domingo, abril 12, 2009

As crianças ainda têm direito a brincar?

(Recebido por email de Margarida Azevedo)

"Exma. Sr.ª Ministra da Educação
Exmos Srs. Presidentes das Câmaras Municipais


Este ano ficámos surpreendidos com o regresso à escola dos nossos filhos, amigos, vizinhos. Descobrimos que agora uma criança com 6 anos de idade estará obrigatoriamente 8 horas numa sala de aula, exactamente o horário de trabalho de um adulto.
Para reduzir custos, cortar no público e garantir que o privado continua a receber subsídios directos e indirectos, as câmaras municipais decidiram, sem consultar ninguém, que as actividades extracurriculares passavam de facto a ser curriculares. Ou seja, antes uma criança tinha aulas até às 15 horas e depois actividades facultativas extracurriculares e agora essas actividades são colocadas no meio das aulas. A razão é simples: antes um professor de música dava aulas numa escola das 15 às 17 e agora o mesmo professor dá aulas em várias escolas ao mesmo tempo. Assim, os alunos do 1.º ciclo têm aulas, depois música, depois aulas, depois inglês, depois ginástica, depois aulas…O resultado é que estão 8 horas numa sala de aula!

Contactámos pessoalmente várias professoras que nos confessaram que as crianças simplesmente estão «exaustas», a partir da tarde não se concentram em nada, e nós pais constatamos que as crianças chegam a casa nervosas e simultaneamente exaustas. Todos os estudos[1] indicam que as crianças que não brincam livremente, em espaços abertos e amplos várias horas por dia, têm mais probabilidade de serem hiperactivas, obesas, terem problemas de motricidade e, claro, são obviamente mais infelizes. O que nos aconteceria a nós, adultos, se estivéssemos 8 horas sempre a ouvir alguém, sentados dentro de uma sala de aula? Como se sentem os nossos filhos?

A escola que conceberam estes responsáveis políticos é improdutiva e péssima para as crianças e não tem nenhuma comparação com o que se passa em qualquer país da Europa. Na França, na Alemanha e nos colégios ricos – onde andam os filhos dos ministros – como o Liceu Francês, as crianças têm 5 horas de aulas e o resto do tempo livre.
O Estado deve arranjar espaços lúdicos para as crianças estarem da parte da tarde, mas esses espaços devem ser lúdicos e amplos e não uma espécie de estudo acompanhado permanente. Que escola é esta em que nas aulas se pinta e se canta e no recreio tem-se estudo acompanhado?
As actividades extracurriculares devem ser «extra» e não obrigatórias; devem ser garantidas pelo Estado e não através de financiamentos a privados. A quem não opta pela ditas actividades deve ser garantido que as crianças simplesmente possam ficar a brincar na escola sob a supervisão de um adulto.

Considerando que:

• Esta é uma lei incompatível com a declaração dos direitos da criança da UNESCO, adoptada pela ONU a 20 de Dezembro de 1959;
• As crianças que não têm actividade física e lúdica tem tendência para ficar hiperactivas, obesas e infelizes;
• Que a escola deve organizar actividades para os pais que não podem ficar com as crianças mas que essas actividades devem ser de facto opcionais e deixar a tarde livre para quem assim o deseja;
• Que as aulas devem ser exigentes mas o espaço de brincadeira deve ser livre, amplo,

Os encarregados de educação abaixo-assinados declaram que:

o Não aceitam que as actividades extracurriculares sejam colocadas no meio do horário das aulas.
o Não aceitam que os seus filhos estejam 8 horas seguidas em actividades lectivas, curriculares ou extracurriculares.
o Estão dispostos a avançar com uma queixa junto do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, caso esta política não seja revista.


Se está de acordo com o exposto, pode contribuir para uma vida melhor assinando aqui.

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4 Comentários:

At 16:57, Blogger Ana Camarra disse...

Ferrão

Talvez a intenção seja boa, já que o futuro com este governo é trabalharmos, quem tiver trabalho, 12 ou 14 horas por dia, assim as crianças habituam-se logo.
Para além disso ser criança implica sonhar, coisa nefasta, os jogos infantis implicam imaginação, outra coisa que nos devemos desabituar de pequenos.

Beijos

 
At 23:08, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Calma, Ana. Estou em crer que "este" mundo que nos querem vender não passará.
Bjs

 
At 14:22, Blogger Ana Camarra disse...

António

Eu também não quero esta treta, como sabes, mas isto chega a um ponto que já nem sei o que esta gente irá destruir mais, agora até a infância.
Desculpa são desabafos, uma especie de dedo entalado!

:)

Beijos

 
At 16:55, Blogger Glee disse...

Tudo isto é real! Mas quais são as alternativas??
A criança que não está na escola está no ATL ... a ser "enrriquecida" curricularmente!!!
É pena .. mas o caminho a seguir é transformar o próprio brincar numa actividade curricular.
O meu trabalho está ser desenvolvido nesse sentido, adicionar a ida a um parque de diversão analogamente à natação ou ginástica. Claro que a mudança só se faz com a ajuda de todos os pais!!!

 

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