domingo, novembro 29, 2009

*O frango atravessou a rua. Porquê?*

O PROBLEMA DO FRANGO ATRAVESSAR A RUA,**

SEGUNDO A OPINIÃO DE ILUSTRES PENSADORES DO PASSADO E DO PRESENTE*

*Professora Primária**

"Porque o frango queria chegar ao outro lado da rua."*

*Criança**
"Porque sim."*

*Platão**
"Porque queria alcançar o Bem."*

*Aristóteles**
"Porque é da natureza do frango atravessar a rua."*

*Descartes**
"O frango pensou antes de atravessar a rua, logo, existe."*

*Rousseau**
"O frango por natureza é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva a atravessar a rua."*

*Freud**
"A preocupação com o facto de o frango ter atravessado a rua é um sintoma de insegurança sexual."

Darwin
"Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma natural, de modo que, actualmente, a sua evolução genética fê-los dotados da capacidade de cruzar a rua."

Einstein
"Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu em direcção ao frango, depende do ponto de vista... Tudo é relativo."

Martin Luther King
"Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres podem cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango sonhou."

George W. Bush
"Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor do seu arsenal de armas de destruição massiça. Por isso tivemos de eliminar o frango."

Cavaco Silva
"Porque é que atravessou a rua, não é importante. O que o país precisa de saber é que, comigo, o frango vai dispor de uma conjuntura favorável. Não colocarei entraves para o frango atravessar a rua."

José Sócrates
"O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos. Quando for reeleito, vou construir galinheiros de cada lado da rua para os frangos não terem de a atravessar."

Mário Soares
"Já disse ao frango para desistir de atravessar a rua! Eu é que vou atravessar! Não vou desistir porque sei que os portugueses querem que eu atravesse outra vez a rua!!!"

Manuel Alegre
"O frango é livre, é lindo, uma coisa assim... com penas! Ele atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a desgraça, o vento nada lhe diz!"

Jerónimo de Sousa
"A culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo socialista melhor e mais justo!"

Francisco Louçã
"Porque é preciso dizer olhos nos olhos que só por uma questão racista o frango necessita de atravessar a rua para o outro lado. É uma mesquinhice obrigar o frango a atravessar a rua!"

Valentim Loureiro
"Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É mentira...!!! É tudo mentira!!!"

Paulo Bento
"O frango atravessou a rua com naturalidade... Era isso que esperávamos e foi isso que aconteceu, com muita naturalidade. O frango ainda é muito jovem e estas coisas pagam-se caro, com naturalidade!!!"

Zézé Camarinha
"Porque foi ao engate! É um verdadeiro macho, viu uma franga camone do outro lado da rua e já se sabe, não perdoou!!!"

Lili Caneças
"Porque se queria juntar aos outros mamíferos."*


(recebido por mail)

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quarta-feira, novembro 25, 2009

O 25 de Novembro de 1975 visto por Chico Buarque

Fado Tropical

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

«Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora...»


Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

«Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intencão e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa»


Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Transcrição da letra: Universidade do Minho










Tanto Mar


Revolução

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente algum cheirinho
De alecrim

Transcrição da letra: João Gabriel Galdea




Contra-Revolução

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim



Transcrição da letra: João Gabriel Galdea



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terça-feira, novembro 24, 2009

Karl Müller - A base comum de valores de Ângela Merkel

Ângela Merkel invocou a «base comum de valores» que «aproximam e unem os Estados Unidos da América e a Europa. É uma visão comum do homem e da sua dignidade inalienável. é uma concepção comum da liberdade e da responsabilidade.» Razão pela qual Ângela Merkel estima que «para nós, o nosso modo de vida é o melhor de todos.»
Jürgen Todenhöfer é membro do mesmo partido que a Sra Merkel. Estudou durante anos o verdadeiro significado dos «valores fundamentais». Fez numerosas viagens ao Próximo Oriente e à Ásia central e publicou artigos a propósito. Por exemplo, no que respeita ao Iraque («Frankfurter Rundschau», 12 de Outubro), escreveu: «A chihita Manal tem 28 anos e vive com a sua mãe, tal como milhares de outros refugiados iraquianos de confissão muçulmana ou cristã, nos arredores pobres de Damasco, a capital da Síria. Foi lá que a encontrei e que ela me informou sobre o tratamento a que foi sujeita pelos militares dos Estados Unidos da América antes de fugir do Iraque. Teve que fugir, mas apresentou uma queixa contra o governo dos Estados Unidos da América.
No Inverno de 2004, os soldados dos Estados unidos da América invadiram a casa da família de Manal. Foi algemada, tal como a sua mãe e, com a cabeça enfiada dentro de um saco preto, foi levada por avião a uma prisão no aeroporto de Bagdad. Os soldados dos Estados Unidos da América acusaram ambas de serem terroristas. Mas, logo que as acusações se revelaram sem fundamento, endureceram os métodos do interrogatório: à noite, Manal viu-se sobressaltada por uma música infernal e projectaram-lhe água gelada no corpo. Os soldados embriagados ameaçaram-na de a violar caso ela não colaborasse.
Uma tarde, conduziram Manal para um quarto com uma mesa vazia ao centro. De seguida, um jovem iraquiano foi empurrado brutalmente para dentro da sala, imobilizado de barriga para baixo sobre a mesa, as suas pernas foram afastadas a pontapé e um soldado dos Estados unidos da América começou a viola-lo. Manal tentou desesperadamente baixar os olhos, mas foi obrigada a manter a cabeça direita. Logo que regressou à sua cla, cortaram-lhe os seus longos cabelos pretos que eram o seu orgulho.
Alguns dias mais tarde ameaçaram-na com o fuzilamento da sua mãe caso não colaborasse. Colocaram-lhe novamente um saco à volta da cabeça e depois ela escutou disparos de arma no quarto vizinho. Os soldados disseram que foram destinados à sua mãe. Manal chorou. Este jogo continuou no dia seguinte com a sua mãe. Ao fim de 33 dias, Manal foi abandonada à noite numa rua. A sua mãe esteve presa durante seis meses na tristemente célebre prisão de Abu Grahib.»

Horizons et Débats, 16 de Novembro de 2009

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Embora todos entregar?

Se o ciclo de avaliação não é para ser suspenso, então porque é que não havemos de entregar todos os objectivos e a ficha de auto-avaliação?
Eu, que não entreguei os objectivos individuais, e que entreguei a minha ficha em branco só para não comprometer a minha escola perante represálias do ministério, vejo-me agora no pleno direito de entregar esses documentos, de maneira a colocar-me em igualdade de direitos com aqueles que se conformaram com o modelo que agora foi abaixo.
Não vejo porque é que não se há-de arranjar um documento "típico" para toda a gente entregar, entupindo os serviços avaliativos e deitando abaixo o que resta do hediondo pesadelo da longa noite maioritária.
Enquanto as "instâncias" dispõem de um prazo até ao fim do ano para costurar um documento que mereça o aval dos professores, os professores podem aproveitar o mesmo prazo para proceder ao enterro definitivo da aberração socialista.

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segunda-feira, novembro 23, 2009

Fátima Inácio Gomes versus Pedro Duarte

Pedro Duarte
A postura do PSD em todo este processo permitiu grandes avanços e mudanças no sistema educativo.

Com a aprovação do Projecto do PSD acabará a divisão na carreira e o actual modelo de avaliação dos professores, em 30 dias.

Creio que este contributo do PSD vai ao encontro das expectativas da generalidade dos professores.



Estamos, hoje, numa situação em que podemos ir bem mais além do que uma mera suspensão que criaria uma situação de impasse de consequências imprevisíveis nas escolas,

De resto, a suspensão imediata do processo (do 1º ciclo avaliativo, como é proposto pelos outros partidos da oposição), nesta fase, poderia prejudicar severamente os docentes, em matéria, por exemplo, de progressão na carreira. Não é esse o objectivo do PSD.



Move-nos a estabilidade nas escolas, a dignificação dos professores e a qualidade de ensino.

Cumprimentos



Pedro Duarte






Fátima Inácio GomesSou professora titular da Escola Secundária de Barcelos. Sou também Adjunta da Direcção desta Escola. Interpelo-vos para manifestar a grande inquietação com que acompanho a acção do vosso partido. Não me prendo com particularidades ditas "semânticas" (apesar de ser professora de Português), se bem que é completamente diferente, no campo jurídico e não apenas semântico, falar-se de "suspensão" e de "substituição". No vosso programa eleitoral, que acreditava não ser meramente eleitoralista, reafirmavam a proposta da "suspensão imediata". Não votei PSD (outrora, fui votante PS). Contudo, são muitos os meus colegas que, sendo habituais votantes do PS (alguns deles, até, militantes) votaram no PSD acreditando que seria o único partido a poder fazer frente ao Governo - acreditaram naquilo que muitos designaram de "voto útil". Todos se sentem defraudados.

Da minha parte, entendendo que deve haver capacidade de diálogo, até dou de barato essa questão "terminológica". O vosso Projecto tem muitos pontos positivos. Preocupa-me sim que, e escrevo ainda antes da votação na Assembleia, passando o vosso projecto de resolução, como prevejo, embarquem numa profunda injustiça com todos os professores, mascarada de boas intenções (e excuso-me de lembrar o velho ditado) e refiro-me, especificamente, ao ponto três. Diz nesse ponto que devem ser criadas "condições para que do 1º ciclo de avaliação não resultem penalizações aos professores, designadamente para efeitos de progressão na carreira".

O meu apelo, em jeito de indagação, prende-se com o seguinte: não bastará não penalizar os professores que não entregaram objectivos, ou aqueles a quem uma Direcção/Executivo mais seguidista impediu de apresentar a sua auto-avaliação. Será igualmente imperioso que não se distinga o "mérito" de alguns (com Muito Bons e Excelentes) com base num modelo que já nem pode ser tido como tal, quando sofreu inúmeras mutilações e descaracterizações. Um modelo simplex, vergonhoso e simplista, a que muitos professores com mérito reconhecido nas suas escolas não se sujeitaram, pois tiveram a coragem e a decência moral de colocar o interesse de todos sobre o seu particular no combate a um modelo iníquo. Não fará qualquer sentido que se distingam professores com base num modelo que se reconhece ineficaz e injusto a ponto de o substituir. Se assim acontecer, estarão a prejudicar muitos outros professores que, legitimamente, conscientemente e com elevado sentido democrático, lutaram contra a prepotência de um governo maioritário que não reconhecia a aberração que criara.

Ainda não é tarde, caros senhores.

Com os melhores cumprimentos,

Fátima Inácio Gomes

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sábado, novembro 14, 2009

A propósito da nossa profissão!

"Jô Soares, a propósito da nossa profissão:

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia”.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um “Adesivo”.
Precisa faltar, é um “turista”.
Conversa com os outros professores, está “malhando” nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou “água-benta”.
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui,
agradeça a ele."


quinta-feira, novembro 12, 2009

Cucha Carvalheiro - Porquê máquina de somar?

Cucha Carvalheiro


Para dirigir o espectáculo de inauguração desta nova etapa do Teatro da Trindade desafiei a Fernanda Lapa. Questão de confiança artística e profissional, questão também de homenagear uma Mulher de Teatro que desde sempre tem lutado por uma maior presença feminina no tecido teatral português. Com ela partilhei a minha vontade de apresentar um espectáculo musical e popular, cujo tema fosse relevante e actual, que simultaneamente divertisse e levantasse questões na ordem do dia.

Vivemos numa época em que a política tem vindo a ser reduzida à economia, a economia ao crescimento e ao lucro. Os cidadãos, convertidos em seres descartáveis que perderam referências e horizontes, refugiam-se na rotina entre o trabalho (aqueles que o têm) e a vida privada, sentindo-se impotentes perante um sistema que lhes é apresentado como inevitável. Cada vez convivemos menos, cada vez discutimos menos, cada vez nos confrontamos menos connosco próprios, cada vez ousamos menos expor sentimentos genuínos.

Máquina de somar, de Else Rice, escrita à 88 anos e cuja recente adaptação musical apresentamos, veio ao encontro destas preocupações, cumprindo uma das mais nobres funções do Teatro desde as suas origens atenienses, a reflexão sobre a condição humana e a Polis, o Teatro ao serviço do exercício da Cidadania.

Não posso deixar de agradecer ao António Lagarto que, desde o primeio momento, abraçou o Projecto; à Ana Zanatti, que aceitou o desafio de traduzir e adaptar o texto; ao João Paulo Soares, que assumiu a direcção musica; à Marta Lapa, que assina a coreografia e ao Paulo Sabino, responsável pelo desenho da luz.

Mas Máquina de Somar é mais do que a soma de algumas cumplicidades. è o encontro feliz de uma equipa cujo entusiasmo nos contagia, graças ao empenhamento de um brilhante conjunto de criativos e ao talento e entrega de todos os intérpretes.


Este espectáculo estreou-se no Teatro da Trindade de Lisboa, no Salão Nobre, a 17 de Outubro e está em cena até 24 de Novembro de 2009

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segunda-feira, novembro 02, 2009

Gripe Suína

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Fernando Ferreira Santo - Qualificações específicas para a direcção de obras

Ordem dos Engenheiros

COMUNICADO

Portaria n.º 1379/2009, de 30 de Outubro,

sobre qualificações específicas previstas na Lei n.º 31/2009
(que revogou o Decreto 73/73)





A Ordem dos Engenheiros (OE), tomou conhecimento da Portaria n.º 1379/2009, de 30 de Outubro, que regula as qualificações específicas mínimas adequadas à elaboração de projectos, à direcção de obras e à direcção de fiscalização de obras, no âmbito dos projectos e obras, públicas e particulares, compreendidas no artigo 2.º da Lei 31/2009 de 3 de Julho.



A Ordem dos Engenheiros, com particular envolvimento do Conselho Nacional do Colégio de Engenharia Civil, apreciou o diploma e entende manifestar uma posição de frontal contestação a diversas disposições da Portaria, o que aliás, já tinha sido manifestado pelo Bastonário da Ordem dos Engenheiros ao Senhor Ministro Mário Lino, em reunião havida no passado dia 19 de Outubro.



Como referido no preâmbulo da Portaria, trata-se de uma iniciativa do Ministério, na ausência de acordo entre as associações públicas profissionais, designadamente a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Arquitectos e a Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos, para a celebração de protocolos estabelecendo as qualificações específicas acima referidas.



A Ordem dos Engenheiros tem-se envolvido na discussão destas matérias de uma forma construtiva, valorizando a qualidade da construção, a responsabilização dos agentes intervenientes no acto de construir e a diferenciação das intervenções que deverá ter em conta a formação de base, experiência e formação contínua. Sinal inequívoco dessa atitude é a própria Lei 31/2009, em que estes princípios aparecem genericamente vertidos, tendo a OE aceite que o exercício de arquitectura esteja apenas a cargo de arquitectos. Lamentavelmente, esta não foi a atitude das outras associações envolvidas, que centraram a discussão sobretudo na defesa de interesses corporativos. A Ordem dos Arquitectos (OA), usando como argumento as disposições do seu estatuto, mas que não poderão ser entendidas como competências específicas, reclamou a direcção de obras como acto próprio dos Arquitectos, competência que não poderá ser reconhecida face à formação em arquitectura ministrada nas universidades portuguesas. A Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos (ANET) procurou diluir a diferença entre formações de 3 e 5 anos em engenharia, defendendo que a experiência profissional se encarrega de uniformizar e igualar tudo. Neste enquadramento, foi impossível haver entendimento.



Perante esta situação, o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e a entidade reguladora, o InCI - Instituto da Construção e do Imobiliário, foram incapazes de assumir uma posição corajosa de defesa do interesse público e limitaram-se, na pressa de legislar, uma vez que a Portaria deveria ser publicada até 1 de Novembro, a optar pela posição mais fácil, não acolhendo as opiniões de princípio da OE, que foram expressas e justificadas em clara sintonia com os critérios definidos no art.º 27.º da Lei n.º 31/2009.



Neste contexto, o resultado final é um absurdo e é prejudicial para o sector da construção, que deverá promover a defesa da qualidade e uma efectiva confiança pública entre os técnicos reconhecidos e as competências que deverão garantir. Desta forma, a Portaria acaba por não respeitar a Lei n.º 31/2009, aprovada sem votos contra pelos diferentes grupos parlamentares, e, de certa forma, irá desvirtuar os objectivos defendidos por aquela Lei que revogou o Decreto 73/73, com cerca de 36 anos.



O resultado é mau porque não teve devidamente em conta as diferenças entre a formação dos engenheiros e dos engenheiros técnicos, permitindo a estes projectar obras de grande complexidade e responsabilidade, onde a formação de base de 3 anos não é suficiente, como é reconhecido nos programas curriculares dos Institutos Politécnicos.



Por outro lado, ao permitir que os arquitectos possam dirigir obras de construção de edifícios até ao valor de 2.656.000 euros, está a reconhecer competências específicas que não correspondem à sua formação e que o mercado também não reconhece. Além disso, a portaria padece de erros técnicos graves associados à definição dos tipos de obras.



Perante os factos descritos, a Ordem dos Engenheiros irá solicitar, de imediato, ao Senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e ao Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a suspensão da Portaria n.º 1379/2009, de 30 de Outubro, e início de um processo que permita, com tempo, produzir uma Portaria que respeite os princípios definidos na Lei n.º 31/2009.



Simultaneamente, será dado conhecimento da posição da Ordem dos Engenheiros à Assembleia da República.



Um país não pode ter um discurso político de defesa da qualidade e da formação, como está expresso na Lei n.º 31/2009, e depois permitir uma prática contrária, como está definido nas disposições da Portaria n.º 1379/2009.



As posições expressas foram aprovadas pelos membros do Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Engenheiros e pelo Conselho Nacional do Colégio de Engenharia Civil, onde se encontram inscritos cerca de 18.000 Engenheiros Civis.





Lisboa, 30 de Outubro de 2009



Fernando Ferreira Santo
Bastonário da Ordem dos Engenheiros

Universidade de Viena - Contestação do processo de Bolonha

Estamos perante um black-out informativo, todo o movimento foi completamente suprimido de todos os noticiários não germanófonos, com medo de que alastrasse o movimento pela Europa fora. Apesar disso, o facto é que esta ocupação se alargou a quase todas as universidades da Austria, com ecos fortes e solidariedade activa por parte de centros universitários da Alemanha e Suíça.
Agora apresenta-se a Jornada internacional contra a comercialização da Educação, o mesmo é dizer contra «Bolonha». Milhares e milhares de estudantes no mundo inteiro estarão realizando acções diversas, nesta semana.
Contam com a solidariedade e apoio de professores, de personalidades públicas, artistas, jornalistas, etc...

Gostava que as pessoas em Portugal dessem notícia (ao menos isso) e mostrassem um pouco de interesse, pois realmente é pela acção que algo poderá mudar, neste contexto! Se não há uma acção concreta ao menos que haja um espalhar da informação, uma discussão alargada e apaixonada sobre as acções levadas a cabo por outros!

Solidariedade,
MB

in a sinistra ministra, 1/11/2009




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Thousands of students occupy Austrian universities
Universities occupied, 50,000 students on the streets
General strike and occupation of the Academy of Fine Arts Vienna

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