sexta-feira, outubro 17, 2008
quarta-feira, novembro 07, 2007
O reverso da medalha
Volto-me para o quadro, de giz na mão, atentamente, para seguir o fio condutor da minha exposição, sempre preocupada com o melhor desempenho possível... sempre preocupada com os meus jovens, que sinto quase meus filhos, na ânsia de eles apreenderem o máximo de modo a poupar tempo... querendo que eles todos tenham êxito, mais tarde, na vida... que eles a sintam leve, que compreendam melhor o mundo em que os puseram...
- pois, a quantidade de movimento... é uma grandeza vectorial porquê?
...escrevo uma expressão matemática, aguardo uma resposta... e ela veio, sim, mas não a que esperava! TRÁS! e TRÁS! Um som arrepiante.
Volto-me e vejo dois matulões de 17 anos, maiores do que eu, em pé, em posição de ataque, um deles com a cara toda vermelha, resultado do bofetão recebido...
Digo qualquer coisa, e mais outra, procuro acalmar-me porque a eles era impossível.
Consegui que saíssem. Não oiço mais nada... "Drª, Drª, deixe-me ir lá fora, que eles ainda se matam"... entendi.
Estas palavras longínquas fazem-me retornar ao local de que faço parte. Deixei sair.
-Sabe? foram uns papéis que o X atirou ao Y!
E eu pesada , letárgica, não consegui perceber ... aquilo não era motivo.
-Saiam todos, por favor.
Retiro um papel qualquer, esboço uma participação, marco 2 faltas disciplinares e fico parada a pensar que ninguém me respondeu à questão colocada:
-A quantidade de movimento é uma grandeza vectorial porquê?

