terça-feira, dezembro 08, 2009

Walden Bello - Programa para a desglobalização

    Walden Bello
  1. A produção para o mercado interno tem que voltar a ser o centro de gravidade da economia, antes da produção para os mercados de exportação.
  2. O principio de subsidiariedade deveria respeitar-se como um tesouro na vida económica, promovendo a produção de bens à escala comunitária e à escala nacional, se tal se puder fazer a custo razoável, a fim de preservar a comunidade.
  3. A política comercial – quer dizer, excedentes e tarifas— tem que servir para proteger a economia local da destruição induzida por mercadorias subsidiadas por grandes corporações com preços artificialmente baixos.
  4. A política industrial –incluídos os subsídios, tarifas e comércio— teria que servir para revitalizar e robustecer o sector manufactureiro.
  5. Algumas medidas, sempre adiadas, de redistribuição equitativa da renda e redistribuição da terra (incluindo uma reforma do solo urbano) poderiam criar um mercado interno vigoroso que serviria de âncora da economia e geraria os recursos financeiros locais para o investimento.
  6. Dar importância ao crescimento, dar importância à melhoria da qualidade de vida e maximizar a equidade reduzirá o desequilíbrio ambiental.
  7. Propiciar o desenvolvimento e a difusão de tecnologia que se conjugue bem com o meio ambiente, tanto na agricultura como na indústria.
  8. As decisões económicas estratégicas não podem entregar-se nem ao mercado nem aos tecnocratas. Em seu lugar, deve-se aumentar o raio de alcance da tomada democrática de decisões na vida económica, até que todas as questões vitais (como quais as indústrias a desenvolver ou condenar, que proporção de orçamento público se deve dedicar à agricultura, etc.) estejam sujeitas a discussão e a eleição democráticas.
  9. A sociedade civil tem que controlar e fiscalizar constantemente o sector privado e o Estado, um processo que deveria institucionalizar-se.
  10. O conjunto institucional da propriedade deveria transformar-se numa «economia mista» que incluiria cooperativas comunitárias, empresas privadas e empresas estatais e excluiria as corporação transnacionais.
  11. As instituições globais centralizadas, como o FMI e o Banco Mundial, deveriam ser substituídas por instituições regionais fundadas, não no livre comércio e no livre movimento de capitais, mas em princípios de cooperação que, para usar as palavras de Hugo Chavez na sua descrição da Alternativa Bolivariana para las Américas (ALBA), «transcenda a lógica do capitalismo».


Walden Bello, Chegou a hora de pôr fim à globalização?
publicado por ODiario.info a 8 de Dezembro de 2009

Etiquetas: ,

2 Comentários:

At 21:24, Blogger Zorro disse...

Gostei. Apoio a 100%

Sempre considerei a globalização e o capitalismo selvagem a pior coisa que foi inventada à face do planeta. Muito mais destrutiva do que uma Guerra Nuclear, mas silenciosa e lentamente aniquilando e escravizando todos os povos.

Espero que alguém com influência a comece a implementar contra a corrente. E contra as críticas dos corruptos.

A Bem das Nações!

 
At 16:58, Blogger Espumante disse...

Aqui está uma verdadeira... salada russa :))) A minha alma está parva!
Gostei especialmente do ponto 11. É de um cinismo gritante...

 

Enviar um comentário

<< Home


hits: