quinta-feira, abril 30, 2009

Jack Soifer - Alta velocidade

Jack SoiferA TECNOLOGIA do TGV tem 150 anos, não inova em nada, é só força bruta. Ao contrário do Alfa, que usa a ciência e é pendular, no TGV o bogie, o chassi e os carris são tradicionais, mas maiores; só o motor eléctrico substituiu a locomotiva a vapor.
O LightAlfa usa compósito, ligas de alumínio e carbono, e HDPVC na carruagem e chapa de aço reforça­do, em vez de ferro fundido no bogie. O fio dos motores é de liga de alumínio em vez de cobre. Tudo o torna mais leve, flexível nas curvas e exige muito menos betão nas pon­tes e retirada de terras nas serras.
O LightAlfa é tecnologia de ponta, faz 240km/h de média, quase igual ao TGV e, ao invés deste, não está nas mãos de só nove empresas de quatro países.
Ao ligar Faro a Braga pelo interior, o Train de Grand Developpement (TGD) com ramais para Badajoz e Vigo e gastando 1,5 mil milhões de euros, traria emprego a 78 firmas e 18 mil cidadãos portugueses.
Só seis empresas de França, Reino Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o TGV.
A Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e a infrastrutura.
Exige-se quatro anos e milhões para certificar.
Não estarão num cartel?
Estimativas de países que pensaram investir ou já fizeram TGV mostram brutais derrapagens. Os três grandes da UE exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões, a Espanha uns 20% e as nossas três mega-empresas 8 a 9%.
Mas três gerações (de Portugueses) teriam que pagar mais 4 mil milhões em juros e sobre lucros ao cartel e cada um dos nossos 5 milhões de empregados mais 500€/ano de impostos em subsídios do Governo ao consórcio do TGV.
Se o racional e inovador é o LightAlfa, que lobby de Bruxelas está a forçar um ministro a nos meter goela abaixo uma dívida irracional e uma velha tecnologia? Por que estes dados não chegam a José Sócrates?


Portugal Ilustrado

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segunda-feira, abril 27, 2009

Eduardo Ferreira - Alunos injustiçados

ALUNOS DE PENACOVA PUNIDOS POR DEFENDEREM OS SEUS DIREITOS



Três alunos da Escola Secundária de Penacova foram levados a Tribunal e condenados por se terem manifestado contra o estatuto do aluno, na defesa do direito de poderem voltar à Escola e prosseguir normalmente os estudos, depois de uma doença ou de terem participado numas jornadas culturais ou até numas olimpíadas da matemática, por exemplo, sem terem que se sujeitar a exames intercalares que aferissem os seus conhecimentos e os pudessem excluir em qualquer altura do ano, tais eram as aberrações previstas naquele estatuto.

Os Pais já o haviam feito! Manifestaram-se por unanimidade na sua Assembleia-geral de Pais e Encarregados de Educação, realizada em 25 de Outubro e pediram a “Deus e a todo o mundo” que fizessem o mesmo. A Associação de Pais pediu à Ministra que mudasse de ideias, apelou aos Deputados de todos os Partidos que corrigissem o estatuto e deu disso conhecimento às outras Associações para que seguissem o mesmo exemplo.

Entretanto, os alunos à medida que foram tomando consciência da gravidade das medidas previstas no estatuto, que mais parecia o código penal, foram promovendo acções de luta. Os de Penacova manifestaram-se no dia 17 de Novembro à porta da Escola, numa acção que teve o apoio unânime dos estudantes, com a recusa colectiva de ir às aulas, nessa manhã.

Nessa acção, alguém escolheu cirurgicamente três deles e os acusou, quiçá, de perigosos agitadores, que levados perante a Justiça, são agora notificados a prestar serviço de interesse público, com acompanhamento pelos serviços de Reinserção Social, devendo ainda, quem não beneficiou de protecção jurídica, que pagar as custas do processo!

Que crime terão cometido os nossos jovens para terem um tratamento assim? O direito de manifestação não será permitido em Penacova? São estas as lições que a escola e a justiça dão aos nossos filhos?

Os Pais destes alunos vieram-se queixar e pedir ajuda à Associação de Pais, completamente indignados com o desfecho deste processo e cientes de que os seus filhos apenas exerciam um direito cívico, em liberdade, vendo-os agora a serem tratados como uns delinquentes marginais e ainda sujeitos à humilhação, pelo cumprimento das medidas disciplinares aplicadas.

A Associação de Pais e Encarregados de Educação está solidária com os colegas e com os seus filhos, partilhando a mesma indignação perante o tratamento dado a este caso e disponibiliza-se para patrocinar qualquer iniciativa que entendam promover no sentido de defesa da honra e do bom nome dos seus filhos.

Regista-se ainda, com preocupação acrescida, que este caso ocorreu no presente ano lectivo e conheceu o seu desfecho no mês em que se comemora o 35º aniversário do 25 de Abril, o dia da conquista da Liberdade!

Lamentável coincidência!

Penacova, 21 de Abril de 2009

O Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação,

Eduardo Ferreira


Para saber mais: Paula Bernardes, telef. 967611282 e Pedro Santos, telef. 914912618

Constituição em 26.12.84 Pessoa Colectiva Nº 502 111 968 Contactos: Telef. 919 631 053/239 470 190

Sede: Escola EB 2,3/S de Penacova – 3360-191 PENACOVA E-mail: ass.pais.penacova@hotmail.com

(Recebido por email de Rosa Maria Vilaça)

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sábado, abril 25, 2009

Grândola, Vila Morena

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sábado, abril 18, 2009

A Primavera em festa

Algumas imagens de flores em Portugal, captadas por Vanda Ferrão


Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal

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sexta-feira, abril 17, 2009

Federico García Lorca - Romance sonambulo

(Por sugestão de Ana Camarra)


Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.
Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendra? ¿Y por dónde...?
Ella sigue en su baranda,
Verde came, pelo verde,
soñando en la mar amarga.
--Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo per su manta.
Compadre, vengo sangrando,
desde los puertos de Cabra.
--Si yo pudiera, mocito,
este trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
--Compadre, quiero morir
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿No ves la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
--Trescientas rosas morenas
lleva tu pechera blanca.
Tu sangre rezuma y huele
alrededor de tu faja.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
--Dejadme subir al menos
hasta las altas barandas;
¡dejadme subir!, dejadme,
hasta las verdes barandas.
Barandales de la luna
por donde retumba el agua.
Ya suben los dos compadres
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre.
Dejando un rastro de lágrimas.
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata.
Mil panderos de cristal
herían la madrugada.
Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
Los dos compadres subieron.
El largo viento dejaba
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca.
¡Compadre! ¿Donde está, díme?
¿Donde está tu niña amarga?
¡Cuántas veces te esperó!
¡Cuántas veces te esperara,
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!
Sobre el rostro del aljibe
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Un carámbano de luna
la sostiene sobre el agua.
La noche se puso íntima
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos
en la puerta golpeaban.
Verde que te qinero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.


Academy of American Poets

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quinta-feira, abril 16, 2009

Israel - Os Voca People

O que estão em vias de escutar é PURA VOZ HUMANA,
EXCLUSIVAMENTE ACCAPELA
Nada de instrumentos
Nada de efeitos acústicos electrónicos.
Pura voz, ao vivo
Os Voca People





O Voca People é um novo fenómeno vocal e teatral internacional, que combina sons vocais espantosos e cantos acappella com imitações de sons de baterias, trompetes, guitarras e outros instrumentos e efeitos musicais, sem usar de facto qualquer instrumento em palco, tudo executado de forma humorística e com a participação do público.


Quem são os Voca People?

São 8 extra-terrestres amigáveis do planeta Voca, um planeta que não dispõe de comunicação verbal, usando expressões vocais para o efeito. Escutaram a música da Terra ao longo de décadas e, com os seus dotes de imitação, decidiram-se agora a prestar uma homenagem à humanidade interpretando numa tarde as canções de que gostaram, como agradecimento.


Os Voca People são um conjunto de oito actores musicais talentosos; 3 cantoras que completam brilhantemente a família de vozes femininas (soprano, mezzo-soprano e contralto) e três cantores (tenor, barítono e baixo). Além destes, há dois artistas que imitam os sons das caixas, considerados dos melhores neste campo.
...


Lidor Events - Vocapeople



Introdução: Era - Ameno
  1. Johann Sebastian Bach - Toccata and Fugue in D minor
  2. Hallelujah
  3. The Entertainer
  4. Chordettes - Mr. Sandman
  5. Glen Miller - In The Mood
  6. Elvis Presley - Tutti Frutti
  7. Beach Boys - I Get Around
  8. Doobie Brothers - Long Train Runnin'
  9. Madonna - Holiday
  10. Michael Jackson - Billie Jean
  11. Eurythmics - Sweet Dreams
  12. Mori Kante - Yeke Yeke
  13. Nirvana - Smells like teen spirit
  14. Spice Girls - If you wanna be my lover
  15. Los Del Rio - La Macarena
  16. Rednex - Cotton Eyed Joe
  17. Britney Spears - Hit Me Baby One More Time
  18. Baha Men - Who Let the Dogs Out?
  19. C+C Music Factory - Gonna Make You Sweet (Everybody Dance Now)
  20. Will Smith - Switch
  21. Madagascar 5 vs. KK Project - I Like To Move It


kareeka007

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Carlos Drumond de Andrade - Mãos dadas

Carlos Drumond de Andrade



Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens [presentes,

a vida presente.



(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.)



pOr trÁs dAs LeTraS

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O preço da injustiça

Veio agora ao conhecimento do público, que as famílias das 59 vítimas mortais da queda da ponte de Entre-os-Rios foram contempladas com o pagamento das despesas judiciais correspondentes ao serviço desempenhado pelo ministério público.

Não se percebe como é que, se o ministério público é que perdeu a causa, os familiares das vítimas é que ficam a pagar as custas judiciais. Porque na nossa justiça, o pagamento das custas fica a cargo de quem perde a causa.

Portanto, para se poder perceber qual o destinatário da factura, teremos que admitir que quem perdeu a causa foram os familiares das vítimas, e quem ganhou a causa, foi o estado.

Ou seja, o ministério público na realidade não representou os familiares das vítimas, mas sim o estado.

Porque no campo formal, ou seja no tribunal, o ministério público em vez de se virar para o estado, andou apenas atrás dos serviços e dos técnicos que se limitavam a cumprir as orientações que lhes eram impostas pelo estado, com as limitações que também lhes eram impostas pelo mesmo estado, e das camionetas de areia, que se entretinham a explorar as autorizações de extracção que também lhes eram impostas pelo mesmo estado.

Ou seja, o que o tribunal andou a fazer foi apenas a atirar-nos areia para os olhos, acabando por concluir, bem ou mal, que todos os visados não fizeram mais do que funcionar dentro das competências que lhes eram impostas pelo estado.

E a sentença formal, foi a de que ninguém foi considerado culpado… pela queda da ponte!…

Quando o que os familiares das vítimas, e toda a população portuguesa estavam à espera, é que fosse apurada a responsabilidade, não da queda da ponte, mas sim das suas consequências em vidas humanas.

Aí é que residia a verdadeira causa, porque o estado é que tem a capacidade de abrir ou fechar ao trânsito as estruturas rodoviárias, em nome precisamente do risco em vidas humanas.

Portanto, o que o ministério público andou a fazer foi a branquear a responsabilidade do estado perante as consequências da queda da ponte em vidas humanas.

E isso só foi possível, porque ocorreu uma violação do princípio da independência do poder judicial ao poder político, ou seja, porque o poder judicial foi utilizado pelo poder político para retirar as consequências que cabiam ao estado perante a tragédia.

E os resultados dessa violação, são muito mais pesados para os cidadãos do que a factura das custas judiciais. Porque essa factura, até pode vir a ser suportada pelo próprio estado, ou seja por todos nós, abrindo uma qualquer excepção que se destine a acalmar a tensão social resultante dessa injustiça que ninguém consegue compreender.

Os principais resultados dessa violação, consistem em afirmar a todo e qualquer cidadão que esteja ou venha a recorrer à justiça, que os serviços de justiça em Portugal possuem um limite que não se encontra na lei, mas que limita a aplicação de justiça às relações que não envolvem a responsabilização do estado.

A lei diz apenas que os juízes são inimputáveis, mas a política acrescenta à lei que o estado também é inimputável.

Se queres justiça, limita-te a acusar outros particulares como tu, mas deixa o estado fora disso porque a nossa justiça não inclui a responsabilização do estado.

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quarta-feira, abril 15, 2009

Já pensou no que vai fazer no próximo Sábado?



A Associação Portuguesa de Ciclídeos (APC) realiza este fim-de-semana a sua 4ª Convenção Internacional.

Se não sabe o que são Ciclídeos, então esta é uma boa oportunidade para descobrir…

Na área de exposições do Espaço Monsanto em Lisboa, estarão expostos mais de 100 aquários com espécimes das mais diversas cores, formas e proveniências, tendo apenas em comum o facto de pertencerem a essa grande família de peixes com características singulares como por exemplo cuidarem e protegerem com afinco as suas crias.

Os objectivos principais desta convenção são: a divulgação dos ciclídeos; como manter correctamente estes peixes em aquário; contribuir para a preservação das diversas espécies e populações e tentar fomentar a aquariofilia em Portugal de uma forma sustentada. Para atingir estes objectivos a convenção englobará várias actividades, o que permitirá a troca de experiências entre os presentes e a divulgação de expedições realizadas aos seus habitats naturais.

Está confirmada a presença do famoso Doutor Adrianus Konings (mais conhecido como Ad Konings) autor de muitos livros de reconhecida qualidade técnica e fotográfica sobre os ciclídeos no seu habitat natural e que nos trará duas palestras temáticas sobre os ciclídeos dos lagos Malawi e Tanganiyka.

Teremos ainda outras interessantes palestras por parte de sócios veteranos da APC.

Seja pelas palestras, ou apenas pela exposição, não perca esta oportunidade rara em Portugal.

O programa completo pode ser consultado a partir do site da APC ( www.apciclideos.org ).

Contamos com a sua presença!
A entrada nas palestras é livre, mediante registo efectuado no local.

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segunda-feira, abril 13, 2009

O renascer da vida

A foto mais bonita que a Márcia tirou!

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domingo, abril 12, 2009

As crianças ainda têm direito a brincar?

(Recebido por email de Margarida Azevedo)

"Exma. Sr.ª Ministra da Educação
Exmos Srs. Presidentes das Câmaras Municipais


Este ano ficámos surpreendidos com o regresso à escola dos nossos filhos, amigos, vizinhos. Descobrimos que agora uma criança com 6 anos de idade estará obrigatoriamente 8 horas numa sala de aula, exactamente o horário de trabalho de um adulto.
Para reduzir custos, cortar no público e garantir que o privado continua a receber subsídios directos e indirectos, as câmaras municipais decidiram, sem consultar ninguém, que as actividades extracurriculares passavam de facto a ser curriculares. Ou seja, antes uma criança tinha aulas até às 15 horas e depois actividades facultativas extracurriculares e agora essas actividades são colocadas no meio das aulas. A razão é simples: antes um professor de música dava aulas numa escola das 15 às 17 e agora o mesmo professor dá aulas em várias escolas ao mesmo tempo. Assim, os alunos do 1.º ciclo têm aulas, depois música, depois aulas, depois inglês, depois ginástica, depois aulas…O resultado é que estão 8 horas numa sala de aula!

Contactámos pessoalmente várias professoras que nos confessaram que as crianças simplesmente estão «exaustas», a partir da tarde não se concentram em nada, e nós pais constatamos que as crianças chegam a casa nervosas e simultaneamente exaustas. Todos os estudos[1] indicam que as crianças que não brincam livremente, em espaços abertos e amplos várias horas por dia, têm mais probabilidade de serem hiperactivas, obesas, terem problemas de motricidade e, claro, são obviamente mais infelizes. O que nos aconteceria a nós, adultos, se estivéssemos 8 horas sempre a ouvir alguém, sentados dentro de uma sala de aula? Como se sentem os nossos filhos?

A escola que conceberam estes responsáveis políticos é improdutiva e péssima para as crianças e não tem nenhuma comparação com o que se passa em qualquer país da Europa. Na França, na Alemanha e nos colégios ricos – onde andam os filhos dos ministros – como o Liceu Francês, as crianças têm 5 horas de aulas e o resto do tempo livre.
O Estado deve arranjar espaços lúdicos para as crianças estarem da parte da tarde, mas esses espaços devem ser lúdicos e amplos e não uma espécie de estudo acompanhado permanente. Que escola é esta em que nas aulas se pinta e se canta e no recreio tem-se estudo acompanhado?
As actividades extracurriculares devem ser «extra» e não obrigatórias; devem ser garantidas pelo Estado e não através de financiamentos a privados. A quem não opta pela ditas actividades deve ser garantido que as crianças simplesmente possam ficar a brincar na escola sob a supervisão de um adulto.

Considerando que:

• Esta é uma lei incompatível com a declaração dos direitos da criança da UNESCO, adoptada pela ONU a 20 de Dezembro de 1959;
• As crianças que não têm actividade física e lúdica tem tendência para ficar hiperactivas, obesas e infelizes;
• Que a escola deve organizar actividades para os pais que não podem ficar com as crianças mas que essas actividades devem ser de facto opcionais e deixar a tarde livre para quem assim o deseja;
• Que as aulas devem ser exigentes mas o espaço de brincadeira deve ser livre, amplo,

Os encarregados de educação abaixo-assinados declaram que:

o Não aceitam que as actividades extracurriculares sejam colocadas no meio do horário das aulas.
o Não aceitam que os seus filhos estejam 8 horas seguidas em actividades lectivas, curriculares ou extracurriculares.
o Estão dispostos a avançar com uma queixa junto do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, caso esta política não seja revista.


Se está de acordo com o exposto, pode contribuir para uma vida melhor assinando aqui.

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sexta-feira, abril 10, 2009

Narciso Yepes - Recuerdos de la Alhambra

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sábado, abril 04, 2009

A crise, é só para alguns

Graças à Transparência na Administração Pública, agora podemos entreter-nos a ver para onde é que andamos a pagar os nossos impostos.

Eis aqui um exemplo de uma pesquisa:

NIF /Nome entidade adjudicante
504597221 /Matosinhos Habit - MH
NIF /Nome entidade adjudiatária
502370351 /A construtora de Pedroso Lda.
Objecto do contrato(descrição sumária): Reparação de porta de entrada do edifício
Preço do contrato (Euro): 142.320,00 €
Prazo de execução (dias): 1 /Local de execução: Matosinhos

NIF /Nome entidade adjudicante
600037584 /Escola Superior de Educação de Lisboa
NIF /Nome entidade adjudiatária
505212315 /Serralharia Bastos Unipessoal, LDA
Objecto do contrato(descrição sumária): Reparação de janelas/portas do 1º, 2º e 3º piso do Edifício Principal da Escola Superior de Educação de Lisboa
Preço do contrato (Euro): 38.130,00 €
Prazo de execução (dias): 40 /Local de execução: Lisboa

Trocando em miúdos, podemos verificar que, enquanto a Serralharia Bastos Unipessoal, LDA trabalha durante 40 dias na reparação de todas as portas e janelas do edifício da ESE de Lisboa, por 38 m€, a Construtora de Pedroso, Lda, num só dia "reparou" 142 m€ na porta de entrada de um edifício.

Isto sim, é que é aquilo que podemos chamar de PRODUTIVIDADE!

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sexta-feira, abril 03, 2009

Primavera no seu esplendor


"Here are cherry-three from little town Imabari, Ehime, Japan, from the first day of this year`s spring. " -Magdalena Stupar - Belgrado

Aproveito e vou respirar ar puro por alguns dias! Thanks for your reminder, Magdalena.

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Bertrand Russel - Sobre os sistemas sociais

Num pequeno balcão junto à porta majestosa do hall do grande recinto efectuava-se o registo de entrada ou check-in dos convidados.
- Queira Sua Exªa assinar a declaração anti-filosófica, por gentileza.
Alguns protestavam.
- Porque razão seria eu, um representante eleito pelo meu povo, obrigado a subordinar-me a exigência tão extemporânea?
- Saiba Sua Exª que o G20, como associação responsável que é, reconhece a incompatibilidade entre o cheiro do caviar e as ideias dos filósofos.
- Bom, sendo assim, onde devo assinar?


Caro Leitor:
Descubra aqui como um filósofo consegue antecipar por mais de quarenta anos aquilo de que anda hoje a fugir a nata dos nossos representantes. Esta é uma das razões porque gosto tanto dos filósofos. Não arrastarão multidões, certo, mas dão pistas maravilhosas para conseguirmos discernir uma linha de força no aparente caos dos acontecimentos. A clareza não se encontra no lado das palavras que o G20 pronuncia, mas sim no das que silencia. Infelizmente.
(AF)





Bertrand RusselQualquer homem que deseje, como eu, uma mudança fundamental na estrutura da sociedade, é forçado, mais tarde ou mais cedo, a pôr-se a si mesmo a questão: o que é que lhe faz parecer um sistema social bom ou mau?

Este é, indubitavelmente, e em larga medida, um assunto de natureza pessoal. Em história, por exemplo, uns preferem uma época, outros outra. Alguns admiram as épocas cultas e civilizadas, enquanto outros preferem as virtudes rudes dos tempos mais bárbaros. Uns não querem pensar que as opiniões políticas resultam de meros caprichos preferenciais desta espécie, enquanto eu creio que uma grande parte da opinião política provém, em última análise, de um certo, inconfessado, inexaminado, quase insconsciente, amor por um certo tipo de sociedade actual ou imaginária. Penso que é possível chegar a algo menos subjectivo do que estes caprichos e fantasias, e julgo que o defensor de uma mudança fundamental, mais obviamente que qualquer outro, precisa encontrar o modo de criticar um sistema social que não esteja meramente imbuído dos seus gostos pessoais.

As opiniões políticas dos homens são defendidas com argumentos - argumentos tais como estes: este caminho conduzirá à guerra, aquele à escravidão económica, aqueloutro à miséria. Mas, ao escolhermos o perigo que declaramos pretender evitar, ou a vantagem que proclamamos, somos quase todos dominados por uma vaga imagem desta espécie de sociedade que gostaríamos que existisse.

Um homem não tem medo da guerra, sente-se atraído pela imagem dos heróis cujas lutas contempla com admiração. Outro, não sente medo da escravidão económica, porque ambiciona, para si e para os seus amigos, tirar partido de uma posição de condutores de escravos, ao invés de se tornarem eles próprios escravos. Outro não teme a miséria, porque tem um depósito de víveres oculto, e crê por isso que a privação põe em relevo o heroísmo latente no homem. E, deste modo, eles diferem no caminho que escolhem para ser prosseguido, e os próprios graus das suas diferenças permanecem obscuros para eles e para os outros. Sendo obscuros, encerram matéria para infindáveis disputas. O único caminho para tornar os juízos políticos do povo mais conscientes, mais explícitos, e por isso mais científicos, é trazer à luz do dia uma concepção da sociedade ideal que esteja em cada opinião humana, e descobrir, se possível, um método de comparar tais ideiais relativamente à universalidade, ou melhor, à suas solicitações.

Proponho-me, antes que tudo, examinar alguns modos de julgar um sistema social que sejam comuns, mas os quais eu creio serem errados, e, depois, sugerir os caminhos em que penso que tais opiniões deviam ser formadas.

Entre muitos povos e em muitas épocas, o caminho mais comum de julgar é simplesmente pelos preconceitos transmitidos pela educação. Qualquer sociedade que não esteja num estado de transição rápida possui crenças e costumes que foram transmitidos pelas gerações passadas, os quais são indiscutíveis, e contra os quais parece monstruoso ir-se. Tais costumes estão ligados à religião, à família, à propriedade, etc. O mérito especial dos gregos foi devido largamente ao facto de, sendo um povo comercial marítimo, terem deparado com costumes e crenças de inúmeráveis e muitíssimo diferentes nações, e serem levados a um exame céptico das bases de todos estes costumes, incluídos os seus próprios.
...

Tais experiências de intercâmbio com outras nações enfraquece o poder que as crenças meramente herdadas têm sobre o homem que vive num ambiente fixo. Na nossa época, este resultado é produzido não só com as viagens e o comércio, mas também pelas mudanças no meio social, inevitavelmente causadas pelo desenvolvimento do industrialismo. Em toda a parte em que a indústria está desenvolvida e não constitui novidade, nota-se que a religião e a família, que são os dois sustentáculos de todas as estruturas sociais tradicionais, perdem o seu poder nos espíritos dos homens. Consequentemente, a força da tradição é menor no presente que no passado. Contudo, até mesmo agora, é provavelmente tão grande quanto todas as outras forças combinadas. Repare-se, por exemplo, na crença da propriedade privada - crença nascida originariamente com a família patriarcal, e que consiste no direito que cada homem supõe ter relativamente ao produto do seu próprio trabalho, ou ao direito que ele foi capaz de obter naquilo que conquistou com a espada. Apesar da antiguidade e diminuição do poder destas origens remotas da crença na propriedade privada, e apesar do facto de nenhumas novas origens serem apontadas, a grande maioria da humanidade tem uma profunda e indiscutível crença nestas inviolabilidades, devidas em grande parte ao tabu que resulta destas palavras "Não roubarás!". É certo que a propriedade privada é uma herança da era pré-industrial, quando um indivíduo ou uma família podiam fazer qualquer produto com as suas próprias mãos. Num sistema industrial um homem nunca faz o todo de qualquer coisa, mas uma milésima parte de um milhão de coisas. Nestas circunstâncias, é totalmente absurdo dizer que um homem possui um direito relativamente ao produto do seu próprio trabalho. Considerai um carregador numa estação, cuja ocupação é carregar e descarregar comboios de mercadorias: que proporção de mercadorias carregadas pode representar o produto do seu trabalho? A questão é totalmente impossível de resolver.

Deste modo, é impossível assegurar a justiça social dizendo que cada homem deve possuir o que ele próprio produz.
...
Foi por (os bolcheviques) terem recusado a crença na inviolabilidade da propriedade privada que a perseguição foi tão grande. Mesmo entre os socialistas declarados, há muitos que sentem um estremecimento de horror ao pensar na expulsão dos homens ricos das suas casas, para darem lugar aos proletários. Tais sentimentos instintivos são difíceis de vencer, por razões óbvias. Os poucos homens que conseguem isso, tais como os bolcheviques, têm que enfrentar a hostilidade do mundo. Mas com a criação actual de uma ordem social que não tenha em vista somente os malefícios tradicionais, está-se mais habilitado a destruir tais malefícios nos espíritos vulgares do que aquilo que pode ser feito em um século de propaganda teórica. Creio que se mostrará, quando, na devida altura, os homens observarem as coisas na sua verdadeira proporção, que o principal serviço prestado pelos bolcheviques assenta na recusa prática da crença na propriedade privada, crença que não existe, de modo algum, somente entre os ricos, e constitui no momento presente um obstáculo ao progresso fundamental - um tão grande obstáculo, que unicamente a sua destruição tornará possível um mundo melhor.

Selecção de textos de Romeu de Melo, O pensamento de Bertrand Russel, Editorial Presença, Lisboa, 1966

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quinta-feira, abril 02, 2009

Numeração árabe

O sistema de numeração decimal, ao destronar o seu congénere romano, talvez se tenha tornado na mais universal das contribuições árabes para o progresso da humanidade. Aqui se apresenta uma parte do segredo do sucesso que todos lhe reconhecemos: o número de ângulos e, totalmente revolucionário, um número especial para representar a ausência. Porque foram escolhidos dez figuras neste sistema? Para facilitar a utilização dos dedos ao realizar os cálculos: donde a designação de dígitos. Sem dúvida, genial. (AF)



Numeração árabe

Curiosidade

Há mais de mil anos, um génio marroquino concebeu as figuras de 0 a 9 que hoje nós conhecemos como numerais arábicos. Ele moldou as figuras de tal forma que cada uma apresentasse o número correspondente de ângulos. O número 1 contém um ângulo; o número 2 contém dois ângulos, 3, três ângulos, etc. O zero, significando nada, não tem ângulo. Veja como esses numerais eram escritos.


Recebido por email de Maria Lisboa, a quem muito agradeço, pois andei muito tempo à procura desta preciosidade.


Adenda (18 de Abril de 2009)
Common misconceptions

Despite evidence to the contrary, some folkloric explanations for the origin of modern arabic numerals persist. While these hypotheses continue to propagate due to their seemingly well-constructed arguments, they are based entirely on speculation by individuals who, while genuinely intrigued by the subject, were either ignorant of the relevant archeological facts, or simply lived in an era preceding much of their modern rediscovery.

One popular example of such myths claims that the original forms of these symbols indicated their value through the quantity of angles they contained.

Arabic numerals

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Perguntas de Mário Crespo

Perguntas
Mário Crespo

Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport?

Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi?

Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido?

Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação?

Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro?
Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado?

Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa?

Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos?

Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no casoFreeport?

A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir?

Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional?

Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido?

Haverá duas justiças?

Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado?

Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport?

O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal?

O que é que dirão da justiça em Portugal?

O que é que estarão a dizer de Portugal?

Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país?

Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa?
Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora?

E cá dentro também?

Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses?

Quanto é que nos vai custar o caso Freeport?

Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou?

Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo?

Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport?

Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar?

E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada?

E o que é que vai fazer agora que o registo é público?
Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto?
Nem convoca o Conselho de Estado?

Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho?

Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?

Nota: O Director de Informação da Antena 1 fez publicar neste jornal uma resposta à minha crítica ao anúncio contra as manifestações sindicais que a estação pública transmitiu. É um direito que lhe assiste. O Direito de Resposta é o filho querido dessa mãe de todas as liberdades que é a Liberdade de Expressão.
Bem-haja o jornal que tão elevadamente respeita esse valor. É uma honra escrever
aqui.

Jornal de Notícias – 30 de Março de 2009

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quarta-feira, abril 01, 2009

Poesia de Pablo Neruda

(Via email de Fátima Inácio Gomes)

Cartaz - Poesia de Pablo Neruda
(Clique para ampliar)

POESIA INPROGRESS
Amor em tempo de crise
"Fui o mais abandonado dos poetas,
mas tive sempre confiança no homem."

Poemas de Pablo Neruda lidos por
Armando Dourado,
Cláudia Novais,
Celeste Pereira,
André Sebastião,
António Pinheiro e
Inês Mota.

Acompanhamento:
Rumba dançada por
Bárbara Marques e
João Vinhas.

2 de Abril, às 21H30
Café Progresso

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Desencontro com Jorge Macedo

Jorge MacedoLisboa, Aeroporto, Março de 2009. É ele, é Jorge Macedo na paragem. Vou sair aqui. Há tempos que o procuro sem conseguir encontrá-lo. Já lá vão quase trinta anos que não falamos. O autocarro parou, as portas abriram-se. Espera aí, parece que ele vai entrar. Jorge Macedo hesitou. Acompanhei-lhe os movimentos. Nessa altura, fechou-se a porta de saída. Pode ser que ele entre. Mas não, não aconteceu. A porta de entrada fechou-se também. Ao início da marcha do autocarro, tentei chamar a sua atenção através do vidro. Alguma ideia o absorvia, e cruzámo-nos a uns escassos dois metros.
  1. Luanda, 1983. Há um ano que abandonei o Coro Universitário de Luanda. Sem esperar, recebo a visita da São. Ferrão, recebemos um convite para ir a Itália. Aparece lá amanhã, vamos fazer uma reunião da Direcção. Assim fiz. Antes da reunião, assisti ao ensaio. Jorge Macedo estava mais solto. Mais de metade do reportório já era da sua autoria. Artista completo, não era maestro. Só poderia dar-lhe esse nome caso não houvesse ultrapassado três patamares que alteram a natureza das pessoas: já publicara prosa, já publicara poesia, agora divertia-se com as suas próprias composições. O brilho que um criador dá aos que beneficiam do seu contacto transcende a mera reprodução de técnicas, mesmo artísticas. Estão em níveis diferentes. Qual é o problema com Itália? Não temos dinheiro. Só isso? Então é fácil. Vamos dividir-nos em brigadas. Boavida, escolhe a tua escolta. Vais atacar as empresas multinacionais, precisamos de dólares para gastar. Irei às empresas industriais, as únicas onde ainda se cria riqueza e que já conheço porque que trabalhei nesse ministério com o saudoso e fuzilado Edgar Vales. Precisamos de kwanzas para a coreografia. Jorge Macedo conhecia pessoalmente Violante Ferrão, uma prima minha por afinidade e que, embora divorciada, eu gostava de continuar a tratar como prima. Jorge Macedo convenceu-a a conceber de graça os trajes a serem confeccionados. Cumplicidade de artistas, pensei. Nos dias seguintes foi uma azáfama. Fugando ao serviço com desculpas de ir à bicha do peixe, lá fui a umas dezenas de fábricas, quase todas na Zona Industrial do Cazenga, mas também na do Cacuaco. Aproximava-nos cautelosamente, isto tem que dar certo. À minha esquerda a doce São, pretinha estudante de Medicina, pouco acima dos vinte. À minha direita uma mulatinha dos cursos pré-universitários, muito afamada como Minjita, como gostava de acentuar. Nenhuma delas acreditava que conseguíssemos o kumbu. Enquanto nos aproximávamos da primeira fábrica, parecíamos um galheteiro. Abracei as duas. Tu, São, és o azeite e tu, Minjita, o vinagre. Precisamos dos dois. As moças sabiam preparar-se para a ocasião. Uma vez no gabinete da Direcção, expunha o nosso projecto. Angolano não é de muita dieléctica, se gosta apoia a idéia. O Coro havia-se estreado um ano antes e entrou numa fase muito aguda da história de Angola, tendo funcionado como elemento de distensão social poderoso, tal como algumas intervenções (poucas) de alguns escritores. Ideia original de Pepetela, então Ministro da Educação. O Director chamou o Chefe da Contabilidade, mandou preparar o cheque. Este resmungou, problemas de tesouraria, em vão. São e Minjita não queriam crer: cem mil kwanzas era um número que nunca tinham ouvido falar. Abeiraram de cada lado da cadeira do Director para ver o aspecto do "bicho". Uma vez assinado, cada uma descarregou um shmak sentido na bochecha mais próxima, o que plantou o Director nas nuvens. E vendo isso, pensava eu com os meus botões como a vida podia ser simples e alegre. Cheque no bolso, regressávamos ao fusca. Nesta altura, mudávamos de funções. A atrevida Minjita, a doce São e o reanimado António eram de seguida promovidos a o motor de arranque, que isto de em Angola contar com as baterias não é para todos os dias. Só aconteceu uma vez, mas também encontrámos um director-cromo, um biaco só mesmo podia ser, mais dado ao transcendental. Ensaiou uma prosápia estranha. Angola está em condições difíceis, começou. Ora, meu Amigo a quem o dizes. Vai vender o teu peixe aos ingleses, pode ser que o comprem. Dadas as circunstâncias, insistiu, parece-me inoportuno atribuir-se prioridade a gastos desajustadas às necessidades mais elementares, pois nem essas conseguimos satisfazer. Estes biacos aprenderão a viver no momento da primeira cavadela da sua sepultura. Passei-me. Cortei recto. Não estou aqui para preparar condições para que os meus netos partam um dia para Itália. Eu quero estar em Itália daqui a quinze dias. Esbugalhou os olhos. Quase de certeza, não acreditou. Que posso fazer? Quatro milhões em kwanzas, metade em divisas. Chega.
  2. Roma, 1983. Os moços e moças dos muceques, do Marçal, do Sambizanga, do Cazenga, das Ingombotas, os sambilas, uns calus outros malanjinos, alguns do planalto, outros de Benguela e até do Moxico, nenhum deles tendo anteriormente saído do país, da primeira vez que o fizeram aterraram em Roma. Esta cidade é linda. De facto, não é uma cidade. É a rainha de todas as cidades. Ela própria é uma pilha de cidades sobrepostas, onde convivem prédios modernos com arquitectura arrojada com bairros quase da idade média, aconchegadores nos suas praças pequenas com esplanadas e rodeadas de casas de primeiro andar com varanda onde ainda se pode ver raparigas a entornar os seus encantos aos praças e magalas da rua. As romanas também são únicas. Olham de frente, não pousam os olhos no chão. Falam como quem desafia, sem darem por isso. A cozinha italiana pode parecer estranha. Quase todos se queixaram que a massa estava crua. Felizmente, tínhamos enviado um pisteiro à frente, para reconhecer o terreno. Advertiu-nos. Não se atrevam a queixar-se da massa. O ponto de cozedura é onde o cozinheiro deposita toda a sua mestria. Aprendam esta expressão italiana: al dente. O café parece desaparecer no fundo da chávena. Quase não é preciso bebê-lo, o odor solta-se desde longe e ultrapassa o sabor. Os italianos ficam lamechas quando se lhes oferece umas notas de música. Aconteceu no restaurante, quando lá caímos pela primeira vez e o dono ofereceu, com óbvias intenções, uma aguardente por conta da casa. Com as goelas aquecidas, os membros do coro começaram a cantar. O rebuliço das conversas deu o sumiço. Não só enquanto durou a canção, mas depois das palmas de agradecimento. Queriam mais. Pois então.
  3. Gorítzia, 1983. Cidade do Nordeste de Itália, cortada a meio pela fronteira com a Jugoslávia. O Coro de Luanda veio participar extra-concurso no Festival Internacional de Coros da cidade. Estavam lá coros de toda a Europa, Tanto do Ocidente como de Leste, o nosso era o único vindo de fora. Era também a sua primeira actuação internacional. Eu estava como convidado dos convidados. Angolano não esquece, nem manda recados. Porém, eu sentía-me mais à vontade que todos os restantes. Não só os do coro convidado, mas de todo o festival. Assistia às actuações dos participantes ao prémio do concurso. Olhava para os membros do júri. As vozes pareciam-me tecnicamente perfeitas, as composições elaboradas. Será que era necessário tanta sofisticação apenas para pôr emoções cá fora? Ao fim de dois dias anunciaram para aquela noite a entrada do Coro Universitário de Luanda. Jorge Macedo abeirou-se de mim no passeio pelo jardim após o almoço. Ó Ferrão, começamos pela canção italiana ou pelo Gaudeamos? Estremeci. Como era possível Jorge Macedo pôr-se com reverências perante obras alienígenas? Nada disso, retorqui. Confesso que nunca irei entender os artistas. O único representante ali presente da música da grande África, feita de dores sem medida, de mortes próximas e afastadas, de mínguas várias e muita, muita alegria para compensar tudo o resto, estava a vacilar? Se em África até o pranto dos funerais se confunde com o riso? Se em África as cordas vocais nunca ditaram regras ás exigências do coração? Se África nunca tentou sufocar o ritmo em exacerbações da melodia, tampouco sentiu necessidade de inverter esse pecado em esgares de sintetizadores ou potência de amplificadores. Ora bolas. Naquele momento decidi armar-me em director, logo eu, que odeio tudo quanto se relaciona com tais artes, só aprecio pessoas na medida em que tenha a certeza de que se movem livres à minha volta. Jorge, vamos atacar com a última canção introduzida no reportório, é o tema que me parece mais forte. Depois escolhemos, por esta ordem, o fecho da segunda parte, a abertura da segunda e o fecho da primeira. Ao fim de alguns minutos e sem polémicas, tínhamos a armação do concerto. Distribuimos as restantes peças. Jorge Macedo parecia mais animado. Faltam o tema italiano e o Gaudeamus, lembrou. Jorge Macedo, que tal deixar esses de fora do programa a apresentar ao público? Poderão ser colocados em qualquer momento do espectáculo. Aquiesceu. À noite, quando o Côro subiu ao palco, era impossível não reparar na sua singularidade. Os trajes em cores ostensivamente garridas, as figuras esbeltas das moças (pudera) sobreelevadas pelos turbantes de Cabinda, os sorrisos abertos em todas as caras, que isto de comer bem durante vários dias seguidos altera a disposição de qualquer um. O tema de entrada correu conforme tinha previsto. Um tema de autor, explorando o poderoso naipe dos baixos vindos de uma igreja protestante de Luanda, com variações rítmicas evidentes ma transposição das frases, notas bem recortadas e carregadas de emoção, lembrava o vôo indolente mas caprichoso de uma ave de arribação em puro gozo de contemplação da paisagem. Aposta ganha, conforme o testemunharam os aplausos de pé da assistência. Metade desta era composta pelos elementos dos coros participantes, outra metade pelo público italiano. A meio da segunda parte, Jorge Macedo voltou a falhar ao tema anunciado pela apresentadora. Já na primeira parte introduzira uma canção da resistência italiana. Agora dava voz à primeira frase do Gaudeamos Igitur. Para quem eventualmente não saiba, este é uma espécie de hino escolar cantado em todo o mundo. Sendo de pronto reconhecido ao fundo da sala, levantou-se espontaneamente um numeroso naipe suplementar de contraltos que, além de reforçarem as vozes do coro actuante, alargaram a dimensão espacial da fonte dos sons. Em poucos segundos, todos os elementos de todos os coros se levantaram e fizeraqm questão de libertar a sua vontade de participar. Jorge Macedo virou-se então de costas para o coro que regia e continuou a reger a plateia transformada num côro monumental com centenas de vozes alegres e honradas por este cumprimento africano à música europeia. Tornou-se assim, de forma inesperada e e involuntária, no único maestro de todo Festival a dirigir uma peça com todos os coros participamntes. O resto pode imaginar-se. Fotógrafos a perseguir os elementos femininos do Côro, que graciosamente cederam a sua imagem a capas de revistas, maestros a trocar partituras com Jorge Macedo, apesar de nenhum deles perceber kimbundu ou português.
Lisboa, Amoreiras, Março de 2009. Por onde andará toda esta gente? Quantos terão morrido na guerra? Quantos acabaram o curso, quantos puderam seguir o curso que gostavam, quanto exercem em Angola? Ó Amigo, fim-da-linha. Ou sai ou compra novo bilhete. O quê, onde estamos? Nas Amoreiras, não vê? Diacho, queria ir para o Campo Pequeno. Agora já não consigo chegar a tempo. Preste atenção às paragens na próxima vez.

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