quinta-feira, março 05, 2009

Anti-comunicação

Já alguém disse: discute-se muito nos blogs.
Como facilitador de comunicação quase sem limites espaciais, a Internet é uma ferramenta preciosa. O acesso à palavra em espaço público deixa de estar tão condicionado como nos outros meios de comunicação social, logo a circulação de informações atinge níveis desconhecidos até há pouco.
Porém, não se transmitem ideias como se transportam paletes de Chiquita Banana. Cada ideia que se tenta veicular tem antecedentes (contextos) e consequentes (ideias derivadas). Dispõem-se em cadeias ramificadas, particionam o campo de debate (clusters), são frequentemente difíceis de formular e mais ainda quando se pretende clareza, comprometem os seus autores...
As possibilidades abertas por este meio de comunicação não são porém garantia de que as discussões produzam os resultados que seriam de esperar do ditado: da discussão nasce a luz. O que se segue é um breve roteiro para se alcançar esplendidamente a anti-comunicação. Resulta de observações fáceis de confirmar todos os dias:
  1. Procurar concentrar a atenção na pessoa que produz a afirmação em detrimento daquilo que afirma
  2. Invocar situações passadas e transpor mecanicamente para o presente, sem consideração pelas diferenças
  3. Usar frases feitas (clichés)
  4. Levantar suspeitas sobre intenções
  5. Replicar ideias do "senso comum", como se todo ele estivesse a salvo de manipulações
  6. Extrapolar a ideia adversa para além dos limites razoáveis
  7. Replicar com citações
  8. Ser excessivamente sintético
  9. Procurar deslocar o tema para campo mais favorável
  10. ...

Para os entusiastas eis um tratado mais completo.

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