sábado, março 17, 2007

Em Portugal, as pessoas...


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Estamos insatisfeitos?Balbuciamos: Em Portugal, as pessoas...
Desconseguimos?Resmungamos: Em Portugal, as pessoas...
Não nos fizemos entender?Desaupilamos: Em Portugal, as pessoas...
Tropeçámos no imprevisto?Refilamos: Em Portugal, as pessoas...
Não nos preparámos com antecedência?Respingamos: Em Portugal, as pessoas...
Descartámos uma advertência?Disfarçamos: Em Portugal, as pessoas...
Não prestámos atenção?Descarregamos: Em Portugal, as pessoas...
O nosso ego está amachucado?Grunhimos: Em Portugal, as pessoas...
Facilitámos?Aliviamos: Em Portugal, as pessoas...
Não fomos explícitos?Protestamos: Em Portugal, as pessoas...
Usámos subentendidos?Vituperamos: Em Portugal, as pessoas...
Não procurámos informar-nos?Desconcertamos: Em Portugal, as pessoas...
Não nos organizámos?Acusamos: Em Portugal, as pessoas...
Confiámos na sorte?Queixamo-nos: Em Portugal, as pessoas...
Exigimos o resultado antes do esforço?Lamentamos: Em Portugal, as pessoas...
Confiámos que alguém se iria lembrar de nós?Suspiramos: Em Portugal, as pessoas...
Desvalorizámos a importância da nossa intervenção?Criticamos: Em Portugal, as pessoas...

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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A cartilha do Zé

Apanhada por acaso na escadaria de São Bento, eis a cábula que encontrei.
  1. Inventar clivagens entre os eleitores. Por clubismo? Sim! Não é má ideia. Algumas benesses poderão ajudar. Por convicções religiosas? Serve. Manter o conceito de muçulmano bem próximo do de terrorista. Por tabagismo, por absentismo, pelo que mais vier à inspiração, desde que em nenhuma ocasião surja a clivagem entre governantes e governados. Deve estar sempre uma activa, e periodicamente deve ser substituída.
  2. Identificar as formas organizadas de intervenção dos cidadãos com as práticas socialmente mais condenáveis. Seleccionar sempre os piores exemplos. Estimular resentimentos da população contra professores, juízes, médicos, jornalistas, polícias, militares, etc.
  3. Referendar as decisões com maior capacidade de gerar polémica. Aumento de impostos? Nem pensar. Alteração da lei do aborto? Óptimo. De preferência com todos os termos técnicos dentro da pergunta. Sempre folga duas vezes as costas.
  4. Atribuir as responsabilidade das medidas mais impopulares a autoridades fora do controlo eleitoral: Governador do Banco de Portugal, Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Nato, empresas de sondagens, empresas consultoras.
  5. Ancorar os principais factores de sucesso dos planos na evolução prospectiva positiva da situação internacional. Este ponto complementa à maravilha o seguinte, que já é velho. Nem sei como ninguém se lembrou disto.
  6. Justificar o incumprimento dos planos pela conjuntura internacional ou climatérica. Obrigado Aníbal.
  7. Usar sempre a mesma resposta padrão para cada bancada da oposição parlamentar, independentemente do ponto da agenda. Assim, o processo de elaboração das ideias entra numa nova etapa, mais industrializada e moderna, com evidentes ganhos de economia de pensamento.
  8. Aproveitar a redução do preço do barril de petróleo para aumentar o imposto sobre a gasolina. Já foi dito que a conjuntura internacional é responsável pela gasolina cara.

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Atavismos temporais


  • O feliz - este é o meu dia
  • O infeliz - nunca mais
  • O usuário - dá-me o teu tempo
  • O cidadão global - não tenho tempo
  • A criança - quando for grande
  • O idoso - em jovem
  • O jovem - é cedo
  • O maduro - é tarde
  • O patrão - ainda?
  • O empregado - já?
  • O candidato ao governo - está prestes a chegar a hora
  • O governante - ainda não há condições

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