Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (5)
Símbolo da Liberdade?
"Onde quer que a bandeira da liberdade ou da Independência flutue ou venha a flutuar, ela estará nos nossos corações, na nossa benção e nas nossas preces. Porém, ela não partirá do nosso território em perseguição de mosntros para os destruir. Servirá para todos como o testemunho da nossa liberdade e independência. Permanecerá como campeã e justiceira de si própria. Ela sabe bem que, uma vez engajada em causas que não a sua própria, ainda que se trate da independência de outro país, ver-se-ía envolvida com poderes de extorsão, com guerras de interesse e de intriga, de cupidez individual, inveja e ambição que estão sempre preparadas para usurpar as cores da bandeira da liberdade."O mundo inteiro poderia dar-se por satisfeito se os sucessores de Adams aplicassem a mesma máxima.
Domínio dos EUA por intermédio da OTAN e da OSCE
A Europa é corresponsável
Os interesses americanos transcendem as divergências partidárias
- Após o rompimento do equilíbrio geo-estratégico, impôs-se o primado do direito do mais forte nas relações internacionais. Os EUA - outrora proclamados defensores da ordem jurídica internacional - consideram agora as Organização das Nações Unidas (ONU) como um obstáculo.
- A supremacia da escola monetarista e do «consenso de Washington» na economia. Nenhum deles aparecu do nada. Estão firmemente enraizados no modelo de sociedade anglo-americana, diametralmente oposto ao modelo europeu continental. No entanto, os seus dogmas são aplicados principalmente no exterior, mostrando-se as finanças e a economia dos EUA firmemente pragmáticas.
- Mão forte sobre as instituições internacionais «decisórias» como o Banco Mundial, o FMI, o G7/8 e o OMC e ainda a OTAN, sob a palavra de ordem «America first».
- Preservação da situação sem precedentes do dólar como divisa padrão internacional: os bancos centrais precisam dele para combater as crises monetárias, os estados para as suas exportações e para importar petróleo e bens manufacturados, os países emergentes ou em desenvolvimento para reembolsarem as suas dívidas para com o FMI e os clubes «de Paris» e «de Londres». Todas as mercadorias importantes são facturadas em dólares no mercado mundial.
- Após o abandono da paridade-ouro e o crescimento exponencial (acima dos 100%) da procura do dólar na sequência do aumento brutal dos preços do petróleo nos anos 70, os investidores perderam quase toda a influência sobre a máquina rotativa de impressão de notas nos EUA.
- Desde há mais de vinte anos os EUA praticam quase sem interrupção uma política consciente de déficit orçamental e comercial. Apesar da inflacção que atinge o dólar, continua a aceitar-se este como meio de pagamento no mercado mundial de capitais. Razões mais importantes: o medo do afundamento, a falta de coragem para promover alternativas e a mensagem, até aqui aceite, que os EUA são o único país em condições de proteger face a qualquer ameaça. Onde esta crença é desafiada, promove-se a instabilidade, afim de reconduzir os tresmalhados ao bom caminho.
- O sistema actual restringe as opções à prática de uma economia orientada para as exportações, logo, de bom ou mau grado, a observar as condições impostas via OMC, FMI e Banco Mundial. As principais vítimas do sistema são os países em desenvolvimento e os emergentes, pendurados na torneira do FMI. O qual impõe condições que canalizam os ganhos das exportações para pagamento do serviço da dívida em deterimento do desenvolvimento económico interior. As economias exportadoras de produtividade elevada, como a Alemanha por exemplo, ficam sujeitas à pressão da concorrência mundializada, cujos padrões são fixados além-atlântico. Esta pressão reprecute-se, por sua vez, no interior. Resultado? Declínio da Agenda 2010, que o Chanceler Schröder havia conseguido aprovar.
- Os EUA podem dar-se ao luxo de um défice comercial exorbitante de 500 milhões de dólares, um défice orçamental equivalente a um endividamento bruto de 3700 biliões de dólares para com o resto do mundo. É este resto do mundo que financia o défice, enquanto os bancos centrais continuarem a investir os seus lucros na exportação dos títulos da dívida pública dos EUA, supostamente seguros. Os estados da ASEAN+3 reinvestiram neles 80% dos seus excedentes comerciais e detêm 90% das reservas de dólares mundiais. As reservas de divisas chinesas, que se elevam a esta hora a 1,8 biliões de dólares, são constituidas principalmente por títulos do Tesouro dos EUA. Simplifiquemos: Se for contraposto o deficit dos EUA ao seu orçamento militar de 400 milhões de dólares, verifica-se que os rivais dos EUA financiam os sonhos de potência ambicionados por Wolfowitz no seu texto, acresentando-lhe ainda um belo brinde. O que levou Helmut Schmidt, ex-Chanceler alemão e membro actual da comissão redactorial do semanário «Die Zeit» a colocar a seguinte questão ao candidato à presidência:
«Será que a vossa política orçamental se destina a equilibrar a enorme dívida externa? Irão os EUA deixar de consumir uma grande parte das poupanças e da acumulação de capitais das restantes nações? Bater-se-ão os EUA a favor de uma ordem consensual e pela supervisão dos mercados financeiros mundializados altamente especulativos?»
- Os principais beneficiários deste sistema são os Big Oil [as grandes companhias petrolíferas] e o conglomerado financeiro a elas associado, assim como o complexo militar-industrial. Entre os perdedores estão, não apenas partes importantes do resto do mundo, assim como vastas camadas da indústria dos EUA, que deixaram de ser concorrenciais no mercado mundial. A economia dos EUA tornou-se largamente importadora e consumidora, financiando-se pelo endividamento. O presidente cessante foi posto ao corrente desta situação no decorrer da campanha eleitoral, no Middle West, quando os operários furiosos o declararam taxativamente. Os auto-proclamados campeões do mundo da exportação continuam a deixar-se embalar por balelas.
Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008
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