sexta-feira, julho 04, 2008

Medina Carreira - Nem quero falar da Educação

Excertos da entrevista de Gomes Ferreira (GF), do programa Negócios da Semana da SIC, a Medina Carreira (MC) no dia 3 de Julho de 2008. (AF)

Medina Carreira



...


MC - O resto continua na mesma, o ensino é uma lástima, os alunos não sabem escrever mas os erros não contam, dão uma ideia de facilidade, sem exames, sem coisa nenhuma, depois os serviços fazem uns exames que - dizem os especialistas - aquilo não presta para nada, é facílimo... Portanto, isto é tudo uma mentira pegada. O país não está a resolver nenhum dos seus problemas de fundo.

...


GF - Mas diga-me uma coisa, na Educação pelo menos fez-se a avaliação dos professores.
MC - Mas você acredita nisso?
GF - Pelo menos oficialmente está aprovada.
MC - Oiça! Eu nem quero falar da Educação, sabe. Porque as crianças, os jovens de hoje, não perceberam que se deviam revoltar contra os políticos. Os políticos estão a hipotecar o futuro deles.
GF - Já vamos a isso. Mas, do que a Ministra fez, nada serviu?
MC - Oiça! A Ministra, ao princípio pareceu-me - aliás creio que aqui a si ou a alguém disse que me parecia - que era dos poucos ministros que valia a pena.
GF - E agora? Já perdeu o ímpeto?
MC - Mas a Ministra não percebeu nada do que estava a fazer, porque ela quis pôr os professores na ordem, mantendo os alunos indisciplinados. Meu amigo: todos nós fomos estudantes. Imagina que, com gente indisciplinada, pode (até) levar para lá um professor catedrático. O professor catedrático não ensina nada porque eles não deixam ensinar. Portanto, a primeira coisa a fazer era pôr ordem nas aulas...
GF - E não fez isso?
MC - Concerteza que não! Então não viu aquela história do telefone?
GF - Ah! Isso, rebeldia, toda a vida existiu.
MC - Não, não! Não me venha com isso. No meu tempo não havia rebeldia daquele estilo... Nem no seu.
GF - Não! Não havia, não.
MC - Aquilo existe há uns anos. Agora, desde que há estes ministros, assim, que andam aí para agradar.
GF - Mas há casos isolados e há situações...
MC - Olhe! Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos; e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles - no futuro vão ficar uns ignorantes, na maior parte dos casos - eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos! Eram os meninos.
GF - Mas o que o Sr está a referir já não é um problema de governação ou de relação entre governados e governantes.
MC - Então o que é?
GF - É mais vasto... É civilizacional. É da organização do País e da relação de civilidade entre as pessoas...
MC - Mas... Ó Gomes Ferreira, se você disser aos pais e aos meninos: Bom! Isto é civilizacional, somos todos uns selvagenzitos, não é para aprender coisa nenhuma, nem saber contar, nem escrever, nem falar, nem pensar... Mas isto vai sair-lhes muito caro.
GF - Mas não digo nada disso...
MC - Agora, era preciso dizer-lhes isso. Não dizer: Eles são todos uns ignorantes, mas os exmes estão a dar melhores resultados. Houve progressos brutais de um ano para o outro. Pá, isto é tudo uma mentira que ninguém acredita.
GF - Eu não digo nada disso. Eu digo é às minhas filhas para estudar e acompanho-as, a minha mulher também as acompanha e acho que 80% dos pais em Portugal fazem o mesmo... Acho eu. Portanto, se calhar também não é tão vasto o problema como dizem...
MC - Não, não! Sabe, meu caro Gomes Ferreira, o problema é este: é que aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir... Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem... Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.
GF - E esses fariam o país progredir?
MC - Exactamente, esses é que precisam.
GF - E o sistema, como está, não os ajuda?
MC - Ah! Você não me obrigue a ser eu a interrogá-lo. Você acha que...
GF - Mas eu quero ouvi-lo. Com mais profundidade.
MC- Ah quer ouvir-me? Sabe, eu deixei de ensinar porque estava farto de ignorantes. Eles não sabiam falar, não sabiam escrever, erros uns a seguir aos outras. Não sabiam falar - aliás veja como hoje alguns ministros têm dificuldade em articular; o vocabulário é escasso, a gaguez é imensa - há uns "supônhamos" que saem assim um bocadinho descuidados...
GF - É cada vez mais frequente esse erro.
MC - Portanto, você acha que isto aqui é uma coisa que tem jeito? Ninguém quer denunciar, porque isto não é simpático. É melhor andarmos todos a abraçar-nos uns aos outros. Portanto, não vamos longe com esta falta de qualidade...

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1 Comentários:

At 13:39, OpenID contestatario disse...

No entanto, o povo continua a votar, a comer e calar e a enaltecer a sua pinup do momento, o cretino Sócrates. Já o fez com Guterres, Barroso, Lopes...

 

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