domingo, março 15, 2009

O mentiroso

Não vou falar aqui dos 150 mil postos de trabalho que foram prometidos e que não foram cumpridos. Porque a promessa é mais ridícula do que o próprio resultado. Neste ponto, tanto o aldrabão como o aldrabado sentem-se incapazes de admitir uma ingenuidade tão grande que a promessa fosse para cumprir, e que o resultado da eleição fosse ditado por essa promessa. A única coisa que fica para a História, é o calibre de um político que é capaz de se rebaixar ao ponto de prometer para o futuro dos outros, aquilo que toma para o presente dele, em vez do comandante do navio, que deve ser o último a abandonar o barco.
Também não me apetece falar da promessa de não subir os impostos, que foi precisamente a primeira coisa que fez, e que o mesmo presidente da república que tinha acabado de despedir um primeiro ministro por incapacidade, foi incapaz de despedir o novo primeiro ministro, que decretou a sua própria incapacidade. Aqui, a mensagem que os portugueses captaram, foi tão cristalina como isto: que mintas a todos os portugueses, ainda vá lá, mas agora mentir-me a mim é que não vale.
Ou seja, o que venho colocar em causa, não é a realidade actual, perante as promessas que foram formuladas nos idos de antes das eleições.

Senhor primeiro ministro, afinal aonde é que está o socialismo que o senhor e o seu partido, andam a prometer aos portugueses desde o 25 de Abril?

O senhor diz que não gostava do fascismo, mas não estou a ver a diferença entre o antes e o depois. Aquilo a que assisti no rescaldo da manifestação de 200 mil pessoas, é preciso recordar às pessoas menos avisadas, que foi exactamente o mesmo que ouvia dos políticos que o precederam: "não eram as pessoas que estavam ali, mas apenas os partidos". Se os números não interessam ao primeiro ministro, então também tenho o direito de presumir que o único socialismo que interessa ao senhor primeiro ministro, é o seu próprio socialismo. Se os números não lhe interessam, porque é que prometeu 150 mil postos de trabalho, em vez de 400 mil? Afinal quando se fez eleger, pretendia dar emprego apenas a alguns desempregados?
Se o senhor primeiro ministro não aprecia que o chamem de mentiroso na rua, então tem bom remédio: avance com aquilo que o senhor mesmo reclama que os outros façam, ou seja, apresente as sua ideias, mas numa lógica de enfrentar a crise internacional do ponto de vista da desgraça nacional, em vez de enfrentar a desgraça nacional do ponto de vista da crise internacional.
Porque se para o senhor, a crise internacional é a bóia de salvação para as suas ridículas expectativas de reeleição para outra maioria absoluta, para todos aqueles que foram agredidos com a sua apreciação da manifestação dos 200 mil, a única bóia de salvação a que podem aspirar é que apareçam políticos que digam a verdade.

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