sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Um contributo para ti, Zeca Afonso

À tua voz cristalina, ao teu engenho, aos teus sonhos partilhados e cantados connosco, à força que nos transmitiste eu ergo o meu copo, não de vinho, mas cheio de amor fraterno. Obrigada, Zeca, por tudo o que nos proporcionaste e defendeste!
Magda.

"Mouzinho se chamava o barco que levou Zeca a África pela primeira vez. Um só cano teria. Nesses tempos, nós, os putos embarcadiços, medíamos o prestígio dos navios pelo número e ostentação das chaminés. Isto é, por símbolos explícitos, visíveis, de uma ingenuidade cenográfica. Hoje a matula é mais avisada. Outros são os símbolos e diferente o seu significado. A funcionalidade substituiu a semiologia do espectáculo ou, melhor dito, o espectáculo reside na hiperfuncionalidade dos objectos, a ponto que nenhum voluntarismo sobra ao herói, sob a superfície enganadora das aparências.
Havia-os de dois canos, mais raramente de três. À vista. Cruzavam-se com a nossa humilhação, ou levavam-nos as lampas com os seus nós suplementares de velocidade. Quatro, porém, só nos postais. O Queen Mary, por exemplo, com o seu porte imperial, como se ele e o império britânico fossem igualmente eternos, apontava para o céu, se não erro, esse exagero supremo de um orgulhoso exibicionismo naval."

E por aí fora... é um prazer ler esta biografia de José Afonso escrita pelo seu irmão João Afonso dos Santos. Para mim foi um prazer pois foi assim que fiquei a saber que por várias vezes os nossos caminhos se cruzaram, por cá, por Angola e por Moçambique.

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