sábado, janeiro 30, 2010

A Sociedade da Informação

Movido pela curiosidade, inscrevi-me numa conferência da Lisboa Editora acerca do ensino da Matemática. No cartaz não dizia as horas, mas estava claro que era na Faculdade de Ciências, que era um local que eu já não visitava há muitos e bons anos.
Depois de tropeçar numa fila quilométrica para a Loja do Cidadão dos Restauradores, lá subi o elevador da Glória, continuando a té chegar ao conhecido local da Rua da Escola Politécnica. Qual não foi o meu espanto, quando me apercebi que aquilo agora é só museus e a única coisa que continua é o Jardim Botânico, ou o que resta dele. Mas encontrei à entrada um solícito guarda que controlava a entrada dos carros, e que se aprestou a esclarecer-me que a FC agora passou lá para os lados da Rua do Século.
Retomando o caminho de volta, lá encontrei no Jardim do Príncipe Real um mercado ao ar livre de produtos biológicos, onde uma vendedora procurava convencer a cliente que os preços pouco passam dos preços do mercado tradicional.
Sem procurar interromper a transacção, encontrei outra cliente que se preparava para saborear o seu café numa mesa ao ar livre, a qual me esclareceu sem pestanejar que a FC ficava precisamente no local de onde eu me dirigia, em plena Rua da Escola Politécnica, fixando-me com aquele ar indignado a dizer "olha-m'este que nem sabe onde é a Faculdade de Ciências".
Lá lhe expliquei o que me tinham dito, e ela com o mesmo ar catedrático lá me apontou a direcção da Rua do Século, para onde me dirigi. Percorrida a descida, vendo que por ali não se passava nada, deparei numa transversal com qualquer coisa que parecia uma escola, e ao procurar entrar perguntando-me ao que vinha, explicaram-me que a Faculdade de Ciências não era ali, mas sim mais adiante onde se via uma bandeira.
Percorrendo mais uma centena de metros, no local indicado pelas bandeiras o que se encontrava era um outro museu, salvo erro de Arqueologia.
Aí acabei por desistir definitivamente, substituindo a conferência por um humilde café onde o dono concordou comigo, que a tal Faculdade devia ser mas era lá para os lados do Campo Grande.

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sexta-feira, janeiro 29, 2010

Danièle Ganser - Exércitos secretos da NATO (1)

Citando o Reseaux Voltaire:

Ainda que se trate do trabalho de um historiador, esta investigação sobre a Gládio não se confina à História, mas reflecte a nossa vida quotidiana. Esta estrutura secreta continua activa e os estados europeus permanecem sob tutela anglo-saxónica (...). É impossível compreender a actual política na Europa sem ter uma ideia precisa sobre as redes stay-behind.
Este primeiro artigo retrata a descoberta da Gládio por magistrados italianos no fim da década de 1980.


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terça-feira, janeiro 26, 2010

Pela retirada imediata do Afeganistão

Considerando:

  • Que a guerra e a ocupação do Afeganistão, há cerca de oito anos, por forças da NATO, apenas tem acentuado a deterioração da segurança dos povos e da estabilidade na região;

  • Que a situação humanitária é catastrófica e vem alastrando, com a desestabilização no Paquistão e outras nações vizinhas do Afeganistão, como efeito directo da acção militar ofensiva, da NATO;

  • Que a resolução dos problemas do Afeganistão depende essencialmente do seu próprio povo e das soluções de regime que este escolher; que, entretanto, as forças ocupantes não hesitam em impor e apoiar narcotraficantes e senhores da guerra, no Governo e na Presidência, instalados no poder por eleições que todos consideram fraudulentas;

  • Que os protestos e resistência cívica à ocupação do Afeganistão crescem de forma notória nos EUA - potência responsável em primeira mão pelo empenhamento da NATO - e em vários países europeus, envolvendo todos os estratos da população, à medida que o desastre militar se vai tornando inevitável, falando-se mesmo, ao mais alto nível, dum novo Vietname;

  • Que Portugal e seus cidadãos, pela sua participação militar na campanha da NATO neste país são considerados inimigos pelos combatentes afegãos, tornando-se assim alvos considerados legítimos de acções de guerra. Pelo que não é sustentável argumentar-se com a defesa de Portugal, dos interesses portugueses ou de seus cidadãos e muito menos de segurança interna, para manter forças no Afeganistão.



Exigem, de acordo com os artº.s 7º, 273º e 275º da Constituição da República e tendo em conta que quaisquer compromissos militares do Estado Português não podem violar o artº 7º, que elenca os Princípios Fundamentais da Constituição, a

retirada imediata das forças armadas portuguesas do Afeganistão,

dado o carácter ilegal dessa intervenção à luz do Direito internacional e interno.



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Zé Luis Rebel - Memórias gestuais

(recebido por email: Olinda)





Francisco Goulão, é professor de Educação Visual no Centro António Cândido, Porto, há mais de 14 anos. No entanto, sempre se empenhou nesta profissão durante 32 anos, após se licenciar em Pintura pela Faculdade das Belas Artes da Universidade de Lisboa. E é Surdo de alma e coração, tem 58 anos de idade. Falamos do Professor Surdo Francisco Goulão.

Tem sido uma figura de referência incontornável para muitos Surdos que, na maioria deles, foram seus próprios alunos, não apenas como por entre muitos membros da comunidade Surda, pelo menos, da última geração em que a internet e outros géneros tecnológicos que hoje conhecemos, como o telemóvel, não eram ainda a realidade.
Na altura, havia só jornais em papel que eram acessíveis apenas para quem compreendia razoavelmente o português escrito. E o tradicional e eterno telejornal e outros jornais televisivos continuava a barrar aos Surdos, apesar das imagens de alguma forma elucidativas , o precioso acesso à informação como complemento.
O Professor Francisco Goulão era um dos escassos Surdos que dominavam a compreensão do português escrito e podia ler os jornais sempre que quisesse, mas também preocupava-se em informar e manter os Surdos actualizados do que se passava no nosso mundo em questões políticas e outras de natureza diversa e variada, tanto cá dentro como lá por mundo fora. Em outras palavras, procurava tirá-los da ignorância quase absoluta a que, na ausência de outros recursos possíveis, pareciam inevitavelmente condenados. Para esses mesmos Surdos, o Prof. Goulão era uma espécie de jornal 'vivo', do qual podiam ter acesso à informação generalizada.

O documentário propõe demonstrar, através das entrevistas, as situações pontuais em que como o simples vivenciar de um humilde Surdo numa normal convivência com alguém congénere da geração anterior como o Prof. Goulão, dotado dos conhecimentos que tinha pela simples capacidade de ler jornais, pode potenciar tanto as oportunidades de permitir a um Surdo quase funcionalmente analfabeto esculpir uma visão particular, pessoal e abrangente sobre a realidade externa, a partir da sua própria consciência intrínseca que, com e graças às conversas constantes, pôde desenvolver em grande escala. O elemento central para esta 'ponte da informação' era irrevogavelmente o uso da Língua Gestual. É um daqueles casos que se pode dizer que os gestos não só falam mas que também informam... E mais ainda, informando por vezes pode-se ensinar e aprender de diferentes formas, explorando inúmeros temas e questões por meio da conversa. Vítor foi um dos alunos Surdos do Prof. Goulão, com quem o compartilhar da rotina quotidiana, tanto dentro como fora de aulas, lhe trouxe benefícios e teve ainda enormes influências e impactos determinantes para a vida que leva hoje. Um dos exemplos mais flagrantes passou-se quando Vítor, já adulto, recebeu uma carta da Segurança Social e, em virtude das bases de orientações que recebera das conversas habituais com o Prof. Goulão, pôde entender, em geral e de forma clara, o conteúdo do que vinha escrito na carta. Uma situação aparentemente vulgar para outros, mas para ele, sem dúvida, um marco muito significativo e que vem realçar a importância do modelo Surdo que representa para os Surdos em idade escolar, para fins da construção da identidade pessoal e outros benefícios inerentes como, por exemplo, o crucial desenvolvimento das faculdades cognitivas.


ZLR

Dezembro 2009

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terça-feira, janeiro 12, 2010

A Dinamarca na Guerra ao Iraque

O governo dinamarquês não se comportou honestamente no caso da Guerra ao Iraque, registou o relatório. A comissão classificou a justificação dada pelo governo como "algo trapalhona", pois insiste na tese do desmantelamento dos arsenais de Armas de Destruição Massiva como motivo principal, muito depois de se ter percebido que o objectivo central foi o da mudança de regime. Davids e os restantes membros da comissão assinalaram também o facto de as agências de espionagem se terem apoiado quase exclusivamente em informações prestadas pelos seus colegas de outros países, mas suavizando os termos. O ministro dinamarquês, no entanto, não conseguiu transmitir ao parlamento esta distinção.


O relatório contestou a natureza defensiva dos lançadores de mísseis Patriot (fornecidos pela Dinamarca) estacionados próximo da fronteira do da Turquia com o Iraque, lembrando que tais fornecimentos sem o consentimento do parlamento são uma violação da lei constitucional.

Dutch government misrepresented case for Iraq war, NRCHandelsblad, 12 de Janeiro de 2010

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segunda-feira, janeiro 11, 2010

BOM DIA, 2010!

Embora atrasados, por motivos alheios à minha vontade, aqui deixo votos de um ano mais risonho, com a ajuda de André Rieu.

NOTA: Quando surge, no vídeo, "Brasil sinphony" é preciso ter em conta que a segunda música tocada é mexicana - La Bamba - e não brasileira.

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sexta-feira, janeiro 08, 2010

Heterofobia

O casamento serve para proteger a família.
Os acontecimentos de hoje só serviram para fragilizar esta protecção, ridicularizando-a através da perversão do seu fundamento.
Sr. Presidente:
Perante tamanho caso de cariz heterofóbico, por favor, vete.
Peça um referendo. Oiça a verdadeira maioria.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

EDD - Fui mas fiquei, agora permaneci

Eduardo SilvaEla estava longe, distante como uma luz no universo...
O caminho encurtava-se, já lhe sentia o peito a encher-se e esvaziar-se conforme o sopro de vida.
Via os lábios, de um cor de rosa tão perfeito, que faria chorar qualquer cor.
Aproximava-se cada vez mais.
Ela não se movia, era eu que corria.
Estava quase a chegar, quando flutuei no seu aroma.
Era como o carvalho humedecido pelo orvalho da manhã, fazia-me sentir livre.
Já sentia o calor emanado da sua pele.
O meu coração palpitava com uma força tal, que, se não estivesse anestesiado
talvez pensasse que estava a tentar fugir.
Ela abriu os braços.
Fiquei deliciado, sorri e corri ainda mais.
Era uma sombra, nas sombras.
Ia tocar-lhe, mas nada aconteceu, ultrapassei-a era como se ela não estivesse lá.
Ela virou-se enquanto chorava e gritava "NÃO, PORQUÊ? PORQUÊ QUE TE FOSTE SEM MIM?"
Olhava para um corpo inerte, imóvel, rijo.
Com uma cara fria e pálida, branca como cal.
Os seus olhos ficavam baços, com a cor castanha avelã a esgotar-se a cada segundo que passava.
Eram-me tão familiares.
Foi ai que o deixei de sentir. O coração que fugia. Libertou-se com a ultima batida.
Ali, estendido aos pés daquela que jamais poderia tocar outra vez, estava eu...

Eduardo Silva





A apreensão escrita do tumulto dos sentimentos. A revelação da inquietude. Uma promessa jovem que nos informa que o amanhã de Portugal está garantido. Um blog que nos interpela incontornavelmente:
Cala-me! Mas deixa-me escrever!


António Ferrão

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F.William Engdahl - Corrupção na OMS

OMSDurante o último decénio, a OMS criava as chamadas «alianças entre os sectores público e privado», com o objectivo de incrementar os fundos à sua disposição. Mas em vez de receber fundos provenientes apenas dos governos dos países membros da ONU, como estava previsto no princípio, a OMS recebe actualmente das empresas privadas cerca do dobro do orçamento que habitualmente lhe estabelece a ONU, sob a forma de bolsas e ajudas financeiras.

De que empresas privadas provêm esses fundos? Dos mesmos fabricantes de vacinas que beneficiam de decisões oficiais como a adoptada em Junho de 2009 sobre a urgência pandémica da gripe H1N1. À semelhança dos benfeitores da OMS, os grandes laboratórios têm as suas entradas em Genebra com direito a um tratamento de «portas abertas e carpete vermelha» [19].


Original: Réseau Voltaire
Tradução: ODiario.info

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segunda-feira, janeiro 04, 2010

Gabriel Chalipa - Homenagem aos professores

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domingo, janeiro 03, 2010

Glen Alleman - A equipa



Documento original: Forming, Norming, Storming, Performing, de Glen Alleman

Tradução livre de António Ferrão

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