
Já Afonso Lopes Vieira sentia a necessidade do contacto com a Natureza,
coisa cada vez mais longínqua nos dias de hoje, especialmente nas cidades que vão sendo construídas com a principal preocupação de "fazer dinheiro" para quem tem o poder na mão.
Em
rotadosescritores.org podemos saber um pouco mais sobre a sua vida e acção.
Vejamos o que ele diz no poema:
As flores e a hortaNos Direitos do Homem, quanto a mim,
faz uma falta enorme que não venha
que toda a humana criatura tenha
direito a ter um jardim!
Este jardim é apenas um cantinho,
como convém;
mas as coisas do rude jardinzinho
criam-se bem.
Temos cravos vermelhos a cantar
com rubra voz,
que perfuma, com a côr e o cheiro, o ar
em roda de nós.
Temos os girassóis, que todo o dia
olham de frente
o Sol, e ensinam, simples, a alegria,
heroicamente.
Temos as sardinheiras, - raparigas
filhas do povo,
que vão prá festa com seu lenço novo
e a rir cantigas.
Temos as rosas bravas, linda flor
do meu amor;
e as doces moreninhas dos poetas:
as violetas.
Entre a beleza pródiga das cores
e dos perfumes,
florescem essas outras verdes flores:
os legumes.
As couves, com seu ventre meigo e ledo
são tão belas!
(E houve tempo em que os poetas
tinham medo
de falar de elas...)
Enfim todo ele é apenas um cantinho,
como convém;
mas as coisas do rude jardinzinho
criam-se bem.
Dá-nos as flores e a horta e, ao fim do dia
sentimo-lo sorrir e respirar...
E a mim dá-me a ilusão de essa alegria
de lidar com a terra - e de a cavar!
Canções do Vento e do Sol1911