domingo, setembro 21, 2008

José Sócrates pede um cheque em branco

O secretário-geral do PS disse, este sábado, num comício do partido em Guimarães, que a «esquerda do passado, imobilista e conservadora, nada tem a oferecer ao país», a propósito das críticas ao novo Código do Trabalho. (TSF)

Calma aí, Zé, que vais muito acelerado. O teu conceito de mobilidade está a chegar demasiado longe. Está a chegar até às zonas mais inconfessáveis da actividade política. Estás a transformar a tua forma de fazer política num autêntico embuste.

Por acaso, os eleitores apreciam que aqueles que são eleitos sejam suficientemente imóveis para que não rasguem as suas promessas eleitorais no dia seguinte à eleição.

O mote da tua última candidatura foi assegurar a governabilidade com uma maioria absoluta. Nunca cheguei a perceber essa necessidade. Se o governo fosse minoritário, haveria certamente muito mais concertação entre as forças políticas, as discussões seriam muito mais vivas, os problemas mais bem analisados. Todos ganharíamos, excepto, eventualmente, aqueles que só sabem governar à maneira de Salazar, isto é, sem compromissos de qualquer espécie.

Este anos, pelos vistos, o mote é a mobilidade. Aquilo que o Zé pensa fazer quando e se for eleito, não pode ser depreendido daquilo que diz hoje, porque é uma pessoa muito móvel. Quando e se for eleito, irá perguntar à OCDE, à Comissão Europeia e à NATO o que tem a fazer, pois não se deixa aprisionar a promessas eleitorais imobilistas.

Eleitores: sai mais um cheque em branco fresquinho pró Zé? Não têm o direito de saber para quê antes da eleição, face ao novo paradigma da política móvel, porém não terão grandes surpresas em saber depois. Simples continuidade relativa ao crescimento da inflacção e dos juros, aos congelamentos salariais, à perda de direitos, à centralização policial, à destruição da justiça e do ensino público, ao intervencionismo na Polícia Judiciária. Em suma, tudo muito imóvel.

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1 Comentários:

At 12:38, Blogger Cláudio Ferrão disse...

O primeiro ministro faz aquilo que é seu dever fazer. Nada mais o distrai;porque certamente se trata de qualquer coisa inanimada e irracional, ou de alguém que está iludido ou ainda ( e o mais certo)alguém que não sabe que caminho seguir!

Cláudio Ferrão

 

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