terça-feira, fevereiro 17, 2009

Pedro Carvalho - Reflexões sobre a crise do sistema capitalista

Padro CarvalhoHoje é evidente para todos que a actual crise não é meramente financeira ou localizada num grupo de países. A crise financeira chegou à economia real. As principais potências imperialistas vão entrando em recessão. As últimas previsões do FMI e da OCDE apontam para uma contracção do produto em 2009 para os países capitalistas mais desenvolvidos no seu conjunto, pela primeira vez desde a segunda guerra mundial. Apontam para uma forte desaceleração do crescimento da economia mundial e, a CNUCED, aponta mesmo para um recuo do produto mundial por habitante. A crise é global e emana do centro do sistema capitalista mundial, sobretudo da sua potência central – os Estados Unidos.

Após o regresso da «estagflação» em 2007 e no primeiro semestre de 2008 e o aprofundamento da crise financeira no Outono de 2008, o fantasma da deflação e da depressão estão cada vez mais presentes. Os governos e os bancos centrais utilizam todos os instrumentos para estabilizar o sistema financeiro, estimular o «motor» do crédito do qual depende o sistema capitalista. Mas apesar das massivas doses de liquidez injectadas no mercado, das reduções das taxas de juro e de volumosos pacotes de investimento de influência keynesiana, a crise continua a aprofundar-se, evidenciando a aparente ineficácia das respostas clássicas de política monetária e orçamental. Vejamos alguns exemplos.

Tenta-se estimular o crédito. Mas esquece-se do já excessivo endividamento das empresas e famílias na Tríade (Estados Unidos, União Europeia e Japão) e os crescentes riscos de incumprimento dos créditos contraídos. Esquece-se que num contexto de restrições ao consumo e de sobreprodução, as empresas não irão contrair empréstimos para expandir a produção daquilo que não conseguem vender.

Os bancos centrais reduzem as taxas de juro de referência (com as taxas de juro reais a ficarem mesmo negativas), o que tendo impacto no serviço da dívida das empresas e das famílias face aos créditos existentes, não o terá da mesma forma na concessão de novos créditos, cujo prémio de risco será traduzido num maior spread. Por outro lado, as empresas contraem empréstimos para investir quando estão a ser lucrativas, ou seja, quando estão a realizar as taxas de lucro esperadas.

O aumento dos investimentos públicos previsto nos pacotes de estímulo orçamental contribui para compensar a «falta» de investimento de privado, mas este está limitado pela sustentabilidade orçamental das «operações de salvamento» do sector financeiro em curso e a capacidade dos Estados colocarem dívida pública. Um exemplo. O total de activos detidos pelos cinco maiores bancos ingleses equivale a quase cinco vezes o PIB da Inglaterra, ou seja, uma operação de injecção de capital de 1% custaria ao governo britânico quase 5% do seu PIB, por via do aumento da dívida pública. Então se forem necessárias operações de injecção de capitais de 5% ou 20%?

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8 Comentários:

At 16:50, Blogger Espumante disse...

1- Quem é o Pedro Carvalho?
2 - "...a crise financeira chegou à economia real..."

O que é que isto de economia real quer dizer?

3 - "...s principais potências imperialistas vão entrando em recessão..."

Potências imperialistas? O que é isto? Será a dinástica Coreia do Norte? A Venezuela que vai ter um presidente vitalício e despeja milhões em África para alastrar a sua influência enquanto os venezuelanos estiolam de fome e paludismo? Cuba, onde... passo! Nem vou falar de Cuba. Bolívia, onde se abate a tiro os condutores de taxis colectivos e se moore à fome? Fico sem saber...

4 - "... crise é global e emana do centro do sistema capitalista mundial, sobretudo da sua potência central – os Estados Unidos..."

Que pena não se ter seguido o modelo das economias centralizadas da U. Soviética, dos países do Leste europeu ou das economias emergentes em África... estávamos sem problemas nenhuns e o socialismo tinha-nos poupado esta trabalheira toda e muito desemprego. E os excedentes de pessoal iam para uma reeducação qualquer capinar...

O resto do post contém alguns factos incontornáveis, fruto de gente com poder a mais e escrúpulos a menos e deficiente controle por parte de governos que têm no seu seio gente corrupta, muita dela cheia de basófia socialista. O problema está mais nas pessoas do que no sistema.De qualquer maneira esta retórica está exausta e não traz nada de novo a não ser que ainda há Pedros Carvalhos ao dobrar de muitas esquinas. Pode ser que um dia a coisa passe...

 
At 19:44, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Espumante
Grato pela tua atenção. Infelizmente, continuo a registar alguma dificuldade da tua parte em evitar fórmulas esgotadas de falácias.
1-Pedro Carvalho é o autor do artigo.
2-Economia real, para mim, que sou leigo, é a que garante a subsistência da população. Não confundir com fórmulas engenhosas de extorsão da riqueza conhecidas pelo nome de "produtos financeiros"
3-Para saber o que é o imperialismo, posso recomendar-te literatura, embora esteja convencido que isso seria redundante da minha parte. Em todo o caso, se fizeres mesmo questão, basta dizer...
4-Não há dois países com experiências políticas idênticas.
Quanto a basófia socialista, tens toda a razão. Mas repara que é muito antiga. Até o Hitler propugnava um nacional-socialismo; e esse, não há dúvida, tinha mesmo poder a mais, segundo as tuas próprias palavras. Se não gostas da palavra socialismo, basta leres "estado livre das imposições dos capitalistas". Sei que não dá tanto jeito, mas vai dar ao mesmo.
Tentei encontrar uma réstea que fosse de argumento fundamentado a contraditar qualquer afirmação do artigo e "desconsegui". Talvez tenha mais sorte na próxima vez.
Volta sempre.
Um abraço

 
At 20:45, Blogger Espumante disse...

1 - Que o Pedro Carvalho é o autor do artigo, percebi. Eu perguntei é "quem é o senhor"? Que credibilidade tem por trás, para além de escrever no Diário...

2 - Não entendo bem o que é que em mim é falácia e em ti um argumentário devidamente sustentado. Mas não me admiro. "Isto" é um pouco como os filmes de polícias e ladrões. Uns são os bons e outros são os maus, sendo que os bons são os adeptos da economia centralizada (expressão condescendente dos regimes totalitários) e os maus são os falaciosos arautos do capital.

3 - Sobre o que é o imperialismo, prezo-me de ter uma noção bastante sólida do mesmo, pelo que dispenso a tua oferta. Em todo o caso, os livros que me emprestarias seriam sempre diferentes daqueles que me habituei a credibilizar, por contraparte àqueles que, para mim tal como para ti a minha alegada retórica, são falaciosos. Em todo o caso, se quiseres, posso desfiar-te alguns exemplos vivos e recentes de imperialismo, aconchegado pelo conforto semântico do socialismo. E não falo de Hitler e do seu nacional-socialismo.

4 - Não concordo contigo quando dizes que não há dois países com experiências políticas idênticas. É falso. Há abundantes exemplos em África, na Ásia e na Europa em que os regimes obedeciam a uma matriz rigososamwente idêntica. Falharam todos. Todos, sem excepção. Restam dois,(a China e o Vietnam não contam) condenados a implodirem como a União Soviética, e emergem uns patuscos na America Latina que cairão também, infelizmente depois de morrer mais uma série de gente. O costume! Depois volta tudo ao princípio.

5 - Quanto a não teres encontrado uma réstea que fosse de argumento sustentado em ralação ao artigo do misterioso Pedro Carvalho, tens de concordar comigo que um contraditório fundamentado tem de remeter sempre para um artigo igualmente fundamentado e não a um decalque da retórica matricial de uma ideologia puída pelo tempo e pela realidade.
Um abraço

Nelson

 
At 18:57, Blogger João disse...

É verdade que o sistema soviético ruiu. No entanto, serviu durante muitos anos de contrapeso ao capitalismo selvagem. Não nos esqueçamos que muitos dos direitos que hoje temos na Europa ocidental, a que alguns hipocritamente chamam privilégios, se devem aos ideais socialista e comunista, materializados através das lutas sindicais e de massas. As ferias pagas, o 13º mês, o fim de semana, o acesso universal à educação e à saúde, só para dar alguns exemplos, não foram dados de mão beijada pelo sistema capitalista, desde o séc XIX até hoje.
O que falta descobrir é um sistema económico e social sem os carácteres economicamente opressivo do sistemas capitalista e individualmente opressivo do sistema soviético.
Quanto a Cuba, comparada com outros países da América Central e do Sul, atingiu grandes vitórias. Dir-se-á, a um preço demasiado alto na limitação da liberdade individual...Mas será uma longa discussão sobre o que é e o que condiciona a liberdade individual. Nesse sentido, também os EUA têm a sua quota parte de limitação da liberdade individual.

 
At 21:49, Blogger António Chaves Ferrão disse...

João
Obrigado pelo comentário. A armadilha mais castrante que identifico na crítica levantada tantas vezes para consumo interno é a de que a contestação social em Portugal está irremediavelmente subordinados a uma lógica de origem externa logo que contrarie os ditames de tiranetes locais. Nacional é o conformismo, a mediocridade e o despotismo: o resto é cubano ou moscovita. Felizmente, quem assim considera, já deixou de contar com o poder persuasivo de instituições especializadas. Aos poucos, mais e mais gente vai começando a adquirir critérios autónomos de apreciação. Aos poucos, serão os acontecimentos externos que serão classificados em função da experiência de intervenção em Portugal, ao invés de os acontecimentos externos serem usados para dissuadir a intervenção cá dentro. Isto leva tempo...

 
At 23:46, Blogger abcampos disse...

Se me é permitido proponho o seguinte:

INTERESSANTE, leia e subscreva a petição!

http://www.peticao.com.pt/segredo-inter-bancario

é muito importante, o que está a acontecer a alguns poderá acontecer consigo!

 
At 23:46, Blogger abcampos disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 23:47, Blogger abcampos disse...

Se me é permitido proponho o seguinte:

INTERESSANTE, leia e subscreva a petição!

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é muito importante, o que está a acontecer a alguns poderá acontecer consigo!

 

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