em organizações como o Clube des Cent - além de anfitrião de festas sociais na sua propriedade próxima de Orleães. Como outros membros do situacionismo, tem muitos conhecidos seus comprometidos no affair Société Générale, de uma forma ou de outra.

Por exemplo, Jean-Martin Folz, o membro da administração da Société Générale que dirige a investigação interna sobre os prejuizos, também é membro da administração da AXA. O Sr Bébéar, entretanto, participa na administração do BNP Paribas, o maior banco francês sobre o qual há rumores de preparar uma oferta pública de aquisição à Société Générale. O presidente do BNP Paribas Michel Pébereau, por sua vez, é também membro da administração da AXA. Todos os três frequentaram a mesma escola, a École Polytechnique.

"É um universo reduzido", reconhece Jean René Fourtou, o presidente da Vivendi, o colosso francês do entretenimento, um conhecido próximo do Sr Bébéar e membro da administração da AXA.

O Sr Fourtou, igualmente graduado pela École Polytechnique e membro do Club des Cent, relembra o papel de Bébéar na sua decisão de tomar posse como presidente da Vivendi em 2002, no período em que a empresa havia caído num depressão financeira profunda associada à espiral de aquisições das dot-com.

"Inicialmente, recusei o trabalho", esclarece o Sr Fourtou. Mas num jantar no Hotel George V, o Sr Bébéar e o Sr Giscard d'Éstaing (outro aluno da École Polytechnique) tê-lo-ão persuadido a dirigir a Vivendi. Rapidamente se concentrou na empresa, tornando-a num dos negócios mais bem sucedidos nos últimos anos.

"Disseram-me que tinha que ir", recorda, tendo-se sentido pressionado para ir para a Vivendi. "Senti-me obrigado".

Quanto á crise que a Société Générale vive actualmente, o Sr Fourtou diz que é melhor que o Sr Bouton não parta já. Mas esclarece que não afirma isto por consideração para com o Sr Bouton, por convivência no Club des Cents ou por quaisquer laços.

"Se mudares o presidente imdiatamente, espalhas confusão a um problema que está localizado", afirma. Também afirma que o apoio da Société Générale ao Sr Bouton faz sentido: "A administração tomou a decisão certa, e não por causa da solidariedade".

Ainda que jantar e discursar num jantar em um dos restaurantes com estrelas Michelin possa parecer um epítome de um modo de vida aristocrático - em cada refeição, um dos membros do Club des Cent, investido como "Brigadier", faz a apresentação da selecção de pratos e de vinhos; um outro faz as apreciações críticas - muitos membros provêm de origens relativamente modestas.


NELSON D. SCHWARTZ and KATRIN BENNHOLD in
In France, the Heads No Longer Roll
publicado pelo The New York Times em 17 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: ,

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Eça de Queiroz, 1867, in “O distrito de Évora”

“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e por corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”

----------------------------------------------------------

140 anos depois, Eça sempre actual!

--------------------

Etiquetas: ,

Le Club des Cent

Elite francesaParis: De todos os clubes do mundo, o Clube dos 100 em França deverá ser o mais exclusivo. Nas suas fileiras há dirigentes dos negócios, da política e da lei; é porém a sua política de admissão que torna o Clube des Cent, como é aqui conhecido, verdadeiramente notável: só quando morre um dos seus membros há lugar à entrada de um novo membro.

Oficialmente, o clube, agora com 96 anos, está estritamente devotado à gastronomia e quando o grupo se junta aos almoços de quintas-feiras num dos restaurantes lendários de Paris, como o Maxim's, a política e os negócios ficam de fora. Claude Bébéar, o presidente da AXA, o gigante francês dos seguros e membro do clube há mais de duas décadas, afirma que hé "uma atmosfera real de amizade; somos muito próximos". O mesmo acontece com as instituições de negócios francesas. Uma irmandade cerrada - são quase todos homens - que partilham ligações escolares, lugares de administração e rituais como a caça ou a prova de vinhos, a elite de negócios francesa é um conciliábulo surpreendetemente pequeno numa nação com mais de 60 milhões de pessoas.

Mas no dealbar do prejuízo de 7 milhões atribuido a um especulador num dos bancos principais do país, a Société Générale, a aristocracia francesa dos nossos dias encontrou-se num lugar onde nunca desejou estar: debaixo dos holofotes.

Enquanto que o especulador John Kerviel, agora preso, nunca foi aluno numa escola de topo ou membro de um grupo de elite como o Clube des Cent, o blindado presidente executivo da Société Générale, Daniel Bouton, foi ambas as coisas. O facto de o Sr Bouton e outros gestores de topo do banco terem permanecido nos seus postos quando o escândalo irrompeu há cerca de um mês fez renascer a crítica de que a elite francesa é um ancien régime - jogando com regras antigas (basicamente as suas próprias) e rápidas em desviar as culpas para se protegerem a si próprias.

"Haverá uma tendência em França para que as elites sejam feitas do mesmo molde e fileiras fechadas?" - interroga-se Bernard-Henry Lévy, o filósofo e observador social francês. "Sim, é uma antiga doença francesa."

Nos Estados Unidos, no Reino Unido ou na Alemanha, acrescenta Lévy, "Daniel Bouton não só teria perdido o seu emprego, como estaria num tribunal a ser interrogado."

Claro está, a controvérsia chega num momento de mais ampla tensão tanto para os negócios como para a política, com uma nova geração lutando pelo poder contra velhos guardas empedernidos, diz Stéphane Fouks, o co-director executivo da Euro RSCG, uma das maiores firmas de marketing e comunicação em França.

"Neste momento o capitalismo francês está mergulhado num crise e a criar um ponto de mudança", disse o Sr Fouks. No status quo tradicional, disse, "eram todos amigos, muito diplomáticos e constituíam um clube onde, ao fim do dia, era sempre melhor procurar um entendimento".

Os membros da elite não fazem segredos das regras do jogo. "Quando pertences a um grupo pequeno, é difícil ter uma atitude de antagonismo para com qualquer outro", disse Valéry Giscard d'Éstaign, ex-presidente da França. "Num grupo maior, há menos interferências nas considerações pessoais".

O Sr Bouton não se dispôs a comentar. Mas Philippe Citerne, co-director executivo do concelho de administração da Société Générale disse que as ligações estatutárias nada têm a ver com a permanência do Sr Bouton.

"O concelho de administração reiterou por duas vezes e por unanimidade a sua confiança no Sr Bouton", disse. Não há maneira de oferecermos serviços a 27 milhões de clientes em 82 países, caso fôssemos um pequeno clude francês.

Pelo menos metade das 40 maiores empresas de França são dirigidas por graduados de duas escolas, a École Polytechnique, que ensina os melhores engenheiros franceses, e a ENA, a escola nacional de administração. Isso é especialmente notável se repararmos que estas duas escolas em conjunto apenas graduam 600 estudantes por ano, que podemos confrontar com um único curso em Harver, que gradua 1700 por ano.

"Comportam-se como se tivessem relações de sangue", disse Ghislaine Ottenheimer, um jornalista e autor que escreveu muito sobre a elite francesa. "Há um sentido de impunidade porque não há sanções na família."

No entanto, o caso Kerviel e principalmente o destino do Sr Bouton - até o Presidente Nicolas Sarkozy sugeriu que o sr Bouton deveria demitir-se - abanaram o status quo francês no seu âmago e encorajaram aqueles que, como a Sra Ottenheimer, pretendem a mudança.

"O velho sistema está a morrer; este é o seu último suspiro", disse. O Sr Boutom faz parte de uma geração que irá passar rapidamente o controlo do capitalismo francês para uma elite mais alargada."

Talvez. Mas não parece que o Sr Bouton esteja na iminência da guilhotina, ao contrário dos executivos dos EUA na Citigroup e na Merry Lynch, que foram obrigados a demitir-se depois dos seus bancos terem sofridos prejuizos imensos na crise das hipotecas de alto risco.

Enquanto alguns analistas prevêm que a resignação ao cargo de Bouton venha a ocorrer dentro de um ano, talvez mesmo mais cedo, o Sr Bébéar da AXA afirma que os executivos franceses gozam de maior poder de permanência que os seus congéneres nos Estados Unidos.

NELSON D. SCHWARTZ and KATRIN BENNHOLD in
In France, the Heads No Longer Roll
publicado pelo The New York Times em 17 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: ,

Como a Química pode ser bela!

Este vídeo tem algumas incorrecções, por isso aqui vão umas palavrinhas.

O acetato de sódio é um sal branco cuja fórmula química é: NaCH3COOH.

Quando adicionado à água ele dissocia-se nos seus iões sódio, Na+, e acetato, CH3COO- (as cargas são representadas em expoente mas eu não consigo pô-las lá!). A este processo damos o nome de dissolução já que o sal desaparece no seio da água e obtemos uma solução transparente. Uma solução é uma mistura homogénea à escala molecular.

Ora, quando este processo acontece, o vaso que contém esta solução arrefece o que quer dizer que esta dissolução é um processo endotérmico, isto é, dá-se por absorção de calor preveniente da vizinhança do sistema. No vídeo dizem ser uma reacção exotérmica, que é o oposto!

Dada esta particularidade, se aquecermos o vaso com a água e o acetato de sódio, estaremos a fornecer-lhes calor. Isso vai implicar que a mesma quantidade de água que consegue dissolver uma certa quantidade daquele sal, se for aquecida, vai dissolver mais quantidade, de tal modo que ficamos com uma solução sobressaturada (onde não cabe mais sal e as partículas estão "apertadas" ) se baixarmos lentamente a temperatura.

No vídeo fazem isso, arrefecem com muito cuidado o sistema num frigorífico, não no congelador.

Ao retirarem o vaso que contém a solução sobressaturada, colocam-no com cuidado sobre uma mesa e ao tocarem na solução com um dedo ( podia ser com um objecto qualquer, podiam introduzir uns grãozinhos de areia ) desencadeia-se o processo de recristalização, rapidamente. Os cristais formados são aciculares e estendem-se por todo o espaço disponível arrastando consigo o sal que estava "a mais" dissolvido, agora à temperatura ambiente. É que para cada temperatura da água, esta só admite, aguenta, disponibiliza espaços, uma certa quantidade do sal, que por cada 100 grama de água - é a sua solubilidade. Então, o sal dissolvido, que está em tensão, em equilíbrio instável, sai da solução e volta ao seu estado sólido, cristalino, por isso, se diz que recristaliza.

Quanto a retirarem o "gelo" quente ele não é mais do que um bloco de sal cristalizado, à temperatura ambiente, nem sequer é gelado, talvez por esse motivo digam quente. Acrescento, ainda, que a água, solvente, é adsorvida à superfície dos cristais, passando a "água de hidratação" pelo que deixa de se ver separada deles.

O processo de adsorção é mais superficial do que o de absorção.

Seja como for é bonito!

Etiquetas: ,

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Sócrates adâmico

...os portugueses precisam de saber que há mais de 30 anos que não há um sistema de avaliação dos professores...José Sócrates
in Público
Tão certo como nunca antes de Sócrates ter sido feito um único projecto de arquitectura em Portugal. Este homem é um incompreendido. Portugueses: Acordem.

Etiquetas: ,

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Modos oscilatórios de uma lâmina elástica

Uma lâmina é forçada a oscilar a uma frequência cada vez mais elevada. O pó que é colocado sobre ela sai rapidamente dos pontos onde a oscilação é mais intensa - os ventres - e acomoda-se sobre os pontos onde a vibração é menos intensa ou inexistente - os nodos, - formando linhas que desenham padrões muito nítidos. Quando a frequência se altera, alteram-se os padrões ou modos oscilatórios da lâmina. Quanto mais alta a frequência, mais nodos.



Etiquetas: ,

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Alberto Costa versus Gordon Brown

Há dias sugeri um exercício matemático sem grande sucesso. Assim, proponho hoje outro eventualmente mais simples. Atenda-se às seguintes declarações (reproduzidas de memória) do Ministro da Justiça, Alberto Costa, hoje, no Parlamento:
  1. O processo do caso Maddie está praticamente concluido.
  2. No Reino Unido, 80% dos processos deste tipo são inconclusivos.
Alberto Costa
Qual a conclusão lógica a extrair?

Etiquetas: , , ,

Obama versus Clinton

Obama versus Clinton

Fonte: Primary Season Election Results
publicado pelo The New York Times em 13 de Fevereiro de 2008

Etiquetas: ,

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Vittoria Pieri e a sua campanha:"Um livro para crescer"

Vittoria é italiana, uma senhora que ocupa muito do seu tempo a ajudar quem precisa, no Brasil, em Angola e onde mais ela achar que vai ser necessário. Disponibiliza meses por ano para participar na construção de um mundo melhor. Sempre resulta qualquer coisa que fica e que se vai desenvolvendo para o alterar positivamente!
Desta vez fui contactada por ela para a ajudar numa campanha de angariação de livros para uma escola de Luanda que recolhe cerca de 900 jovens dos 5 aos 18 anos. Ela podia fazê-la em Itália mas fala-se português em Angola!
Aceitei. Não me arrependo! Pedi ajuda a duas colegas que se interessaram vivamente pelo assunto e eis-nos chegadas ao fim de uma corrida que termina com a recolha de 1700 volumes, desde estórias, jogos, romances até manuais escolares de todas as disciplinas.
Foi de facto um prazer constatar a resposta em peso de toda uma comunidade escolar que anda às avessas por causa dos desvarios do M.E., que pretende modificar quase toda uma organização num sopro, num piscar de olhos com todos os atropelos daí decorrentes.
Afinal, há outras coisas importantes como, por exemplo, levar um pequeno livro para ajudar. Um acto de solidariedade feito com um sorriso nos lábios, uma palavra de apoio. Ofertas de ajuda, pensadas nos meninos e meninas que, longe, mas com a mesma língua, esperam, também com um sorriso, a possibilidade de lerem um pequeno livro que lhes traga novidades!
Obrigada, Vittoria, por nos ter dado esta oportunidade!

Etiquetas: , , ,

Número de ordem lexicográfica

Hoje lanço um desafio aos entusiastas da Matemática. Quem sabe, aparece alguém com a resposta certa? O seu enunciado é simples:
Determinar o número de arranjos que se podem formar com as seis letras da palavra
xigubo
que a antecedem na ordem lexicográfica, mas sem recorrer à lista exaustiva.

Etiquetas:

Pop Tops - Mamy blue

Mammy Blue

Etiquetas: ,

domingo, fevereiro 10, 2008

Carlos Paredes toca "Verdes Anos"

Carlos Paredes a acompanhar-nos neste serão de trabalho obrigatório com a sua música mágica:

Etiquetas:

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

ESCOLA PÚBLICA PELA IGUALDADE E DEMOCRACIA

Mais uma gota no Oceano da discórdia com as orientações governamentais:

LANÇAMENTO DO MOVIMENTO "ESCOLA PÚBLICA PELA IGUALDADE E DEMOCRACIA" COM DEBATE


"ESCOLA: PARTICIPAÇÃO E DEMOCRACIA" E QUE DIZER DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PROPOSTO PELO GOVERNO?

ORADORES CONFIRMADOS:

ANA BENAVENTE (Investigadora em Educação)

SÉRGIO NIZA (Movimento Escola Moderna)

LUIZA CORTESÃO (Professora Catedrática jubilada da Universidade do Porto, Presidente da direcção do Instituto Paulo Freire)



SÁBADO, DIA 9 DE FEVEREIRO, 16H, ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL (Rua da Misericórdia, nº95, Bairro Alto-Lisboa)


O manifesto "Escola Pública pela Igualdade e democracia" já está online nesta morada: http://www.PetitionOnline.com/mudar123/petition.html

Etiquetas: ,

Giap, o professor

Vo Nguyen Giap é apresentado habitualmente como um general e nesta qualidade não lhe são poupados elogios. Menos conhecida é a sua profissão civil: professor de História do ensino secundário. (AF)



General GiapO general de quatro estrelas Vo Nguyen Giap conduziu os exércitos no Vietname desde que se formaram, na década de 1940, até ao momento da sua entrada triunfal em Saigão, em 1975.

Detentor de uma das mentes mais brilhantes entre os militares deste século (XX), a sua estratégia para vencer adversários mais poderosos não se resumia a suplantá-los no terreno, mas em afectar o seu poder de decisão infligindo desaires políticos desmoralizadoras por meio de tácticas notáveis.

Esta faceta revelou-se logo em 1944, quando Giap fez avançar a sua minúscula força contra um posto francês na Indochina. O momento que escolheu para o fazer foi a véspera do Natal. Mais devastadora, a sua ofensiva de 1954 num lugar chamado Dien Bien Phu atraiu os franceses, demasiado confiantes da sua superioridade, para um ponto onde se verificou a viragem da batalha, culminado numa vitória espantosa com posicionamentos brilhantes. Demonstrou sempre talento em aproveitar as forças do inimigo como se fossem fraquezas para serem exploradas.

Um quarto de século mais tarde, em 1968, o general lançou uma ofensiva surpresa contra as forças americanas e sul-vietnamitas na véspera das celebrações do Novo Ano lunar. Foram tomadas capitais de província por todo o país, levados a cabo ataques simutâneos a guarnições militares e, talvez mais espantoso, invadida a Embaixada dos EUA em Saigão. As baixas para as forças norte-vietnamitas foram tremendas mas o gambito resultou num desastre fulcral para o discurso mediático da Casa Branca e para a presidência de Lyndon Johnson. A estratégia de Giap derrubou o comandante-em-chefe dos EUA. Inverteu a maré da guerra e selou a fama do general como o génio militar dominante da segunda metade do século XX.

John Colvin author of "Giap Volcano Under Snow"

in Tet Offensive
publicado por Vets With A Mission




Vo Nguyen Giap nasceu na aldeia de An Xa, na provícia de Quang Binh. O seu pai a a sua mãe, Vo Quang Nghiem e Nguyen Thi Kien trabalhavam a terra, alugavam alguma aos vizinhos e viviam de forma razoavelmente confortável. Aos quatorze anos, Giap tornou-se estafeta da Companhia Eléctrica de Haiphong e logo a seguir fez parte de um grupo de juventude revolucionária romântica, o Tan Viet Mang Dang. Dois anos mais tarde entrou para um liceu dirigido por franceses em Hué, de onde foi expulso passados outros dois anos por organizar a luta dos estudantes, segundo narra o próprio. Em 1933, com 21 anos, Giap entrou para a Universidade de Hanoi. Leccionou depois História, durante um ano, na escola Thang Long de Hanoi. Na década de 1930 prosseguiu a sua actividade como professor e jornalista...

in Vo Nguyen Giap
publicado por Wikipedia

Etiquetas: , , ,

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Paulo Guinote versus Mário Nogueira

A palavra blog, por alguma razão que desconheço, soa-me a Hyde Park virtual. Em português, diria, um sítio do fala-barato. Apesar disso, é uma porta aberta para conversas difíceis de concretizar de outra maneira e até muito interessantes, como aconteceu hoje em A Educação do meu Umbigo. Registo esta controvérsia digna de ser seguida com atenção. O mote inicial foi dado por Paulo Guinote, o criador do blog. (AF)




"O Ministério da Educação, que é tão exigente com as escolas e os professores, utiliza, afinal, a tão portuguesa lei do desenrasca. Nós não queremos que a legislação mude, apenas que o ME a cumpra“, sublinhou [Mário Nogueira].


Paulo GuinoteO QUÊ?

Não querem que a legislação mude?
Então a legislação da avaliação está correcta?
Nada a obstar?
É isso?
Antes era má, mas depois de aprovada já é boa e só querem que a cumpram?

E eu aqui a adiar a leitura do parecer da Fenprof sobre o novo modelo de gestão escolar que me parece demasiado político e pouco técnico.

Vamos esperar que o colega Mário Nogueira explique melhor a citação que lhe é atribuída porque se o que vem no Público é verdade, temos o caldo entornado e a coerência da «luta» atirada às órtigas.

Só pode ser brincadeira (de gosto duvidoso, convenhamos) de Carnaval.




Mario NogueiraOlá Paulo. Esta é que eu não podia deixar de lhe responder. É claro que não é para lhe dizer o que eu penso daquela vergonha de avaliação que o ME impôs às escolas e que teremos todos, mas todos mesmo, de combater. Como é evidente não mudei de opinião sobre um regime de avaliação que foi feito por quem sabe muito bem o que é uma escola, logo, foi feito à medida da necessidade de calar os professores dentro das escolas, de silenciar qualquer reflexão crítica, de punir os incómodos… e tudo isto, recorde-se, a concretizar-se a intenção do ME/Governo, terá lugar já sob a batuta do director, essa peça última da cadeia de comando a que o ME está a acrescentar o elo que faltava dentro de cada escola.
Todavia, a deslocação de ontem ao Tribunal não se destinava a requerer a declaração de ilegalidade da lei, pela simples razão de se tratar… da lei. O combate que temos de mover a esta avaliação terá de ser desenvolvido pelos professores, na luta contra o decreto regulamentar 2/2008, contra o “ECD do ME” que havemos de reduzir a cinzas, contra a política deste Ministério e deste Governo para a área da Educação.
Ora a nossa ida a Tribunal deveu-se a outra razão. É que o ME já compreendeu a inexequibilidade desta avaliação (como tantos já perceberam e têm-no afirmado: a FENPROF, inúmeras escolas, o Matias Alves, até o Marcelo Rebelo de Sousa…) e começa a querer simplificar, aligeirar procedimentos, desde logo os seus para poder avançar rapidamente. Então, o que fomos fazer ao Tribunal foi exigir que quem impôs um regime de valiação destes cumpra as suas obrigações perante ele. Não pode facilitar os seus procedimentos para exigir às escolas que avancem como os seus, daí que entregássemos a providência cautelar para suspender todo o processo até que estejam cumpridos os procedimentos legais.
Neste luta contra este regime de avaliação e este ECD do ME temos três frentes fundamentais de combate: a reivindicativa, essa sim, de luta contra esta legislação e exigência da sua revogação; a institucional, junto dos deputados, do provedor de justiça, do próprio ME, procurando alterações à lei e/ou explorar ilegalidades cometidas ou existentes; a jurídica, opondo-nos a facilitismos na aplicação da lei que têm por objectivo a sua mais rápida concretização. Todas se complementam, nenhuma se confunde, repare: não se declara uma ilegalidade por decisão de um plenário de docentes; não se revoga um quadro legal e substitui por outro por sentença de tribunal (mesmo em relação às questões de inconstitucionalidade, podendo, neste caso, serem apenas suspensas as normas inconstitucionais).
A frase do Público, sem contexto, seria um absurdo, mas creio que lida toda a notícia se compreende o seu sentido. De resto, quero acrescentar que a jornalista que acompanhou a nossa ida ao Tribunal é uma das excelentes jornalistas que continuam a escrever na nossa imprensa. Infelizmente são cada vez menos, felizmente há ainda alguns(mas). Provavelmente quis salvaguardar-nos de uma acusação que por vezes é feita aos Sindicatos: a de que recorrem aos tribunais para efectuar combate político.
Abraço, Mário Nogueira.


Paulo GuinoteCaro Mário,

Obrigado pelo esclarecimento.
Percebido o contexto e a explicação.
No entanto… e mesmo percebendo tudo o que é dito, a verdade é que lendo toda a notícia (como o fiz) aquela citação surge “estranha”.

Cada um tem a sua forma de falar, mas exactamente como as oportunidades são escassas, eu (já sei que me vão acusar de Ego desmesurado), teria preferido algo como:
“isto é tão mau, tão mau, que nem o ME consegue cumprir as suas próprias metas”.
E se a lei está errada deve defender-se a sua mudança.
Sem receios de leituras arrevesadas dos opinadores do regime socrático.

E uma coisa deve ficar clara: não se devem temer as atoardas dos Vitais deste quintal, porque não há nada pior do que um especialista em Direito Constitucional a defender o desrespeito das leis.

Os políticos devem ser escrutinados no exercício do seu poder.
Isso é a base da Democracia.

Por isso mesmo, a minha posição (e de alguns outros) é de tentar que se demonstre que a lei está mal feita e como tal deve ser mudada, nem que seja pela força dos Tribunais.

Repare lá que os pais dos alunos não tiveram pejo nenhum em recorrer aos Tribunais sempre que acharam que os seus direitos estavam em causa.
Porque terão os sindicatos de recear isso?

A separação dos poderes não existe para que os políticos actuem à margem da lei, sem receio de interferências, mas exactamente para o contrário: para que a sua acção possa ser escrutinada, de forma independente, pelos Tribunais.

Abraço e bom resto de Carnaval


Paulo Guinote in
Ó Mário, Repete Lá Isso, Que Me Deu Uma Taquicardia Da Primeira Vez
publicado por A Educação do meu Umbigo em 5 de Fevereiro de 2008

(onde o leitor encontrará muitos comentários não reproduzidos aqui)

Etiquetas: , ,

domingo, fevereiro 03, 2008

Vídeos para o ensino da Física e da Química

Para professores de Física e de Química do Ensino Secundário existe um blogue muito interessante e de fácil compreensão, para ajuda ( ou não ) nas suas aulas das várias disciplinas.
A autoria é do Professor Carlos Portela.
Veja e satisfaça a sua curiosidade aqui.
Como exemplo extraímos este pequeno vídeo já legendado pelo autor do blogue:

Etiquetas: , , , ,

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Parabéns à nossa netinha

Oi, Vivi, escolhemos um vídeo para sorrires como só tu sabes fazer.
Que os teus três anos te tragam muitas alegrias.

Muitos beijos dos avós.

Etiquetas:

Em conformidade com a nova lei

Etiquetas:

A camada de ozono estratosférico

O ozono é um gás azul claro, tóxico, constituído por moléculas triatómicas, O3, e encontra-se distribuído essencialmente na estratosfera, numa camada fina, a cerca de 30 Km de altitude ( perto de 90% ). Esta substância é formada nesta camada por acção das radiações ultravioleta (UV) provenientes do Sol. Assim como se forma também se dissocia originando O2 e O (radical livre) devido à acção das mesmas radiações mantendo-se uma quantidade certa que vai absorvendo os UVC que são os ultravioletas mais energéticos e, por isso, mais perigosos.
À Terra chegam os UVA e os UVB. Os UVA são os menos perigosos sendo responsáveis por queimaduras na pele e seu envelhecimento enquanto que os UVB podem, em situações mais graves, dar origem a doenças nos olhos, cancros de pele, mutações genéticas, etc,.
Como a camada de ozono tem vindo a diminuir drasticamente desde os anos cinquenta com especial decréscimo a partir dos anos oitenta, é conveniente usarmos um protector solar quando nos expomos em demasia ao Sol. Os melhores protectores são os ecrãs minerais, filtros físicos que são formados por partículas de compostos inorgânicos, como óxidos de zinco e de titânio que reflectem a maior parte da radiação incidente. Também conforme o tipo de pele assim se deve escolher um determinado FPS ( factor de proteção solar). Por exemplo, se uma dada pele suporta 10 minutos de exposição solar sem sofrer danos, com um creme de índice de protecção 50, suportará o Sol cerca de 50x10=500 minutos, um pouco mais de 8 horas. Quanto mais clara for a pele maior deverá ser o FPS.
Os filtros químicos são constituídos por moléculas orgânicas que absorvem e dissipam os UVA e os UVB também mas são menos aconselháveis para as crianças.
Estudos recentes revelaram que os níveis de ozono diminuiram entre 4 e 8%, na última década, junto ao Círculo Polar Ártico tendo sido detectados também níveis elevados de ClO, provenientes dos CFC - destruidores do ozono - em zonas estratosféricas sobre o norte do Canadá, Europa e E.U.A. Também as partículas e gases lançados para a atmosfera, em 1991, pela erupção vulcânica ocorrida nas Filipinas, veio contribuir para a destruição do ozono em zonas afastadas daquelas ilhas, por acção dos ventos.
Os CFC têm sido largamente utilizados na indústria de refrigeração (frigoríficos e aparelhos de ar condicionado)especialmente, ao longo de décadas. Quando fora de uso os gases de refrigeração (CFC) abandonam os tubos e sobem na atmosfera, porque pouco reacticos, até atingirem a estratosfera onde são sensíveis às radiações ultra-violeta (UV).
O chamado "buraco de ozono" situa-se sobre a Antártida conforme se pode observar na figura acima, representado a azul. A razão pela qual a falta de ozono é tão acentuada nesta região é que, no Inverno Polar (cerca de 6 meses) desenvolve-se uma massa de ar rotativa que rodopia sobre a zona (vórtice polar) que aprisiona o ar e mistura os gases ali existentes incluindo o ozono e os CFC provenientes de outras latitudes. Sem luz a temperatura do ar, nesse vórtice, atinge os -80 ºC dando origem à formação de microcristais de gelo que funcionam como catalizadores na formação de radicais livres Cl (átomos de cloro isolados) provenientes dos CFC (clorofluorcarbonetos). Quando aparece a luz do Sol, pela Primavera, as radiações UV desencadeiam, então, a destruição maciça do O3 através das seguintes reacções:


reacções cíclicas, afinal, libertando sempre Cl, o radical mais perigoso para o O3.
Cada átomo de Cl pode destruir 100 000 moléculas de ozono antes de ser removido da atmosfera numa outra reacção que não inclua o O3.
É difícil substituir os CFC na indústria. Tem-se usado os hidroclorofluorcarbonetos (HCFC) nos spray e em refrigeração com a desvantagem de serem gases de estufa e destruirem também a camada de ozono.
Em alguns casos voltou a usar-se o amoníaco para sistemas de refrigeração mas este gás é tóxico.
Os vaporizadores passaram a incluir metano e butano que, como sabemos, são extremamente inflamáveis.
Os terpenos (compostos orgânicos) são usados como solventes de limpeza mas poluem a atmosfera, pois são compostos orgânicos voláteis (COV) também responsáveis pelo smog.
Para já não há soluções perfeitas sendo necessário encontrar o equilíbrio entre os custos e os benefícios.

Etiquetas:


hits: