segunda-feira, março 30, 2009

O que pensa do G20?

Quase sempre aqui aparecem escritos seleccionados. Alguns autores aparecem mais vezes, mas são muito poucos (lembro-me apenas de Joseph Stiglitz). Para hoje vou trazer um novo autor: a voz daqueles que são desconhecidos. (AF)

D L, Runcorn
Se o governo quiser encorajar o consumo, porque não reduzir os impostos, o que nos daria mais dinheiro para gastar? Se fazemos trabalho suplementar, somos taxados. Porque não eliminar o imposto que incide sobre o trabalho suplementar, o que permitiria que mais gente trabalhasse mais e conseguisse consumir mais?
Ali, Crianlarich
Lembram-se de Darvos? O primeiro-ministro turco apressou-se a reconhecer o valor e a oportunidade em dialogar com Israel, permitindo então que a sessão fosse interrompida para o jantar.

O G20 devia ser encarado como um investimento, no qual o público encontrará interesse benefíco caso consiga distinguir um retorno tangível. Davros definiu um bitola demasiado baixa a este respeito... Qual será a ementa neste jantar? Para quem é o sorvete de lagosta?
Gerald Alor, Leicester
Os planos de salvação do governo nada mais significam que proteccionismo. Em primeiro lugar, as ajudas financeiras destinam-se a salvar a economia doméstica e estancar os despedimentos, com uma hipótese de respingos benéficos para o comércio internacional. Dada a situação actual, será difícil tentar convencer aqueles países que foram capazes de alimentar a sua economia com prudência, que cedam a sua bposição paguem as facturas dos outros que não conseguiram. O G20 tem uma tarefa enorme e difícil pela frente. Boa sorte.
Muhammad Zaman
O que pode fazer o G20?

Porque devem os participantes ostentar-se em hotéis de luxo em Londres ou em estâncias de veraneio na Suíça?

Sem surpresa, os participantes não fazem a mínima ideia daquilo que aflige as pessoas no mundo real.

Em vez de nos escarnecerem à mesa cheia de foie-gras, anchovas, Brunello di Montalcino e caviar, talvez fosse melhor ideia usarem nas refeições os orçamentos diários dos desempregados, dos pensionistas ou dos trabalhadores dos países do Terceiro Mundo.

Porventura ficariam em posição mais favorável para captarem a realidade do mundo que os envolve.


What can the G20 achieve?, BBC News, 4 de Março de 2009

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domingo, março 29, 2009

Servomecanismos

Vã glória a minha, se quanto mostro
Saco de tão mísera inteligência
Como quero que me acompanhem
Nessa farsa de eloquência

Exerci artes de processamento
Disso fiz meu ganha-pão
Tanto lidei com tal invento
Que já perdi toda a noção

Em poucas linhas consigo dizer
O pequeno mundo que me consumiu

Sequências de letras são palavras
E chega para acabar com o léxico
Sequências de palavras são expressões
Nada mais há na sintaxe
(Claro que nem um só deslize
Há máquina que me autorize,
Desconhece os meus desígnios
Só opera aquilo
Que pedanticamente lhe dito)
A semântica já nem me pertence
É cumprida pelo mecanismo
Ao executar a acção

Em fluxogramas ordenados
Desenho alternativas expectáveis
Face a dados que desconheço
Que me asseveram constituir
O invisível mundo real
(Até aceitava, sem objecção
Que os chamassem
Amostra insignificante
De uma realidade tão distante
Que nem mesmo sei se existe)

Se me basta um valor, chamo função
De contrário é uma rotina
Se balançam são co-rotinas
Se tornam à origem são sub-rotinas

Cedo ao servo as ordenanças
Aguardo então os resultados
Contento-me com semelhanças
Aos que foram antecipados

Tanto poder sobre um servo
Dá até uma vertigem

Qual máquina?
Qual memória programável?
Qual simulação de inteligência?
Qual maravilha tecnológica?
Mais estúpida ainda que uma vassoura

Não mais aguento a ordem, quero confusão

Hoje não sou exército, sou multidão
Não procuro governo, mas rebelião
Empresa não, insubordinação
Desígnio não, insurreição
Música? Não, só barulhão
Hoje sou uma explosão

A besta soltou-se, não a controlo
Não tenho tempo para adiamento
Basta já, tanto sofrimento

Como pode o animal
Enfaticamente substantivo
Sujeitar-se ao racional
Servamente adjectivo?
Publish Post


Como exprimir a contradança
Respeitando ambos?

Resta-me uma esperança

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sexta-feira, março 27, 2009

M. SHAHID ALAM - O Capitalismo na perspectiva das suas vítimas

Nunca foi fácil fazer uma crítica ao capitalismo ou aos mercados aos meus alunos do secundário. Muitos nunca terão escutado uma palavra menos simpática contra estas instituições basilares, que reconhecem como pilares do poder e da prosperidade dos Estado Unidos da América.

Estas são instituições sacralizadas. A capacidade do capital privado produzir empregos, riqueza e liberdade é um dos dogmas centrais que muitos norte-americanos absorvem com o leite materno. Ouvir um desafio a tal dogma - qualquer que seja o contexto - é perturbador. Às vezes, suspeito que esta pastilha amarga é ainda mais difícil de engolir pelo facto de eu não ser, notoriamente, um nativo dos Estados Unidos da América.

Nas últimas semanas, porém, essas convicções parecem ter enfraquecido. No passado tomava-se como certo que os mercados estavam a cumprir um papel benéfico, espalhando a prosperidade a alguns pontos centrais do capitalismo global. Fazem o trabalho para nós, ainda que isso possa não funcionar para os asiáticos, os africanos e os latino-americanos.

No entanto, a contestação de que o mercado "livre" raramente funcionava com economias afastadas dos grandes centros do desenvolvimento parecia carecer de fundamento. Aparentemente, tal não era uma falha do mercado. Por muito tempo, o Ocidente convenceu-se de que os asiáticos, os africanos e os latino-americanos não conseguiam porque eram preguiçosos, esbanjadores, corruptos e parcos em imaginação.

Os meus alunos - tal como a maior parte dos norte-americanos - encaram o capitalismo na perspectiva dos vencedores do capitalismo global. Por um acaso de nascimento, tornaram-se beneficiários das riquezas e do poder que o capitalismo global concentra em alguns pontos do sistema. Não concebem que o sistema que tão bem funcionou para eles seja capaz de produzir miséria na Ásia, África e América Latina.

Estive afastado das minhas ocupações docentes na altura em que os Estado Unidos da América conduziram o mundo para uma depressão profunda. Em poucos meses, os gigantes da Wall Street (Bolsa) estatelaram-se ao comprido, foram salvos da extinção por meio dos impostos dos contribuintes. Vacilando à beira da bancarrota, os gigantes da indústria automóvel sobrevivem hoje também à custa dos dinheiros dos contribuintes, sendo incerto qual será o seu futuro. Neste remoinho, os passos de Bernard Maddoff, o Einstein do esquematismo, prosseguiram o seu embuste colossal durante vinte anos sem que os reguladores dessem por isso.

Milhões de norte-americanos perderam o seu emprego; milhões estão ameaçados de perder as suas casas; milhões viram as suas poupanças de reforma evaporarem-se à frente dos olhos; milhões estão em vias de perder a assistência à doença. Enquanto os norte-americanos da rua eram devastados, os dirigentes dos bancos salvos por intervenção pública continuaram a receber milhões em bonificações. A corda esticada ameaça agora quebrar a aclamada tolerância dos norte-americanos para com as diabrites do sistema capitalista.

Usualmente, a democracia norte-amaericana dirige a sua verrina contra os escritores e activistas de esquerda, suficientemente loucos para procurarem defender os desprivilegiados. Desta vez, a fúria dos norte-americanos voltou-se contra os capitães da finança e os veneráveis banqueiros com uma violência invulgar - incluindo ameaças de morte.

Encontrava-me em licença sabática quando Al-Caida destruiu as Torres Gémeas, no 11 de Setembro. Fui, na altura, dispensado de acompanhar os meus alunos, por receio de que me pudessem tomar como um dos fautores daquele ataque.

Novamente me encontrava em licença sabática na altura em que as torres da Wall Street desabaram por cupidez, imprudência e fraude; por uma ideologia do mercado livre que não tem contemplações face à vida humana; por elites capitalistas e seus parceiros na Casa Branca e no Congresso, que transformaram o sector financeiro numa esquema gigantesco de embuste.

Os norte-americanos foram atingidos por actos de terrorismo com consequências a longo prazo para a vida humana de dimensão tal que, no balanço, farão com que o 11 de Setembro pareça uma sessão de chá das cinco. Os perpetradores deste terror são todos internos; não foram treinados nas montanhas do Afganistão, mas em Harvard, Yale e Stanford; foram banqueiros, directores e legisladores, que rezam nos Estados Unidos da América e se encontram entre a nata da sociedade desta nação.

Quando retomei as aulas no final deste ano, encontrei, como era de esperar, alunos marcados por esta experiência. Nada destói tão rápida e eficazmente a ideologia capitalista como as crises capitalistas. Nenhuma crítica ao capitalismo é mais contundente que a devastação do desemprego, a pauperização e a expulsão das suas casas que este inflinge às suas vítimas. Atingidas tão recentemente - no próprio centro do capitalismo global - talvez os cidadãos norte-americanos comecem a entender as vítimas do exterior dos EUA - as que estão em África, Ásia e América Latina - que já foram devastados por este sistema durante séculos.

As ideologias capitalistas procuram a todo o vapor desviar a angústia contra o sistema e apontá-la contra uns poucos vilões, umas tantas maçãs podres. As audições no Congresso identificarão os bodes espiatórios; crucificarão umas tantas bruxas. Serão sacrificados alguns barões do capitalismo. Ao esmorecer a fúria do público, tentar-se-á desviar a culpa para compradores de casas incumpridores e consumidores compulsivos. O espactáculo capitalista deverá então continuar com o mínimo possível de alterações.

Longe porém desta crise, as novas tecnologias, combinadas com o deslocamento irreversível da soberania de alguns segmentos do capitalismo para a periferia, alteraram a dinâmica do desenvolvimento desigual. Os trabalhadores de rendimentos mais altos - a chamada classe média dos países desenvolvidos - foram perdendo as prerrogativas que desfrutaram durante muito tempo, ao entrarem em competição com os trabalhadores de baixos rendimentos da China e da Índia.

Cada vez mais o capitalismo global enriquecerá alguns trabalhadores da periferia à custa dos trabalhadores do centro do capitalismo. Nos próximos anos, a grande aliança que foi forjada entre os capitalistas e os trabalhadores no centro do capitalismo ficará sujeita a uma grande tensão. Cada vez mais, os interesses destas duas classes divergirão.

Empresas poderosas insistirão na abertura, enquanto uma parte cada vez mais importante de trabalhadores reclamarão pelo proteccionismo. Este renascimento do conflito de classes no velho centro do capitalismo alterará as alianças políticas actuais. Depois de terem cooperado durante mais de um século, as instituições democráticas começarão a ameaçar as elitres das corporações. Serão apresentadas novas exigências aos mercenários da intelectualidade nos grandes meios de comunicação social e na academia para encontrarem novos e mais eficientes instrumentos destinados à imbecilização do povo.

Quando um número cada vez mais elevado de trabalhadores de altos rendimentos dos países ricos se tornar, ele próprio, vítima do capitalismo, será que aprenderão a olhar para o capitalismo do ponto de vista das vítimas costumeiras? Consegui-lo-ão nesta nova realidade emergente, com a economia ortodoxa a fugir dos velhos centros em Londres, Cambridge e Chicago rumo aos novos centros em Bangalore e Pequim?

Estranho mundo será este, visto a partir dos velhos centros. Na verdade, ocorrerá uma correcção muito atrasada por dois séculos de desenvolvimento desigual dominado pelas potências ocidentais. Tampouco esta correcção será suficiente: deixará de fora uma grande parte do mundo, mergulhada em pobreza e doença.

M. SHAHID ALAM, Capitalism From the Standpoint of Its Victims, Counterpunch, 23 de Março de 2009

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quinta-feira, março 26, 2009

A Democracia, JÁ !

Chegou a hora de reclamarmos para hoje, a democracia que nos prometeram ontem.

Em nome da restauração da vida democrática, os políticos que nos governam tomaram o poder e enchem todos os dias os jornais com novos escândalos, a partir de opções que só vêm a ser conhecidas pelas suas consequências, e nunca pelas suas causas.

Estamos fartos de ser chamados como contribuintes, a pagar as consequências dos erros alheios, com a eterna desculpa de que como foram eleitos, adquiriram o direito de empenhar, não apenas a geração que os elegeu, mas até as gerações que ainda nem sequer nasceram.

Este é o momento de perceber que os problemas do país não se podem escamotear com as eternas rivalidades entre partidos, enquanto as instituições se encontram totalmente manietadas pela impunidade dos crimes.

No próximo Sábado, vai nascer uma associação que é uma congregação de vontades de todos aqueles que não se conformam no papel de espectador impotente, a quem apenas é reconhecido o direito de manifestar a sua opinião pessoal, em casos que afectam mais a sociedade no seu conjunto do que cada um em particular.

Se não te conformas com a maneira como são desbaratados os dinheiros dos nossos impostos, nem como o exercício do poder político se transformou duma cultura de valores para uma cultura de acusações e contra-acusações à margem do poder judicial, então junta-te a este espaço de intervenção cívica, isento de ambições de poder, mas que se norteia pela recuperação do direito a intervir na vida pública.

Encontro para a fundação do Movimento para a Democracia Directa, Alcobaça, 28 de março de 2009, 15 horas.
http://doportugalprofundo.blogspot.com/

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quarta-feira, março 25, 2009

Ana Monteiro - Porque escolhi este poema

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alto vive.
Ricardo Reis



Eu escolhi este poema de Ricardo Reis por três motivos:
Primeiro: o poema expressa uma máxima a que eu aspiro – “Se tiveres que fazer algo, fá-lo bem feito.” – pois quando se faz algo, por mais pequeno ou insignificante que seja, por nós, pelos outros, quer gostemos ou nao, ficamos bem com nós próprios e orgulhosos, mesmo que ninguém repare ou elogie, porque temos a certeza de que o fizemos bem e é isso que conta.
O segundo motivo pelo qual escolhi este poema foi devido ao facto de ele nos mostrar que devemos procurar exceder sempre as nossas expectativas e a dos outros, porque a vida é o nós fazemos dela e o nosso futuro está sempre a mudar a cada pequena decisão que tomamos. Já que estamos neste mundo, por que não “rock it out with style?!” (não sei se podemos escrever em inglês, mas não sabia como expressar isto em português.)
E, por último, mas não menos importante, o facto de este poema possuir uma complexidade sintática, o que o torna interessante para mim, pois eu gosto de procurar o singnificado das coisas. A complexidade deste poema encontra-se na sua sintaxe, pois é clássica, latina e muito diferente daquela que estudámos em Alberto Caeiro. Este poema apresenta uma sintaxe latina, como já referi, com a frequente inversão da ordem lógica, favorecendo o ritmo das suas (Ricardo Reis) ideias disciplinadas.

Ana Monteiro, 12ºA Começar o ano... em grande!, 6 de Janeiro de 2009




Amigo Leitor

Deseja entregar-se ao poder encantatório das palavras? Então não deixe de visitar este one of a kind blog feito numa escola de Barcelos:

No Limiar das Palavras

onde, no dizer da professora que o criou, escrever não é um acto inútil. Inútil é calar-se.

(AF)

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terça-feira, março 24, 2009

Encontro de blogs comunistas

Encontro de blogs comunistas
(Recebido por email)

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segunda-feira, março 23, 2009

Educação - uma opinião de Santana Castilho

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domingo, março 22, 2009

Reunião dos PCE's - O modelo em vigor inviabiliza uma avaliação justa e digna

Os Presidentes dos Conselhos Executivos reunidos em Lisboa, continuam a manifestar a sua preocupação na defesa da Escola Pública.
A não suspensão do modelo em vigor, proposta em ocasiões anteriores é susceptível de inviabilizar, no espaço da actual legislatura, a construção de um sistema de avaliação de desempenho docente digno e justo.
Conforme assinalámos a seu tempo, a aplicação em curso do modelo de avaliação esgota-se num conjunto de procedimentos de natureza administrativa que não cumprem os princípios e finalidades da avaliação do desempenho dos docentes.
As objecções e as reservas anteriormente manifestadas em relação ao modelo de avaliação estão, assim, a ser confirmadas na prática.
Neste quadro de análise, a leitura da legislação no que respeita à entrega dos objectivos individuais, determina a recusa, pelos Presidentes dos Conselhos Executivos, da adopção de medidas arbitrárias que possam, de alguma forma, penalizar os docentes.
Os Presidentes dos Conselhos Executivos aqui presentes reafirmam a sua total disponibilidade para contribuir na construção de soluções de avaliação do desempenho docente sérias, credíveis e justas.
Por considerarem importante promover a uniformização de medidas – já de si ferida pela adopção diferenciada de procedimentos nos Açores e na Madeira – entendem ser indispensável divulgar e fazer subscrever junto de todas as escolas do País a posição aqui assumida.

Declaração dos PCE Reunidos No Teatro Aberto
A Educação do meu Umbigo, 22 de Março de 2009

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sábado, março 21, 2009

Análise da retórica de Augusto Santos Silva

O professor João Paulo Maia caracteriza assim o modo como Augusto Santos Silva cultiva a Retórica. O Leitor facilmente concluirá sobre a justeza desta análise nas próximas intervenções do Ministro dos Assuntos Parlamentares. (AF)

  • frases feitas;
  • conclusões de pretensas estatísticas lançadas sem se justificar como se chegava a tais coisas;
  • muitas falácias: ad hominem, falsas disjunções, petições de princípio, generalizações precipitadas, …;
  • entimemas (sim porque é assim que tenta cativar alguns auditórios, amputando argumentos e optando-se, não raro, apenas por slogans).
augustosantossilva.gif


Excerto de um comentário de João Paulo Maia em A educação do meu umbigo a 20 de Março de 2009

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sexta-feira, março 20, 2009

Bancos e bónus

As palavras banco e bónus não devem ser usadas na mesma frase (Ministro dinamarquês das finanças).
NRC Handelsblad, 20 de Março de 2009

Congresso dos EUA aprova taxa de imposto de 90% sobre bonificações dos adminsitradores de bancos intervencionados.
The New York Times, 20 de Março de 2009


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Sunset at the Portara


Explanation: Today, the Sun crosses the celestial equator heading north at 11:44 UT. Known as an equinox, this astronomical event marks the first day of spring in the northern hemisphere and autumn in the south. It also marks the beginning of Norouz, the Persian (Iranian) new year. Equinox means equal night. With the Sun on the celestial equator, Earth dwellers will experience nearly 12 hours of daylight and 12 hours of darkness. Of course, in the north the days will grow longer, the Sun marching higher in the sky as summer approaches. To celebrate the equinox, consider this scenic view of the setting Sun from the island of Naxos in the Aegean Sea. Recorded last June, the well-planned image captures the Portara (big door) in a dramatic silhouette. Measuring about 6 by 3.5 meters, the Portara is the large entrance to the Greek island's ancient, unfinished Temple of Apollo.


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Hoje começa a grande festa

A efeméride está marcada para as 11H44 da manhã. Consistirá na passagem do Sol pelo ponto vernal médio. Este ponto já esteve na constelação zodiacal do Carneiro, mas deslizou entretanto para a dos Peixes. Os astrólogos não se entenderam com os astrónomos e continuam a dar início ao signo do Carneiro nesta data. Mas isso em nada interessa para a festa.
  1. A duração do Sol acima do horizonte estará hoje equilibrada com a duração da noite, muito aproximadamente 12 horas para cada qual, em toda a extensão da Terra excepto nos pólos;
  2. O Pólo Norte entra num período de seis meses de claridade crepuscular permanente;
  3. O Pólo Sul entra num período de seis meses de obscuridade crepuscular permanente;
  4. Começa hoje o novo ano trópico, a principal medida astronómica para o ano;
  5. Para o hemisfério Sul, começa o Outono hoje;
  6. Para o hemisfério Norte, hoje começa a Primavera.
Portanto, em Portugal inaugura-se oficialmente a explosão da alegria das flores. Bela ocasião para uma malga de caldo verde a fumegar, um bom copo de verde tinto, azeitonas, chouriço assado e broa de milho. Depois de afinadas as gargantas, os pares podem tomar os seus lugares. Segurem-se as concertinas e o clarinete, os cavaquinhos, as guitarras e o violão, o bombo, o pandeiro, os ferrinhos e as castanholas. Apertem-se as faixas à cintura e atem-se os lenços à cabeça. Venha daí a Arrastada, o Senhor da Serra, a Chula Vareira, o Malhão, a Gota da Serra d'Arga, a Cana Verde e os Sinos da Sé de Braga. De aonde? Or' essa, de onde a cultura tradicional portuguesa partiu para chegar mais longe, ultrapassou todas as fronteiras e tocou corações no outro lado do Mundo, pois claro. Todos prontos? Vamos então.
Vira, Maria!
Vira, Manel!


Hei-de cantar, hei-de rir
Hei-de ser muito alegre
Hei-de mandar a tristeza
P'ró diabo que a leve

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quinta-feira, março 19, 2009

Dia do Pai

19/3/09
Pai gosto muito de ti e quando tu
conduzes muito rápido e com cuidado
gosto mesmo como tu conduzes gosto também
das tuas brincadeiras por exemplo aquela
de passar por cima do ombro
aquela de fazer muitas coçigas e
nunca parar, de me dares o teu casaco durante
a manhã, não gosto é quando
me ralhas, também gosto da tua companhia
gosto de tudo menos quando me ralhas.

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quarta-feira, março 18, 2009

Jesus nasceu a tempo

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...



Pedro interrompeu:
Temos que aprender isso de cor?
André disse:
Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
Não trouxe o papiro-diário.

Bartolomeu quis saber:
Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
Há fórmulas, vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?
Mateus queixou-se:
Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?


Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.


Recebido por email de Alebama

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Pequeno-almoço musical


(Grato ao Teodoro Manuel pela indicação)

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Presidentes dos Conselhos Executivos

Reunião de presidentes dos Conselhos Executivos das escolas

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domingo, março 15, 2009

O mentiroso

Não vou falar aqui dos 150 mil postos de trabalho que foram prometidos e que não foram cumpridos. Porque a promessa é mais ridícula do que o próprio resultado. Neste ponto, tanto o aldrabão como o aldrabado sentem-se incapazes de admitir uma ingenuidade tão grande que a promessa fosse para cumprir, e que o resultado da eleição fosse ditado por essa promessa. A única coisa que fica para a História, é o calibre de um político que é capaz de se rebaixar ao ponto de prometer para o futuro dos outros, aquilo que toma para o presente dele, em vez do comandante do navio, que deve ser o último a abandonar o barco.
Também não me apetece falar da promessa de não subir os impostos, que foi precisamente a primeira coisa que fez, e que o mesmo presidente da república que tinha acabado de despedir um primeiro ministro por incapacidade, foi incapaz de despedir o novo primeiro ministro, que decretou a sua própria incapacidade. Aqui, a mensagem que os portugueses captaram, foi tão cristalina como isto: que mintas a todos os portugueses, ainda vá lá, mas agora mentir-me a mim é que não vale.
Ou seja, o que venho colocar em causa, não é a realidade actual, perante as promessas que foram formuladas nos idos de antes das eleições.

Senhor primeiro ministro, afinal aonde é que está o socialismo que o senhor e o seu partido, andam a prometer aos portugueses desde o 25 de Abril?

O senhor diz que não gostava do fascismo, mas não estou a ver a diferença entre o antes e o depois. Aquilo a que assisti no rescaldo da manifestação de 200 mil pessoas, é preciso recordar às pessoas menos avisadas, que foi exactamente o mesmo que ouvia dos políticos que o precederam: "não eram as pessoas que estavam ali, mas apenas os partidos". Se os números não interessam ao primeiro ministro, então também tenho o direito de presumir que o único socialismo que interessa ao senhor primeiro ministro, é o seu próprio socialismo. Se os números não lhe interessam, porque é que prometeu 150 mil postos de trabalho, em vez de 400 mil? Afinal quando se fez eleger, pretendia dar emprego apenas a alguns desempregados?
Se o senhor primeiro ministro não aprecia que o chamem de mentiroso na rua, então tem bom remédio: avance com aquilo que o senhor mesmo reclama que os outros façam, ou seja, apresente as sua ideias, mas numa lógica de enfrentar a crise internacional do ponto de vista da desgraça nacional, em vez de enfrentar a desgraça nacional do ponto de vista da crise internacional.
Porque se para o senhor, a crise internacional é a bóia de salvação para as suas ridículas expectativas de reeleição para outra maioria absoluta, para todos aqueles que foram agredidos com a sua apreciação da manifestação dos 200 mil, a única bóia de salvação a que podem aspirar é que apareçam políticos que digam a verdade.

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sexta-feira, março 13, 2009

Adeus aos paraísos fiscais na Europa?

Será desta?

BYE BYE BANK SECRECY

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João Oliveira - Declaração sobre a educação

João Oliveira


Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Deputados,

Decididamente, com este Governo e esta maioria PS não é possível uma educação melhor!

Para enumerar todos os prejuízos causados nos últimos quatro anos a escolas, alunos, professores e outros profissionais seriam necessários bem mais que os seis minutos desta declaração política.

E não nos referimos aos enredos de cordel em torno do Magalhães, de quadros interactivos pomposamente inaugurados que não funcionam, da banda larga ou da internet sem fios que em muitos casos continuam a ser apenas verbos de encher ou que significaram verdadeiras fraudes para muitos milhares de portugueses.

No fim de contas, isso serão apenas episódios que ficam para a história de um Governo que, cego pela sua própria propaganda, fez da educação um substantivo eventualmente vistoso na aparência mas cada vez mais vazio de conteúdo.

Aquilo de que queremos hoje falar é de um sistema educativo subjugado a um demolidor objectivo de produção estatística, arredado de propósitos democráticos e progressistas de formação integral de indivíduos capazes de crítica e criativamente interpretar e transformar a realidade que os rodeia.

Queremos falar das crianças e jovens a quem tudo é facilitado e permitido quando se trata de cumprir metas estatísticas mas que já não estão autorizados a contestar as políticas do Governo ou têm que se sujeitar à vídeo-vigilância dos seus movimentos dentro do espaço escolar.

Queremos falar de escolas enredadas numa teia burocrática, ora obrigadas a cumprir a lei, ora compelidas pelo Governo a cometer ilegalidades.

Aquilo em que insistimos hoje falar é nos professores desmotivados pelas condições de trabalho que têm que enfrentar.

Professores difamados e ofendidos na sua dignidade profissional por um Governo que ainda não desistiu de vergar toda a classe profissional aos pés da omnipotente e omnisciente equipa ministerial.

Professores que em funções de gestão ou no exercício da docência enfrentam o dia-a-dia nas escolas com “muito Xanax”, como recentemente afirmou nesta Assembleia uma presidente de um Conselho Executivo.

Professores que, apesar da dimensão da ofensiva que enfrentam, não estão dispostos a capitular e continuam a lutar pela dignificação da sua profissão e da Escola Pública, por um sistema educativo ao serviço do desenvolvimento do país.

Querendo falar de tudo isto não podemos ignorar o Governo que, teimosamente, insiste no agravamento das políticas que deram origem ao desastre educativo a que o país hoje assiste.

Tal como não podemos ignorar a maioria parlamentar que, por ser absoluta, legitima toda e qualquer medida governativa sem atender aos argumentos de quem a contesta nem aos efeitos que ela possa produzir.

Na passada terça-feira, o Ministério da Educação voltou a fazer das suas.

Questionada pela Comissão Parlamentar de Educação sobre os efeitos que teria para os professores a não entrega dos objectivos individuais, a Ministra da Educação remeteu à Assembleia uma resposta pouco convincente mas bastante clara.

Sendo pouco convincente quanto à interpretação das normas legais que ainda restam do defunto modelo de avaliação, a resposta do Ministério é bastante clara quanto ao conteúdo da ameaça que deixa aos professores portugueses.

O Secretário de Estado Jorge Pedreira já tinha avisado que se os professores insistissem na greve de 19 de Janeiro sofreriam as devidas consequências e a resposta enviada à comissão parlamentar aí está para o confirmar.

Perante uma greve que atingiu os 90%, perante a determinada luta de dezenas de milhar de professores que recusam entregar os objectivos individuais exigidos pelo injusto modelo de avaliação, o Ministério da Educação ameaça agora “malhar” com efeitos na progressão e acesso à carreira e também na graduação e ordenação dos candidatos no âmbito do concurso para selecção e recrutamento do pessoal docente.

Aliás, também a respeito deste concurso a situação criada pelo Governo é vergonhosa, inaceitável e gravemente lesiva dos direitos dos professores e do sistema educativo.

Enquanto a propaganda do Governo informa que no concurso que se inicia amanhã há 20.600 vagas disponíveis, a dura realidade é a de um despedimento massivo de professores, de mais precariedade e piores condições para o exercício da docência.

Com este concurso, o Governo empurra para fora dos quadros cerca de 15 mil professores dos Quadros de Zona Pedagógica, prevendo mesmo já que 5 mil fiquem sem colocação.

Dos mais de 20 mil professores contratados, o Governo anuncia a integração nos quadros de apenas 2600, podendo mesmo isto não vir a acontecer caso se confirme a anulação dos milhares de vagas negativas hoje existentes. Desta forma irá o Governo remeter para o desemprego docentes com muitos anos de serviço que continuam precariamente contratados, sem direitos nem estabilidade mas a contribuir decisivamente para a poupança de custos do Ministério.

Há situações de professores contratados que auferem salários inferiores em mil euros ao salário que receberiam se estivessem nos quadros. É por isto que o Governo procura perpetuar a contratação e aponta já para o futuro o fim do concurso nacional de recrutamento, para que passem a ser as escolas a fazê-lo directamente.



Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Deputados,

A desastrosa realidade em que se encontra o sistema educativo português é a prova evidente do completo fracasso desta política educativa e da derrota dos seus protagonistas.

É a prova da derrota deste Governo e desta maioria absoluta que, ao longo da legislatura, fugiram ao debate e ao confronto democráticos.

Foi com esta maioria absoluta que ficámos a saber que quem se mete com o PS leva ou, o que é dizer o mesmo, que o PS gosta de malhar em quem se lhe opõe.

É também contra esta arrogância e prepotência que a justa luta dos professores portugueses há-de vencer, a bem do sistema educativo consagrado na Constituição democrática do Portugal de Abril.

Disse.


João Oliveira, Declaração Política sobre Educação, 12 de Março de 2009

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quinta-feira, março 12, 2009

Pedro Martins - Impacto do Estatuto da Carreira Docente no ensino

Pedro MartinsEstá disponível aqui o meu trabalho sobre o impacto das reformas dos últimos três anos na aprendizagem dos alunos do ensino secundário em Portugal. Infelizmente as minhas análises indicam que este impacto é negativo.

O estudo baseia-se na informação individual dos resultados dos exames em todas as escolas secundárias portuguesas desde o ano lectivo 2001-02 até ao último ano lectivo completo (2007-08). Utilizo informação disponibilizada pelo Júri Nacional de Exames e que tem sido utilizada para a construção de rankings (por exemplo, aqui e aqui).

Em termos específicos, comparo a evolução dos resultados internos e externos (exames nacionais) nas escolas públicas do continente com as escolas privadas e também com as escolas públicas das regiões autónomas. A motivação para esta escolha está no facto de os dois últimos tipos de escolas não terem sido afectadas - pelo menos não com a mesma intensidade - pelas várias alterações introduzidas no estatuto da carreira docente. Nessa medida, tanto as escolas privadas como as escolas públicas das regiões autónomas podem servir como contrafactual ou grupo de controlo.

(Outras abordagens, como comparar as escolas públicas ao longo do tempo ou comparar escolas públicas com escolas privadas num dado período, não são esclarecedoras. No primeiro caso porque o nível de dificuldade dos exames oscila de ano para ano. No segundo caso porque os alunos nos dois tipos de escolas são diferentes.)

Os resultados indicam uma deterioração relativa de cerca de 5% em termos dos resultados dos alunos das escolas públicas do continente em relacao tanto às escolas públicas da Madeira e Açores como às escolas privadas. A minha explicação para este resultado prende-se com efeitos negativos em termos da colaboração entre professores a partir do momento em que a sua avaliação prende-se essencialmente com o seu desempenho individual. Por outro lado, o aumento da carga burocrática associada à avaliação também poderá ter tido custos em termos da qualidade da preparação das aulas.

Por outro lado, verifiquei que a variação em termos dos resultados internos destes mesmos alunos é menor, embora também negativa - cerca de 2% (em contraponto a 5% nos exames nacionais). A diferenca entre os dois resultados, que sugere aumento da inflação das notas, pode explicar-se pela enfase colocada pelo ECD - pela menos nas suas primeiras versões - nos resultados dos alunos como item a ser considerado na avaliação dos professores.

Todos os resultados são particularmente robustos a várias alteracões em termos da definição da amostra e em termos de diferentes critérios para a condução da análise. Mais pormenores na versão académica do estudo, publicada em versão "working paper" pelo Institute for the Study of Labor, aqui.

Os resultados em si são preocupantes. Mas mais preocupante ainda será não aprender com erros e correr o risco de repeti-los no futuro.


Pedro S. Martins, Efeitos das reformas na educação,
Economia das pessoas, 11 de Março de 2009

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quarta-feira, março 11, 2009

Paulo Geraldo - A desilusão

Paulo GeraldoVamos pela vida intercalando épocas de entusiasmo com épocas de desilusão. De vez em quando andamos inchados como velas e caminhamos velozes pelo mar do mundo; noutras ocasiões - mais frequentes do que as outras - estamos murchos como folhas que o tempo engelhou. Temos períodos dourados, em que caminhamos sobre nuvens e tudo nos parece maravilhoso, e outros - tão cinzentos! - em que talvez nos apetecesse adormecer e ficar assim durante o tempo necessário para que tudo voltasse a ser belo.

Acontece-nos a todos e constitui, sem dúvida, um sinal de imaturidade. Somos ainda crianças em muitos aspectos.

A verdade é que não temos razões para nos deixarmos levar demasiado por entusiasmos, pois já devíamos ter aprendido que não podem ser duradouros.

A vida é que é, e não pode ser mais do que isso.

Desejamos muito uma coisa, pensamos que se a alcançarmos obtemos uma espécie de céu, batemo-nos por ela com todas as forças. Mas quando, finalmente, obtemos o que tanto desejávamos, passamos por duas fases desconcertantes. A primeira é um medo terrível de perder o que conquistámos: porque conhecemos o que aconteceu anteriormente a outras pessoas em situações semelhantes à nossa; porque existe a morte, a doença, o roubo...

A segunda fase chega com o tempo e não costuma demorar muito: sucede que aquilo que obtivemos perde - lentamente ou de um dia para o outro - o encanto. Gastou-se o dourado, esboroou-se o algodão das nuvens. Aquilo já não nos proporciona um paraíso.

E é nesse momento que chega a desilusão, com todo o seu cortejo de possíveis consequências desagradáveis: podem passar-nos pela cabeça coisas como mudarmos de profissão, mudarmos de clube, trocarmos de automóvel ou de casa, divorciarmo-nos... E, então, surge o desejo de partir atrás de outro entusiasmo: queremos voltar a amar...

Nunca mais conseguimos aprender o que é o amor.

Se nos desiludimos, a culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos, a culpa é nossa: porque nos deixámos iludir; porque nos deixámos levar por uma ilusão. Uma ilusão - há quem ganhe a vida a fazer ilusionismo - consiste em vestir com uma roupagem excessiva e falsa a realidade, de modo a distorcê-la ou a fazê-la parecer mais do que aquilo que é.

Quando nos desiludimos não estamos a ser justos nem com as pessoas nem com as coisas.

Nenhuma pessoa, nenhuma das coisas com que lidamos pode satisfazer plenamente o nosso desejo de bem, de felicidade, de beleza. Em primeiro lugar porque não são perfeitas (só a ilusão pode, temporariamente, fazer-nos ver nelas a perfeição). Depois, porque não são incorruptíveis nem eternas: apodrecem, gastam-se, engelham-se, engordam, quebram-se, ganham rugas... terminam.

Aquilo que procuramos - faz parte da nossa estrutura, não o podemos evitar - é perfeito e não tem fim. E não nos contentamos com menos de que isso. É por essa razão que nos desiludimos e que de novo nos iludimos: andamos à procura...

De resto, se todos ambicionamos um bem perfeito e eterno, ele deve existir. Só pode acontecer que exista. Mas deve ser preciso procurar num lugar mais adequado.

Paulo Geraldo



Cidadela, Textos em prosa, s.d.

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segunda-feira, março 09, 2009

Ana Camarra - Relembra-me

Isto tem dias

Relembra-me por favor essas histórias de mares revoltos
Ou aqueles frémitos de asas etéreas de pássaros migrantes

Relembra-me aquelas músicas que te encantaram
Ou o sorriso de outra mulher que te apaixonou

Relembra-me porque resolveste mergulhar nos meus olhos
Nos meus braços

Relembra-me a primeira gargalhada que partilhámos
Ou pelo contrário a primeira vez que o nosso olhar mergulhou no olhar do outro
De forma firme, de forma frágil ainda, mas trazendo consigo
Um reconhecimento

Relembra-me se foram os meus cabelos suados ou pelo contrário molhados
Com ar de algas marinhas, que te cativaram ou assustaram
Se foi um franzir de sobrolho que fiz
Ou o ar compenetrado com que corto os vegetais
Ou pelo contrário o ar abstraído quando mergulho no fundo dos meus pensamentos

Relembra-me como se estivesses a contar um conto a uma criança

Relembra-me o sabor do sal, do vento na face
Das carícias tímidas, dos abraços desesperados

Relembra-me essas coisas imperfeitas e conta-as
Como foram, porque a criança que guardo em mim
Precisa assim de um história de encantar


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domingo, março 08, 2009

Vidigueira


O Museu da cidade e uma bola de mármore, lindíssima, que mais lembra Júpiter.

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Olinda Gil - Mulheres Moçambicanas

Mulheres Moçambicanas por Olinda Gil
(Mais quadros no sítio da pintora)

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Gracias a la vida que me ha dado tanto - Violeta Parra - chilena

Esta canção lindíssima, cantada também por Joana Baez, foi popularizada por Violeta Parra. No seguimento do post anterior coloco aqui a sua letra.
Contemporânea de meus pais, casou-se pela segunda vez no ano em que eu nasci. Cantou com os seus irmãos e filhos do primeiro casamento que ainda hoje são importantes na música chilena. Sinto-me ligada a esta música. Podem ler um pouco da história de Violeta em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Violeta_Parra

"Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.


Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.


Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.


Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.


Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.


Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
asi yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.


Gracias a la Vida"

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8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Saúdo todas as mulheres, neste dia que lhes é devido, pelas multifunções que desempenham, pela côr que dão à vida! (M.R.)

A 8 de março de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.


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quinta-feira, março 05, 2009

Anti-comunicação

Já alguém disse: discute-se muito nos blogs.
Como facilitador de comunicação quase sem limites espaciais, a Internet é uma ferramenta preciosa. O acesso à palavra em espaço público deixa de estar tão condicionado como nos outros meios de comunicação social, logo a circulação de informações atinge níveis desconhecidos até há pouco.
Porém, não se transmitem ideias como se transportam paletes de Chiquita Banana. Cada ideia que se tenta veicular tem antecedentes (contextos) e consequentes (ideias derivadas). Dispõem-se em cadeias ramificadas, particionam o campo de debate (clusters), são frequentemente difíceis de formular e mais ainda quando se pretende clareza, comprometem os seus autores...
As possibilidades abertas por este meio de comunicação não são porém garantia de que as discussões produzam os resultados que seriam de esperar do ditado: da discussão nasce a luz. O que se segue é um breve roteiro para se alcançar esplendidamente a anti-comunicação. Resulta de observações fáceis de confirmar todos os dias:
  1. Procurar concentrar a atenção na pessoa que produz a afirmação em detrimento daquilo que afirma
  2. Invocar situações passadas e transpor mecanicamente para o presente, sem consideração pelas diferenças
  3. Usar frases feitas (clichés)
  4. Levantar suspeitas sobre intenções
  5. Replicar ideias do "senso comum", como se todo ele estivesse a salvo de manipulações
  6. Extrapolar a ideia adversa para além dos limites razoáveis
  7. Replicar com citações
  8. Ser excessivamente sintético
  9. Procurar deslocar o tema para campo mais favorável
  10. ...

Para os entusiastas eis um tratado mais completo.

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quarta-feira, março 04, 2009

Rosário Gama - 3ª reunião dos presidentes de Conselho Executivo das escolas

PCE’S VOLTAM A REUNIR EM LISBOA,
DIA 21 DE MARÇO.


CAROS COLEGAS PCE’S, INSCREVAM-SE!

10 de Janeiro e 7 de Fevereiro são datas que ficarão para a história da educação como o inicio da movimentação de um grupo de PCEs atentos ao que se passa à sua volta, inconformados com as “investidas” do Ministério da Educação, solidários com os colegas professores e descomprometidos relativamente ao poder. Queremos continuar o nosso movimento e quanto mais vezes nos juntarmos, quanto mais unidos estivermos maior será a nossa força reivindicativa.

Não podemos baixar os braços mesmo que alguma pontinha de desilusão tenha acontecido devido à tomada de posição de alguns professores que, com medo das ameaças da DGRHE, não confiaram na nossa tomada de posição e entregaram os objectivos. Mas temos os outros todos, aqueles colegas que confiaram em nós e que se mantiveram coerentes na luta; para com esses, a nossa responsabilidade aumentou. Temos que nos manter unidos e trazer cada vez mais PCEs para a nossa causa.

Pedimos pois a cada um dos que estiveram em Santarém e em Coimbra que não deixem de estar presentes em Lisboa no dia 21 de Março e que tragam mais um colega para sermos ainda mais.

Mais um apelo para que a Isabel (organizadora do Encontro de Lisboa) não passe as aflições que eu passei com a organização em Coimbra: Inscrevam-se rápido e comuniquem, por favor, a vossa presença para podermos saber quantos colegas irão estar presentes.

Saudações.
Rosário Gama

Divulguem! Eu já estou a divulgar!


Via A Educação do meu umbigo, graças à persistente vigilância de Ana Henriques

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segunda-feira, março 02, 2009

Maremoto em Samatra, 2004

Última fotografia encontrada numa máquina digital, passado um mês e meio da data do maremoto. Fosse quem fosse que tenha captado esta imagem invulgar, fê-lo com a intenção de a oferecer aos seus semelhantes, num gesto totalmente desprendido. Como homenagem ao autor desconhecido, aqui fica o registo.

Maremoto em Samatra, 2004
(Clique para ampliar)

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