segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Renaud Laillier - A globalização é o caos acelerado

Nunca era certo onde pretendiam chegar os liberais, quando invocavam a necessidade de agir "mundialmente". Com a crise, viu-se ao que vinham...

Isto deveria servir de lição. Porém, não é caso para eleger o proteccionismo como o novo princípio da autoridade. Os países podem aderir a um proteccionismo não declarado, sem que isso resulte em grandes barreiras.

O paradigma da célula biológica é adequado para melhor compreender a relação dos países com o seu espaço económico. É necessária uma parede - no caso, uma fronteira - para que a célula possa viver e desenvolver-se, dispondo dos meios necessários. São as paredes que ajudam a célula a respirar e a efectuar as trocas; não a sua ausência, como nos querem fazer acreditar.

A globalização, tal como vem sendo praticada, só pode espalhar a ruína. Certos dirigentes pró-globalização trataram de abolir as "paredes", qualificando-as como obsoletas e como obstáculos ao desenvolvimento, o que não são de modo algum.

O sistema biológico indica-nos precisamente o contrário. Faltando a "parede", as defesas imunitárias sãs da sociedade são destruídas por dentro, ao serem expostas a todos os fluxos ao mesmo tempo, sem organização nem controlo. De onde resulta uma redução forçada das energias criativas locais e uma evolução acelerada para o caos nos planos económico, social, financeiro, cultural e civilizacional, bem como do ecosistema.

Além disso, a preservação do ambiente exige sempre algum grau de proteccionismo. É necessário preservar as estruturas, tal como na arquitectura se preservam os contrafortes, as trancas e as portadas. Isto é tanto válido para os EUA, cuja hegemonia mundial está em queda, como para cada uma das restantes nações do mundo.

Só assim o verdadeiro progresso se verificará. Destas condições depende o progresso que cada um poderá esperar: reforçando todas as comunidades, aproveitando toda a criatividade em benefício local para criar o máximo de riqueza.

A globalização é o caos acelerado.

Renaud Laillier, Le mondialisme, entropie accélérée, ContreInfo, 7 de Fevereiro de 2009

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2 Comentários:

At 14:58, Blogger Alexandre disse...

A metáfora da célula não me parece muito reveladora... Uma célula asfixia-se se não mantiver trocas com o exterior.

Aliás, existem células que fusionam umas com as outras para formar um syncitium. As fibras musculares são bom exemplos disso.

A metáfora da célula pode ser utilizada em todos os sentidos.

 
At 22:07, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Qualque analogia comporta um elemento de artificialidade.
Não estou em condições de discutir syncitii.
De um ponto de vista de sistema, o aspecto que me parece digno de registo é a membrana celular controlar individualmente o que entra e o que sai. Na ausência de tal controlo, parece-me difícil imaginar uma alternativa ao funcionamento do organismo.

 

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